normas para desenho

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(Parte 1 de 3)

Disciplina: ARQ 32 - Desenho Técnico I C Revisão junho/2007

Autores (*)

Eng. Alexandre Sobral de Rezende Arq. Larissa Rodrigues Gransotto

(*) Professores do Depto de Expressão Gráfica da Fac Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

2 ARQ 32 – DESENHO TÉCNICO INSTRUMENTADO

A presente apostila tem como objetivo apresentar, de forma sintética, as normas e convenções usuais para representação dos projetos arquitetônicos de edificações.

Tem como finalidade servir de material de apoio para a disciplina de Desenho Técnico I C – (ARQ 32) ministrada no curso de Engenharia Civil da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS e encontra-se a disposição para “download” no site da disciplina (w.ufrgs.br/destec).

Cabe salientar que a área específica de projetos de edificações possui particularidades na representação, seguindo em alguns casos as mesmas regras dos desenhos genéricos e, em outros, regras específicas.

Verifica-se ainda, conforme pesquisa elaborada pelos professores das disciplinas de desenho técnico instrumentado do Departamento de Expressão Gráfica da Faculdade de Arquitetura da UFRGS (10), que nesta área os profissionais que atuam no mercado não seguem rigorosamente a norma NBR 6492/94, adotando, em alguns casos, convenções usuais consagradas pelo meio profissional que diferem da referida norma.

Face a crescente utilização de instrumentos computacionais para a elaboração de desenhos técnicos, verifica-se que alguns itens relativos à representação que necessitariam ser padronizados ainda não foram abordados pelas normas editadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, mas estão sendo tratados por outras entidades, como, por exemplo, a Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura – ASBEA (1).

O presente trabalho não abrange critérios para a elaboração de projetos, os quais são tratados por legislação, normas e disciplinas específicas.

Os autores registram seu agradecimento aos colegas professores arq. Fábio Boni (UFRGS), arq.

Carlos Bressa da Cunha (UFRGS), arq. Alessandra Follmann (FEVALE) e arq. Renato Menegotto (PUCRS), que através de revisões e sugestões vem contribuindo para a evolução desta apostila ao longo das novas versões publicadas e salientam que estão abertos a colaborações que venham no sentido de melhoria deste trabalho.

1- Normas a consultar 2- Desenhos utilizados na representação dos projetos de edificações 3- Escalas usualmente adotadas 4- Tipos e espessuras de linhas empregadas 5- Cotagem e referências de nível 6- Aprofundamento a respeito de elementos específicos: escadas, esquadrias e sanitários 7- Hachuras específicas - NBR 6492/94 item A-20 e NBR 12298/95 5.12.1 8- Folhas de desenho 9- Glossário: termos específicos da área utilizados nesta apostila 10- Referências Bibliográficas

Apostila desenho de projetos de edificações – Desenho Técnico I – ARQ 32 – UFRGS Revisão junho/2007

3 ARQ 32 – DESENHO TÉCNICO INSTRUMENTADO

1. NORMAS A CONSULTAR

Na elaboração dos desenhos tratados nesta apostila devem ser consultadas as seguintes normas publicadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT:

NBR 6492/94 – Representação de projetos de arquitetura NBR 8196/9 – Emprego de escalas NBR 8403/84 – Aplicações de linha – tipos e larguras NBR 10068/87 – Folha de desenho – leiaute e dimensões NBR 13142/9 – Dobramento e cópia

2. DESENHOS UTILIZADOS NA REPRESENTAÇÃO DOS PROJETOS ARQUITETÔNICOS DE EDIFICAÇÕES

Na representação dos projetos de edificações são utilizados os seguintes desenhos:

• Planta de situação • Planta de localização

• Plantas baixas dos diversos pavimentos

• Cortes longitudinais e transversais

• Fachadas

• Desenhos de detalhes

• Outros

Nos itens a seguir cada um destes desenhos será comentado individualmente. 2.1 Planta de situação

Nesta planta são representados todos os elementos necessários para situar o terreno onde a edificação será construída, na área que o cerca.

Deve conter os dados disponíveis para situar da melhor forma possível o terreno. A seguir são listados alguns dos dados que, se disponíveis, devem constar nas plantas de situação.1

• distância à esquina mais próxima; • número do lote ou de antiga edificação que exista ou tenha existido no terreno;

• número das casas ou dos lotes lindeiros (vizinhos);

• outros dados que contribuam para a identificação da posição do lote ou terreno.

• curvas de nível existentes e projetadas, além de eventual sistema de coordenadas referenciais;

• indicação da orientação (norte);

• escala;

• cotas gerais;

• notas gerais, desenhos de referência e legenda.

