(Parte 3 de 5)

A qualidade de um produto define-se através da Comparação de suas caracterís­ticas com os desejos do consumidor ou com as normas e especificações de fabricação. Um produto pode ter alta qualidade para o consumidor e qualidade apenas regular para os departamentos técnicos que o fabricam. O problema central do controle de qualidade é manter determinado nível de qualidade para um produto de acordo com a política da empresa, ou seja, de acordo com os padrões de qualidade estabelecidos.

O nível de qualidade a ser alcançado e/ou mantido depende de uma série de fatores. A empresa ao definir que O produto será fabricado de acordo com certas especificações de qualidade deve ter reali7ado. previamente uma análise de dois fatores básicos de um produto:

  • Aspecto Interno: as condições materiais, instalações, matéria-prima, pessoal e quais os custos para atingir ou manter determinado nível de qualidade, A medida de Confiabilidade de um produto aceito como de boa qualidade em relação às especificações do projeto e do processo é que é a qualidade de fabricação.

  • Aspecto externo: quais OS desejos dos consumidores? Existem Condições governa­mentais quanto á qualidade do produto fabricado? Ocorrem exigências para deter­minado tipo de mercado consumidor?

Após analisar esses dois aspectos e Chegar a uma conclusão, a empresa terá determinado os seus padrões de qualidade que podem ser relativos aos mais variados aspectos.

Para conseguir manter esses padrões de qualidade é necessário Controlá-lo, ou seja, é preciso a existência do Controle de Qualidade, Mas, ao fixar padrões de qualidade, surgirão problemas entre todos os elementos que dela participam, especificações, produção, manuseio de materiais, compras e estocagem, O pessoal da produção estará interessado em custos, o de compras em preços baixos, o de vendas em satisfazer o consumidor da melhor maneira possível, o de projetos em manter altos níveis de qualidade, e a direção da empresa em resultados finais e que sejam mais lucrativos.

Além disso aparecerão Considerações técnicas a serem postas em evidência, ou seja, quanto mais altos os níveis de qualidade fixados, mais rígido será o controle, mais difícil a produção pôr quantidades e mais difícil o universo de fornecedores de matéria-prima disponíveis.

Em vista disso, os padrões de qualidade devem ser práticos ao máximo possível, Devem apresentar tolerâncias, ou seja, limites de qualidade dentro dos quais determinado produto pode ser fabricado e aceito pelo consumidor. Essas tolerâncias podem ser:

  • quantitativas: dimensões, pesos, Composições químicas, processo de fabricação, especificações de materiais utilizados, tratamentos térmicos;

  • qualitativas: cor, cheiro, sabor, aspecto.

A responsabilidade do Controle de Qualidade deve estar sob a orientação de um grupo de indivíduos especializados, que podem estar subordinados ao Diretor Industrial em função do tipo de empresa e de suas possibilidades. O Controle de Qualidade tem Como principais funções:

  • estabelecer normas e especificações que determinarão. Os níveis ou padrões de qualidade a serem seguidos;

  • inspeção e registro de dados;

  • técnicas estatísticas de controle de qualidade;

  • métodos de recuperação de produtos ou peças defeituosas;

  • manutenção de equipamentos e ferramentas de inspeção;

  • prevenção das condições que prejudicam a qualidade.

A inspeção tem como objetivo determinar se um produto deve ser aprovado ou rejeitado, levando-se em consideração os padrões de qualidade estabelecidos. A inspeção preventiva tem como objetivo a determinação de tendências dos valores ou padrões estabelecidos. Sua importância reside no fato de que futuras especificações, métodos, custos e políticas de qualificação, no que se referem aos padrões de qualidade, serão afetadas pêlos resultados advindos da análise dessas tendências. Podemos dividir as atividades de inspeção em:

  1. Inspeção de matéria-prima ou inspeção de recebimento E realizada quando se recebe material; existem situações em que o inspetor vai á fábrica do fornecedor para fazer a liberação, Essa inspeção nem sempre é econômica ou interessante, no sentido de evitar refugos ou problemas de produção. De qualquer modo, deve sempre existir inspeção na recepção, pôr mais simples que seja, identificação dos materiais recebidos, condições e quantidade,

  1. Inspeção de processo O que se deve inspecionar e com que profundidade depende de cada caso em particular, A inspeção pode ser da seguinte maneira:

  • automática;

  • pelo próprio operador;

  • pôr um inspetor especializado.

