Livro - mogno na Amazônia brasileira

Livro - mogno na Amazônia brasileira

(Parte 1 de 7)

James Grogan - Ph.D. Paulo Barreto - M.Sc Adalberto Veríssimo - M.Sc

Ecologia e Perspectivas de Manejo

Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia

Revisªo: Lize Barmann

Editoraçªo e Capa: Jânio Oliveira

Fotos: James Grogan

Mogno na Amazônia Brasileira: Ecologia e Perspectivas de Manejo / J. Grogan, P. Barreto e A. Veríssimo; BelØm: Imazon 2002 40 p, il. col.

ISBN 85-86212-04-0

Inclui Bibliografia 1.Mogno 2.Manejo Florestal 3.Exploraçªo Madeireira 4.Amazônia Brasileira

Esta publicaçªo contou com o apoio financeiro do Componente I do Projeto de

Apoio ao Manejo Florestal SustentÆvel na Amazônia - ProManejo, no âmbito do Programa Nacional de Florestas -PNF. As opiniıes expressas neste documento sªo de inteira responsabilidade dos autores e nªo refletem, necessariamente, a posiçªo oficial do Governo Brasileiro a respeito desse assunto.

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RESUMO4
INTRODUO6
CARACTERSTICAS GERAIS DO MOGNO8
Características da r vore8
Zona de OcorrŒncia Natural8
Padrıes de Distribuiçªo e Densidade8
Regeneraçªo e Crescimento1 1
Manejo e Silvicultura do Mogno1 4
MOGNO NA AMAZÔNIA BRASILEIRA15
Zona de OcorrŒncia Natural1 5
Breve História da Exploraçªo1 5
Padrıes de Distribuiçªo1 6
Demografia e Crescimento1 7
Reproduçªo e Regeneraçªo1 9
Crescimento de plantas jovens e adultas1 9
Regeneraçªo após Exploraçªo Madeireira2 1
Plantio de Enriquecimento na Floresta e Plantaçıes2

SumÆrio

Estoques Comerciais Restantes2 3
Manejo de Mogno em Florestas PrimÆrias2 5
Manejo de Mogno em Florestas Exploradas27
Plantaçıes2 8
Conser vaçªo2 9
INICIATIVAS DE CONTROLE DA EXPLORAO DO MOGNO31
Planos de Manejo3 1
Cotas de Exportaçªo3 2
Convençªo sobre o ComØrcio Internacional de EspØcies Ameaçadas
de Fauna e Flora (Cites)........................................................................................................32
Campanha do Greenpeace pela Proteçªo de Florestas PrimÆrias3
Sugestıes para o Controle da Exploraçªo do Mogno3
CONCLUSO34

Grogan et al.

O valor comercial extraordinÆrio do mogno tem estimulado a sua extraçªo na

Amazônia Brasileira hÆ muitos anos, mas com maior intensidade desde o início dos anos 1970. Na medida em que a exploraçªo madeireira se aproxima dos œltimos estoques naturais de mogno no sul do ParÆ, sudeste do Amazonas e Acre, os órgªos ambientais brasileiros tŒm respondido às preocupaçıes do pœblico sobre o futuro comercial dessa espØcie: i) reduzindo as cotas de exportaçªo desde 1990; i) proibindo a autorizaçªo de novos planos de manejo florestal para o mogno desde 1996; e i) proibindo o transporte, processamento e comercializaçªo dessa espØcie, após detectar prÆ- ticas ilegais de exploraçªo no sul do ParÆ em outubro de 2001. Para garantir o futuro do mogno como um patrimônio natural e recurso natural renovÆvel Ø necessÆrio converter as informaçıes tØcnicas disponíveis em diretrizes de manejo florestal que estejam de acordo com os interesses pœblicos, sejam viÆveis para a indœstria e auditÆveis pelos órgªos ambientais.

