finanças coorporativas

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1 FINANÇAS CORPORATIVAS

FINANÇAS CORPORATIVAS Este material é parte integrante da disciplina “Finanças Corporativas” oferecido pela UNINOVE. O acesso às atividades, as leituras interativas, os exercícios, chats, fóruns de discussão e a comunicação com o professor devem ser feitos diretamente no ambiente de aprendizagem on line.

FINANÇAS CORPORATIVAS Sumário

AULA01 • CONCEITOS BÁSICOS E AREAS DE ATUAÇÃO Introdução

Não podemos perder de vista que existe um componente financeiro em todas as decisões de negócio. Este fato obriga todos os executivos, inclusive aqueles que atuam em áreas tidas como não financeiras, a ter conhecimentos que lhes permitam transitar com algum conforto nesta área. No mundo atual, é impossível uma pessoa fazer uma carreira em negócios sem uma base em administração financeira. No entanto, esta função empresarial nem sempre teve a importância que tem nos dias de hoje. Inicialmente voltada para os aspectos legais nas fusões e aquisições empresariais e nas diversas formas de levantar capitais, vem evoluindo para uma posição extremamente sofisticada na empresa moderna. A função financeira corresponde aos esforços despendidos objetivando a formulação de um esquema que seja adequado à maximização dos retornos dos proprietários das ações ordinárias da empresa, ao mesmo tempo em que possa propiciar a manutenção de um certo grau de liquidez. Na verdade, a função financeira dentro de uma empresa está diretamente relacionada com a decisão de se fazer um investimento e à decisão de se fazer um financiamento, sem esquecer que estas duas funções principais estão interligadas. Seguem alguns aspetos relacionado à Administração Financeira, segundo diversos autores: a) Administração financeira cuida de planejamento, análise de investimentos, política de crescimento, financiamento, contabilidade, etc. (Lima Netto, 1978). b) Segundo Sanvicente (1987), o objetivo básico implícito nas decisões de administração financeira é a maior rentabilidade possível sobre o investimento efetuado por indivíduos ou instituições caracterizados como proprietários acionistas ordinários, no caso de uma sociedade anônima. Entretanto, é feita uma ressalva à rentabilidade máxima, desde que não seja comprometida a liquidez da empresa. c) Segundo Lima Netto (1978), a análise de investimentos tem os seguintes métodos: Período de Pagamento, Lucro Médio, Valor Presente, Valor Futuro, Taxa de Retorno

Interna e Benefício/Custo. A decisão de investimento é feita em cima de alguns métodos, citados a seguir e descritos; nem todos são recomendáveis, mas são incluídos, devido ao seu grande uso na prática. • Período de pagamento – consiste em medir o número de períodos em que se paga um investimento, e existem duas variantes desses métodos. A primeira consiste em medir se quantos anos o lucro acumulado paga o capital. Outra variante do método consiste em considerar se toda a geração de fundos do projeto, no caso, lucro líquido mais depreciação. A segunda variante é preferível, pois considera a depreciação. • Lucro Médio – consiste em calcular o Lucro Líquido Médio de um investimento durante todos os seus períodos e dividir este lucro pelo investimento. • Valor Presente – consiste em calcular o Valor Presente do fluxo de fundos do investimento, a uma certa taxa de juros. Os investimentos de maior valor presente são preferidos. O problema crucial é a escolha da taxa de juros, devendo ser usada a taxa mínima alternativa. • Valor Futuro – é bem parecido com o método de valor presente, exceto pelo fato de que se comparam valores futuros nas alternativas. • Taxa de Retorno Interna – O valor presente de um investimento depende da taxa de juros considerada. Em quase todos investimentos considerados na prática existe uma taxa de juros, em alguns casos mais que uma, e o valor presente do investimento é zero. Histórico

Nos anos 30, época de grandes crises financeiras, era natural que a função financeira estivesse voltada para falências e concordatas. No momento seguinte, volta se para a regulamentação do mercado de títulos, com o intuito de evitar novos desastres. Neste período, começam a tomar forma melhores controles internos e métodos mais sofisticados de preparação de relatórios financeiros, com a finalidade de demonstrar com maior fidelidade a posição real das empresas. Já nos anos 50, o foco muda para o valor das empresas e a melhor forma de escolher investimentos em ativos e formas de financiamento para maximizar o valor das empresas.

