Indicações Técnicas para a Cultura da Soja no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina 2006/2007

Indicações Técnicas para a Cultura da Soja no Rio Grande do Sul e em Santa...

(Parte 1 de 5)

36ª Reunião de Pesquisa da Soja da Região Sul

29 a 31 de julho de 2008 Porto Alegre, RS

Realização

Apoio Patrocínio

36ª Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul 29 a 31 de julho de 2008

Indicações Técnicas para a

Cultura da Soja no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina 2008/2009

Porto Alegre, RS 2008

Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária Emater-RS/Ascar

Exemplares desta publicação podem ser solicitados à:

Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária Rua Gonçalves Dias, 570 CEP 90130-060 – Porto Alegre – RS – Brasil Fone: (51) 3288.8000 - Fax: (51) 3233-7607

Presidente: Ronaldo Matzenauer Vice-Presidente: Alencar Rugeri Secretário: Sérgio de Assis L. Rubin e Lauro Beltrão Tesoureiro: Lucas Muller Rieth, Roberto Bitencourt e Lucy Maria Gawlinski (Emater) Secretaria Executiva: Nara Regina da Costa, Jane Maria Ferreira, Giselda da Silva Pires e Maristela Medeiros Guimarães. Apoio Administrativo: Luiz Carlos Tarasconi, Jane Rollo Guaranha, Pedro José Kercher, Gilmário Marques da Silva, Gilberto Fiengelewski, Marco Antonio Silveira Soares, Jornalista: Hilda Gislaine Araújo de Freitas, Fernado Kluwe Dias e Adriane Bertoglio Rodrigues (Emater). Revisão Técnica: André Abichequer Estagiários: Ana Laura Nonnemacher Junqueira(Fepagro), Aulus Cafruni Maciel(Fepagro), Bruna Santos dos Anjos (Emater), Patrícia Ferreira Nunes (Emater), Viviane Andrade Aveline (Emater), Desireé Câmara de França ( Emater).

1ª Edição 1ª Impressão (2008): 3.0 exemplares

Referência: REUNIÃO DE PESQUISA DA SOJA DA REGIÃO SUL, 36. , 2008, Porto Alegre. Indicações Técnicas para a Cultura da Soja no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina 2008/2009. Porto Alegre: Fepagro, 2008. 144 p.

R444iReunião de Pesquisa da Soja da Região Sul (36: 2008: Porto
Indicações técnicas para a cultura da soja no Rio Grande do Sul e
Porto Alegre: Fepagro, 2008. 144 p.
1. Agronomia 2. Soja 3. Pesquisa agrícola 4. Região Sul 5. Rio Grande do

Alegre,RS) em Santa Catarina 2008-2009 / 36ª Reunião de Pesquisa da Soja da Região Sul, Porto Alegre,RS, 29 a 31 de julho de 2008. Sul 6. Santa Catarina I. Título CDU: 635.655(816)

•Embrapa Clima Temperado •Embrapa Soja

•Embrapa Trigo

•Embrapa Transferência de Tecnologia – Escritórios de negócios de Capão do Leão e de Passo Fundo

•Fundação Centro de Experimentação e Pesquisa Fecotrigo

– Fundacep •Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária - FEPAGRO

•Universidade Federal de Pelotas

•Universidade Federal do Rio Grande do Sul

•Universidade Federal de Santa Maria

•Universidade de Passo Fundo – FAMV

• Unijuí

•Associação de Empresas Nacionais de Defensivos Agrícolas – AENDA •Associação Nacional de Defesa vegetal – ANDEF

•Associação Rio-Grandense de Empreendimentos e Assistência Técnica –EMATER/RS

•Associação dos Produtores de Sementes do Rio Grande do Sul – APASSUL •Santa Cruz Agrícola Com.Ltda – Santagro

•Serviço Especial em Diagnose de Sementes LTDA –

Seeds •Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola – Coodetec

1. Manejo e Conservação do Solo1
2. Adubação e Calagem17
3. Cultivares29
4. Manejo da Cultura75
5. Sistema de Produção de Grãos83
6. Manejo Integrado de Plantas Daninhas87
7. Manejo Integrado de Doenças107
8. Manejo Integrado de Pragas119

SUMÁRIO 9. Colheit a .................................................................................... 131

Foram 36 reuniões entre instituições que desenvolvem tecnologias, promovem o desenvolvimento, financiam, transferem conhecimento, fomentam, produzem e comercializam a soja nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Em sistema de rodízio, cada organização responsável por coordenar a atividade, busca, com a maior brevidade possível disponibilizar uma publicação que, não somente, documenta, mas, principalmente oriente os usuários destes conhecimentos ao seu melhor aproveitamento.

A Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária – FEPAGRO juntamente com a

EMATER-RS, instituições vinculadas, respectivamente da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia e Secretaria Estadual da Agricultura, Pesca e Abastecimento, estão, novamente, cumprindo esta prazerosa missão. Neste ano, realizada na sede da Fepagro em Porto Alegre, com a participação de aproximadamente 200 pessoas, durante 3 dias foram apreciados os resultados da cultura nas fazendas, o comportamento do mercado nacional e internacional, as tendências científicas, assim como, formam avaliados resultados dos ensaios de teste de novas cultivares, cultivares recomendadas, praticas culturais e de sistemas de produção onde Soja é inserida, zoneamento agroclimático, sendo também discutido as mudanças de recomendações considerando os fatores tecnológicos mais relevantes para a eficácia do processo produtivo quando se foca em sustentabilidade e competitividade.

Para a Diretoria e Funcionários da Fepagro e da EMATER-RS a disponibilização desta publicação é a forma de contribuir com o sistema produtivo na consolidação da competitividade e sustentabilidade do agronegócio Gaúcho. As instituições que coordenaram e executaram esta 36ª Reunião de Pesquisa de Soja, agradecem a todos os participantes, que propuseram, apresentaram, discutiram ou simplesmente assistiram, assim como as instituições que contribuíram financeiramente para que este evento alcançasse o sucesso pretendido.

Atenciosamente

Benami BacaltchukMario Nascimento Diretor Presidente da FepagroPresidente da EMATER-RS

1 - MANEJO E1 - MANEJO E1 - MANEJO E1 - MANEJO E1 - MANEJO E CONSER CONSERCONSER CONSER CONSER

1 - MANEJO E CONSERVAÇÃO DE SOLO

1.1 Introdução

O preparo de solo, mediante uso excessivo de arações e/ou gradagens superficiais e continuamente na mesma profundidade, provoca desestruturação da camada arável e formação de duas camadas distintas: a superficial pulverizada e a sub-superficial compactada. Essas transformações reduzem a taxa de infiltração de água no solo e prejudicam o desenvolvimento radicular das plantas, resultando, respectivamente, em perdas de solo e de nutrientes por erosão e em redução do potencial produtivo da lavoura. Esses aspectos, associados à pouca cobertura do solo, às chuvas de elevada intensidade, ao uso de áreas inaptas para culturas anuais e à adoção de sistemas de terraços e de semeadura em contorno como práticas isoladas de conservação do solo, são os principais fatores causadores do processo de erosão e de degradação dos solos da região sul do Brasil.

1.2 Sistema plantio direto

Sistemas de manejo de solo compatíveis com as características de clima, de planta e de solo da região sul do Brasil são imprescindíveis para interromper o processo de degradação do solo e, conseqüentemente, manter a atividade agrícola competitiva. Nesse contexto, o sistema plantio direto deve ser enfocado como um processo de exploração agropecuária que envolve diversificação de espécies ao longo do tempo, mobilização de solo apenas no sulco de semeadura e manutenção permanente da cobertura de solo. Fundamentada nesse conceito, a adoção do sistema plantio direto objetiva expressar o potencial genético das espécies cultivadas mediante a maximização do fator ambiente e do fator solo, sem, contudo, degradá-los.

A consolidação do sistema plantio direto, entretanto, está essencialmente alicerçada na rotação de culturas orientada ao incremento da rentabilidade, à promoção da cobertura permanente de solo, à geração de benefícios fitossanitários e à ciclagem de nutrientes. A interação da rotação de culturas, abandono da mobilização de solo e manutenção permanente da cobertura de solo assegura a evolução paulatina da melhoria física, química e biológica do solo.