Neste trabalho, apresentamos uma descriçªo sobre o mogno em toda a sua Ærea de ocorrŒncia natural na AmØrica do Sul e AmØrica Central, com Œnfase numa pesquisa recente conduzida no Brasil. O mogno Ø uma Ærvore grande que ocorre em baixas densidades (geralmente, menos de uma Ærvore adulta por hectare) em florestas primÆrias sazonais, freqüentemente aglomeradas ao longo dos rios ou em zonas de transiçªo ecológica altamente perturbadas. O mogno ocorre sob vÆrias circunstâncias climÆticas, hidrológicas, edÆficas e de competiçªo em toda a sua vasta Ærea de ocorrŒncia natural. Citado na AmØrica Central e Bolívia como uma espØcie que requer perturbaçıes catastróficas de larga escala para se regenerar, o mogno tambØm tem demonstrado capacidade de se regenerar após perturbaçıes de pequena escala no sul do ParÆ. As sementes de mogno dispersas pelo vento tŒm alto poder germinativo, porØm, sua dispersªo tem um alcance relativamente curto. As plântulas sªo resistentes e crescem rapidamente onde hÆ muita luz e solos fØrteis. As taxas de crescimento do diâmetro das Ærvores juvenis e adultas (diâmetro à altura do peito ou DAP maior que 10 cm) podem exceder 1 cm/ ano por muitos anos ou dØcadas. PorØm, um predador natural a broca do ponteiro, a larva da mariposa Hypsipyla grandella, a qual se alimenta dos tecidos do caule da planta em crescimento pode limitar a populaçªo em florestas naturais e, controlar essa praga nas plantaçıes Ø geralmente muito dispendioso.

No sul do ParÆ, a populaçªo do mogno em florestas naturais incluía Ærvores juvenis suficientes para proporcionar uma segunda colheita cerca de 30 anos após a primeira. PorØm, os madeireiros geralmente cortavam parte das Ærvores jovens e as estradas abertas para a extraçªo de mogno freqüentemente levaram à conversªo de florestas em pastagens ou campos agrícolas. Onde a floresta Ø mantida, a regeneraçªo do mogno nas clareiras da exploraçªo Ø geralmente pobre. Isso ocorre devido à baixa produçªo de sementes antes da colheita, baixa disponibilidade de sementes após a colheita resultante do corte das Ærvores antes de as sementes se dispersarem e/ou ao fato de a vegetaçªo dominante competir com as plântulas de mogno e arvoretas durante os anos após a extr açªo.

Mogno na Amazônia

As recomendaçıes para o manejo de mogno em floresta natural baseadas em estudos no sul do ParÆ incluem: o planejamento das colheitas para reduzir os danos à floresta residual, o respeito aos limites de diâmetro mínimo para corte (idealmente, Ærvores com DAP a partir de 5 cm) e consideraçªo de critØrios de seleçªo de Ærvores matrizes, derrubada direcional e coleta de sementes das Ærvores derrubadas para redistribuiçªo em clareiras de exploraçªo. A regeneraçªo do mogno deve ser estimulada artificialmente, pois a regeneraçªo natural Ø rara. Para isso, as sementes coletadas deveriam ser plantadas em baixa densidade em clareiras causadas pela derrubada de Ærvores. Para garantir o estabelecimento dessas mudas serªo necessÆrios tratamentos nos primeiros anos após o plantio e novamente após 25 a 30 anos, quando as Ærvores que hoje sªo juvenis (com DAP de 25 cm a 5 cm) serªo extraídas. Uma segunda sØrie de plantios de enriquecimento deveria seguir a segunda extraçªo, e assim por diante, por períodos de rotaçªo sucessivos de cerca de 30 anos.

Para melhorar o controle sobre a exploraçªo de mogno na Amazônia Brasileira recomendamos: i) a realizaçªo de um inventÆrio das florestas exploradas e nªo exploradas dentro da Ærea de ocorrŒncia natural do mogno em todo o território nacional, a fim de estimar os estoques históricos e comercializÆveis sobreviventes; i) a melhoria do controle dos planos de manejo, incluindo o rastreamento via satØlite do transporte de toras e o georreferenciamento dos planos de manejo em imagens de satØlite; e i) a induçªo à certificaçªo independente do manejo florestal, para dar credibilidade ao comØrcio de mogno do Brasil.

Grogan et al.

O mogno (Swietenia macrophylla King, Meliaceae) Ø uma das espØcies de maior valor madeireiro do mundo em 2001, um metro cœbico de mogno serrado de qualidade superior foi vendido por cerca de US$ 1.200 (preço FOB). Por causa dessa importância, o mogno tem sido intensamente extraído nas œltimas dØcadas em sua Ærea de ocorrŒncia natural na AmØrica tropical desde o MØxico atØ o Brasil (Rodan et al. 1992, Veríssimo et al. 1995, Snook 1996, Lugo 1999). Entre 1971 e 2001, o Brasil exportou aproximadamente 4 milhıes de metros cœbicos de mogno serrado. A maioria (75%) foi exportada para os Estados Unidos e Inglaterra. A exploraçªo total Ø estimada em 5,7 milhıes de metros cœbicos serrados1, estimando que cerca de 1,7 milhªo de metros cœbicos foi consumido no mercado nacional nesse período. O valor bruto estimado dessa produçªo, considerando um preço mØdio histórico de US$ 700/m3, seria cerca de US$ 3,9 bilhıes (5,7 milhıes m3 x US$ 700/m3).

