Gestão Empresarial 01 - Como Motivar sua Equipe

Gestão Empresarial 01 - Como Motivar sua Equipe

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Motivação, Incentivo e Crescimento

EMPRESARIAL Eficiência e Sucesso para seus Negócios

Como motivar sua equipe livro01_02-05_end 13.07.06 10:58 Page 2

Apresentação4
Motivação: todos têm6

Capítulo 1

Quem faz a diferença16

Capítulo 2

A equipe faz a diferença34

Capítulo 3

Procura-se um líder60

Capítulo 4

Comunicar é preciso72

Capítulo 5

E agora, José?8
Sobre o autor94
Referências95

Capítulo 6 livro01_02-05_end 13.07.06 10:58 Page 3

Coleção Gestão Empresarial Como motivar sua equipePublicado

Como garantir a eficiênciaPróximo Como deixar as contas em diaA publicar Como cuidar de seu dinheiroA publicar Como gerenciar pessoasA publicar Como vender seu peixeA publicar Como planejar o próximo passoA publicar Como entender o mercadoA publicar Como usar a matemática financeiraA publicar Como ser um empreendedor de sucessoA publicar livro01_02-05_end 13.07.06 10:58 Page 4

A motivação profissional é tema essencial para o dia-a-dia de qualquer empresa. As pessoas precisam estar motivadas para trabalharem mais felizes e alcançarem seu potencial pleno.

Como motivar sua equipe – Motivação, Incentivo e Crescimentomostra estratégias que funcionam e exemplos do que deve ser evitado por uma empresa.

Aborda o papel do líder e a importância do trabalho em equipe para atingir o máximo de motivação. Tudo de uma forma clara, com uma linguagem simples e, ao mesmo tempo, envolvente.

A Coleção Gestão Empresarialfoi especialmente desenvolvida para auxiliá-lo a aprimorar a gestão de seus negócios. Elaborados e supervisionados por especialistas, os livros visam proporcionar conhecimento em Finanças, Contabilidade, Marketing, Recursos Humanos, Planejamento Estratégico e em muitos outros temas fundamentais para a administração eficaz do negócio próprio.

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Todos os dias, pelo Brasil afora, antes mesmo de o sol raiar, milhares de pessoas se acotovelam em ônibus, metrôs, trens, vans e outros meios de transporte superlotados, viajando diligentemente rumo a seus postos de trabalho. Um outro tanto – não menos diligente, um pouco mais tarde e com mais conforto – segue o mesmo rumo. No final da tarde, em movimento inverso, voltam todos para suas casas, após a jornada que garante – ou que, em tese, deveria garantir – seu sustento, a satisfação de suas necessidades. O que leva tantas pessoas a enfrentar dificuldades, superar distâncias, sobrepujar o cansaço e

Onde está a felicidade? O que motiva alguém a superar as dificuldades e vencer na vida? Será apenas a garantia de sua sobrevivência? repetir dia a dia a mesma rotina? Que impulso as impele? Que razões as empurram? O que as motiva para a ação? Será somente a garantia de sua sobrevivência? Porque umas, por mais que superem diariamente as dificuldades, encaram-nas como um fardo, como um peso nas costas. Outras, por sua vez, estampam um orgulhoso sorriso nos lábios, independentemente da complexidade de seu trabalho. Como faz Juscelino. Juscelino, que Juscelino? livro01_06-15_end 12.07.06 17:28 Page 6

E lá estava Juscelino, “pilotando” seu carrinho para ganhar uns trocados. O garoto também era engraxate, daqueles que raramente se vêem,com a caixinha debaixo do braço. Isso foi só o início. Pode-se dizer que Juscelino fez um pouco de tudo.

Menino do morro Provavelmente, você já ouviu falar da favela do Morro do Cantagalo, em Ipanema, no Rio de Janeiro. Mais provável ainda, é que tenha ouvido notícias nada alvissareiras sobre tráfico de drogas, tiroteios e violência. Pois foi nessa favela que, em 1957, nasceu uma pessoa que se tornou um exemplo: Juscelino. A origem do nome não poderia ser outra: uma homenagem ao então presidente da República Juscelino Kubitschek. Mais do que isso: como foi um parto de trigêmeos – Sara e Marcia dividiram o espaço na “barriga” da mãe –, as boas-vindas couberam ao próprio JK. Isso mesmo! Como trigêmeos eram uma raridade na época em que não havia fertilização in vitro, os recém-nascidos foram batizados pelo presidente da República.

