Cultivo e mercado da graviola

Cultivo e mercado da graviola

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10ª SEMANA INTERNACIONAL DA FRUTICULTURA, FLORICULTURA E AGROINDÚSTRIA 01 a 04 de setembro de 2003 – Centro de Convenções Fortaleza – Ceará – Brasil

Copyright FRUTAL 2003

Fortaleza – CECEP: 60.120-002

Exemplares desta publicação podem ser solicitados à: Instituto de Desenvolvimento da Fruticultura e Agroindústria – Frutal Av. Barão de Studart, 2360 / sl: 1305 – Dionísio Torres E-mail: geral@frutal.org.br Site: w.frutal.org.br Tiragem: 150 exemplares EDITOR INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO DA FRUTICULTURA E AGROINDÚSTRIA – FRUTAL DIAGRAMAÇÃO E MONTAGEM PEDRO MOTA RUA: HENRIQUE CALS, 85 – BOM SUCESSO – FONE: (85): 484.4328

Os conteúdos dos artigos científicos publicados nestes anais são de autorização e responsabilidade dos respectivos autores. Ficha catalográfica:

Cultivo e mercado da graviola / Abel Rebouças São José. –
36 p.

São José, Abel Rebouças. Fortaleza: Instituto Frutal, 2003. 1.Graviola – Cultivo. 2. Graviola – Comercialização. I. Título.

CDD 583.2

10ª SEMANA INTERNACIONAL DA FRUTICULTURA, FLORICULTURA E AGROINDÚSTRIA 01 a 04 de setembro de 2003 – Centro de Convenções Fortaleza – Ceará – Brasil

A nossa FRUTAL chega a sua 10ª edição e com ela atingimos a marca aproximada de 10.0 pessoas capacitadas nos Cursos Técnicos que anualmente oferecemos. Várias pessoas têm participado dos Cursos da FRUTAL, destacandose produtores, empresários, pesquisadores, estudantes, além do público geral visitante que, mesmo sendo de outro ramo de atividade, passou a acreditar na fruticultura irrigada estimulados pelo nosso movimento, que tem feito o Ceará se destacar em nível do cenário nacional no Agronegócio da Agricultura Irrigada.

Procurando deixar registrado todo o conteúdo técnico dos Cursos da FRUTAL, temos anualmente editado apostilas como esta, com o conteúdo de cada tema que são cuidadosamente selecionados para cada FRUTAL, com uma média de 10 Cursos por edição. A escolha dos temas para os Cursos da FRUTAL se baseia nas sugestões obtidas das Avaliações realizadas com os próprios participantes, acrescida de temas de vanguarda como o Curso “Produção Integrada de Frutas” que estamos promovendo nesta edição.

Toda a Programação Técnica da FRUTAL está direcionada para o tema central que este ano foi eleito “Cooperativismo e Agronegócio”, tema este em consonância com a atual política do governo federal. Na sua composição temos Cursos, Palestras Técnicas, Painéis, Seminários Setoriais, Fóruns e Eventos Paralelos variados, que é referendada por uma Comissão Técnico-Científica formada por ilustres e competentes representantes dos principais Órgãos, Instituições e Entidades ligados ao setor do Agronegócio da Agricultura Irrigada do Ceará, cujas contribuições têm sido essenciais para a qualidade e nível que atingimos.

Nesta edição a comunidade científica terá uma programação especial. Acontecerá pela primeira vez no Nordeste e terceira vez no Brasil, já em sua 49ª edição, a Reunião Anual da Sociedade Interamericana de Horticultura Tropical, evento que deverá trazer para o ambiente da FRUTAL cerca de 600 pesquisadores, que apresentarão os mais recentes resultados de trabalhos de pesquisa na área de Fruticultura, Floricultura e Horticultura.

Vale ressaltar também neste momento a credibilidade que os Patrocinadores tem da FRUTAL, principalmente da iniciativa privada que cada ano tem tido maior participação, sendo este um veredicto de nossa intenção de estimular, incrementar e consolidar a FRUTAL como uma Feira tipicamente de negócios.