Vinte anos depois, na década de 70, o foco volta se para a administração do capital de giro e a obtenção de melhor forma de controlar os ativos, buscando melhores métodos de manutenção dos registros financeiros e análise dos relatórios. A partir dos anos 90, testemunhamos uma grande expansão da Administração Financeira, buscando prever com maior acuidade a utilização de recursos cada vez mais escassos e buscando investimentos mais eficazes com menores riscos. Desenvolvem se, ainda, técnicas de simulação mais sofisticadas, utilizando Tecnologia da Informação, que permitam decisões mais seguras. Funcões principais do administrador financeiro

Todas as atividades de uma empresa envolvem recursos. Isso irá refletir de forma direta ou indireta nas operações financeiras. Assim, apesar de não participar diretamente das decisões operacionais, cabe ao Administrador Financeiro – em última análise – prover os recursos necessários para materializar as atividades operacionais. As empresas normalmente possuem uma função dedicada exclusivamente à gestão dos assuntos financeiros. Veja um organograma típico da função financeira – também chamada de Tesouraria.

Figura 1. Funções do Administrador Financeiro

FINANÇAS CORPORATIVAS As funções principais da Administração Financeira são: • Planejamento, controle e análise financeira: consiste em determinar o nível de capital necessário para a operação adequada da empresa. Para tanto, busca reduzir as operações da empresa a dados financeiros que permitam uma análise adequada das atividades. • Decisões de investimentos: consiste na escolha da destinação dos recursos para aplicá los: em curto prazo – em ativos circulantes; em longo prazo – em investimentos não correntes; ou ativos permanentes – tendo em vista a relação apropriada entre risco e retorno dos investimentos. • Decisões de financiamento: em determinadas situações, as operações da empresa necessitam da obtenção de recursos financeiros em curto ou longo prazo que satisfaçam estas necessidades dentro do perfil de endividamento mais adequado à estrutura da empresa. • Geração de previsões financeiras para uso da alta administração: projeções que demonstrem as necessidades e excedentes de caixa ao longo do tempo. Estas informações são essenciais para decisões de produção, comercialização e investimentos. As principais áreas de finanças são: Serviços financeiros, concepção e prestação de assessoria financeira e entrega de produtos financeiros: • Bancos e instituições correlatas • Planejamento das finanças pessoais • Investimentos • Bens imóveis • Seguros Administração financeira: responsabilidades do administrador financeiro: • Análise financeira • Análise/ gerência de orçamento de capital • Gerência de projetos financeiros • Gerência de caixa

• Análise/ gerência de crédito • Administração de fundos de pensão • Gerência de câmbio Objetivos e Funcões da Administração Financeira

Introdução A administração financeira pode ser exercida nas mais diversas organizações: indústria, comércio ou serviços; empresas estatais ou privadas; voltadas ou não para lucro; governo, escolas, hospitais, clubes recreativos, ONGs e outras. Suas funções principais são planejamento, controle, orçamento, previsões, fluxo de caixa, investimentos, financiamentos, crédito, cobrança, câmbio, operações bancárias e gerenciamento de risco. Ao exercer essas funções, o administrador financeiro procura responder a questões como: quais investimentos devem ser feitos? Quais fontes de financiamentos devem ser utilizadas? Qual deve ser a política de remuneração dos acionistas? Estamos agregando valor aos acionistas? Existem inúmeros enfoques da administração financeira, destacando se os de retorno, risco, liquidez, endividamento, eficácia operacional, alavancagem, valor, fusões e aquisições, mercados financeiro e de capital, mercados futuros e de opções. Objetivos da administração financeira

De acordo com Ross (1998), é objetivo normativo da empresa" maximizar o valor de mercado do capital dos proprietários existentes". Esse objetivo deve atender também a um desejo mais específico do acionista: a remuneração de seu capital, sob a forma de distribuição de dividendos. A maximização do lucro, tida por muito tempo como o objetivo principal da empresa, é objetivo impreciso, pois ações tomadas para maximizar os lucros atuais podem diminuir os lucros futuros e vice versa. A maximização da riqueza é mais precisa porque envolve o conceito de valor presente líquido da empresa, incorporando conceitos de risco e de custo de capital. Nas instituições não voltadas ao lucro, existem outros objetivos que não a maximização da riqueza. No entanto, essas organizações não prescindem da boa administração, pois precisam garantir sua solvência financeira.

