Horticultura Geral

Horticultura Geral

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HORTICULTURA GERAL NOTAS DE AULA: 2a PARTE

Luciane Vilela Resende Gustavo Jonnas S. M. Bezerra

RECIFE 2003

Capítulo VI: Propagação Assexuada ou Vegetativa

1. Introdução

Por reprodução assexual entende-se a multiplicação vegetativa de um indivíduo, capaz de produzir uma planta geneticamente idêntica àquela que lhe deu origem, sem a união de gametas. A regeneração de um novo por via assexual ocorre em plantas superiores devido à mitose que ocorre nos pontos de crescimento, como brotos terminais, ápices radiculares, câmbio vascular e nos callus originados em tecidos feridos de raízes e caules.

A propagação assexual é, portanto, a multiplicação dirigida de partes da planta, baseada na capacidade que certas estruturas vegetais de determinadas espécies possuem, para formar um novo indivíduo completo, quando destacadas da planta-mãe e colocadas em condições propícias. Pela aplicação de diferentes técnicas, a propagação vegetativa permite a multiplicação em larga escala de uma planta individual, selecionada, reproduzindo fielmente as características que lhe conferem vantagens adicionais em relação a um padrão da espécie.

A propagação vegetativa é feita utilizando-se métodos naturais e métodos artificiais. Os métodos naturais são aqueles que utilizam órgãos da planta como veículo de propagação. São eles: caules modificados, raízes modificadas e folhas modificadas. E os métodos artificiais utilizam determinadas técnicas para propagação da espécie. São elas: estaquia, mergulhia, enxertia e micropropagação.

2. Estruturas Naturais

• Caules modificados: acumulam substâncias de reserva. Em geral são subterrâneos.

⌦ Bulbos: caule subterrâneo de reservas, encurtados, constituídos por folhas escamosas, grossas, polpudas, e modificadas de base carnosas, com gemas nas axilas das escamas foliares. Ex.: cebola, alho, narciso, jacinto, etc.

⌦ Cormos ou bulbos sólidos: caule subterrâneo de reserva, semelhante ao bulbo, porém é mais curto e intumescido não contendo folhas polpudas. Tipo bulbo sólido, com nós e entrenós bem visíveis. Ex: gladíolo, açafrão.

⌦ Estolhos: são caules aéreos que se desenvolvem a partir das axilas das folhas na base ou coroa da planta. Ex: morangueiro, gerânio, etc.

⌦ Rizomas: são caules subterrâneos que contém nós e entre-nós, apresentam raízes adventícias. Ex: íris, inhame, etc.

⌦ Tubérculos: partes carnudas de rizomas subterrâneos. O tubérculo poderá ser utilizado todo ou parte dele (quebrando a dominância apical). Ex: batatinha ⌦ Estolões: caules alongados que crescem rente à superfície do solo. Ex: gramas, morangueiro.

⌦ Rebentos ou “filhotes”: desenvolve-se a partir do caule. Ex: abacaxi, etc.

• Raízes modificadas: ⌦ Raízes tuberosas: gemas vegetativas e raízes adventícias. Ex: batata-doce, begônia, etc.

⌦ Rebentos de raízes: surgem de modo adventício das raízes.

• Folhas modificadas: são folhas carnosas (armazenam reservas), utilizadas na propagação de algumas espécies. Ex: violeta, cactos, etc.

• Rebentos: Podem ocorrer naturalmente como em abacaxi e caqui.

• Divisão de touceiras: é a separação de uma planta em pedaços, contendo raiz, caule e folhas. Ex: Alpinia, Espada-de–São Jorge, etc.

3. Métodos Artificiais

• Estaquia:

É qualquer parte destacada da planta mãe, capaz de regenerar folhas e raízes formando uma planta completa. É um importante processo de propagação vegetativa.

As estacas podem ser de caule, raiz, folha, e gemas. Por exemplo, a fruta-pão é propagada por estaca de raiz.

