Geografia de Um Estadio

Geografia de Um Estadio

“Geografias” de um Estádio

“O estádio: esse espaço fascinante que de há três mil anos de mundo mediterrânico congrega os homens num fantástico ritual, que por certo a muitos os marca para a vida”1

1 Ferreira, José Maria Cabral – O Tripeiro, série 7, 2002 p.135. 3

Introdução5
Localização geográfica6
Do verde da Quinta ao Verde do Estádio7
Desporto vs Negócio9
Uma oportunidade10
Breve Síntese13
Bibliografia14
Anexos15

Índice 4

Introdução

O presente trabalho foi realizado no âmbito da disciplina Geografia e Urbanização do

Curso Integrado de Estudos Pós Graduados em Geografia Humana – Territórios e Desenvolvimento. Este estudo teve como base o Estádio do Futebol Clube do Porto inserido na área das Antas. Esta análise contempla dois períodos temporais, correspondentes ao Estádio das Antas e ao Estádio do Dragão, procurando compreender a dinâmica que estes dois estádios geraram e continuam a gerar com o meio envolvente. O estudo procura perceber de que forma é que o desporto e a sua componente de negócio podem ser uma mais valia para uma cidade.

Localização geográfica

“ O estádio das Antas localiza-se no ponto mais alto da cidade, a nordeste do centro da mesma, entre a via de Cintura Interna/troço de ligação do IP1 (a norte e a sul no interior da cidade do Porto) e a Av. Fernão Magalhães.”2 A área de estudo em causa (ver em anexo 1) insere-se na freguesia da Campanhã3 na área das Antas4 (localizada a noroeste desta freguesia).

Fonte: w.multimap.com

2 Câmara Municipal do Porto, Plano de Pormenor das Antas, 2002, p.3. 3 “Com uma área de 8,13 Km2, corresponde a cerca de um quinto do território concelhio, constitui a maior freguesia do Porto. Ocupa parte da vertente norte do Rio Douro, que se desenvolve em degraus até à linha de altura a que corresponde a cota de 160-180 metros, definida pelos Montes da Bela Vista, das Antas, Contumil, Cruz e Currais” Pacheco, Elsa Maria Teixeira, Campanhã ao encontro da Cidade uma perspectiva Geográfica in Campanhã, estudos monográficos Junta de Freguesia de Campanhã, Grafislab, 1991, p.157. 4 “Ao lado da História correm algumas lendas relativas à zona das Antas. Entre elas encontram a que deu nome à zona. Dizem que, algures à volta do Estádio das Antas, existiam vários “túmulos” do paleolítico. As Antas eram esses túmulos, constituídos por duas pedras ao alto e outra pousada no topo de ambas. E daí nasceu o nome, tão característico e invulgar.” Carvalho, Marta Almeida Viva Antas nº1 Dezembro 1999 p.16.

Do verde da Quinta ao Verde do Estádio

“Na verdade, é parco de campos de jogos o velho Porto e a iniciativa que vai tomar-se em nada invalida qualquer outra que se tenha bosquejado – como a do estimado Futebol Clube do Porto – ou venha a surgir. A que citei agora continua a merecer desta Câmara o maior cuidado e na mesma medida em que lhe foi prometido.5

30/04/1976 - Fecho da Maratona.”9

“A ideia da construção de um novo estádio do Futebol Clube do Porto surge em Setembro de 1933, sendo a escritura de compra dos terrenos, após obtenção de financiamentos angariados por uma comissão instaladora que se formara naquela data, assinada em Fevereiro de 1948. O terreno (…) era pertencente à Quinta de Salgueiros, tinha 48.000m2 (o que não evitou expropriações posteriores, por insuficiência daquele espaço) e custou 1400 contos! A primeira pedra foi lançada em 4 de Dezembro de 1949”6. O estádio teria como nome “Estádio das Antas”. Nesta mesma época, os autarcas desta cidade expunham ao poder central a necessidade de um estádio municipal “carece esta segunda cidade de Portugal de um elemento urbanístico e social desse género, a fim de poderem organizarem-se aqui as grandes competições que deixam de realizar-se por não havê-lo”7. No entanto, a obra tão ansiada pelo poder local não se concretizou, apesar de tal ideia ter sido lançada em 1932 (Prólogo ao Plano de Urbanização da Cidade do Porto do Eng.º Ezequiel de Campo) e mais tarde reafirmada no Plano Regulador do Prof. Eng.º Almeida Garrett (1947). Os dois projectos pensados, o “Estádio das Antas” foi o único que conseguiu reunir os esforços de uma cidade para a concretização da obra “ …o esforço foi grande e meritório, toda a Cidade o apoiou e finalmente, em 28 de Maio de 1952, o Futebol Clube do Porto teve o primeiro Estádio digno da grande força que já então era”8. O complexo desportivo foi dotado ao longo do tempo de outras infra-estruturas “ …outras datas relevantes no que concerne ao complexo desportivo: 03/08/1958 - Inaugurado o campo de treinos. 01/09/1962 - Inaugurada a iluminação do Estádio. 18/08/1968 - Inauguradas as piscinas. 14/07/1973 - Inaugurado o Pavilhão Gimnodesportivo.