FINANÇAS CORPORATIVAS Funções financeiras

O Quadro 1 apresenta as principais funções da administração financeira, agrupadas em duas grandes áreas: tesouraria e controladoria. No Brasil, de modo geral, as funções de tesouraria são exercidas pelo gerente financeiro, e as funções de controladoria são exercidas pelo controller. Essas funções surgem e se expandem ou desaparecem dependendo das necessidades de cada empresa, variando segundo sua natureza, porte e estágio de desenvolvimento. Quadro 1. Funções do Administrador Financeiro

Tesouraria Controladoria • Administração de caixa • Administração de custos e preços • Administração de crédito e cobrança • Auditoria interna • Administração do risco • Contabilidade • Administração de câmbio • Orçamento • Decisão de financiamento • Patrimônio • Decisão de investimento • Planejamento tributário • Planejamento e controle financeiro • Relatórios gerenciais • Proteção de ativos • Desenvolvimento e acompanhamento de sistemas de informação financeira • Relações com acionistas e investidores • Relações com bancos As funções financeiras podem ser de curto ou longo prazo. As funções financeiras de curto prazo envolvem a administração do caixa, do crédito, das contas a receber e a pagar, dos estoques e dos financiamentos de curto prazo. A empresa precisa dispor de recursos suficientes para saldar os compromissos com fornecedores, salários, tributos e demais contas. Para tanto, os recebimentos das vendas e/ ou prestação de serviços aos clientes precisam ocorrer simultaneamente ao vencimento dos compromissos. Quando existem prazos diferentes entre os recebimentos e os pagamentos, na maioria das vezes a empresa precisa buscar recursos no mercado financeiro, por meio de empréstimos ou da aplicação dos recursos excedentes. A administração financeira de curto prazo também é chamada de administração do capital

O objetivo da administração financeira é maximizar a riqueza do acionista.

circulante. No curto prazo, o administrador financeiro preocupa se ainda com o planejamento tributário.O hiato entre recebimentos e pagamentos origina se nas políticas de concessão de crédito a clientes e obtenção de crédito junto a fornecedores; diferentes prazos legais para pagamentos de salários e tributos; diferentes políticas de estocagem e diferentes ciclos de produção dos produtos vendidos e serviços prestados. As funções financeiras de longo prazo envolvem as decisões financeiras estratégicas, tais como orçamento de capital, estrutura de capital, custo de capital, relacionamento com investidores entre outras. No longo prazo, as decisões financeiras envolvem a obtenção de recursos para projetos e investimentos e a definição dos critérios a serem adotados para a escolha entre investimentos alternativos. O administrador financeiro é responsável pela saúde econômica e financeira da empresa. Conceitos financeiros básicos

Introdução: objetivo das empresas A maioria dos estudantes acredita que o objetivo das empresas é o lucro. Na realidade, o lucro é apenas um meio. O objetivo real das empresas é a maximização de seu valor em longo prazo – daí o lucro ser um meio e não o fim. Os investimentos são feitos com a expectativa de um retorno alinhado com os riscos assumidos. Este retorno deve ser alcançado através da produção de resultados econômicos e financeiros – lucros e caixa – adequados por um extenso período de tempo. A contabilidade define esta situação através do Postulado da Continuidade, que considera a empresa como uma entidade em continuidade, ou, de forma mais simples, considera a empresa como sendo um empreendimento que foi realizado com a finalidade de manter se em funcionamento.

