AIDPI Módulo 2

AIDPI Módulo 2

(Parte 1 de 6)

Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância

Curso de Capacitação

Avaliar e Classificar a Criança de 2 Meses a 5 Anos de idade

Módulo 2

2.ª edição revista Série F. Comunicação e Educação em Saúde

© 1999. Ministério da Saúde. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte. Série F. Comunicação e Educação em Saúde Tiragem: 2.ª edição revista - 2003 - 2.0 exemplares

Management of Childhood Illnessfoi preparado pela Divisão de Saúde e Desenvolvimento Infantil (CHD), da Organização Mundial da Saúde (OMS) em conjunto com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), através de um contrato com a ACT Internacional, Atlanta, Geórgia, USA. A versão em português, que corresponde ao Curso de Capacitação sobre Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância, foi preparada pela Unidade de Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância, Programa de Doenças Transmissíveis, Divisão de Prevenção e Controle de Doenças (HCP/HCT/AIDPC), da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), em Coordenação com UNICEF-TACRO, Washington, DC, USA, agosto 1996, sendo feita adaptação às normas nacionais e autorizada a publicação pela OPAS/OMS no Brasil.

Edição, distribuição e informações MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Políticas de Saúde Área da Saúde da Criança Esplanada dos Ministérios, bloco G, 6.º andar, sala 636 CEP: 70058-900, Brasília – DF Tels.: (61) 315 3429/315 2866/315 2407/224 4561 Fax: (61) 315 2038/322 3912

Este material foi adaptado com a valiosa colaboração dos consultores e das instituições aos quais o Ministério da Saúde e a OPAS/OMS agradecem o empenho e dedicação.

Impresso no Brasil / Printed in Brazil

Ficha Catalográfica

Catalogação na fonte – Editora MS

EDITORA MS Documentação e Informação SIA, Trecho 4, Lotes 540/610 CEP: 71200-040, Brasília – DF Tels.: (61) 233 1774/2020 Fax: (61) 233 9558 E-mail: editora.ms@saude.gov.br

Brasil. Ministério da Saúde.

AIDPI Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância: curso de capacitação: avaliar e classificar a criança de 2 meses a 5 anos de idade: módulo 2 / Ministério da Saúde, Organização Mundial da Saúde, Organização Pan-Americana da Saúde. – 2. ed. rev – Brasília: Ministério da Saúde, 2003.

128 p.: il. – (Série F. Comunicação e Educação em Saúde)

ISBN 85-334-0424-7

1. Saúde Infantil. 2. Capacitação em serviço. I. Brasil. Ministério da Saúde. I. Organização Mundial da Saúde. II. Organização Pan-Americana da Saúde. IV. Título. V. Série.

NLM WA 320

Introdução5
Objetivos de Aprendizagem6
1Perguntar à mãe que problemas a criança apresenta7
2Verificar se existem sinais gerais de perigo9
Exercício A1
3Avaliar e classificar a tosse ou a dificuldade para respirar13
3.1Avaliar a tosse ou a dificuldade para respirar14
3.2Classificar a tosse ou a dificuldade para respirar17
Exercício B2
Exercício C125
3.3Avaliar a sibilância27
Exercício C228
4Avaliar e classificar a diarréia29
4.1Avaliar a diarréia29
Exercício D3
4.2Classificar a diarréia34
4.2.1Classificar o estado de hidratação34
Exercício E37
4.2.2Classificar a diarréia persistente39
4.2.3Classificar a disenteria40
Exercício F41
Exercício G46
4.2.4 Medidas preventivas48
5Avaliar e classificar a febre50
5.1Avaliar a febre52
5.2Classificar a febre5
Exercício K62

SUMÁRIO Exercício L . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .68

6.1Avaliar os problemas de ouvido69
6.2Classificar os problemas de ouvido71
Exercício M73
7Verificar se há desnutrição e anemia74
7.1Vitamina A74
7.2Deficiência de Ferro75
7.3Avaliar a desnutrição e anemia76
Exercício N78
Exercício O80
7.4Classificar o estado nutricional83
7.5Classificar a palidez palmar85
Exercício P86
8Verificar o estado de vacinação da criança94
Exercício Q100
9Avaliar outros problemas102
Exercício R103
Exercício S109
Exercício T109
Anexos115

6Avaliar e classificar os problemas de ouvido . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .69