5Pina, Prof.Dr.Luís, Revista da Câmara Municipal do Porto, Civitas revista trimestral, edição CMP 1948 p.3/4 6 Silva, Luís Paz da – As Antas, 2/1/02 w.fcporto.ws 7 Revista da Câmara Municipal do Porto – Op. Cit p.3 8 Sousa, Francisco de Almeida – O Tripeiro, série 7, 2002 p.132 9 Campanhã, estudos monográficos Junta de Freguesia de Campanhã, Grafislab, 1991 p.242.

“Analisando apenas as instruções voltadas para a ocupação dos tempos livres, e apesar da escassez de dados, pode dizer-se que no século XIX predominavam as culturais e de instrução, enquanto no século X foram progressivamente ganhando maior relevo as desportivas.”10 O estádio foi implantado numa área de “Espaços Verdes” (ver anexo1) “esta implantação em terrenos rurais é ainda claramente visível em todo o perímetro norte do estádio, onde a antiga Travessa de Salgueiros, hoje Rua de Vasques Mesquita, mantém ainda o seu traçado, bem como parte da Quinta de Salgueiros, ainda que recortada”1. Ao falarmos de um estádio não nos podemos esquecer da sua área envolvente, de forma a perceber a sua evolução e a importância que adquire para uma cidade, “devido a um crescimento desigual e pouco controlado, pode-se sumariamente caracterizar a zona envolvente ao Estádio das Antas como uma área de contrastes. Se na Av. Fernão Magalhães (sobretudo a Norte e a Poente), se identificam estruturas urbanas legíveis, estabilizadas, maioritariamente residenciais, na encosta a Nascente verifica-se precisamente o oposto. Aqui, a par de ruas tortuosas, vielas estreitas e quintas muradas (…) aparecem formas e escalas diversas de habitação e industria (…) que progressivamente se foram aqui instalando.”12 O Estádio da Antas (e a área das Antas13) está intrinsecamente ligado à Avenida Fernão Magalhães, importante acesso ao estádio e à Cidade “…a «Via Leste» que de Ermesinde e de Valongo enfia na Avenida Fernão Magalhães e que substitui a acidentada estrada de S.Roque da Lameira (Penafiel).”14 “A Avenida de Fernão Magalhães, com o seu prolongamento para norte, terá sido factor estruturante deste espaço já que, pela sua largura e traçado rectilíneo, desde logo permitiu um fácil acesso tanto à área central como ao exterior do concelho”15. Esta avenida nos dias de jogo era inundada por milhares de pessoas “Ia-se e vinha-se do futebol de transporte público (…) dezenas de autocarros verdes, de dois andares, da carreira D (futura 78), que se alinhavam vazios, à volta da praça Velásquez, à espera dos adeptos vindos das Antas”16.

10 SAlGUEIRO, Teresa Barata, 1992, A cidade em Portugal – Uma Geografia Urbana, Porto, Ed. Afrontamento, p.378 1 Câmara Municipal do Porto, Plano de Pormenor das Antas, 2002, p.7. 12 Câmara Municipal do Porto, Plano de Pormenor das Antas, 2002, p.5. 13 “Quando se fala em Antas associa-se o nome a toda uma zona que tem vindo a evoluir quer social, patrimonial ou economicamente. As Antas, à semelhança da Constituição e do Campo 24 de Agosto, é uma zona chave da parte oriental da cidade” Carvalho, Marta Almeida Viva Antas nº1 Dezembro 1999 p.16 14 REVISTA DA CÂMARA MUNICIPAL DO PORTO, CIVITAS – Ano IV, 1948 p.218. 15 Pacheco, Elsa Maria Teixeira, Campanhã ao encontro da Cidade uma perspectiva Geográfica in Campanhã, estudos monográficos Junta de Freguesia de Campanhã, Grafislab, 1991, p.205. 16 Fiel, Jorge - Revista UPORTO Junho 2004, p.24.

