Fundamentos em Ecologia

Fundamentos em Ecologia

Introdução:

Durante a década passada a Ecologia emergiu das suas raízes nas ciências biológicas, para se tornar uma nova disciplina integrada que liga as ciências naturais e sociais. Como uma ciência natural-social, a ecologia tem um imenso potencial para aplicação aos assuntos humanos, uma vez que as situações do mundo real envolvem, quase sempre, um componente natural e componentes social, econômico e político. Os componentes não podem ser tratados separadamente caso se espere encontrar soluções duradouras para problemas críticos, devem ser tratados de modo integrado para uma melhor compreensão na busca de soluções sustentáveis para uma melhor qualidade de vida na Terra.

Objetivo:

Esse trabalho tem como objetivo mostrar a importância da Ecologia como uma ciência natural-social, bem como seus conceitos e divisões, fluxo de energia e pirâmides ecológicas.

A ciência da Ecologia teve ao longo da história um desenvolvimento gradual, embora espasmódico. As obras de Hipócrates, Aristóteles e outros filósofos da cultura grega, contém material de natureza claramente ecológica. Sem embargo, os gregos não tiveram uma palavra própria para a designar. A palavra ecologia é de aquisição recente e foi proposta pela primeira vez pelo biólogo alemão Ernest Haeckel, em 1869. Antes disso, muitos dos grandes homens do renascimento biológico dos séculos XVIII e XIX, tinham contribuído para o tema, embora a designação de ecologia não fosse ainda utilizada. A Palavra ecologia deriva da palavra grega “oikos”, que significa “casa” ou “lugar” onde se vive. Em sentido literal, a ecologia é o estudo das relações dos organismos ou grupos de organismos com o ambiente. Uma vez que a ecologia se ocupa especialmente da biologia, de grupos de organismos e de processos funcionais na terra, no mar e na água doce, está mais de harmonia com a moderna acepção, definir a ecologia como o estudo da estrutura e do funcionamento da natureza, considerando que a humanidade é uma parte dela. Assim a ecologia é a ciência pela qual estudamos como os organismos (animais, plantas, e micróbios) interagem entre si e com o mundo natural.

Níveis de organização:

Organismo: é a unidade do sistema ecológico elementar; População: é o conjunto de indivíduos de uma mesma espécie, que vive num local delimitado e numa determinada época - São potencialmente imortais;

- Possuem suas fronteiras geográficas;

- Densidade;

- Variações no tamanho ou composição.

Comunidade: é o conjunto de todas as populações que se encontram interagindo num determinado meio e que não apresentam fronteiras rígidas. É a biota.

Ecossistema: é o conjunto formado por uma comunidade e os componentes não vivos, ou seja , fatores abióticos. São grandes e complexos. A atividade de um ecossistema pode ser avaliada pela Produtividade Primária Bruta, que corresponde ao total de matéria orgânica produzida, durante determinado tempo, numa certa área ambiental. Descontando-se desse total a quantidade de matéria orgânica consumida pela comunidade na respiração durante esse período, consegue-se a Produtividade Primária Líquida. A produtividade de um ecos- sistema depende de diversos fatores, dentre os quais os mais importantes são a luz, a H2O, o CO2 e a disponibilidade de nutrientes.

Biosfera: é a reunião de todos os ecossistemas interligados através da energia e dos nutrientes transportados pelas correntes de vento e de água e pelos movimentos dos organismos existentes na Terra.

Hábitat: é o lugar em que vive cada organismo de determinada espécie componente da comunidade. É a “residência” do organismo.

Nicho ecológico: é a função ou papel desempenhado pelos organismos de determinada espécie em seu ambiente de vida. O nicho inclui o hábitat, as necessidades alimentares, a temperatura ideal de sobrevivência, os locais de refúgio, as interações com os inimigos e amigos etc. O nicho ecológico é a “profissão” desempenhada pela espécie no ecossistema.

O sol é a fonte de energia utilizada pelos seres vivos. A energia solar flui ao longo dos ecossistemas através das cadeias alimentares. Os elos de uma cadeia alimentar são os níveis tróficos e incluem:

produtores – vegetais autótrofos fotossintetizantes. Transformam a energia solar na energia química contida nos alimentos. No mar, são re-presentados pelo fitoplâncton (principalmente o conjunto das microalgas); consumidores primários – herbívoros, isto é, os seres comedores de plantas. No mar, são os componentes do zooplâncton (microcrustáceos, por exemplo); consumidores secundários – carnívoros que se alimentam dos herbívoros. Há ainda consumidores terciários e quaternários que se alimentam, respectivamente, de consumidores secundários e terciários; decompositores – bactérias e fungos que se alimentam dos restos orgânicos dos demais seres vivos. São importantes na reciclagem dos nutrientes minerais que poderão ser reutilizados pelos produtores. O conjunto de todas as cadeias alimentares do ecossistema constitui uma teia alimentar.