⌦ Estacas de caule podem ser: a) Herbáceas: quando se utiliza a ponta do ramo para obtenção da estaca. Ex: pingo-de-ouro, Ixora, etc. b) Semi-herbáceas ou semilenhosas: quando se utiliza parte intermediária dos ramos. Ex: acerola, roseira, videira, figueira, marmeleiro, romãzeira, aveleira, cirigueleira, limeira, etc. c) Estacas Lenhosas: utiliza a parte basal dos ramos. Estacas lignificadas. ⌦ Estaca de raiz: utiliza o rizoma, por exemplo: o rizoma da bananeira, da fruta-pão, etc;

⌦ Estaca de folha: a parte utilizada é a folha com ou sem pecíolo, pedaço da folha. Ex: violeta africana, palma forrageira, etc. Para a obtenção de estacas, deverão ser obedecidos alguns critérios como: tamanho, que deverá ser de 20 a 30 cm de comprimento ou com a presença de três a cinco gemas; a partir de um ramo poderá se obter várias estacas; e a quantidade de brotos e raízes, que irá depender das substâncias de reservas sendo recomendado esta aquisição no final do período chuvoso. Alguns fatores afetam o enraizamento, como:

− Relação C/N (carbono/nitrogênio);

− Espécie: depende da consistência do caule e da rapidez de crescimento da planta;

− Idade dos ramos: até dois anos é o mais recomendado, pela maior facilidade de enraizamento;

− Época do ano: no caso das herbáceas poderá ser obtida durante o ano todo, enquanto que em lenhosas será após fase de repouso;

− Posição do ramo: recomenda-se da área mediana;

− Nutrição: pobre, melhor;

− Ambiente: recomenda-se a temperatura durante o dia 21° a 26°C e a noite entre 15° a 21°C;

− Parte do ramo: inferior melhor (maioria das espécies) Indução de enraizamento:

− Hormônios: AIA (ácido indol-acético), ANA (ácido naftaleno acético);

− Substrato: areia, solo, vermiculita e “água”.

Várias plantas são multiplicadas por estacas:

Surgem raízes na parte inferior das estacas em contato com o solo. Brotos aparecem nas partes não enterradas. A quantidade de brotos e raízes depende das substâncias de reservas das estacas. São abundantes no fim do período chuvoso, após repouso (fim de inverno). Devem ser separadas por tamanho.

O processo de enraizamento de estacas envolve 2 fases: 1º. Iniciação: caracterizada pela divisão celular formando o callus. Em seguida ocorre a diferenciação celular em primórdios radiculares. 2º. Crescimento, divisão e alongamento: o primórdio radicular se expande através da divisão celular e se alonga.

O processo de enraizamento está ligado a fatores presentes nas células, como hormônios, carboidratos e a fatores do meio, como temperatura, umidade, e luminosidade. A capacidade de um caule de formar raízes depende também da sua posição na planta. Por exemplo, brotações laterais têm maior tendência do que as terminais, brotações vegetativas enraizam melhor do que floríferas. Estas diferenças estão relacionadas com o nível de auxinas e substâncias de reserva presentes.

O meio para o enraizamento deve proporcionar umidade e oxigênio suficientes e ser livres de doenças.

Nutrientes são importantes após o estabelecimento do sistema radicular. Diversas misturas podem ser utilizadas para provocar o enraizamento como: solo, areia lavada, substrato, vermiculita, etc.

Quando a parte vegetativa regenerada está ligada à planta mãe. Pode ser em alguns casos um processo natural. É uma técnica pouco usada, em plantas hortícolas em larga escala, sendo mais comum em plantas que se adaptam naturalmente a este método.

Esta técnica consiste em enterrar um ramo ou parte de um ramo não destacado da mãe. O ramo enterrado se enraíza, formando uma nova planta, quando então se procede ao desmame. Convém ir cortando aos poucos para que a plantinha vá acostumando a viver exclusivamente à suas próprias custas.

Há dois tipos de mergulhia: ⌦ Mergulhia de Solo: utilizada em plantas herbáceas. Neste caso, o galho é levado até o solo, onde se faz uma cova. Faz-se um anelamento no local onde se deseja que enraíze, fixa o galho no solo e cobre, conforme as figuras abaixo. Após o enraizamento, se faz o desmame, tendo então, a nova muda.

Tipos de Mergulhia de solo: − Mergulhia Simples: inclina o ramo para baixo e enterra-o parcialmente;

− Mergulhia de ponta: enterra-se apenas a ponta;

− Mergulhia de serpentina: enterra-se em vários pontos.

⌦ Mergulhia Aérea ou Alporquia: ao contrário da mergulhia de solo, leva-se o substrato até o galho (Figuras abaixo). Aplicada em espécies lenhosas de difícil enraizamento por outras técnicas. O substrato utilizado pode ser terra úmida, pó de coco, fibra de coco, esfagno, etc. Envolve-se com um saco, estopa ou pano úmido. Facilita-se o enraizamento ferindo o ramo abaixo da terra. Após o enraizamento, procede-se o desmame. Bastante usada em fruteiras, como: mangueira e cajueiro. Figura: Esquema da realização da Alporquia

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