O sistema plantio direto constitui, atualmente, a modalidade de agricultura conservacionista de maior adoção na região sul do país. A adoção e a manutenção desse sistema requerem a implementação de ações integradas, entre as quais as descritas a seguir.

1.2.1 Sistematização da lavoura

Sulcos e depressões no terreno, decorrentes do processo erosivo, concentram enxurrada, provocam transtornos ao livre tráfego de máquinas na lavoura, promovem focos de infestação de plantas daninhas e constituem manchas de menor fertilidade de solo em relação ao restante da área. Assim, por ocasião da adoção do sistema plantio direto recomenda- se a eliminação desses obstáculos, mediante uso de plainas ou de motoniveladoras, ou mesmo de escarificação seguida por gradagem. A execução dessas práticas objetiva evitar a necessidade de mobilização do solo após adoção do sistema plantio direto.

1.2.2 Correção da acidez e da fertilidade de solo

Em solos com elevada acidez e com baixos teores de P e de K, a aplicação de calcário e de fertilizantes e sua incorporação, na camada de 0 a 20 cm de profundidade, é fundamental para viabilizar o sistema plantio direto nos primeiros anos, período em que a reestruturação do solo ainda não manifestou seus efeitos benéficos.

1.2.3 Descompactação de solo

As características de solos compactados são: baixa taxa de infiltração de água, ocorrência freqüente de enxurrada, raízes deformadas, estrutura degradada e elevada resistência do solo às operações de preparo. Em conseqüência, sintomas de deficiência de água nas plantas podem ser evidenciados mesmo em situações de breve estiagem. Constatada a existência de camada compactada, recomenda-se abrir pequenas trincheiras (30 cm de lado por 50 cm de profundidade) em vários pontos da lavoura visando detectar o limite inferior da camada através do aspecto morfológico da estrutura do solo, da forma e da distribuição do sistema radicular das plantas e/ou da resistência ao toque com instrumento pontiagudo.

Normalmente, o limite inferior da camada compactada não ultrapassa 25 cm de profundidade. Para descompactar o solo, recomenda-se usar implementos de escarificação contendo hastes com ponteiras estreitas (não superior a 8 cm de largura), reguladas para operar imediatamente abaixo da camada compactada. O espaçamento entre hastes deve ser de 1,2 a 1,3 vezes a profundidade de trabalho. A descompactação deve ser realizada em condições de solo com baixa umidade e transversalmente ao plano de declive do terreno. Os efeitos benéficos dessa prática dependem do manejo adotado após a descompactação. Em seqüência às operações de descompactação do solo, é recomendada a semeadura de culturas de elevada produção de biomassa aérea e de abundante sistema radicular. Em geral, mantendo-se elevado padrão de produção de biomassa e controlando-se o tráfego de máquinas na lavoura, é provável que não haja necessidade de novas escarificações.

1.2.4 Planejamento do sistema de rotação de culturas

O tipo e a freqüência das espécies contempladas no planejamento de um sistema de rotação de culturas devem atender tanto os aspectos técnicos, que objetivam a conservação do solo, quanto aos aspectos econômicos e comerciais compatíveis com os sistemas de produção praticados regionalmente.

A seqüência de espécies a ser cultivadas numa mesma área deve considerar, além do potencial de rentabilidade do sistema, a suscetibilidade de cada cultura à infestação de pragas e de plantas daninhas e à infecção de doenças, a disponibilidade de equipamentos para manejo das culturas e de seus restos culturais e o histórico e o estado atual da lavoura, considerando os aspectos de fertilidade do solo e de exigência nutricional das plantas.

O arranjo das espécies no tempo e no espaço deve ser orientado para a diversificação de cultivares a fim de possibilitar o escalonamento da semeadura e da colheita.

No sul do Brasil, um dos sistemas de rotação de culturas compatíveis com a produção de soja, para um período de três anos, envolve a seguinte seqüência de espécies: aveia/ soja, trigo/soja e ervilhaca/milho.