2 Meses a 5 Anos116
Anexo 2: Estratificação epidemiológica da malária, segundo as áreas de risco117
Anexo 3: Portaria n.º 3, de 13 de janeiro de 1998119
Anexo 4: Sobre as vacinas120
Anexo 5: Caderneta de Saúde da Criança123

Anexo 1: Formulário de Registro para Avaliar e Classificar a Criança Doente de Equipe técnica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .127

Uma mãe leva o seu filho doente ao serviço de saúde devido a um problema ou sintoma em particular. Se você somente avalia a criança por este problema ou sintoma, possivelmente deixará passar outros sinais de doença. A criança pode ter pneumonia, diarréia, malária, ou desnutrição. Essas doenças se não são tratadas podem causar a morte ou incapacitar crianças pequenas.

No quadro AVALIARECLASSIFICARACRIANÇADOENTEDE2 MESESA5 ANOSDEIDADEdescreve-se como avaliar e classificar as crianças doentes de modo que os sinais de doença não passem despercebidos. De acordo com o quadro, você fará perguntas à mãe sobre os problemas da criança e verificará se esta apresenta sinais gerais de perigo. A seguir fará perguntas sobre os quatro sintomas principais: tosse ou dificuldade para respirar, diarréia, febre e problemas de ouvido. Uma criança que tenha um ou mais destes sintomas principais, pode padecer de uma doença séria. Na presença de um sintoma principal, você fará mais perguntas para poder classificar a doença. Além disso você verificará se a criança tem desnutrição ou anemia. Também verificará o estado de imunização da criança e avaliará os demais problemas mencionados pela mãe.

Este módulo descreverá e lhe permitirá praticar as seguintes técnicas: •Perguntar à mãe à respeito do problema da criança.

•Perguntar à mãe sobre os quatro sintomas principais:

➢tosse ou dificuldade para respirar; ➢ diarréia;

➢ febre;

➢problemas de ouvido.

•Na presença de um sintoma principal:

➢avaliar melhor a criança para averiguar se há sinais relacionados com o sintoma principal; ➢classificar a doença de acordo com os sinais presentes ou ausentes.

•Verificar o estado de imunização da criança e decidir se necessita de alguma vacina no mesmo dia.

•Avaliar qualquer outro problema.

•Detectar qualquer suspeita de doença de notificação compulsória. Seu facilitador dará mais explicações sobre o quadro AVALIARECLASSIFICAR.

1 PERGUNTAR À MÃE QUE PROBLEMAS A CRIANÇA APRESENTA

A mãe (ou outro familiar) é a pessoa que geralmente leva a criança ao serviço de saúde quando ela está doente. Porém, as mães com seus filhos sadios também procuram os serviços de saúde para o controle do crescimento e desenvolvimento e das vacinas. No cartaz AVALIARECLASSIFICAR, descreve-se o que você deve fazer quando uma mãe procura, com seu filho, a unidade de saúde.

Na maioria dos serviços, quando os pacientes chegam, o profissional de saúde determina qual é o motivo da visita da criança e se encarrega de obter seu peso e temperatura. A seguir anota esses dados no cartão da criança e/ou na folha de consulta da criança. Depois a criança é examinada pelo profissional de saúde.

Ao iniciar a consulta: Receba bem a mãe e peça-lhe que se sente.

Olhe o registro para saber a idade da criança e escolha o quadro de conduta correspondente.

➢Se a criança tiver de 2 meses a 5 anos de idade, avaliar e classificar de acordo com os passos que aparecem no quadro correspondente.

➢Se a criança tiver de 1 semana a 2 meses de idade, avalie a criança e classifique-a de acordo com os passos que figuram no quadro correspondente.

Certifique-se de que aferiu e anotou o peso e a temperatura da criança. Deve fazê-lo se não tiver estes dados. Não dispa nem perturbe a criança agora.

Pergunte à mãe que problemas tem a criança.

Anote o que a mãe lhe disser sobre os problemas da criança.

Uma razão importante para fazer esta pergunta é a necessidade de iniciar um diálogo com a mãe. Uma boa comunicação ajudará a dar segurança à mãe de que seu filho receberá a devida atenção. Mais adiante durante a consulta, quando tratar a criança, terá que ensinar e recomendar à mãe ou ao acompanhante sobre a maneira de cuidar da criança doente no domicílio. Assim, é importante ter uma boa comunicação com a mãe desde o primeiro momento.