Exemplo de superação Como tantos outros brasileiros, o pequeno Juscelino começou a trabalhar cedo. Aos 7 anos já empurrava carrinhos de feira. Para quem

de cabeleireiroSempre trabalhou

não sabe, esses carrinhos eram feitos pelos “meninos do morro” com rodinhas de rolimã e até direção. Uma madeira de caixa de bacalhau formava o baú, dentro do qual se colocavam as compras das clientes. E lá estava Juscelino, “pilotando” seu carrinho para ganhar uns trocados. O garoto também era engraxate, daqueles que raramente se vêem, com a caixinha debaixo do braço. Isso foi só o início. Pode-se dizer que Juscelino fez um pouco de tudo. Trabalhou como estoquista, açougueiro, ajudante muito – e bem.

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Para o que der e vier Por uma época, um pouco mais de vinte anos atrás, era comum ver Juscelino, de madrugada, como gari, varrendo as ruas de Ipanema; ao amanhecer, ele se transformava em entregador de jornais; depois, virava faxineiro; e, nos fins de semana, vendia refrigerante e cerveja na praia, atividade que mantém até hoje. Quando aparecia uma festa, então, lá estava ele como garçom. Com um sorriso sempre estampado nos lábios, Juscelino é o tipo de pessoa que logo concluímos: “esse cara é pau para toda obra”. O que a trajetória dele tem a ver com este livro? Tudo!

De pessoa para pessoa São exemplos como esse que mostram que existe algo além de trabalhar para viver. Este é exatamente o propósito aqui: discutir a motivação das pessoas, ilustrando com histórias de personagens muitas vezes incomuns, mas que levam a vida como a maioria de nós e que, ainda assim, são felizes com o que fazem. A grande pergunta a ser respondida é a seguinte: é normal ser feliz no trabalho? Apostamos que sim, mesmo que para isso seja necessário um empurrãozinho, uma pequena ajuda. Ao final do livro, esperamos que você saiba como encontrar esta tão falada motivação e que também esteja disposto (ou disposta!) a dar uma mão àqueles que ainda não descobriram o caminho da felicidade no trabalho.

Motivação à prova A natureza humana é um bom começo para falar sobre motivação. Seríamos nós, seres humanos, uma

A grande pergunta a ser respondida é a seguinte: é normal ser feliz no trabalho? Apostamos que sim,mesmo que para isso seja necessário um empurrãozinho,uma pequena ajuda.

livro01_06-15_end 12.07.06 17:28 Page 8 espécie totalmente moldada pelo ambiente que nos cerca? Outra pergunta: teríamos nós nascido com uma mente em branco, como um quadro-negro sem nada escrito, numa situação em que nossos pais nos educam segundo suas experiências? E que, com as próprias experiências no convívio com outras pessoas e no contato com a cultura de nosso meio, transformamos e preenchemos aquela mente em branco com o que viríamos a ser um dia? Ou será que nascemos pré-programados geneticamente? E que todo nosso conjunto de valores, além das aptidões e habilidades, já nasce conosco? Os defensores da primeira hipótese – a da tábula rasa – acreditavam que qualquer um de nós, por intermédio de um sistema de reforços (estímulos) positivos e negativos, poderia ter seu comportamento moldado, como na célebre citação de J.B. Watson (1878-1958), um dos mais proeminentes divulgadores dessa abordagem chamada behaviorismo – algo como comportamentalismo:

“Dêem-me uma dúzia de recémnascidos sadios, bem formados e um mundo especificado por mim para criá-los, e garanto escolher qualquer um ao acaso e prepará-lo para tornar-se qualquer tipo de especialista que eu possa selecionar – médico, advogado, artista, comerciante, e, sim, até mesmo mendigo e ladrão, independentemente de seus talentos, pendores, tendências, capacidades, vocações e raça de seus ancestrais.”1 livro01_06-15_end 12.07.06 17:28 Page 9 foco da questão. O importante é que essa é uma conclusão mais razoável. E, se faz sentido para nós, humanos, também pode ter a ver quando o assunto são nossos amigos inseparáveis, os cães de estimação.

Do poodleao pit bull Sim, eles mesmos, os cães. Pode parecer esquisito falar deles aqui, mas você vai logo entender essa relação – e vai se surpreender! As raças domesticadas são uma criação humana ao longo de várias gerações. Partindo dos lobos – que são os ancestrais selvagens dos cachorros –, foram realizados sucessivos cruzamentos num processo chamado seleção artificial.

