Terceiro Consenso de Granada

Terceiro Consenso de Granada

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Introdução ao Seguimento Farmacoterapêutico

Henrique Mateus Santos Paula Iglésias Ferreira Patrícia Lopes Ribeiro Inês Cunha

2007 V 02.07

Introdução ao Seguimento Farmacoterapêutico

Autores:

Henrique Mateus Santos1, Paula Iglésias Ferreira1, Patrícia Lopes Ribeiro2, Inês Cunha3

1) Mestre (DEA) em Farmácia Assistencial pela Universidade de Granada. Farmacêutico. Grupo de Investigação em Cuidados Farmacêuticos da Universidade Lusófona (GICUF-ULHT).

2) Licenciada em Ciências Farmacêuticas. Farmacêutica.

3) Licenciada em Ciências Farmacêuticas da Universidade Lusófona. Farmacêutica. Master en Atención Farmacéutica pela Universidade de Granada.

Introdução ao Seguimento Farmacoterapêutico. GICUF-ULHT 01/2007 (1ª edição). Versão online.

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Introdução ao Seguimento Farmacoterapêutico

INTRODUÇÃO AO SEGUIMENTO FARMACOTERAPÊUTICO 5

Objectivo 5 Conceito de Seguimento Farmacoterapêutico 5

RESULTADOS NEGATIVOS ASSOCIADOS À MEDICAÇÃO 10

Objectivo 10 Conceito de Resultado Negativo associado à Medicação 10 Resultado Negativo associado à Medicação. Efeito Quantitativo e não Quantitativo 12 Problemas Relacionados com Medicamentos 13

MÉTODO PARA REALIZAR SEGUIMENTO FARMACOTERAPÊUTICO 16

Objectivo 16 Conceitos 16 Fases do Seguimento Farmacoterapêutico 17 Referências Bibliográficas 29

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Introdução ao Seguimento Farmacoterapêutico

Objectivos Gerais

• Contribuir para a qualificação dos farmacêuticos comunitários e hospitalares na prática clínica do seguimento farmacoterapêutico.

• Definir os conceitos gerais de Cuidados Farmacêuticos e de Seguimento Farmacoterapêutico.

• Definir Resultados Negativos associados à Medicação (RNM) e a Classificação do Terceiro Consenso de Granada.

• Definir o conceito de Problemas Relacionados com Medicamento (PRM) como indicador do processo do uso dos medicamentos.

• Apresentar a sistemática de identificação dos Resultados Negativos associados à Medicação (RNM).

• Ensinar um método de Seguimento Farmacoterapêutico que permita procurar, identificar, prevenir e resolver todos os Resultados Negativos associados à Medicação (RNM) que o doente apresente.

• Iniciar o farmacêutico na realização de um caso prático de seguimento farmacoterapêutico.

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Introdução ao Seguimento Farmacoterapêutico

Módulo I Introdução ao Seguimento Farmacoterapêutico

Objectivo

O objectivo deste módulo é definir os conceitos relacionados com a prestação de cuidados farmacêuticos no âmbito do seguimento farmacoterapêutico para farmacêuticos assistenciais (comunitários e hospitalares).

Conceito de Seguimento Farmacoterapêutico

Em 1980, Brodie, descrevia Cuidados Farmacêuticos como a prática profissional que “inclui a determinação da necessidade dos medicamentos necessários para uma situação individual e o fornecimento não só do medicamento, mas também dos serviços necessários (antes, durante e depois do tratamento) de modo a assegurar uma segurança óptima e a efectividade da terapêutica”1.

Foi, contudo, só em 1990 que Hepler e Strand ao publicarem o artigo “Opportunities and responsibilities in pharmaceutical care” demonstraram claramente que o envolvimento dos farmacêuticos na avaliação dos resultados clínicos produzidos pelos medicamentos podia contribuir para a redução da morbi-mortalidade relacionada com os mesmos. Surge assim, o conceito que os Cuidados Farmacêuticos tinham como objectivo principal auxiliar os doentes a obterem o máximo benefício da sua medicação2.

Os medicamentos permitem tratar ou prevenir uma doença, retardar a progressão desta ou atenuar os seus sintomas, além de auxiliarem no diagnóstico clínico (Figura 1).

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Figura 1. Objectivo dos Medicamentos

No entanto, estes mesmos medicamentos podem, em alguns casos, falhar quando provocam efeitos adversos, toxicidade ou não alcançam os objectivos terapêuticos para os quais estão destinados. Deste modo, os medicamentos podem originar problemas de segurança e/ou de eficácia (Figura 2).

As falhas da farmacoterapia provocam um aumento da morbilidade, da mortalidade e, consequentemente, dos gastos em saúde, constituindo assim um problema de saúde que surge quando se verifica o binómio medicamento-doente.

Figura 2. Falhas da Farmacoterapia

Em 1993, na segunda reunião da OMS sobre as funções do farmacêutico no sistema de cuidados de saúde, foi salientada a necessidade do maior envolvimento dos farmacêuticos na avaliação dos resultados da utilização dos medicamentos, assim como noutros aspectos dos cuidados de saúde3.

Outro marco importante para a clarificação deste conceito foi a resolução do Comité de Ministros do Conselho da Europa que, em 2001, de modo claro e objectivo, reforçou a necessidade do farmacêutico se envolver na avaliação dos resultados obtidos com a farmacoterapia interagindo com o doente e com os outros profissionais de saúde4.

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Também o Estatuto da Ordem dos Farmacêuticos, no ano de 2001, aprovado pelo Decreto-Lei nº 212/79 de Julho, refere que “a primeira responsabilidade do farmacêutico é para com a saúde e o bem-estar do doente”5.

O farmacêutico passou a sentir-se comprometido com o doente, em colaboração com os outros profissionais de saúde, na obtenção de resultados concretos em relação ao estado de saúde do seu doente.

Pode definir-se Cuidados Farmacêuticos como a participação activa do farmacêutico na assistência ao doente na dispensa e no seguimento de um tratamento farmacoterapêutico, cooperando, deste modo, com os outros profissionais de saúde com o objectivo de alcançar resultados que melhorem a qualidade de vida do doente, incluindo-se também, o envolvimento do farmacêutico em actividades que proporcionem boa saúde e previnam doenças2 6.

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