Para empregar boas técnicas de comunicação:

•Escute atentamente o que lhe diz a mãe. Demonstrará assim que leva a sério suas preocupações.

•Use palavras que a mãe possa entender. Caso ela não compreenda as perguntas que lhe são feitas, não poderá lhe dar a informação que necessita para avaliar e classificar a criança corretamente.

•Dê-lhe tempo para que responda as perguntas.Por exemplo, talvez necessite tempo para decidir se o sinal sobre o qual lhe foi perguntado está presente.

•Faça perguntas adicionais caso a mãe não esteja segura da resposta.Enquanto você pergunta sobre um sintoma principal ou outro sinal associado, a mãe pode não saber com certeza se o sintoma ou sinal está presente ou não. Faça perguntas adicionais para ajudar a mãe a responder mais claramente.

Determine se é uma primeira consulta ou consulta de retorno para este problema.

Caso seja a primeira visita da criança para este problema, então é uma primeira consulta.

Caso a criança tenha sido atendida alguns dias antes por causa do mesmo problema, esta é uma consulta de retorno.

O propósito da consulta de retorno é diferente do propósito da primeira consulta. Durante uma consulta de retorno, o profissional de saúde procura saber se o tratamento que a criança recebeu na primeira consulta foi útil. Caso a criança não tenha melhorado ou tenha piorado depois de alguns dias, o profissional de saúde a refere a um hospital ou troca o tratamento.

A maneira de averiguar se trata-se de uma primeira consulta ou consulta de retorno pode variar de um serviço para outro. Alguns serviços de saúde agendam as datas de retorno. Em outros, o profissional de saúde escreve uma nota na ficha ou no registro de atendimentos.

Você aprenderá como proceder em uma consulta de retorno mais adiante no curso. Os exemplos e exercícios deste módulo descrevem crianças que vieram para uma primeira consulta.

2 VERIFICAR SE EXISTEM SINAIS GERAIS DE PERIGO

Verifique em todas as crianças doentes se existem sinais gerais de perigo. Um sinal geral de perigo está presente se:

➢a criança não consegue beber nem mamar; ➢a criança vomita tudo o que ingere;

➢a criança apresentou convulsões;

➢a criança está letárgica ou inconsciente.

Uma criança que apresenta um sinal geral de perigo deve ser avaliad a cuidadosamente. Na maioria das vezes, as crianças com um sinal de perigo necessitam ser referidas urgentemente ao hospital. Geralmente necessitam receber tratamento para salvar-lhes a vida como antibióticos injetáveis, oxigênio ou outros tratamentos que podem não estar disponíveis no seu serviço de saúde. Você deve completar o resto da avaliação imediatamente e rapidamente. No módulo IDENTIFICAROTRATAMENTOdescreve-se como administrar tratamento urgente.

Esta é a primeira seção da coluna “Avaliar”. Ela indica como verificar se existem sinais gerais de perigo.

Enquanto verifica se existem sinais gerais de perigo: PERGUNTE: a criança consegue beber ou mamar no peito?

Uma criança que apresente o sinal “não consegue beber ou mamar no peito” está demasiadamente debilitada.

Quando perguntar à mãe se a criança consegue beber, certifique-se de que ela compreende a pergunta. Se disser que a criança não é capaz de beber ou mamar, peça-lhe que descreva o que ocorre quando ela oferece algo à criança para beber. Por exemplo: a criança pode levar o líquido à boca e ingeri-lo? Caso você não esteja seguro da resposta da mãe, peça-lhe que ofereça à criança um gole de água potável ou leite do peito. Observe para ver se a criança ingere a água ou o leite.

• Determinar se esta é a primeira consulta para este problema ou se é uma consulta de retorno para reavaliação do caso. - Se for uma consulta de retorno, utilizar as instruções do quadro CONSULTA DE RETORNO

- Se for a primeira consulta, avaliar a criança como a seguir:

• A criança consegue beber ou mamar no peito?

• A criança vomita tudo o que ingere?

• Verificar se a criança está letárgica ou inconsciente.

Se a criança apresenta convulsão agora, deixe livre as vias aéreas e trate a criança com diazepam. Então imediatamente avalie, classifique e providencie outro tratamento antes de referir a criança urgentemente ao hospital.