Do lado oposto ao dos behavoristas, alinharam-se as pessoas que acreditavam na pré-programação ao nascer, para as quais não haveria por que perder tempo com estímulos para mudar o imutável ou moldar o que já estaria naturalmente moldado. Seria um esforço inútil, uma vez que os comportamentos já estariam geneticamente determinados – em outras palavras, é o velho ditado do “pau que nasce torto nunca se endireita”.

Dois pesos, duas medidas Felizmente, hoje em dia, a discussão entre biólogos, psicólogos e antropólogos evolucionistas se concentra no equilíbrio entre as características hereditárias e a influência do meio. Ou seja, para eles, somos tanto moldados quanto pré-programados. Qual a proporção disso, se é 50% para cada lado, se a balança pende um pouco mais para um lado – a influência do meio ou as características herdadas –, não é o livro01_06-15_end 12.07.06 17:28 Page 10

Com os cruzamentos, selecionaram-se determinadas características – como inteligência, docilidade ou agressividade, porte, aparência física e outras tantas – que, ao longo do tempo, resultaram nas diversas raças que conhecemos. Do pinscherao dobermann, do poodleao dinamarquês, todos esses canídeos são conseqüência de um processo de seleção artificial – diga-se de passagem, isso ocorreu de forma muito mais acelerada do que a seleção natural, pela qual sobrevive a espécie mais bemadaptada ao meio. No processo desenvolvido pelo homem, surgiram raças como a do polêmico pit bull, que vamos usar como uma alegoria para compreender um pouco melhor o significado do debate criação humana versusnatureza. Cada vez que é noticiado um ataque de pit bulla uma pessoa, vem à tona a discussão sobre a raça ser agressiva, violenta e incontrolável. Alguns criadores argumentam que o comportamento do pit bull, assim como o de qualquer outro cão, é fruto exclusivamente do tratamento que recebe de seus donos. Como “behavioristas caninos” – e aproveitando para parafrasear J.B. Watson –, eles concordariam, pelo menos em tese, com a provocação abaixo:

“Dêem-me uma dúzia de cães, bem-nascidos, bem formados, que garanto escolher qualquer um ao acaso e transformá-lo em cão de guarda, de caça, guia de cegos... Independentemente da raça de seus ancestrais. Resumindo: dêemme um poodleque eu o transformo em um pit bulle vice-versa!”

No processo desenvolvido pelo homem,surgiram raças como a do polêmico pit bull,que vamos usar como uma alegoria para compreender um pouco melhor o significado do debate criação humana versus natureza.

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Botão liga-desliga Já para o coro daqueles que poderíamos classificar como deterministas genéticos, defensores de medidas extremas, como a esterilização dos pit bulls, não há boa criação capaz de neutralizar o instinto assassino. A raça é violenta e ponto final. No meio termo, há quem diga que esses cães têm inteligência e compleição física superiores e demonstram extrema lealdade ao dono. Agressivos, sim, mas apenas em relação a outros animais – afinal, foram criados para serem cães de combate, oras! Argumentam que, embora não seja de sua natureza partir para cima de humanos, a “compulsão natural” para o ataque pode aflorar quando o animal é submetido a um processo de criação em ambiente hostil. Segundo essa análise, poderíamos afirmar que os pit bullstêm, sim, uma carga genética que lhes confere uma propensão à agressividade, e esse instinto latente nunca irá abandoná-lo. Dependendo da maneira como for criado, essa propensão é capaz de funcionar como uma chave ligadesliga. Estará desligada se ele for tratado com carinho e atenção. Estará ligada quando for tratado com hostilidade. Como na discussão a respeito da natureza humana, a proporção entre a hereditariedade e o ambiente permanece uma incógnita entre os pit bulls mas, a julgar pelos ataques a pessoas, o botão da agressividade parece bastante sensível e pode ser ligado com certa facilidade.

Algo em comum Muito bem, falamos de natureza humana e canina, de criação e

Falamos de natureza humana e canina,de criação e hereditariedade,mas o que tudo isso tem a ver com a sua,a nossa motivação? E como isso pode ajudar a motivar outras pessoas? livro01_06-15_end 12.07.06 17:28 Page 12 hereditariedade, mas o que tudo isso tem a ver com a sua, a nossa motivação? E como isso pode ajudar a motivar outras pessoas? Será que, como os pit bulls, não guardamos dentro de nós, em maior ou menor escala, algumas características em comum? Segundo o jornalista Robert Wright, sim.