Portanto, esperamos com a edição desta Apostila estar contribuindo para o aprimoramento tecnológico do setor da Fruticultura, Floricultura e Agroindústria do Brasil e em especial do Estado do Ceará.

Antonio Erildo Lemos Pontes Coordenador Técnico do Instituto Frutal Diretor Técnico do Instituto Frutal

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COMISSÃO EXECUTIVA DA FRUTAL 2003

Euvaldo Bringel Olinda PRESIDENTE DA FRUTAL

Idealizador da Frutal, Empresário, Engenheiro Pós-Graduado em Administração e Negócios. Presidente do SINDIFRUTA e da Frutal, Ex-diretor da PROFRUTAS – Associação dos Produtores e Exportadores de Frutas do Nordeste e do IBRAF – Instituto Brasileiro de Fruticultura e das Federações FAEC e FACIC.

Afonso Batista de Aquino COORDENADOR GERAL DA FRUTAL

Engenheiro Agrônomo, Pós-graduado em Nutrição de Plantas, com especialização em Extensão Rural e Marketing em Israel e Espanha. Diretor Geral do Instituto Frutal e Coordenador Geral da Frutal desde 1998.

Antonio Erildo Lemos Pontes COORDENADOR TÉCNICO

Engenheiro Agrônomo com vasta experiência de trabalho voltado para Fruticultura Irrigada, Especializado em Israel em Agricultura Irrigada por Sistema Pressurizado, Membro Efetivo do IBGE/GCEA do Ceará, Consultor do SEBRAECE na Área de Agronegócios da Fruticultura, Coordenador Titular do Nordeste no Fórum Nacional de Conselhos de Consumidores de Energia Elétrica e Coordenador Técnico da Frutal desde sua primeira edição em 1994.

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COMISSÃO TÉCNICO-CIENTÍFICA DA FRUTAL 2003

Afonso Batista de Aquino INSTITUTO FRUTAL Ana Luiza Franco Costa Lima SETUR Antonio Belfort B. Cavalcante INSTITUTO CENTEC Antonio Erildo Lemos Pontes INSTITUTO FRUTAL Antonio Vieira de Moura SEBRAE/CE César Augusto Monteiro Sobral AEAC Cézar Wilson Martins da Rocha DFA/CE Daniele Souza Veras AGRIPEC Ebenézer de Oliveira Silva EMBRAPA Egberto Targino Bonfim EMATERCE Enid Câmara PRÁTICA EVENTOS Euvaldo Bringel Olinda INSTITUTO FRUTAL Francisco Eduardo Costa Magalhães BANCO DO BRASIL Francisco José Menezes Batista SRH Francisco Marcus Lima Bezerra UFC/CCA Francisco Zuza de Oliveira SEAGRI/CE João Nicédio Alves Nogueira OCEC/SESCOOP José Carlos Alves de Sousa COOPANEI José de Souza Paz SEAGRI/CE José dos Santos Sobrinho FAEC/SENAR José Ismar Girão Parente SECITECE José Maria Freire SEAGRI/CE Joviniano Silva DFA/CE Jussara Maria Bisol Menezes FIEC Leão Humberto Montezuma Santiago Filho DNOCS Liliane Nogueira Melo Lima SEAGRI/CE Marcílio Freitas Nunes CEASA/CE

Maria do Carmo Silveira Gomes Coelho BANCO DO NORDESTE DO BRASIL S/A -BNB

Paulo de Tarso Meyer Ferreira CREA-CE Raimundo Nonato Távora Costa UFC/CCA Raimundo Reginaldo Braga Lobo SEBRAE/CE Regolo Jannuzzi Cecchettini INSTITUTO AGROPÓLOS DO CEARÁ Rui Cezar Xavier de Lima INCRA/CE