• vias de acesso ao conjunto, arruamento e logradouros adjacentes com os respectivos equipamentos urbanos;

Além destes, devem ser apresentados outros dados que sirvam para definir a posição do lote ou terreno com a maior precisão.

Apostila desenho de projetos de edificações – Desenho Técnico I – ARQ 32 – UFRGS

1 Na NBR 6492/94 verifica-se, ainda, a recomendação de outros dados que, se disponíveis, devem constar nas plantas de situação.

Revisão junho/2007

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A seguir é apresentado um exemplo de planta de situação. Neste exemplo são sugeridos tamanhos de fonte a serem utilizadas, buscando uma boa apresentação do desenho. No caso de plantas em escalas diferentes da do exemplo a seguir estas fontes deverão ser ajustadas.

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Nesta planta devem ser representados todos os elementos necessários para localizar a edificação no terreno.

A seguir é apresentado um exemplo de planta de localização com sugestões de tamanhos de fonte a serem utilizadas, salientando que no caso de plantas em escalas diferentes da do exemplo a seguir estas fontes deverão ser ajustadas.

A seguir são listados alguns dos dados que, se disponíveis, devem constar nas Plantas de Localização, de acordo com a NBR 6492/94, e com a prática profissional usual.

• sistema de coordenadas referenciais do terreno, curvas de nível existentes e projetadas; • indicação do norte;

• indicação de vias de acesso, vias internas, estacionamentos, áreas cobertas, platôs taludes e vegetação;

• perímetro do terreno, marcos topográficos, cotas gerais, níveis principais com referência do terreno em relação ao passeio;

• indicação dos limites externos das edificações: recuos, afastamentos forma, dimensões e ângulos do terreno;

• eixos do projeto;

• amarrações dos eixos do projeto a um ponto de referência;

• denominação das edificações;

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• marcação e cotagem do alinhamento predial e recuo jardim;

• marcação dos rebaixos no meio-fio e elementos do passeio (postes, hidrantes, árvores, equipamentos públicos);

• marcação de acessos, rampas e escadas;

• marcação dos telhados (inclinações) e lajes);

• escalas;

• indicações de áreas a serem edificadas;

• denominação dos diversos edifícios ou blocos;

• construções existentes, demolições ou remoções futuras, áreas não edificáveis.

Plantas baixas são, genericamente, cortes feitos em cada pavimento através de planos horizontais imaginários, situados em uma altura entre a verga da porta e o peitoril da janela.

A porção da edificação acima do plano de corte é eliminada e representa-se o que um observador imaginário posicionado a uma distância infinita veria ao olhar do alto a edificação cortada. Veja no exemplo a seguir a representação de uma parte da planta baixa da edificação acima.

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As paredes de alvenaria podem ser representadas somente por linhas largas em seu contorno ou podem ser acrescentadas a estas linhas uma linha representativa do revestimento que será aplicado sobre a alvenaria (reboco, etc.), dependendo da escala e do nível de definição do projeto.

Passos para montagem da planta baixa

A seguir é apresentada uma sugestão de seqüência de trabalho para montagem de uma planta baixa.

Trata-se de uma seqüência genérica, podendo variar um pouco em função da prática do profissional e do fato do desenho estar sendo gerado por instrumentos convencionais ou computacionais.

• Inicialmente deve ser estimado o tamanho total do desenho (com base na escala escolhida para sua representação) e verificado como os diversos desenhos componentes do projeto serão distribuídos nas pranchas, determinando, também, o tamanho das folhas que serão utilizadas e quais desenhos serão colocados em cada uma delas. Obs: Caso os desenhos estejam sendo confeccionados através de um programa computacional (CAD) este passo pode ser realizado ao final do trabalho, sendo possível iniciar a confecção das plantas sem se preocupar neste momento com sua dimensão quando for impressa.

• Delimitação das paredes: são demarcadas as paredes da edificação através das linhas horizontais, verticais, inclinadas e curvas que as representam.

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• Representação da projeção dos beirais, marquises e demais elementos que se localizam acima da representação em planta (com tipo de linha indicado para tanto – vide explicações a seguir).

• Representação da posição dos vãos e das dimensões das suas esquadrias, se existirem (caso o desenho esteja sendo gerado em um programa computacional as esquadrias poderão ser desenhadas linha a linha ou inseridas como blocos previamente definidos). Juntamente com as portas (estas representadas abertas) deverão aparecer os arcos que demarcam sua abertura e também as dimensões principais deverão ser representadas: h(altura) x l (largura) / p (peitoril).

• Representação de louças sanitárias.

• Representação de dutos, rampas (com seu comprimento e inclinação), vegetação.