“Os antropólogos darwinistas de hoje, ao estudarem os povos do mundo, focalizam menos as diferenças superficiais entre as culturas do que as unidades profundas. Sob a colcha de retalhos mundial de rituais e costumes, eles identificam padrões recorrentes na estrutura da família, da amizade, de política, moralidade e corte. Acreditam que o traçado evolutivo dos seres humanos explica tais padrões: por que as pessoas de todas as culturas se preocupam com o statussocial (freqüentemente mais do que se dão conta); por que as pessoas de todas as culturas não somente mexericam, como mexericam sobre as mesmas coisas; por que, em todas as culturas, homens e mulheres aparentemente diferem em alguns pontos básicos; por que as pessoas em todo o mundo se sentem culpadas, e em circunstâncias geralmente previsíveis; por que as pessoas em todo o mundo têm um profundo senso de justiça, a tal ponto que as máximas ‘O bem com o bem se paga’ e ‘Olho por olho, dente por dente’ moldam a vida em todos os lugares deste planeta (...). Tomamos como certos elementos da vida tais como gratidão, vergonha, remorso, orgulho, honra, retribuição, empatia, amor e assim por diante, da mesma forma que tomamos como certo o ar que respiramos.”2 livro01_06-15_end 12.07.06 17:28 Page 13

Juntando os pontos Vamos amarrar os pontos vistos até agora. Ao relacionar o parágrafo anterior ao dia-a-dia das empresas, podemos nos perguntar: não seria correto dizer que em todas as empresas, em qualquer parte do mundo, as pessoas se preocupam com o statussocial, mexericam (será que existe alguma empresa em que não haja fofoca?), sentem-se culpadas ou culpam os outros, retribuem o bem com o bem e o mal com o mal, apresentam certas características em comum, mas que diferem umas das outras em função de sua herança genética e do meio em que foram criadas? Parece que sim. E, apimentando um pouco o debate, nem tudo são flores em nossa natureza.

“O altruísmo, a compaixão, a empatia, a consciência, o senso de justiça – tudo isso que mantém a sociedade coesa, que permite à nossa espécie pensar tão bem de si mesma –, agora, podemos afirmar, confiantes, que possuem uma sólida base genética. Essa é a boa notícia. A má notícia é que (...) vemos agora, com maior clareza que nunca, como (e precisamente por que) os sentimentos morais são usados com total flexibilidade, ligados e desligados de acordo com interesses pessoais (...). Os seres humanos são uma esplêndida espécie em sua variedade de equipamento moral, trágica em sua propensão de usá-lo mal, e patética em sua ignorância constitucional desse mau uso.”3 livro01_06-15_end 12.07.06 17:28 Page 14

Um desafio e tanto Nem pense em ficar desanimado com o final do parágrafo anterior. Para motivarmos os outros, é necessário, em primeiro lugar, conhecer um pouco da natureza humana, suas virtudes e seus defeitos. Afinal, só para lembrar: não somos todos totalmente bonzinhos. Claro que sabemos disso, mas, às vezes, é difícil admitir. Nosso grande desafio daqui para frente será descobrir o melhor modo de desenvolver um ambiente profissional que estimule o lado cooperativo, leal, justo e consciente da natureza humana. Tudo em consonância com um sistema que, respeitando as diferenças existentes em cada um, identifique e sintonize corretamente os “botões” de cada indivíduo, de acordo com suas características, expectativas e necessidades. Uma empreitada nada fácil, que vai exigir que conheçamos muito bem nosso eleitorado – nosso pessoal –, como veremos nos capítulos a seguir.

O que você viu no capítulo 1

>A influência externa e os fatores pre-determinados para a formação da pessoa. 1

>O despertar da motivação a partir de um ambiente de trabalho estimulante.

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O Mercado Municipal de São Paulo é um verdadeiro paraíso para os apaixonados por culinária. São dezenas de bancas que vendem uma imensa variedade de queijos, azeites, pescados, carnes, frutas, legumes e especiarias impecavelmente bem-dispostas, com uma ótima relação custo-benefício, disputando palmo a palmo, pedido a pedido, a preferência dos milhares de visitantes diários. O Mercadão, como é conhecido, tem fama também pelos enormes sanduíches de mortadela e pelos saborosíssimos pastéis de bacalhau. Ali a competição é ferrenha, e cada banca, à sua maneira, busca incansavelmente a conquista e manutenção de clientes.

Como fazer as pessoas atingirem um alto grau de motivação? Existe uma fórmula para que todos encontrem prazer no trabalho?

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