Atividades empresariais De um modo geral, podemos agrupar as atividades de uma empresa como a seguir:

• Atividades operacionais: são aquelas executadas para preencher a finalidade da empresa, visando a obter um retorno adequado para os investimentos feitos pelos proprietários. Estas atividades geralmente refletem se no Demonstrativo Resultado do Exercício (DRE), que geram o resultado operacional. • Atividades de investimento: este grupo inclui as operações de aplicações de recursos para dar continuidade à empresa e permitir seu funcionamento. Estas aplicações referem se, normalmente, às contas do Ativo Circulante ou Permanente, de acordo com o prazo destes investimentos. • Atividades de Financiamento: são reflexo da forma com que a empresa decidiu financiar seus investimentos (Ativos); financiamento de terceiros (Exigível); ou financiamento próprio (Patrimônio Líquido). Até este ponto, acreditamos que já se tornou evidente que as atividades operacionais refletem se na DRE (no Ativo) e as operações de investimento e de financiamento refletem se no Balanço (no Passivo). Regime de competência e regime de caixa

Enquanto o Contador trabalha com o Regime de Competência, o Administrador Financeiro trabalha em regime de Caixa. No Regime de Caixa, a Receita e a Despesa são reconhecidas (registradas) apenas quando realizadas, ou seja, no efetivo recebimento ou pagamento. Assim, quando apuramos o Lucro (que, por definição, é o resultado da subtração: Receitas – Despesas), o valor obtido é palpável e tangível, e deve estar todo na gaveta da caixa registradora do feliz proprietário da empresa.Por seu turno, no Regime da Competência, a Receita e a Despesas são reconhecidas quando incorridas, independentemente do recebimento efetivo. Com isto, o Lucro é o resultado puro e simples da contraposição de receitas e despesas incorridas no mesmo período, independentemente do recebimento de uma e do pagamento da outra.

FINANÇAS CORPORATIVAS Exercícios

1. As funções básicas de um administrador financeiro são: a) controle financeiro, tomadas de decisões de investimentos e tomadas de decisões de financiamentos. b) análise, planejamento e controle financeiro; tomadas de decisões de investimentos; e tomadas de decisões de financiamentos. c) operacionalização do contas a pagar e receber, estoques, fluxo de caixa e contabilidade. d) controle financeiro, tomadas de decisões de investimentos tomadas de decisões de financiamentos e operacionalização do contas a pagar e receber, estoques, fluxo de caixa e contabilidade. 2. Com relação aos regimes de competencia e de caixa, podemos afirmar que (escolha a alternativa correta): a) o regime de competência mede o resultado financeiro e o regime de caixa mede o resultado econômico. b) o regime de competencia mede o resultado economico e o regime de caixa mede o resultado financeiro. c) ambas medem o lucro operacional. d) ambos medem a liquidez no curto prazo. 3. Qual o objetivo da empresa: a) o lucro. b) a maximização do lucro. c) a venda. d) a maximização de seu valor em longo prazo. 4. Como podemos agrupar as atividades de uma empresa: a) Atividades de financiamento e Atividades operacionais. b) Atividades de compra, Atividades de venda, Atividades produção, Atividades de controle. c) Atividades de financiamento, Atividades de investimento, Atividades operacionais. d) Atividades de investimento, Atividades operacionais. Respostas do Exercícios

1. As funções básicas de um administrador financeiro são: RESPOSTA CORRETA: B 2. Com relação aos regimes de competencia e de caixa, podemos afirmar que (escolha a alternativa correta): RESPOSTA CORRETA: B 3. Qual o objetivo da empresa: RESPOSTA CORRETA: D 4. Como podemos agrupar as atividades de uma empresa: RESPOSTA CORRETA: C

AULA02 • RISCO E RETORNO Introdução

Os investidores, de um modo geral, estão conscientes de que retorno e risco caminham sempre juntos. Cabe ao gerente financeiro decidir qual o nível que irá obter do retorno, dentro de determinados limites que está disposto a aceitar do risco. Retorno

A primeira variável a ser examinada em qualquer investimento é o retorno. Retorno é o resultado – ganho ou perda – de qualquer investimento em um período. O que estamos dizendo é que um investimento qualquer muda de valor no decorrer do tempo, seja um aumento ou uma redução no seu valor. O retorno de um investimento normalmente é medido sob a forma de porcentagem, e não em valores monetários. Exprime a variação do valor do investimento acrescido de qualquer retorno em caixa que este tenha rendido no período. Assim, podemos exprimir esta variação como a seguir:

Onde: I0 Investimento inicial (no tempo 0) I1 Valor final do investimento (investimento no tempo t) Ct Lucro corrente (fluxo de caixa, dividendos, ou juros) recebido do investimento no tempo t kt taxa de retorno do investimento durante o tempo t I0 Ct I0) – (I1 kt + =

