UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE CENTRO DE HUMANIDADES DEPARTAMENTO DE ECONOMIA E FINANÇAS DISCIPLINA: ECONOMIA BRASLEIRA CONTEMPORÂNEA II PERÍODO: 2009.2 PROFESSORA: ERIKA DE FRANÇA PAASHAUS

  • PLANO BRESSER

1.0 Introdução:

  • Em meio a crise do Plano Cruzado, Carlos Bresser Pereira foi indicado para ministro da Fazenda do Brasil em abril de 1987.

  • No dia 12 de junho de 1987 foi anunciado um novo plano de estabilização, responsável pelo segundo congelamento de preços: O Plano Bresser.

  • Objetivo: deter a aceleração inflacionária, promovendo um choque com a retirada do gatilho e a redução do déficit público através do congelamento de preços e redução do déficit público.

2.0 Principais medidas do Plano Bresser:

  • congelamento de salários por três meses, no nível de 12/6, com o resíduo inflacionário sendo pago em seis parcelas a partir de setembro;

  • congelamento de preços por três meses, sendo que vários preços. Em especial os públicos, foram aumentados antes do plano;

  • mudança de base do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) para 15/6, sendo que os aumentos foram incorporados à inflação de junho, de modo a evitar que se sobrecarregasse a inflação de julho;

desvalorização cambial de 9,5% em 12/6 e não-congelamento da taxa de câmbio, mantendo as minidesvalorizações diárias, mas em menor ritmo;

  • desvalorização cambial de 9,5% em 12/6 e não-congelamento da taxa de câmbio, mantendo as minidesvalorizações diárias, mas em menor ritmo;

  • aluguéis congelados no nível de junho, sem nenhuma compensação;

  • os contratos financeiros pós-fixados foram mantidos e para os prefixados introduziu-se uma Tablita[1] com desvalorização de 1,5% a.m.;

  • criação da Unidade Referencial de Preços (URP) que corrigiria o salário dos três meses seguintes, a partir de uma taxa prefixada com base na média geométrica da inflação dos três meses anteriores, entrando em vigor a partir de setembro.

  • 1] Tablita - Tabela de Deflações. Esta foi criada para a correção das perdas inflacionárias dos contratos de aplicações financeiras que tinham valor de resgate pré-fixado e foi instituída a partir do Decreto-lei 2.342/87. A Tablita foi aplicada durante os planos econômicos Bresser, Cruzado e Collor II.

3.0 Diferenças entre o Plano Cruzado e Plano Bresser:

  • 3.1 - Quanto aos objetivos:

  • Plano Cruzado: alcançar uma taxa de inflação zero. Tornando-se o erro básico do plano.

  • Plano Bresser: deter a inflação porque sabiam que o objetivo de zerar a inflação não seria possível sem uma reestruturação da economia.

  • 3.2 - Quanto as características:

  • O plano Bresser foi um plano de emergência, enquanto o plano Cruzado não;

  • O plano Cruzado foi introduzido com uma reforma monetária, ao contrário do plano Bresser;

  • Plano Cruzado baseava-se na desindexação da economia, enquanto o plano Bresser manteve e completou o sistema de indexação porque a prioridade era dada para o restabelecimento do equilíbrio da economia;

  • Dado o baixo nível das reservas internacionais, a taxa de câmbio não foi congelada. Ao contrário, uma desvalorização foi assegurada para restabelecer o equilíbrio do balanço de pagamentos;

  • O congelamento do plano Cruzado não tinha data para terminar, no plano Bresser o congelamento foi cumprido num prazo limite de três meses.

  • Enquanto para muitas pessoas o plano Cruzado era a resposta heterodoxa completa e o final da ortodoxia, estava claro que o plano Bresser era apenas uma medida de emergência, e que após o congelamento seria necessário recorrer as políticas fiscais e monetárias baseadas na ortodoxia para assegurar o equilíbrio da economia.

  • 3.3 - Condições vigentes no momento da sua implantação:

  • Plano Cruzado: as condições da economia no início de 1986 eram favoráveis devido ao processo de crescimento iniciado em 1984 onde: o PIB elevou-se; o balanço de pagamentos estava superavitário; a conta corrente estava equilibrada; os investimentos, lucros, ordenados e salários estavam se elevando. Nesse período, os únicos desequilíbrios em termos de fluxo eram: déficit público e aumento dos salários maior do que a produtividade. E em termos estruturais, a dívida externa.

  • Plano Bresser: Já em abril de 1987, o país estava na mais profunda crise financeira e econômica. De acordo co Celso Furtado e Olavo Setúbal “ O Brasil não enfrentava uma crise de tais proporções desde 1931, pelo menos”.

  • A inflação estava subindo, os salários diminuindo, os investimentos entrando em colapso, as firmas de pequeno e médio portes estavam quebrando e por fim, a situação desfavorável do balanço de pagamentos.

  • 3.4 - Resultados:

  • De acordo com Pereira (1988), os objetivos do plano Bresser (conter a aceleração, interromper a queda nos salários, evitar recessão, reequilibrar o balanço de pagamentos etc. ) foram alcançados e resultaram em:

  • Os salários pararam de cair e se recuperaram de forma moderada;

  • As vendas no varejo, e, após setembro, as vendas industriais, se elevaram de forma limitada mas efetiva;

  • A demanda agregada foi cuidadosamente administrada para evitar o excesso de demanda;

  • A onda de falências terminou;

  • A conta corrente externa equilibrou-se; e

  • A inflação foi reduzida, e então começou a elevar-se a uma taxa um pouco mais alta.

4.0 Conclusão:

  • Porém, quando se iniciou a descompressão, voltaram a aceleração inflacionária e as pressões por reposições salariais onde vários setores conseguiram essa reposição. Inicialmente os funcionários públicos e depois os demais segmentos.

  • Isso praticamente acabou com o plano que tinha como meta a contenção salarial e o aumento da taxa de juros.

  • Portanto, deve-se destacar que o fracasso em conter o déficit público ocorreu devido ao aumento dos gastos dos gastos com funcionalismo, aumento das transferências a Estados e Municípios e os subsídios às empresas estatais.

  • Com isso, em dezembro de 1987, Bresser pediu demissão e assumiu o ministro Mailson da Nóbrega.

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