(Parte 1 de 5)

EUCALIPTO • OPORTUNIDADES PARA UM DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 2

Índice

O Conselho de Informações sobre Biotecnologia (w.cib.org.br) é uma organização não-governamental e uma associação civil sem fins lucrativos e sem nenhuma conotação político-partidária ou ideológica. Seu objetivo básico é divulgar informações técnico-científicas sobre a Biotecnologia e seus benefícios, aumentando a familiaridade de todos os setores da sociedade com o tema.

Coordenadora-Geral: Alda Lerayer Editor Executivo:Antonio Celso Villari Redação: Débora Marques Consultores Técnicos:Dario Grattapaglia – Embrapa

Giancarlo Pasquali – UFRGS Ismael Pires – UFV/SIF Luciana Di Ciero – USP/Esalq Abraf – Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas SBS – Sociedade Brasileira de Silvicultura

Apoio Operacional:Jacqueline Ambrosio

Marina Lourenção

Projeto Gráfico:Sérgio Brito Fotos:Celso Foelkel – Site: http://www.celso-foelkel.com.br Ipef – Instituto de Pesquisas Florestais

• Cenário brasileiro 5

•Importância do setor florestal para o Brasil5

• Genética •Melhoramento convencional6 e 7

• Segurança ambiental •Biossegurança do eucalipto GM9

•Principais questões avaliadas10

•Normas para liberação planejada do eucalipto GM10

•Eucalipto GM no Brasil • Aprovações 1

•Produtividade: Brasil X mundo13

• Aplicações

•Madeira, madeira roliça, madeira industrializada,14 celulose e madeira serrada

•Etanol, folhas, flores, seqüestro de CO2 e outras utilidades15 •Mitos e verdades

•Principais questões sobre a produção de eucalipto16 e 17

• Apêndice •Tabelas com dados nacionais e internacionais18 e 19

Oportunidades para um desenvolvimento sustentável

O mundo se curva diante da competitividade do setor florestal brasileiro, fruto de nossas condições climáticas e da tecnologia desenvolvida pelas empresas e instituições de pesquisa do País. Não se trata de força de expressão. Os números apontam que o segmento é responsável por 3,5% do PIB, US$ 4,8 bilhões em impostos e US$ 6,1 bilhões em exportações. Para movimentar essa máquina, o setor emprega 4,6 milhões de pessoas, quase 5% da população economicamente ativa do Brasil.

Nesse cenário, as plantações de eucalipto no Brasil ocupam mais de 3,7 milhões de hectares. E a tecnologia – neste caso, a Biotecnologia – pode contribuir ainda mais para que o Brasil se mantenha na posição de liderança no mercado mundial. Essa é a principal razão pela qual o Conselho de Informações sobre Biotecnologia decidiu editar o presente guia.

Aqui você encontrará informações desde a origem da cultura do eucalipto, passando por seu melhoramento genético convencional, até sua evolução pela Biotecnologia, que, ao contribuir para desenvolver novas características – a exemplo do maior rendimento industrial –, está estabelecendo uma realidade diferente para a produção florestal brasileira, particularmente para a eucaliptocultura.

Esperamos que este material sirva de fonte de informação e pesquisa para educadores, estudantes, agricultores, jornalistas e representantes da sociedade interessados no tema.

Boa leitura!

Um pouco de história

Origem

• O eucalipto é uma árvore nativa da Austrália, do Timor e da Indonésia, sendo exótico em todas as outras partes do mundo. Os primeiros plantios datam do início do século XVIII, na Europa, na Ásia e na África. Já no século XIX, começou a ser plantado em países como Espanha, Índia, Brasil, Argentina e Portugal (Pryor, 1976; FAO, 1981).

• As principais espécies cultivadas atualmente no Brasil incluem o Eucalyptus grandis, o Eucalyptus camaldulensis, o Eucalyptus saligna e o Eucalyptus urophylla, entre outras. Além disso, foram desenvolvidos cruzamentos entre as espécies, resultando em híbridos, como é o caso do Eucalyptus urograndis (E. grandis X E. urophylla).

Linha do tempo

1868 Introdução do eucalipto no Brasil: as primeiras mudas da planta chegam ao Rio Grande do Sul;

* Engenheiro agrônomo, brasileiro, dedicou-se à silvicultura nacional e foi considerado o pioneiro do reflorestamento no Brasil.

Edmundo Navarro de Andrade* dá início às pesquisas com o eucalipto na Companhia Paulista de Estradas de Ferro;

O eucalipto passa a ser plantado para fornecer matéria-prima para o abastecimento das fábricas de papel e celulose;

Com a demanda crescente de madeira no País, nasce o programa de incentivos fiscais;

O desenvolvimento de clonagem, ou propagação vegetativa, ganha escala comercial;

O Brasil é referência mundial na eucaliptocultura.

1990 - presente

Cenário brasileiro

O Brasil se destaca no cenário mundial por possuir excelente desempenho no setor florestal, fruto de nossas condições climáticas e da tecnologia desenvolvida pelas empresas e instituições de pesquisa do País. Como resultado, as taxas nacionais de crescimento do eucalipto são bastante superiores às observadas em outros países (ver gráfico, pág. 18). Além dos ganhos de produtivida-

Um pouco de história

• Em todo o mundo, as florestas plantadas ocupam apenas 4,8% da área florestal total, ou o equivalente a 187 milhões de hectares;

• Da madeira consumida para fins industriais, 65% ainda são explorados de florestas nativas;

• As florestas plantadas ocupam apenas 0,6% da superfície terrestre do Brasil, que, nesse parâmetro, fica atrás de países como China, Turquia, Japão e EUA, entre outros;

• O Brasil é o terceiro maior consumidor de madeira do mundo e, segundo a Sociedade Brasileira de Silvicultura (SBS), apenas um terço dos 300 milhões de metros cúbicos de madeira consumidos por ano, no País, provém de áreas plantadas;

• Há potencial de uso do sistema agroflorestal (SAF) para garantir melhor aproveitamento das áreas utilizadas na produção de eucalipto com outras diferentes culturas, a exemplo de soja, feijão, mandioca e amendoim, entre outras, além de pastagens. Dessa forma, o pequeno agricultor consegue diversificar sua atividade e ter um rendimento sustentável ao longo do tempo.

• Atualmente, as plantações de eucalipto no Brasil ocupam 3.751.867 hectares (Abraf, 2007). O setor florestal responde por 3,5% do nosso Produto Interno Bruto (PIB) e gera 4,6 milhões de empregos diretos e indiretos. A exportação de produtos derivados de florestas plantadas, em 2007, somou US$ 6,1 bilhões, dos quais 70% foram resultantes do cultivo de eucalipto. Toda essa cadeia é responsável por inúme-

Está mais do que na hora de o Brasil aproveitar todo o potencial que a eucaliptocultura pode oferecer

(Parte 1 de 5)

Comentários