Veja um exemplo de cálculo do retorno de um investimento. Observe que o retorno está intimamente ligado aos valores de mercado do investimento através do tempo. Exemplo: A empresa NRM efetuou um investimento de R$ 1.0,0 em ações. No final do período do investimento estas ações estavam valendo R$ 1.40,0; a empresa recebeu de dividendos destas ações o valor de R$120,0. Qual seria a taxa de retorno deste investimento? kt = ??????? I0 = R$ 1.0,0 I1 = R$ 1.40,0 Ct = R$120,0 Risco

“Risco total de um investimento é a variabilidade total dos retornos previstos em torno do retorno médio.” (Hélio Paula Leita) “Risco é o grau de incerteza associado a um investimento.” (A. A, Gropelli e Ehsan Nikbakht)“Risco é o desvio dos resultados esperados em relação a uma média ou valor esperado.” (A. A, Gropelli e Ehsan Nikbakht) “Risco é a chance de perda financeira.” (Lawrence J. Gitman) “Risco é a possibilidade de que algum acontecimento desfavorável venha a ocorrer.” (J. Fred Weston e Eugene F, Brigham) Determinados investimentos apresentam resultados maiores que outros. Os resultados menores estão relacionados a riscos menores. Os executivos financeiros, de um modo geral, preferem riscos mais baixos, mesmo que isto represente retornos menores. Este raciocínio é lógico se considerarmos que os recursos investidos por eles pertencem aos investidores e, por conseguinte, precisam ser protegidos. Uma das formas de se analisar o risco é dividi lo em dois componentes: • Nível de risco – é a comparação do risco entre dois ativos

• Risco de prazo – o risco aumenta com o tempo de aplicação dos recursos. Não há dúvida de que o prazo de um investimento tem uma grande influência sobre o risco deste mesmo investimento. Veja abaixo uma tabela comparando diversos investimentos – a tabela (Gropelli, 2002: 78) mostra a mensuração para títulos do governo americano com diferentes prazos de resgate, e como o risco se altera com os prazos: Prazo de Resgate Taxa Livre de Risco (%) Prêmio pelo Risco (%) RiscoTotal Letras do Tesouro 90 dias 5 0 5 Notas do Governo 1 ano 5 2 7 Obrigações do Tesouro 20 anos 5 4 9 Obrigações do Tesouro 20 anos 5 5 10

Esta tabela ajuda a avaliar os méritos relativos dos ativos. Gropelli (2002) assim se expressa: “Um estudo dos retornos desses ativos indicaria que os preços dos títulos de curto prazo são menos voláteis que os dos de longo prazo. As chances de inadimplência para os títulos de curto prazo são menores que para os de longo prazo. Conseqüentemente, o risco atribuído aos títulos de curto prazo é menor que o atribuído aos títulos de prazos mais longos e incertos.”. O risco de uma carteira de investimento pode ser dividido como abaixo: • Risco sistêmico – é o risco que se origina nas flutuações da economia como um todo. • Risco não sistêmico – relaciona se a um empreendimento ou a um setor. O risco sistêmico b (ou Beta) é diversificável, enquanto o risco não sistêmico ou a (Alfa) não é diversificável. Segundo William Sharpe, professor da Universidade de Stanford, e Prêmio Nobel de Economia de 1990, somente o risco sistêmico paga prêmio. O risco não sistêmico é diversificável, e, por este motivo, não paga prêmio. Avaliação do risco

Podemos analisar o risco empregando a análise de sensibilidade e a distribuição de probabilidades para verificar o comportamento dos retornos. Desta forma, podemos ter uma visão do nível de risco embutido em um determinado ativo. Na análise de sensibilidade, utilizamos uma quantidade de estimativas de retornos possíveis para analisar a variabilidade entre os resultados. Normalmente estimamos uma possibilidade pessimista (pior), a mais provável (esperada), e uma otimista (a melhor), associadas a um determinado ativo. O risco será medido pelo intervalo obtido pela subtração entre o resultado otimista e o pessimista. A empresa XYZ tem duas alternativas de investimento: A e B. Ambos exigem um desembolso inicial de caixa de R$30 000 e ambos têm a taxa de retorno mais provável de 15%. Para avaliar o risco de cada um destes ativos, a administração fez estimativas pessimistas e otimistas dos resultados associados a cada um deles: Ativo A Ativo B Investimento Inicial R$30 000 R$30 000 Taxa anual de retorno Pessimista 8% 4% Mais provável 12% 12% Otimista 16% 20% Intervalo 8% 16%