Desporto vs Negócio

O complexo pertencente ao Futebol Clube do Porto tinha uma função essencialmente vocacionada para o desporto, ou seja, o seu intento era única e simplesmente a realização de eventos desportivos. A componente negócio ainda não era preconizada para tal área, apesar de ter vindo a ganhar prestígio no contexto regional “A Av. Fernão Magalhães (…) veio encontrar na Praça Velásquez uma área de referência para um novo complexo residencial, a que se junta a área desportiva de prestígio urbano e regional do Foot-Ball Club do Porto.”17 O desporto na cidade era encarado todo sob a mesma forma, não havendo por isso qualquer referência em especial para esta área. Podemos acrescentar que face às tendências expressas no Plano Geral de Urbanização (1984) – “…i) crescimento e utilização de parques desportivos e de zonas de lazer pela população de todas as idades. i) aumento das infra-estruturas de apoio ao desporto, particularmente a nível privado (clubes) ” – apenas é afirmado incentivo aos clubes e associações particulares, não havendo qualquer referência ao espaço físico e à importância que estes poderão ter como promotores de uma região, tal como era preconizado para a cultura “cabe sim optar pelo tipo de oferta de iniciativas mais condizente com as características e vocação de capital regional. É o caso das opções no campo das grandes iniciativas culturais susceptíveis de apoiar e multiplicar o já importante fluxo turístico de negócios que visita a cidade e de completar outros percursos turísticos de carácter regional ou sub-regional.”18 Nos anos noventa “…o FC Porto vendeu à Imobiliária Azul e Branca os terrenos da praceta em frente ao estádio para construir a chamada Torre das Antas”19, espaço onde se instalaram serviços públicos – Loja do Cidadão –, escritórios de várias empresas, estúdios de televisão (TVI) e uma superfície de restauração de uma multinacional – Pizza Hut –. O Estádio das Antas (e o seu espaço envolvente) foi ganhando importância e adquirindo uma “vertente negócio”, este espaço já não era utilizado de 15 em 15 dias, tinha uma utilização diária, “…um pólo de atracção de toda esta zona, não só pela importância da instituição, como pela substancial quantidade de comércio e serviços que em seu redor se tem estabelecido. Refira-se a construção recente da Torre de Escritórios que vem exactamente marcar simbolicamente tudo o que atrás foi referido.” 20

17 PLANO GERAL DE URBANIZAÇAO – OPÇÕES DO PLANO-Gabinete de planeamento Urbanístico, Porto, 1984, p. 18 PLANO GERAL DE URBANIZAÇAO – Op.Cit.p7 19 Jornal de Noticias 2004-04-30 20 Câmara Municipal do Porto, Plano de Pormenor das Antas, 2002, p.7.

Uma oportunidade

“ A zona das Antas está a sofrer uma profunda transformação urbanística e rodoviária. (…) um projecto de grande envergadura, com o qual a autarquia pretende requalificar uma vasta e crucial área da cidade e preparar o Porto para acolher com dignidade o Campeonato da Europa de Futebol - Euro 2004.”21

O Estádio das Antas já não servia os interesses do Futebol Clube do Porto, “reconhecida a sua desadequação aos actuais parâmetros internacionais dos grandes recintos desportivos”, houve a necessidade de construir outro espaço que pudesse rentabilizar o futebol como negócio22. Já desde o início dos anos 90 se verificava que “Com a multiplicação de actividades de lazer temse assistido à progressão da iniciativa privada no sector, ao fomento das “indústrias culturais”, à massificação do ócio, à apropriação segregada do espaço, em resultado da interiorização em recintos especializados da maior parte destas actividades.”23 Face a estas novas exigências, um projecto foi elaborado de forma a ser construído o novo estádio do Futebol Clube do Porto, Plano Pormenor das Antas, “o novo Estádio do Futebol Clube do Porto é um equipamento âncora do projecto de requalificação urbana da zona das Antas, na cidade do Porto”24. Este projecto procurou “ reabilitando uma vasta área onde se localiza o Estádio das Antas, diversas unidades industriais, algumas das quais obsoletas, terrenos camarários e terrenos privados em abandono”25. Desta forma a área oriental da cidade era presenteada com um projecto efectivo a ser levado a cabo com o intuito de “compensar uma falta de investimento público e, por consequência, também privado, de que esta parte de cidade tem sido alvo”26. É necessário referir que o Euro 2004 foi uma oportunidade que contribuiu para uma efectiva conclusão de grande parte das prioridades estabelecidas no Plano de Pormenor das Antas. A área oriental da cidade teve neste projecto, através dos equipamentos e das acessibilidades a criar, uma oportunidade para se afirmar como uma nova centralidade na cidade do Porto, “novas acessibilidades, equipamentos estruturantes – Estádio, Centro Comercial, Pavilhão

