Evangelho de São João

Evangelho de São João

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INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO

EVANGELHO SEGUNDO SÃO JOÃO

ORGANIZAÇÃO:

PROF. ERNESTO L SIENNA

Curitiba - 2006

O EVANGELHO SEGUNDO SÃO JOÃO

O quarto evangelho, a princípio tem a mesma estrutura dos evangelhos sinóticos: inicialmente mostra o testemunho de João Batista sobre Jesus, depois apresenta várias passagens e acontecimentos da vida de Cristo, e termina com os relatos de sua paixão, morte e ressurreição. No entanto destaca milagres ou aspectos da pregação de Jesus que não são relatados pelos sinóticos: o início da vida pública de Jesus nas bodas de Cana; a ressurreição de Lázaro; o lava pés; a questão do paráclito; o longo discurso sobre o pão da vida que vem após a multiplicação dos pães; é o único a apresentar as três grandes festas judaicas; Jesus toma posse da fórmula “Eu sou”, que é própria de Deus. O evangelho segundo João é o evangelho mais puro, o mais radical, o mais teológico, com uma cristologia mais desenvolvida que se preocupa em apresentar a divindade de Cristo.

Para o povo judeu do AT a fé está na lei de Moisés, no culto centrado em Deus efetuado no templo, João vai colocar o eixo em Jesus. Jesus é a Lei, Jesus substitui o templo e a fé está na pessoa de Cristo.

1. O Autor

A tradição antiga da Igreja identificou a autoria deste evangelho como sendo de João o discípulo amado de Cristo. “Este é o discípulo que dá testemunho dessas coisas e foi quem as escreveu: e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro” (21,24).

Santo Ireneu de Lião (+/- 125/140 dC) é o autor mais antigo que afirma a autoria do quarto evangelho à João: “Em seguida, o discípulo do Senhor, o mesmo que repousou sobre o seu peito, publicou também o evangelho durante sua estada em Éfeso”.

2. A data

Provavelmente no final do primeiro século, entre os anos 90 e 100 dC, na localidade de Éfeso.

3. Destinatário

Diferente dos evangelhos sinóticos que tem um destinatário concreto, Marcos escreve para Romanos, Mateus para Judeus e Lucas para Gregos, João tem um destino universal, pois escreve não para uma comunidade específica, mas para todas as comunidades cristãs.

4. Objetivo de João

O propósito de João é inspirar nos leitores a fé em Jesus e está claro nas conclusões finais do capítulo 20,30-31:

  1. Crer que Jesus é o Filho de Deus

  2. Para ter vida

5. Particularidades de João

João usa de um material especial para desenvolver seus escritos, possui bons conhecimentos históricos e topográficos. João não está preocupado em mostrar um Jesus “histórico” do ponto de vista moderno, mas seu interesse é levar o leitor, pelos olhos da fé, a raiz dos acontecimentos. Comparando as parábolas vivas e cheias de sinais dos sinóticos com os discursos profundamente teológicos de Jesus no evangelho de João mergulhamos numa realidade onde ele procura revelar as verdades mais secretas e divinas.

Enquanto os sinóticos proclamam o Reino de Deus ou o Reino dos Céus no escrito joanino a grande revelação é o próprio Jesus.

5.1 “Eu Sou”

A fórmula “Eu Sou” como a vemos no livro do Êxodo quando Deus se apresenta à Moisés dizendo “Eu sou aquele é”, é própria do Criador, no entanto Jesus toma posse desta expressão para auto-definir-se:

6,35 “Eu sou o pão da vida”

9,5 “Eu sou a luz do mundo”

10,7-9 “Eu sou a porta”

10,11-14 “Eu sou o bom pastor”

11,25 “Eu sou a ressurreição”

14,6 “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”

15,1 “Eu sou a videira”

5.2 O Paráclito

João não usa a palavra Espírito Santo mas a expressão Paráclito várias vezes nos discursos de despedidas dos discípulos, no entanto diferente do evangelho de Lucas que apresente Jesus como cheio do Espírito Santo para João é pelo Espírito Santo que se perpetua a presença de Jesus entre seus seguidores, é o Espírito que nos ilumina e nos dá a conhecer profundamente a pessoa de Jesus. (Espírito = Paráclito, Espírito da Verdade, Espírito Santo).

  1. Espírito enviado pelo Pai: 14,15-17: “e rogai ao Pai e ele vos dará outro Paráclito, para que convosco permaneça para sempre”;

  2. Espírito enviado por Cristo: 16,7: “se eu não for o Paráclito não virá a vós, mas se for envialo-ei à vós”;

  3. Para recordar todas as coisas: 14,26: “mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que vos disse”;

  4. Para revelar as coisas futuras e glorificar a Jesus: 16,13: “quando vier o Espírito da Verdade, ele vos guiará na verdade plena...e vos anunciará as coisas futuras”;

  5. Para testemunhar a Cristo: 15,26: “quando vier o Paráclito...dará testemunho de mim”.

Conforme a tradução da Bíblia Ave Maria paráclito é uma palavra grega que significa advogado, intercessor.

5.3 Os milagres de Jesus

João não utiliza a palavra milagres para falar das grandes realizações de Jesus mas utiliza-se da expressão grega “semeion” que significa sinais.

Sinais significam o indício revelador de alguma coisa, pode ser um milagre ou não. João apresenta seis sinais como forma de provar que Jesus é o enviado do Pai e que o que interessa realmente não é o sinal em si mas o autor deste:

1º Bodas de Cana: 2,1-11;

2º Cura do filho do funcionário real: 4,46-54;

3º Cura do enfermo na piscina de Betesda: 5,2ss

4º Multiplicação dos pães: 6,5-14;

5º Cura do cego de nascença: 9,1-16;

6º Ressurreição de Lázaro: 11,1-44;

Sendo que o grande sinal, o de número sete, é sua própria ressurreição, como forma de apresentar a perfeição dos tempos no Cristo ressuscitado.

Para o povo da Bíblia os números são muito significativos, o número 7 significa intensidade, perfeição. Porisso que quando Pedro pergunta à Jesus: quantas vezes devemos perdoar 7? Jesus responde não 7 mas, deveis perdoar 70 x 7.

5.3 Eucaristia

Para os sinóticos Jesus instituiu a Eucaristia na quinta-feira santa. João coloca na quinta-feira o relato do lava-pés, para dizer que a Eucaristia deve levar à um gesto concreto, mostra Jesus como aquele que serve, como escravo. (diakonia em grego = serviço).

Para João a Eucaristia se dá no capítulo 6,11 (multiplicação dos pães) onde o que importa e dar graças e distribuir.

5.4 Jesus é o templo

Os evangelhos sinóticos narram a expulsão dos vendilhões do Templo como acontecida na última Páscoa, no final do mistério de Jesus.

Para João este fato está na primeira Páscoa (2,13ss), quando Jesus começa a pregar, pois para encontrar Deus o lugar não é mais o Templo, mas a própria figura de Jesus. A partir de agora se adora em Espírito e Verdade.

5.5 As Festas Judaicas

Os Evangelhos sinóticos não têm interesse pelas festas Judaicas, e com referência a Páscoa, sua principal festa, apresentam apenas a passagem de uma Páscoa que se dá no último ano do Ministério de Jesus.

O Evangelista João mostra que conhece profundamente a cultura judaica, apresentando no ministério de Jesus três Páscoas (três anos de vida pública), além das outras principais festas Judaicas, como o Pentecostes, Tendas e a Festa da Dedicação.

1ª Páscoa: Jo 2,13-22; acontece após o início de seu ministério com as bodas de Cana.

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