A elevada importância comercial do mogno e a sua vulnerabilidade ecológica tŒm sido objetos de intensa polŒmica sobre como garantir a conservaçªo e o uso sustentado dessa espØcie. Um passo importante para a soluçªo desse dilema Ø conhecer a história natural do mogno (em especial, o padrªo de regeneraçªo) ao longo de sua Ærea de ocorrŒncia. Por exemplo, estudos na AmØrica Central e Bolívia revelam que o mogno tende a regenerar-se depois de grandes perturbaçıes na floresta, como incŒndios, furacıes e inundaçıes (Stevenson 1927, Lamb 1966, Gullison & Hubbell 1992, Snook 1993, Gullison et al. 1996). Por outro lado, pesquisas na Amazônia Brasileira indicam que a regeneraçªo do mogno ocorre sob condiçıes de distœrbios moderados tais como a abertura de clareiras naturais na floresta (Grogan 2001).

A exploraçªo do mogno foi uma das questıes de conservaçªo mais polŒmicas dos anos 1990, principalmente no âmbito da Convençªo Internacional sobre EspØcies Ameaçadas de Extinçªo (Cites). Alguns países e grupos ambientalistas tŒm defendido a inclusªo do mogno como espØcie ameaçada de extinçªo, o que poderia coibir a exploraçªo predatória dessa madeira (Rodan et al. 1992, NRDC 1994). Por outro lado, países produtores e madeireiros argumentam que nªo hÆ informaçªo conclusiva sobre o risco de extinçªo da espØcie. AlØm disso, eles argumentam que os sistemas de controle existentes nos países sªo suficientes para assegurar a conservaçªo e o manejo da espØcie (Figueroa Colón 1994). O Brasil tem estado no centro desse debate por ser um dos maiores produtores de mogno e abrigar uma das œltimas reservas naturais da espØcie.

No Brasil, a exploraçªo de mogno tem sido freqüentemente associada a prÆticas predatórias e ilegais. O governo do Brasil tem tentado controlar a exploraçªo de mogno desde 1996, quando proibiu a entrada de novos planos de manejo. AlØm disso, o País estabeleceu cotas decrescentes de volume para exportaçªo desde 1990. Finalmente, em 2001, após uma avaliaçªo no campo, o Ibama suspendeu todos os planos de manejo de mogno por considerÆ-los tecnicamente inadequados ou fraudulentos. O Ibama tambØm suspendeu a exportaçªo da madeira jÆ explorada (Ibama 2001a e Ibama 2001b).Equivalem a 12,6 milhões de metros cúbicos de mogno em tora se considerarmos um rendimento médio de 45% na conversão de madeira em tora para serrada.

Mogno na Amazônia

Na medida em que os madeireiros exploram os œltimos estoques de mogno existentes no Brasil, na Bolívia e no Peru, Ø necessÆrio entender a situaçªo dessa espØcie e as possibilidades para o seu manejo e conservaçªo. O objetivo deste livro Ø resumir o estado da arte sobre a ecologia e o manejo de mogno na Amazônia. Para isso, revisamos a literatura científica e a pesquisa recente sobre a história natural do mogno em florestas nativas e plantaçıes. Inicialmente, descrevemos o mogno ao longo de sua Ærea de ocorrŒncia na AmØrica tropical, desde o MØxico atØ o Brasil. Depois, enfocamos essa descriçªo para a Amazônia Brasileira, onde ocorre boa parte da exploraçªo de mogno. Apresentamos tambØm as recomendaçıes para a implementaçªo do manejo florestal e de plantios de mogno. Em seguida, discutimos as opçıes para a conservaçªo desse valioso patrimônio natural para as geraçıes futuras. Finalmente, discutimos as medidas para controlar a exploraçªo e comØrcio do mogno.

Grogan et al.