21 Câmara Municipal do Porto – Panfleto Acessibilidades das Antas 2001 2 “Nas últimas décadas tem-se verificado significativas transformações nos grandes clubes desportivos europeus, cuja actividade principal é o futebol, com a alteração da sua organização jurídico-administrativa, de associações para estruturas empresariais (...) em paralelo com este processo, deu-se também a transformação dos recintos dedicados à prática do futebol” Câmara Municipal do Porto, Plano de Pormenor das Antas, 2002, p.2. 23 SAlGUEIRO, Teresa Barata, 1992, A cidade em Portugal – Uma Geografia Urbana, Porto, Ed. Afrontamento, p. 377 24 Season Vip Company - Porto : palco de emoções 2002, p.16. 25 Câmara Municipal do Porto, Plano de Pormenor das Antas, 2002, p.2. 26 Câmara Municipal do Porto, Plano de Pormenor das Antas, 2002, p.6.

Multiusos – áreas residenciais, de comércio, de serviços, vão transformar profundamente uma vasta área (…) permitindo a sua integração na cidade com a criação de uma nova centralidade.”27 “Grande parte das actividades terciárias comporta-se como funções centrais, isto é, fornecem bens ou prestam serviços que têm requisitos de centralidade em relação à clientela servida. A centralidade é determinada pelo efeito da distância e desempenha um papel chave na compreensão dos padrões de localização dos homens à superfície terrestre”28 Uma das infra-estruturas que está também intrinsecamente ligada ao novo estádio do Futebol Clube do Porto é o metro “a relocalização da estação do metro ligeiro de superfície entre aqueles dois grandes equipamentos (Estádio e Multiusos), constituindo um interface de transportes que contribuirá para uma melhoria no funcionamento do sistema de transportes e ao nível de serviço”. A linha azul do metro (primeira linha do projecto METRO) termina no “Estádio do Dragão”, o que acentua a importância que esta área adquiriu a diferentes níveis. “A estação foi desenvolvida para responder à afluência de grandes massas, como normalmente sucede antes e após um grande jogo de futebol: a entrada Sul procura dar resposta a essa grande solicitação em dias de jogo, sendo constituída por uma grande rampa, com acesso directo ao patamar intermédio onde é possível ordenar o acesso das pessoas até ao nível do cais. Na entrada Norte são privilegiados os meios mecânicos para um rápido acesso ao cais.”29 O facto de existir nesta estação um interface para veículos ligeiros pode constituir um elemento para dissuadir a entrada de veículos no “centro” da cidade. “Desde 1 de Outubro, o Parque Metro passa a ser uma porta de entrada na rede do metro do Porto, especialmente para todos os clientes com origem na zona oriental do Porto e da área metropolitana. O Parque Metro está plenamente integrado na estação do Estádio do Dragão pelo que o conceito de «Park and ride» passará a fazer parte do quotidiano de muitos cidadãos.”30 “Ao contrário do século XIX, onde a oferta de transporte precedeu a urbanização, nos nossos dias o estabelecimento de uma linha pressupõe a existência de uma procura mínima que lhe assegure rendibilidade.”31 É indubitável a crescente procura que este modo de transporte nesta área, “A Estação do Dragão é um destino que mexe com o movimento normal do metro do Porto. Que bateu o seu recorde de clientes no dia do F.C. Porto - Chelsea, com um total de 58 0 utentes. A empresa Metro do Porto transporta uma média que oscila entre os 3 0 e os 10

27 Season Vip Company - Porto : palco de emoções 2002, p.16. 28 SAlGUEIRO, Teresa Barata, 1992, A cidade em Portugal – Uma Geografia Urbana, Porto, Ed. Afrontamento, p. 105 29 Boletim Informativo do Metro do Porto, Abril de 2004 30 Notícias do Metro, w.metro-porto.pt 31 SAlGUEIRO, Teresa Barata, 1992, Ob. Cit. p. 373