1.2.5 Manejo de restos culturais

Na colheita de grãos das culturas que precedem a semeadura de soja, é importante que os restos culturais sejam distribuídos numa faixa equivalente à largura da plataforma de corte da colhedora, independentemente de serem ou não triturados.

1.3 Manejo de enxurrada em sistema plantio direto

A cobertura permanente do solo e os reflexos positivos na sua estruturação, a partir da adoção do sistema plantio direto, têm sido insuficientes para disciplinar os fluxos de matéria e de energia gerados pelo ciclo hidrológico em escala de lavoura ou no âmbito da microbacia hidrográfica e, conseqüentemente, não constituem meio completamente eficiente de controle da erosão hídrica.

Embora no sistema plantio direto a cobertura de solo exerça função primordial na dissipação da energia erosiva da chuva, há limites críticos de comprimento do declive em que essa eficiência é superada, desencadeando o processo de erosão hídrica. Assim, mantendo-se constantes todos os fatores relacionados à erosão hídrica e incrementando-se apenas o comprimento do declive, tanto a quantidade quanto a velocidade da enxurrada produzida por determinada chuva irão aumentar, elevando o risco de erosão.

A cobertura de solo apresenta potencial para dissipar, em até 100%, a energia erosiva da gota de chuva, mas não manifesta essa mesma eficiência para dissipar a energia erosiva da enxurrada. A partir de determinado comprimento de declive, o potencial de dissipação de energia erosiva da cobertura de solo é superado, o que permite a flutuação e o transporte de restos culturais, bem como o desencadeamento do processo erosivo sob a cobertura vegetal. Nesse contexto, toda prática conservacionista capaz de manter o comprimento do declive dentro de limites que mantenham a eficiência da cobertura vegetal de solo na dissipação da energia erosiva incidente contribuirá, automaticamente, para minimizar o processo de erosão hídrica. Semeadura em contorno, terraços, taipas de pedra, faixas de retenção, canais divergentes, entre outros procedimentos, são práticas conservacionistas eficientes para a segmentação do comprimento do declive e, comprovadamente, constituem técnicas associadas à cobertura de solo para o controle efetivo da erosão. Portanto, para o efetivo controle do processo de erosão hídrica, é fundamental dissipar a energia erosiva do impacto da gota de chuva e do cisalhamento da enxurrada, mediante a manutenção do solo permanentemente coberto e redução da quantidade e velocidade do escoamento superficial. A implementação de práticas conservacionistas, em adição à cobertura vegetal de solo para o efetivo controle da erosão hídrica, pode fundamentar-se na observância do ponto de falha (ineficácia) dos resíduos culturais. Essa constatação indicará o comprimento crítico da pendente, isto é, o máximo espaçamento horizontal permitido entre terraços.

1.3.1 Terraceamento

Terraço é uma estrutura hidráulica conservacionista, composta por um camalhão e um canal, construído transversalmente ao plano de declive do terreno. Essa estrutura se constitui em barreira ao livre fluxo da enxurrada, disciplinando-a mediante redução da taxa de infiltração no canal do terraço (terraço de absorção), ou da condução para fora da lavoura (terraço de drenagem). O objetivo fundamental do terraceamento é reduzir os riscos de erosão e proteger os mananciais hídricos.

A determinação do espaçamento entre terraços está intimamente vinculada ao tipo de solo, à declividade do terreno, ao regime pluvial, ao manejo de solo e de culturas e à modalidade de exploração agrícola.

Experiências têm demonstrado que o critério comprimento crítico da pendente nem sempre é adequado para o estabelecimento do espaçamento entre essas estruturas conservacionistas. Isso se justifica pelo fato de que a secção máxima do canal do terraço de base larga, economicamente viável e tecnicamente possível de ser construída, é de, aproximadamente, 1,5 m, área que poderá mostrar-se insuficiente. Do exposto, infere-se que a falha de resíduos culturais na superfície do solo constitui apenas um indicador prático para constatar a presença de erosão hídrica e identificar a necessidade de implementação de tecnologia-solução. Por sua vez, o dimensionamento da prática conservacionista a ser estabelecida demanda o emprego de método específico, embasado no volume máximo esperado de enxurrada.

(Parte 1 de 5)

Comentários