Características da rvore

O mogno Ø uma Ærvore robusta que domina o dossel da floresta. Seu tronco pode atingir 3,5 metros de diâmetro e uma altura total de 70 metros (mØdia de 30 m - 40 m), e a copa chega a 40 m - 50 m de largura (Williams 1932, Lamb 1966, Pennington & SarukhÆn 1968). As raízes tabulares sªo comuns e podem atingir atØ cinco metros na base. O tronco pode alcançar 20 m - 25 m de altura antes de formar galhos e, na AmØ- rica Central, Ø espesso, com sulcos profundos e casca quase preta, o que proporciona uma excelente resistŒncia ao fogo (Lamb 1966, Chudnoff 1979).

Zona de OcorrŒncia Natural

A Ærea de ocorrŒncia do mogno estende-se do MØxico (latitude 23” N, Figura 1), passando pela costa atlântica da AmØrica Central, atØ um amplo arco ao sul da Amazônia, atravØs da Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e a porçªo oriental da Amazônia Brasileira (latitude mÆxima 18” S, Figura 2) (Lamb 1966, Pennington et al. 1981). O mogno encontra-se geralmente nas florestas classificadas como tropical seca. Nessas Æreas, a temperatura anual mØdia Ø 24”C, precipitaçªo anual entre 1.0 m - 2.0 m e índice anual de evapotranspiraçªo de 1,0 - 2,0 (Holdridge 1967). O mogno tambØm Ø encontrado em florestas œmidas e zonas subtropicais (Lamb 1966, Whitmore 1983) e ocorre desde o nível do mar, na AmØrica Central, atØ 1.400 metros, no sopØ dos Andes no Equador, Peru e Bolívia. Essa espØcie cresce tambØm em uma variedade de tipos de solo aluviªo, vulcânico, metamórfico e material calcÆrio e sob diferentes condiçıes, tais como solos profundos, rasos, Æcidos, alcalinos e bem e mal drenados (Stevenson 1927, Oliphant 1928, Williams 1932, Lamb 1966, Negreros-Castillo 1991, Snook 1993, Gullison et al. 1996).

Padrıes de Distribuiçªo e Densidade

Originalmente, o mogno foi reconhecido como uma espØcie ribeirinha ao longo da costa do Atlântico nas Honduras Britânicas (atual Belize) e na AmØrica Central (Swabey 1941, Lamb 1966, Weaver & Sabido 1997). Lamb (1966) descreveu o mogno em elevada densidade nos solos profundos e bem-drenados dos vales dos rios e nas encostas œmidas vizinhas. As descriçıes na AmØrica do Sul enfatizam a associaçªo do mogno com as cabeceiras dos rios de vÆrzea na Amazônia Ocidental. Nas florestas do Equador, Peru, Bolívia e oeste do Brasil, pesquisadores descreveram a ocorrŒncia do mogno em maior densidade nos solos secos e firmes situados um pouco acima das florestas alagadas, onde as enchentes ocorrem esporadicamente (Williams 1932, Hoy 1946, Irmay 1949, Lamb 1966, White 1978, Gullison & Hubbell 1992). Gullison et al. (1996) encontraram agregaçıes de Ærvores maduras ao longo dos cursos dos rios, assim como nas fendas criadas pela erosªo nas partes mais altas do ecossistema de florestas baixas da Amazônia Boliviana.

Mogno na Amazônia -9-

Figura 1. Zona de ocorrência do mogno na América do Norte e Central. Baseado em Lamb (1966).

Grogan et al.-10- Figura 2. Zona de ocorrência do mogno na América do Sul. Baseado em Lamb (1966) e em observações de campo dos autores.

Mogno na Amazônia

A ocorrŒncia do mogno tambØm tem sido descrita nas florestas de terra-firme.