0 espectadores para os jogos disputados no Dragão.”32 “Tal como outras infra-estruturas, a instalação de uma rede de transporte produz assimetrias, beneficiando as áreas servidas em detrimento daquelas que o não são. Com efeito, a melhoria de acessibilidade de um local trazlhe vantagens, que se traduzem na sua maior ocupação por actividades lucrativas, seja indústria, serviços, habitação (…).”3 Esta área oriental da cidade beneficiou do incremento de novas acessibilidades, “o Estádio do Dragão revela cada vez mais um grande poder de atracção. Ainda com poucas unidades complementares e com o centro comercial adjacente por inaugurar, o Dragão é já a segunda infra-estrutura urbana do Porto mais frequentada, a seguir ao Parque da cidade. Uma conclusão resultante do número de resíduos que todos os dias os serviços municipais recolhem. Explorado pela PortoEstádio, o Estádio do Dragão está a entrar em velocidade cruzeiro. O último Natal foi um sucesso em termos de eventos realizados no interior do estádio. Vinte empresas realizaram ali os seus jantares de Natal e no período de duas semanas o catering serviu 5 0 refeições. O interior tem sido também aproveitado para reuniões de empresas, apresentação de produtos e festas de aniversário, casamento ou baptizados. Um restaurante, um grande ginásio e uma clínica são outros equipamentos já em lançamento no Dragão.”34

32 Notícias, w.fcporto.ws 3 SAlGUEIRO, Teresa Barata, 1992, Ob. Cit. p. 372 34 Notícias, w.fcporto.ws

Breve Síntese

“O futebol tem o mérito de desencadear as paixões que dão cor à alma. Ao menos os frenéticos do futebol dão tudo por uma causa. E são os homens sem causa que com o seu governo de máquinas calculadoras nos alienam o espírito. Afinal o estádio é um símbolo de causas.”35

O Estádio das Antas (hoje Estádio do Dragão) ao longo dos tempos e acompanhando o sucesso do clube mais representativo da cidade do Porto, tornou-se pequeno demais para as ambições e para todas as alterações que a sociedade constantemente nos desafia. A partir de uma quinta e alguns terrenos baldios, longe estávamos de imaginar o impacto que um simples estádio, aliado a toda uma paixão fervorosa que os adeptos do Futebol Clube do Porto sempre tiveram pelo seu clube, pudesse influenciar o espaço e a vida de tantas pessoas. Às alterações do espaço em estudo não podemos dissociar a crescente importância que o futebol tem tido na sociedade actual e de que forma é que se tem tornado num negócio que envolve milhões e milhões de euros, o estádio já não pode ser construído num determinado local, só porque esse espaço é um baldio. Actualmente temos de integrar o Estádio na área envolvente, retirar e potenciar as vantagens de albergar um estádio (e também complexo desportivo) numa determinada área. Não nos podemos, contudo, esquecer a tal paixão que a população nutre, ou não, pelo clube em causa, para que haja uma conjugação de interesses entre o desporto e o negócio.

35 Correia, Natália – Revista UPORTO Junho 2004, p.21. 13

Bibliografia

CAMPANHÃ, estudos monográficos Junta de Freguesia de Campanhã, Grafislab, 1991 CARVALHO, Marta Almeida Viva Antas nº1 Dezembro 1999 CORREIA, Natália – Revista UPORTO Junho 2004 FIEL, Jorge - Revista UPORTO Junho 2004 Jornal de Noticias, 2004-04-30 PACHECO, Elsa Maria Teixeira, Campanhã ao encontro da Cidade uma perspectiva

Geográfica in Campanhã, estudos monográficos Junta de Freguesia de Campanhã, Grafislab, 1991

PINA, Prof.Dr.Luís, Revista da Câmara Municipal do Porto, Civitas revista trimestral, edição CMP 1948

PORTO, REVISTA DA CÂMARA MUNICIPAL DO, CIVITAS – Ano IV, 1948 PORTO, Câmara Municipal do, Panfleto Acessibilidades das Antas 2001 PORTO, Câmara Municipal do, Plano de Pormenor das Antas, 2002 PORTO, Gabinete de planeamento Urbanístico, PLANO GERAL DE URBANIZAÇAO – OPÇÕES DO PLANO, 1984 SALGUEIRO, Teresa Barata, 1992, A cidade em Portugal – Uma Geografia Urbana, Porto,

Ed. Afrontamento

SEASON VIP COMPANY - Porto : palco de emoções 2002 SOUSA, Francisco de Almeida – O Tripeiro, série 7, 2002 SILVA, Luís Paz da – As Antas, 2/1/02 w.fcporto.ws w.metro-porto.pt

Anexos 15

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