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1. INTRODUÇÃO7
2. PROPAGAÇÃO8
2.1. PROPAGAÇÃO POR SEMENTE9
2.2. PREPARO DE VIVEIRO9
2.3. SEMEADURA10
2.4. PROPAGAÇÃO POR ENXERTIA1
3. ESPAÇAMENTO1
4. ÉPOCA DE PLANTIO13
5. PREPARO DE SOLO E PLANTIO13
6. CULTIVO INTERCALARES14
7. PODAS DE FORMAÇÃO E MANUTENÇÃO14
8. CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS16
9. NUTRIÇÃO E ADUBAÇÃO17
9.1. ADUBAÇÕES DAS MUDAS APÓS O PLANTIO NO CAMPO20
10. POLINIZAÇÃO2
1. IRRIGAÇÃO23
12. PRAGAS24
13. DOENÇAS27
14. COLHEITA3
15. ASPECTOS DO MERCADO E PRODUTIVIDADE34
16. BIBLIOGRAFIA35
17. CURRÍCULO DO INSTRUTOR37

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1. INTRODUÇÃO

O Brasil vem se destacando a nível mundial como um importante produtor e consumidor de frutas, especialmente as tropicais e subtropicais como: mamão, citros, manga, maracujá, abacaxi, banana, goiaba, abacate, dentre outras. Apesar de participar com um volume ainda considerado pequeno nas exportações agrícolas, as frutas, pouco a pouco vem ocupando espaço no mercado internacional, conforme pode ser observado com a produção e exportação de maçãs, mangas e melões.

Muitas fruteiras são nativas do Brasil e muitas delas ainda são desconhecidas ou pouco conhecidas. Dentre as fruteiras nativas, muitas apresentam grande potencial produtivo e, se explorados adequadamente poderão transformar-se em cultivos comerciais de importância.

Dentre as frutas tropicais encontram-se as Anonáceas, que no passado não apresentavam importância, mas que atualmente se transformaram em cultivos rentáveis e geradores de empregos. A família das Anonáceas é composta por cerca de 75 gêneros e mais de 600 espécies, destacando-se a Graviola (Annona muricata), Pinha, Ata ou Fruta-do-Conde (Annona squamosa), Cherimólia (Annona cherimola) e Atemóia (híbrido entre cherimólia e pinha). Uma infinidade de outras espécies dentro do gênero Annona, é encontrada em diversas regiões brasileiras, nas mais variadas condições edafoclimáticas. Merecem destaques algumas encontradas na Mata Atlântica e na Caatinga, com comportamento fisiológicos distintos. Tais espécies poderão ser de grande utilidade no futuro em programas de melhoramento genético.

Dentre as Anonáceas, o cultivo da gravioleira é bastante recente. Com a evolução do mercado muitas áreas comerciais têm surgido em diversos Estados brasileiros, destacando a Bahia, Ceará, Pernambuco, Alagoas e Minas Gerais.

O fruto da graviola era destinado na quase totalidade para agroindústria visando obtenção de polpa, suco, néctar, etc. Atualmente uma importante quantidade da produção é comercializada como fruta fresca, especialmente nos mercados de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Fortaleza, Brasília, dentre outros centros consumidores.

A tecnologia adotada nas diversas regiões produtoras é muito variável, havendo produtores que não usam quase nenhuma tecnologia moderna, como irrigação, nutrição adequada, poda, polinização, proteção dos frutos, controle fitossanitário, etc.

FRUTAL’2003 - COOPERATIVISMO E AGRONEGÓCIO - CULTIVO E MERCADO DA GRAVIOLA comprometendo a produtividade e qualidade dos frutos produzidos. Apesar disso, diversos produtores têm cultivado a gravioleira de forma racional, adotando a tecnologia disponível e obtendo produtividades elevadas e boa rentabilidade.

A gravioleira é originada de regiões tropicais a América do Sul e América Central.