  1. Inspeção final E a inspeção do produto acabado; pode ser feita pôr um inspetor da fábrica ou até mesmo cliente, o que não é recomendável,

  1. Deve Sempre existir uma inspeção do produto final, não só pelo simples fato de selecionar os que servem e rejeitar os defeituosos, mas também porque pode indicar outros problemas existentes e apontar os responsáveis, fornecedores de matéria prima, partes do produto com qualidade abaixo da desejada pelo setor de vendas

Segurança da Qualidade

A definição da qualidade do material a ser comprado é determinada consideram do se o veredito final do departamento utilizador. Assim sendo, as definições de qualidades relativas a artigos e equipamentos de escritório podem ser determinadas pelo usuário dos mesmos; esse mesmo procedimento serve para os demais tipos de materiais sem grande importância ao produto final.

A definição da qualidade deve ser expressa de tal matreira que:

  • Comprador saiba exatamente o que está sendo desejado;

  • contrato ou o pedido de compra seja emitido com uma descrição adequada do que se deseja;

  • fornecedor seja devidamente posicionado das exigências de qualidade;

  • Existam meios apropriados de inspeção e restes para serem utilizados a Fim de que se verifique se os materiais entregues satisfazem os padrões de qualidade deseja.

  • os materiais entregues estejam de acordo com as especificações de qualidades aceitáveis para a empresa do comprador.

A definição da qualidade pode ser muito simples ou muito Complexa, porém o importante é que seja criteriosamente estabelecida.

As definições dos padrões de qualidade devem ser precedidas de uma descrição sumaria, em termos técnicos adequados e usuais, que serão informados ao fornecedor. Elas podem ser:

  • pôr marca.,

  • pôr especificações;

  • pôr desenhos;

  • influência do mercado;

  • pôr amostra;

  • pôr combinação de duas ou mais modalidades acima.

Existem situações para muitos materiais comuns, como ferramentas, e materiais de uso e consumo geral em que uma simples indicação do tipo e das dimensões ou até mesmo da referência do fabricante e suficiente.

Um dos principais objetivos e finalidades da Seção de Compras é a aquisição na qualidade adequada. A qualidade Correta não quer significar a melhor qualidade disponível; pôr mais desejável que essa possa ser, elas terão de atender a determinadas exigências, e deve estar relacionada àquela necessidade. Qualidade correta significa melhor qualidade para determinado uso.

Podemos afirmar que o objetivo real de Compras é conseguira qualidade adequada ao mais baixo preço possível. Existem determinadas utilizações para as quais os tipos mais inferiores e baratos de materiais são suficientemente adequados; nessas situações,

a qualidade mais inferior é a qualidade correta.

Existem também ocasiões em que a melhor qualidade disponível no mercado nunca é suficiente; se é esse padrão que a empresa precisa, preço algum será alto demais. Toda necessidade de compra de materiais com qualidade especifica reduza substancialmente a área de escolha, pôr eliminação de tudo aquilo que não se enquadra dentro dos padrões solicitados.

PREÇO-CUSTO

Custos

É muito importante para um comprador conhecer ou fazer uso da análise preço-custo e ter algum conhecimento básico de sistemas de custos, ou seja, conhecer como é montada a estrutura do preço de venda. Ele deve perguntar a si próprio:

  1. Como o fornecedor estabelece seu preço?

  2. Qual é a reação do mercado?

  3. Qual a reação do método com produtos concorrentes?

  4. Qual O grau de Confiabilidade nas estimativas do fornecedor?

  5. Qual deve ser a margem em que atua o fornecedor?

E bom esclarecer uma posição muito importante; pôr preço entende-se o valor que o fornecedor exige ao vender seu produto. Pôr custo entende-se O quanto ele gasta para fabricar esse mesmo produto. Podemos afirmar que custo pode significar a soma de esforços que são aplicados para se produzir alguma coisa.

Como o termo Custo é bastante vago e é aplicado de maneira bastante diversa, passou se a usá-lo também em expressões mais específicas: custo de reposição, Custo estimado, custo variável etc. Podemos classificá-lo também de várias maneiras ou de vários tipos como salário, aluguel, depreciação; pode-se classificá-lo também pôr função, produção, distribuição, venda etc. Somente Conhecendo-se o custo de fabricação poderíamos determinar o lucro real de um produto, incluindo-se nesse cálculo o valor dos estoques, Compreendendo também os semi-acabados, produtos em processo, e Isto só é possível se tivermos determinado os custos dos Componentes em seus diversos estágios. Em função do tipo da empresa e de seu processo de fabricação, O sistema de Custos pode ser:

  1. Custo pôr ordem de produção - Mais utilizado para empresa de produção sob encomenda, a empresa atende aos pedidos de clientes, quer pôr unidade quer pôr lotes, em função de uma venda efetivada.