O ativo A parece ser menos arriscado do que B, uma vez que seu intervalo (8%) é menor do que o de B (16%). Assim, apesar de os dois ativos apresentarem o mesmo retorno mais provável, o ativo B aparenta um risco maior e o administrador financeiro, avesso ao risco, iria preferir o primeiro. Apesar de este método ser muito simples, dá ao administrador uma visão global do comportamento esperado dos investimentos, servindo para uma avaliação bruta dos resultados. Distribuição de probabilidades

Outro modelo que pode ser utilizado para avaliação de risco é a distribuição de probabilidades. Neste modelo, relacionamos probabilidades de acontecimento a cada um dos retornos projetados. A probabilidade de um dado resultado é, na realidade, sua chance de ocorrer. Um retorno com a probabilidade de 100% é uma certeza. No caso da XYZ, estas probabilidades de ocorrência – em ambos os investimentos – são, respectivamente de 25%, 50% e 25% para os retornos pessimistas, mais prováveis e otimistas.

Observe que a soma das probabilidades deve ser sempre 100%, ou seja, as probabilidades devem cobrir todas as alternativas consideradas. O retorno esperado, ou retorno médio (m), seria a média de todos os retornos, levando se em conta as probabilidades de cada um destes retornos. Assim, o retorno esperado do ativo A seria: m = k1p1 + k2p2 + k3p3 m = (8 x .25) + (12 x .5) + (16 x .25) = 12% O retorno médio ou retorno esperado seria 12%. O desvio padrão como medida de risco

A forma mais aceita de determinar o risco de um investimento é calcular os desvios dos retornos em relação a um retorno médio esperado (v. o exemplo apresentado). Supomos, inicialmente, que todos os valores envolvidos têm uma distribuição normal. Desse modo, podemos medir a volatilidade dos retornos para cada projeto em relação ao retorno esperado, ou retorno médio.O desvio padrão dos retornos prováveis de um investimento em relação ao investimento médio é a medida de risco do investimento. Veja a seguir como é feito o cálculo do Desvio Padrão de um investimento. Vamos calcular o desvio padrão dos dois investimentos planejados pela XYZ. O investimento que apresentar um desvio padrão menor deverá ser o escolhido, uma vez que terá um risco menor. Ativo A Retorno % Probabil. Retorno Médio Dispersão Variância Variância Ponderada k p m k – m (k m)2 (k m)2 * 2 Pessimista 8 0,25 2,0 (4,0) 16 4,0 + provável 0,50 6,0 Otimista 12 0,25 4,0 4,0 16 4,0 Média 16 12,0 32 8,0 Intervalo 8 Total 1,0 Risco (Desvio Padrão) s = ((k m) 2 * p) 1/2 s = 2,8284

Ativo B Retorno % Probabil. Retorno Médio Dispersão Variância Variância Ponderada k p m k – m (k m) 2 (k m)2 * 2 Pessimista 4 0,25 1,0 (4,0) 64 16,0 + provável 0,50 6,0 Otimista 12 0,25 5,0 4,0 64 16,0 Média 20 12,0 128 32,0 Intervalo 16 Total 1,0 Risco (Desvio Padrão) s = ((k m) 2 * p) 1/2 s = 5,6569 Sem qualquer dúvida, o investimento A deverá ser escolhido, uma vez que seu desvio padrão é menor.