Uma criança que apresente qualquer SINAL GERAL DE PERIGO necessita ser URGENTEMENTE assistida; referir urgentemente ao hospital, completar imediatamente a avaliação e administrar o tratamento indicado prévio à referência para que essa não sofra atraso.

Uma criança que está sendo amamentada talvez tenha dificuldade para sugar quando seu nariz está obstruído. Nesse caso, limpe-o. Depois de limpar o nariz, se a criança puder mamar, ela não tem o sinal de perigo “não pode beber ou mamar no peito”.

PERGUNTE E OBSERVE: a criança vomita tudo o que ingere?

Se a resposta for positiva, verifique a veracidade dessa afirmação.

A criança que não retém nada do que toma está com o sinal de perigo “vomita tudo que ingere”, portanto não poderá reter alimentos, líquidos nem medicamentos de administração oral. A criança que vomita várias vezes, porém que consegue reter algum líquido, não apresenta esse sinal de perigo.

Faça esta pergunta com palavras que a mãe entenda. Dê-lhe tempo para responder. Caso a mãe não esteja segura de que a criança vomita tudo, ajude-a a responder claramente. Por exemplo, pergunte-lhe com que freqüência a criança vomita. Pergunte-lhe, também, se a criança vomita cada vez que toma alimentos ou líquidos. Caso não se sinta seguro da resposta da mãe, peça-lhe que ofereça um gole de água potável à criança. Verifique se a criança vomita.

PERGUNTE: a criança apresentou convulsões?

Durante uma convulsão, os braços e as pernas da criança ficam rígidos porque os músculos se contraem. A criança talvez fique inconsciente, não respondendo a chamados.

Assegure-se se a criança teve convulsões durante a doença atual. Use palavras que a mãe entenda, como “ataques” e “espasmos”.

OBSERVE: verifique se a criança está letárgica ou inconsciente.

Uma criança letárgica encontra-se prostrada e não mostra interesse no que ocorre ao seu redor.

Freqüentemente a criança letárgica não olha para a mãe e nem a observa enquanto você fala. Pode ter um olhar fixo, sem expressão e não se dar conta, aparentemente, do que se passa ao seu redor.

Pergunte à mãe se a criança parece estar mais sonolenta do que de costume ou se não consegue despertá-la. Certifique-se de que a criança desperta quando a mãe fala ou a sacode ou quando você bate palmas.

Caso a criança apresente um sinal geral de perigo, complete o resto da avaliação imediatamente. Esta criança tem um problema grave. Deve administrar-lhe tratamento sem demora e referi-la urgentemente para o hospital.

Você aprenderá a registrar a informação a respeito da criança doente num formulário especial. Este formulário se denomina Formulário de Registro. A primeira parte deste formulário é similar ao quadro AVALIARECLASSIFICAR. Ele apresenta uma lista das perguntas que serão feitas à mãe e os sinais que você deverá observar e identificar.

Na maior parte dos exercícios deste módulo você usará somente uma parte do Formulário de Registro. À medida que aprender cada passo do quadro, usará mais partes do formulário.

Este é um exercício escrito. Você utilizará estudos de casos nos quais se descrevem sinais e sintomas de crianças doentes. Você usará o Formulário de Registro para anotar os sinais da criança e como classificou a doença. Quando terminar o exercício, um facilitador discutirá com você seu trabalho. O facilitador também pode tirar suas dúvidas sobre as informações contidas no módulo ou nos quadros.

Leia os casos seguintes e responda as perguntas sobre cada um deles. Caso 1: Celina

Celina tem 15 meses. Pesa 8,5 kg. Tem uma temperatura de 39ºC.

O profissional de saúde perguntou: “Que problemas tem a menina?” A mãe disse: “Celina tem tossido há quatro dias e não está comendo bem.” Esta é a primeira consulta de Celina por este problema.

O profissional de saúde verificou se Celina apresentava sinais gerais de perigo. Perguntou: “Celina consegue mamar no peito?” A mãe respondeu: “Não. Celina não quer o peito.” O profissional de saúde deu um pouco de água à menina. Esta estava demasiado debilitada e não conseguia levantar a cabeça. Não podia beber.

A seguir perguntou à mãe: “Está vomitando?” A mãe disse: “Não”. Depois perguntou-lhe: “Tem tido convulsões?” A mãe respondeu, “Não.”

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