  2. Custo pôr processo de fabricação E usado na produção continua; são as empresas que normalmente produzem para estoque.

  3. Custo-padrão ou standard - E o custo predeterminado cientificamente, considerando as condições normais e aceitáveis de operação da empresa. Podem ter dois significados:

como modelo ou meta a ser atingida, em determinada condição ou período;

Como medida fixa ou guia, usado para Comparações. Neste caso é um excelente meio de controle inatingível pela política de preços, seja inflacionaria, seja deflacionaria.

Existem ainda outros sistemas de custo, tais como: custo pôr operação, custo direto, custo pôr absorção.

A composição de custo e característica especial de cada tipo de empresa. Em geral existem três grupos principais: custo de fabricação. custo de pesquisa e desenvolvimento e custo das vendas.

No custo de fabricação são coletados todos os gastos necessários á produção, tais Como: materiais aplicados no produto, incluindo-se também as despesas administrati­vas, telefone, aluguel, seguros etc. Avalia-se esse custo somando-se os gastos com:

  • matéria-prima;

  • mão-de-obra direta;

  • despesas de fabricação (mão-de-obra indireta e despesas gerais).

Normalmente o material direto é medido e identificável no final do processo. O custo da mão-de-obra direta refere-se somente ao tempo gasto na fabricação efetiva do produto; o tempo de funcionários gasto em outros tipos de serviços de apoio é considerado mão-de-obra indireta. A separação entre mão-de-obra direta e secundária e mesmo indireta, é menos distinta quando a produção é pôr processo continuo ou quando se caracteriza a automação. As despesas de fabricação são as despesas necessárias à produção, com exceção do material direto e do salário direto, normalmen­te não identificáveis com as unidades produzidas como ferramentas, óleo, graxa etc.; salários indiretos como a mão-de-obra secundária, ou seja, o tempo do empregado produtivo não empregado na produção; despesas com manutenção, seguro, aluguel, ~1o~~o.ciaçao etc.

As despesas gerais de fabricação são as despesas administrativas necessárias à operação da fábrica, não ligadas diretamente á produção. O custeio dessas despesas denomina se despesas do período, pois estão relacionadas mais com o tempo que com volume de produção. As empresas pequenas incluem essas despesas, como parte das despesas de fabricação e parte como despesas de vendas. Tem-se de considerar ainda o custo da produção refogada, ou seja, o custo do material, mão-de-obra e despesas diretas aplicadas nas peças inutilizadas ou refogadas. Dependendo do procedimento, esse custo pode ser considerado como custo de fabricação ou despesas gerais ou ser tratado como um elemento á parte.

Os mecanismos de apuração de custos podem ser os seguintes:

Acumulação: inventários, controle de mão-de-obra, despesas históricas e previsões.

Classificação- contabilidade geral e analítica, preferivelmente uma contabilidade de custo integrada na contabilidade geral da empresa. Os elementos de custo podem ser classificados pôr natureza, em relação ao tempo. ou volume de produção, ou pôr áreas de responsabilidade

Distribuição consiste em distribuir os elementos de custo aos setores, departamentos, centros de custos ou linha de produto.

Apropriação: é a distribuição dos custos à produção para em seguida apurarem-se os custos unitários. O material direto e a mão de obra direta são relativamente fáceis de ser apurados, enquanto as despesas requer maior cuidado pois a sua apuração é difícil para a identificação com a unidade individual dos Produtos O método de atribuir as despesas de fabricação a produção deve ser criteriosamente selecionado, pois terá reflexos vitais na política de preços rias decisões com respeito a diversificação de produtos, na avaliação dos estoques e ~ determinação do lucro do período. A apropriação dos custos nos produtos geral mente são feitas com base em um Deficiente Como unidades produzidas, máquinas-horas, homens-horas, Custo primário etc.

Podemos Considerar então duas categorias de custo:

  1. Custos fixos que não variam com a carga de produção;

  2. Custos variáveis que variam com a quantidade produzida.

Redução de custos

Em um sistema de economia negocia da o controle de preços pode ser executado em Centros de Custo, visando ao estabelecimento de técnicas de gerenciamento0 que permitem manter um adequado Controle sobre o preço de produtos comprados já que o lucro da empresa é altamente influenciado pêlos mesmos. Torna-se, portanto essencial que as compras mais representativas em termos de volume de dinheiro sejam' adequadamente Controladas.