• Representação esquemática das circulações verticais: elevadores (com suas dimensões internas) e escadas (número de degraus, pé-direito, base e altura dos degraus);

• Representação dos quadriculados denominados de “pisos frios”.

• Representação dos textos e da cotagem.

• Representação dos desníveis: degraus, rampas, soleiras, balcões, demais detalhes em vista e principais detalhes em projeção.

São desenhos onde a edificação é representada como se tivesse sido cortada por um ou mais planos verticais, os quais devem ter sua posição determinada nas plantas baixas.

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Veja no exemplo a seguir a representação de um dos cortes longitudinais da edificação acima

Passos para montagem de um corte

A seguir é apresentada uma sugestão de seqüência de trabalho para montagem de um corte. Assim como na apresentada anteriormente para plantas baixas, trata-se de uma seqüência genérica, podendo variar um pouco em função da prática do profissional e do fato do desenho estar sendo gerado por instrumentos convencionais ou computacionais.

A organização do início do desenho terá a mesma ordem definida para as plantas baixas (ver item 2.3). • Demarcação dos limites inferior e superior do corte (contrapiso, laje de forro, etc.).

• Demarcação dos níveis do terreno: nível natural e nível do projeto.

• Cotas de nível do passeio e todos os pavimentos.

• Demarcação das paredes da edificação através das linhas que as compõem, dentro dos limites de cada pavimento marcados no passo anterior.

• Representação dos vãos de aberturas e suas esquadrias.

• Representação de louças sanitárias.

• Representação dos quadriculados representativos de revestimentos de paredes por azulejos.

• Indicação das vigas de fundação e estrutura geral (lajes e vigas de cada pavimento).

• Representação do telhado e da estrutura de apoio do mesmo.

Conforme a NBR 6492/94 os cortes devem conter: • eixos do projeto;

• sistema estrutural;

• indicação de cotas verticais;

• indicação de cotas de nível acabado e em osso;

• caracterização dos elementos de projeto: o fechamentos externos e internos; o circulações verticais e horizontais; o áreas de instalação técnica e de serviço;

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10 ARQ 32 – DESENHO TÉCNICO INSTRUMENTADO o cobertura/telhado e captação de águas pluviais; o forros e demais elementos significativos;

• denominação dos diversos compartimentos seccionados;

• marcação dos detalhes;

• escala;

• notas gerais, desenhos de referência e carimbo;

• marcação dos cortes transversais nos cortes longitudinais e vice-versa.

2.5 Fachadas

São desenhos planificados que representam as elevações (vistas externas) da edificação.

Veja no exemplo a seguir a representação de uma das fachadas da edificação mostrada nos exemplos anteriores:

Passos para montagem de uma fachada

A seguir é apresentada uma sugestão de seqüência de trabalho para montagem de uma fachada.

Assim como na seqüência apresentada anteriormente para cortes e plantas baixas, trata-se de uma seqüência genérica, podendo variar um pouco em função da prática do profissional e do fato do desenho estar sendo gerado por instrumentos convencionais ou computacionais.

Iniciar com a mesma seqüência do item 2.3. • Demarcação dos níveis do terreno: nível natural e nível do projeto.

• Cotas de nível do passeio e todos os pavimentos.

• A partir da montagem do corte correspondente à vista escolhida, é possível determinar as principais medidas das alturas da edificação, assim como a planta baixa irá definir as larguras ou profundidades.

• Nas fachadas a espessura de linhas tem como finalidade dar maior ou menor destaque as partes da edificação que estiverem sendo representadas, em função de sua proximidade maior ou menos ao observador. Não se segue, portanto, na representação das fachadas as mesmas regras de espessuras de linhas adotadas para as plantas baixas e para os cortes.

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3 ESCALAS USUALMENTE ADOTADAS

A escala de um desenho é a relação entre as dimensões do mesmo e as dimensões da peça real que está sendo representada.

Por exemplo, se dizemos que um desenho está na escala 1:50 significa que cada dimensão representada no desenho será 50 vezes maior na realidade, ou seja, cada 1 (um) centímetro que medirmos no papel corresponderá a 50 (cinqüenta) centímetros na realidade.

Devido às grandes dimensões das edificações as escalas utilizadas na sua representação são normalmente escalas de redução (as dimensões da peça real são reduzidas para que seja possível representála em uma folha de papel).

Cabe lembrar, entretanto, que para outros elementos as escalas podem, também, ser de ampliação.

Neste caso as dimensões da peça real são ampliadas para representá-la no desenho. Imagine uma peça com dimensão de alguns milímetros que para ser representada e visualizada mais facilmente foi ampliada dez vezes – neste caso a escala será de 10:1 (cada dez unidades no desenho correspondem a uma unidade na peça real).

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