A pirâmide de energia em cada nível trófico há grande consumo de energia para execução das reações metabólicas. Há liberação de energia na forma de calor, que é “perdido” pelo ecossistema. A energia restante é armazenada nos tecidos. Os produtores consomem, para sua sobrevivência, grande parte da energia por eles fixada na fotossíntese. Sobra pouco para o nível dos consumidores primários, que utilizarão, no seu metabolismo, boa parte da energia obtida dos produtores.

O mesmo acontece em relação aos consumidores secundários, que despenderão, em suas atividades metabólicas, boa parcela da energia obtida dos consumidores primários. Isso limita o número dos níveis tróficos e explica ser a biomassa decrescente nas cadeias alimentares a partir dos produtores, que terão a maior biomassa. Portanto, a quantidade de energia disponível sempre diminui, porque se deve descontar o que é gasto pelas atividades próprias de cada nível trófico.

O fluxo de matéria e energia nos ecossistemas pode ser representado por meio de pirâmides, que poderão ser de energia, de biomassa (matéria) ou de números.

Nas pirâmides ecológicas, a base é quase sempre mais larga que o topo

A pirâmide de energia, expressa a quantidade de energia acumulada em cada nível da cadeia alimentar. Como a energia apresenta um fluxo decrescente, quanto mais distante dos produtores, menor será a quantidade de energia útil recebida..

A pirâmide de Biomassa, expressa a quantidade de biomassa, matéria viva acumulada em cada nível trófico da cadeia alimentar.

quantidade de matéria orgânica por área

• É representada pelo peso seco consumido numa cadeia alimentar e expressa a

• É de forma direta nos ecossistemas terrestres que tem produtores com biomassa muito maior que os consumidores. Porém, é invertida em ecossistemas aquáticos onde os produtores são bem menores e consumidos em grande quantidade por consumidores cada vez maiores. Este tipo de ecossistema só pode existir devido ao alto grau de reprodução que é feito pelos produtores representados ali geralmente pelo fitoplâncton.

Pirâmide de números, demonstra o número de indivíduos que existe em cada nível trófico. Dependendo do tipo de ecossistema a pirâmide de números pode ser direta ou invertida. Podemos ter três tipos básicos de cadeias alimentares a de predadores que promoverá pirâmides diretas, a de parasitas e super parasitas que dará pirâmides invertidas e a de detritívoros que dará pirâmides diretas.

Conclusão

A ecologia não é uma ciência da moda ou uma preocupação moderna. Ainda que seja mais recente que outras ciências milenares como a matemática ou a física, há mais de um século já havia gente preocupada em definir essa ciência que ganhava cada vez mais corpo e preocupava os habitantes das grandes cidades do planeta.

No final do século XIX e início do século X teve início a publicação de vários trabalhos tratando das relações entre seres vivos e o ambiente. Mas foi partir de 1930, que o estudo da Ecologia ganhou um espaço independente dentro da Biologia. Hoje os danos ambientais causados pelo aumento da população humana, pela escassez de recursos naturais e pela poluição ambiental fazem com que a Ecologia seja um dos mais importantes ramos da ciência atual.

Hoje a Ecologia não apenas ganhou status entre os cientistas, como também se tornou popular e alcançou visibilidade entre os grandes empresários. A escassez de recursos naturais, o aumento desenfreado da população das grandes cidades e a rarefação das florestas, vistos num primeiro momento como sintomas do desenvolvimento, hoje são problemas capazes de mobilizar governos, ONGs, empresários e pessoas comuns.

Bibliografia:

RICKLEFS, Robert E. A economia da natureza. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003. 503 p. ISBN 8527707985

ODUM, Eugene Pleasants. Fundamentos de ecologia. 7. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004. 928 p. ISBN 972-31-0158-X

Fonte on-line: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/meio-ambiente/ecologia-1.php http://360graus.terra.com.br/ecologia/default.asp?did=6646&action=reportagem

Comentários