O Conceito de economia negociada, Comum a qualquer sistema de Compras não deve ser confundido com a responsabilidade primária de Compras que é conduzir adequadamente as negociações para a empresa. É fundamental que se estabeleçam Condições ideais de Compra e os termos de comparação válidos para sua avaliação Podemos então definir economia negocia da como: melhorar os preços ou as Condições; de compra, empregando-se, para aferir a melhoria, parâmetros adequado.

Um sistema ideal seria o que, com um grupo de técnicos, executasse análises completas dos produtos manufaturados que são adquiridos Contentemente e que representam o percentual máximo do volume de Compras da empresa. Estes produtos teriam seus preços objetivos coletados minuciosamente, a fim de fornecer ao compra dor os meios adequados à condução de suas negociações. O Controle seria feito através da comparação entre os preços objetivos desejados, Ou as suas variações, com os preços negociados.

Dada a diversidade de tipos de negociações, é difícil fixar quais são os casos em que uma vantagem possa ser realmente considerada como economia negociada. Tipos clássicos, entretanto, podem ser Considerados como pôr exemplo:

  1. Produto novo: sempre que negociada, a diferença entre o preço objetivo estimado, ou levantado, e o preço pago será considerada como economia.

  1. Variações Econômicas: reajustes solicitados serão objeto de analises, sumarias ou não, dos fatores econômicos que influem no preço. A negociação final, discutida com o vendedor com base nos valores fornecidos pelo analista, dará como resultado um numero que, diferente do solicitado, será computado como economia negociada. Para as mercadorias de pequeno valor, tomam-se como bases os índices de correção monetária.

  1. Negociação pura sempre que se conseguir reduzir um preço através de qualquer negociação, será computada a economia obtida.

  1. Alteração da data de validade: um aumento formalmente solicitado com a data da proposta indicada deve ser objeto de discussão. A alteração pode até dividir o aumento em duas etapas. O montante de entregas feitas dentro do período obtido e economia negociada.

  1. Aumento devido a alteração de produto: qualquer modificação de desenho ou especificação será objeto de uma estimativa de alteração de preço. Qualquer diferença entre a estimativa de alteração de preço e o preço efetivamente pago será computada como economia negociada.

  1. A alteração de programação: produtos adquiridos em grande volume de dois ou mais fornecedores, podem ser objeto de negociações favoráveis, com a alteração de porcentagem de distribuição afetando o preço mais favorável.

  1. Condições de pagamento: qualquer aumento do prazo de pagamento sem juros adicionais será computado também como economia negociada; para o cálculo da economia considera se a taxa de juros vigente no período em que foi realizado.

  1. Adiantamento de entregas: o conhecimento antecipado de um aumento expressivo nos preços permite que se estude uma antecipação no recebimento de produtos ao preço em vigor, sem o reajuste. Pode se ainda negociar a antecipação de entregas com a ressalva de que os vencimentos dos pagamentos Continuam os mesmos do sistema de entregas anterior.

Para analisar a economia realizada em compras de manutenção e equipamentos, devem-se seguir os seguintes tópicos:

  1. negociação pura que resulte em redução do preço que vem sendo pago.

  2. Nova fonte fortalecedora capaz de entregar o mesmo material por melhor preço.

  3. Aumento da quantidade resultante de pedidos repetitivos, como redução do preço.

  4. Sistema de pedidos em aberto pôr tempo de seis meses a um ano de duração.

  5. dilatação dos prazos de pagamento sem acréscimos de juros.

  6. variação de materiais de marcas diferentes e de tipos similares.

  7. Negociação das condições de entrega, posto fabrica, no estabelecimento do fornecedor.

Análise, Controle e reajuste de Preços

Podemos considerar que determinado produto tem preço justo e correr o comprador estabelece uma adequada relação entre qualidade, quantidade, atendimento e utilidade.

As condições que definem o preço podem ser:

  1. qualidade;

  2. quantidade;

  3. atendimento;

  4. utilidade;

  5. entrega;

  6. capacidade competitiva;

  7. integridade do fornecedor;

  8. termos de aceitação do pedido;

  9. política da empresa.

(Parte 3 de 5)

Comentários