Deslocando-se para as zonas interfluviais e ecossistemas de terra-firme em Belize, o mogno tipicamente ocorre em maior densidade nas zonas de transiçªo, onde diferentes comunidades vegetais se misturam e onde os solos possuem mØdia e boa drenagem. Os exemplos incluem tipologias vegetais como a sequelar, entre savanas e florestas, e as associaçıes de palmeira botanal-escobal, que ocorrem em solos bem-drenados, nas Æreas de transiçªo entre florestas alagadas e vegetaçªo de terra-firme (Lamb 1966). Negreros- Castillo (1991) observa que na península de Yucatan (MØxico), onde a baixa velocidade de deslocamento da Ægua reflete essencialmente uma paisagem plana (Snook 1993), o mogno cresce em depressıes topogrÆficas onde se acumulam solos Æcidos e mal-drenados, assim como nos solos alcalinos e bem-drenados na parte mais alta da regiªo. Em termos gerais, a densidade de mogno Ø maior nas Æreas mais secas e com maior tendŒncia a distœrbios do que nas Æreas mais œmidas e estÆveis (Lamb 1966). rvores maduras de mogno sªo tipicamente encontradas em manchas dispersas nas florestas com densidade inferior a um indivíduo por hectare. Nessas manchas, o mogno pode ocorrer em agregaçıes de algumas dezenas atØ centenas de indivíduos, geralmente intercaladas por extensas Æreas de floresta sem a presença dessa espØcie. Densidades elevadas de mogno tŒm sido descritas na AmØrica Central. No distrito de Peten (norte da Guatemala), a densidade de mogno tem atingido atØ 12 Ærvores por hectare. Pequenas Æreas com altíssima densidade de mogno 5 a 70 indivíduos por hectare tŒm sido descritas no PanamÆ, NicarÆgua, Guatemala, Belize e MØxico (Lamb 1966). Gullison et al. (1996), trabalhando nas Æreas de floresta baixa na Bolívia, observaram que o mogno ocorre em manchas de floresta de atØ centenas de hectares. Nessas florestas, a densidade mØdia Ø baixa, com apenas 0,1 - 0,2 Ærvores comerciais por hectare (> 80 cm de DAP) e densidade similar para Ærvores com DAP menor que 80 cm. Em paisagem similar, Quevedo (1986) e Saa et al. (1996) descrevem o mesmo padrªo de distribuiçªo com manchas, porØm com densidade de atØ sete Ærvores de mogno por hectare.

Regeneraçªo e Crescimento

Classificada como espØcie pioneira ou secundÆria tardia (Budowski 1965, Denslow 1987, Swaine & Whitmore 1988), o mogno regenera-se em clareiras abertas na floresta. As sementes de mogno sªo aladas e, portanto, dispersas pelo vento (Pennington et al. 1981). Uma Ærvore adulta de mogno pode produzir atØ 600 frutos ou 30.0 sementes por ano (Gullison et al. 1996) (Figuras 3 e 4). A maioria das sementes Ø dispersa atØ cerca de 80 metros da Ærvore matriz, principalmente na direçªo dos ventos mais fortes e durante o final da estaçªo seca (Gullison et al. 1996). A germinaçªo das sementes ocorre rapidamente no sub-bosque, após o início da estaçªo chuvosa (Morris et al. 2000). Entretanto, pode ocorrer atraso na germinaçªo em ambientes secos, como as clareiras criadas por distœrbios (Grogan 2001). As plantas jovens (Figuras 5 e 6) requerem elevada luminosidade e abertura de dossel para crescer rapidamente em altura (Stevenson 1927, Lamb 1966, Gullison & Hubbell 1992, Gullison et al. 1996). Em florestas nativas, a taxa de incremento diamØtrico para Ærvores com DAP maior que 10 cm varia de 0,26 cm a 1,09 cm por ano. Em alguns casos, as Ærvores menores (DAP < 50 cm) podem

Grogan et al.

Figura 3 - Frutos do mogno.

Figura 4 – Sementes do mogno.

obter um crescimento diamØtrico superior a 2 cm por ano durante a fase de estabelecimento (Lamb 1945 em Lamb 1966, Snook 1993, Gullison et al. 1996, Grogan 2001).

A ocorrŒncia do mogno Ø favorecida por distœrbios em grande escala, como furacıes, incŒndios florestais, inundaçıes e desmatamento para agricultura; assim como tambØm em Æreas menores, como pÆtios madeireiros abandonados e clareiras originadas pela queda natural de Ærvores (Wolffsohn 1961, Lamb 1966, Snook 1993, Gullison et al. 1996, Grogan 2001). Lamb (1966) observou que as condiçıes de luminosidade em florestas afetadas por furacıes eram favorÆveis à regeneraçªo do mogno. Em Quintana Roo (MØxico), Snook (1993) documentou a distribuiçªo de freqüŒncia das classes de tamanho do mogno de 15 a 75 anos de idade. Esse estudo indicou a existŒncia de regeneraçªo associada a grandes distœrbios como furacªo e fogo, eventos que podem ocorrer em intervalos superiores a dez anos e, em al- guns casos, centenas de anos. Taxas diferentes de crescimento entre indivíduos estabelecidos em uma mesma Øpoca resultam, ao longo do tempo, em uma populaçªo com diferentes classes de tamanho.

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