Exercícios

1. Como pode ser dividido o risco de uma carteira de investimento? a) pode ser dividido em nível de risco e risco de prazo. b) pode ser dividido em risco sistêmico e risco não sistêmico. c) pode ser dividido em alto e baixo risco. d) pode ser dividido em risco permanente e risco periódico. 2. Qual dos itens a seguir normalmente é medido sob a forma de percentual e exprime a variação do valor do investimento acrescido de qualquer retorno em caixa que este tenha rendido no período: a) Taxa de juros de um investimento. b) Risco de um investimento. c) Retorno de um investimento. d) Taxa de risco de um investimento. 3. Assinale a alternativa correta: a) a forma mais aceita de determinar o risco de um investimento é calcular os desvios dos retornos em relação a um retorno médio esperado. b) em hipótese alguma, o desvio padrão dos retornos prováveis de um investimento em relação ao investimento médio é a medida de risco do investimento. c) a forma mais aceita de determinar o risco de um investimento é calcular os desvios dos retornos em relação a um retorno mínimo esperado.

d) os estudos feitos até hoje mostram que não há formas de determinar o risco de um investimento. 4. Assinale a alternativa correta: a) Não há dúvida de que o prazo de um investimento tem uma pequena influência sobre o retorno e o risco deste mesmo investimento. b) Não há dúvida de que o prazo de um investimento não tem nenhuma influência sobre o risco deste mesmo investimento. c)Não há dúvida de que o risco de um investimento tem uma grande influência sobre o prazo deste mesmo investimento. d)Não há dúvida de que o prazo de um investimento tem uma grande influência sobre o risco deste mesmo investimento. Respostas dos Exercícios

1. Como pode ser dividido o riscode uma carteira de investimento? RESPOSTA CORRETA: B 2. Qual dos itens a seguir normalmente é medido sob a forma de percentual e exprime a variação do valor do investimento acrescido de qualquer retorno em caixa que este tenha rendido no período: RESPOSTA CORRETA: C 3. Assinale a alternativa correta: RESPOSTA CORRETA: A 4. Assinale a alternativa correta: RESPOSTA CORRETA: D

AULA 03 • MERCADO FINANCEIRO Sistema financeiro nacional

Introdução O Sistema Financeiro Nacional – SFN tem por finalidade intermediar os fluxos de recursos entre os diversos participantes do mercado financeiro. Foi criado pela Lei 4595 de 31 de dezembro de 1964, com a seguinte constituição: • Conselho Monetário Nacional • Banco Central do Brasil • Banco do Brasil S/A Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (este nome foi posteriormente trocado para Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES).Demais instituições financeiras públicas e privadas. Posteriormente, com a Lei 6385 de 7 de dezembro de 1976, o Sistema Financeiro Nacional foi completado com a criação da Comissão de Valores Mobiliários – CVM. O Conselho Monetário Nacional, o Banco Central do Brasil, o Banco do Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e a Comissão de Valores Mobiliários são as chamadas Autoridades Monetárias, e têm a função de regular e fiscalizar o mercado. Evolução histórica

Até 1965: a) predominância do setor monetário Razões: 1) Lei estabelecia teto máximo da taxa de juros de 12% a.a. 2) Lei impossibilitava correção dos débitos pela variação cambial ou do preço do ouro b) taxas de inflação crescentes, particularmente depois de 1957. c) carência de recursos para empréstimos de longo prazo. d) criação do BNDE em 1952 – infra estrutura.

FINANÇAS CORPORATIVAS e) política de substituição de importações.

Reformas 1964/1965: a) Leis nº 4380/64 criação do BNH e SFH, e 4357/64 instituição da correção monetária. b) Lei nº 4595/64 lei da reforma bancária, institucionaliza o sistema financeiro nacional e cria o CMN e o BC. c) Lei nº 4728/65 disciplina o mercado de capitais e estabelece medidas para o seu crescimento. d) Essas mudanças possibilitaram: surgimento de intermediários financeiros não monetários diversificação da pauta de ativos financeiros desenvolvimento do mercado de ações recursos para financiamento de longo prazo

Anos 70: a) criação de mecanismos de poupança compulsória: PIS/PASEP LC 07/70, e FGTS Lei 5107/6. b) crise das bolsas de valores. c) aceleração da inflação. d) endividamento das empresas (faltou capital de giro). e) concentração das instituições financeiras. f) regulamentação de operações de leasing Lei 6099/74; criação da CVM Lei 6385/76; vigência da lei das S/A 6404/76; criação das entidades de previdência Lei 6435/7. g) modernização das bolsas de valores. h) criação dos fundos de investimentos. Anos 80: a) intensificação do processo inflacionário.

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