Seu fruto apresenta polpa branca, sucusa, agridoce e de aroma ativo. Apresentam numerosas sementes negras ou marrons. O consumo da graviola pode se dar na forma in natura ou ainda na forma de sorvetes, cremes, coquetéis, etc. Em algumas regiões são utilizadas as folhas em forma de chás e infusões para combater diabete ou para emagrecimento. Outras partes da planta são também utilizadas na medicina natural, incluindo raízes, cascas, flores e sementes. A casca e raízes da graviola, são consideradas sedativas, antiespasmódicas, hipotensivas além de apresentar efeitos no combate a tumores e propriedades calmantes. As sementes apresentam propriedades antihelmínticas, isto é, combate a verminoses. Diversos outros estudos científicos vem sendo realizados em diversas regiões do mundo, e muitas propriedades anticancerígenas estão sendo detectadas.

Neste trabalho pretendemos contribuir para a melhoria de técnicas utilizadas no cultivo da gravioleira de forma a aumentar sua produtividade, qualidade de frutos e rentabilidade.

2. PROPAGAÇÃO

A adequada escolha das sementes e produção de mudas ou dos materais propagativos é fundamental para o sucesso do futuro pomar de graviola.

Na maioria das regiões produtoras, a gravioleira é propagada usualmente através da via sexual, isto é, por sementes, entretanto alguns plantios tecnificados têm utilizado a técnica da enxertia, a fim de ter uniformidade entre as plantas do pomar.

FRUTAL’2003 - COOPERATIVISMO E AGRONEGÓCIO - CULTIVO E MERCADO DA GRAVIOLA

2.1. PROPAGAÇÃO POR SEMENTE

Para formação das mudas pode-se optar em produzir mudas para um pomar de pé franco, isto é, sem realização da enxertia, neste caso haverá uma variação entre as plantas, frutos, etc. As sementes são extraídas de frutos maduros lavados e secados à sombra por 3 a 4 dias e a seguir podem ser semeadas ou armazenadas por um período não superior a dois meses em condições ambientais ou em refrigerador doméstico (5- 10ºC) por período de até 6 meses, devidamente acondicionadas em sacos plásticos.

2.2. PREPARO DE VIVEIROS

Para regiões de elevada insolação deve-se fazer o viveiro com meia sombra, usando tela sombrite (50% de insolação) ou cobertura com ripas, varas, bambus, capim ou qualquer cobertura que filtre o sol em 50%. Para regiões com nebulosidade e elevada umidade relativa do ar, como ocorre nas zonas litorâneas, pode-se dispensar o uso de sombreamento.

Internamente deve-se distribuir os canteiros com cerca de 1,0m de largura por 10m de comprimento. Os recipientes utilizados são sacos plásticos com dimensões entre 15 a 18cm de diâmetro por 25 a 30cm de comprimento, os quais devem ser preenchidos com um substrato composto de terra fértil (terriço) e esterco de curral curtido em proporção de 3 partes de terra para 1 de esterco de curral ou até na proporção de 3:2, dependendo da fertilidade do solo. O esterco de curral pode ser substituído por esterco de caprinos ou qualquer outra fonte de matéria orgânica decomposta. O esterco de galinha, também pode ser utilizado na proporção de 10 partes de terra para 1 de esterco de galinha. A cada 1.0 litros dessa mistura, deve-se adicionar 3 a 5 kg de superfosfato simples e 1 kg de cloreto de potássio, se o solo utilizado no substrato apresentar baixos níveis de fósforo e potássio. O substrato pode ainda ser composto um adubo organomineral formulado (06 – 12 – 12 ou 06-12-8) na proporção de 5 kg por cada 1.0 litros de substrato. Ainda encontram-se no mercado essas fórmulas totalmente orgânicas, visando atender os produtores que desejarem iniciar suas atividades totalmente orgânica.

Após preparado o substrato, encher os sacos plásticos e colocá-los lado a lado formando canteiros nas dimensões de 10 x 1 m, espaçando estes canteiros com 0,6 m entre si para facilitar os tratos culturais dentro do viveiro pelos operadores.

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