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Criação de abelhas sem ferrãoIniciativas Promissoras

Alimento de qualidade e renda extra para as famílias, com benefícios para o ambiente natural da várzea.

ProVárzea/Ibama

Rua Min. João Gonçalves de Souza, s/nº - Distrito Industrial - Manaus - AM - CEP 69072-970 Tel.: (92) 613.3083 / 613.6246 / 613.6754 - Fax: (92) 237.5616 / 237.6124 - E-mail: provarzea@provarzea.ibama.gov.br Site: http://www.ibama.gov.br/provarzea

Edição:

Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis

Centro Nacional de Informação, Tecnologias Ambientais e Editoração - Edições Ibama SCEN, Trecho 2, Bloco B - Tel.: (61) 316.1065 - E-mail: editora@ibama.gov.br

Copyright 2005 - ProVárzea/Ibama

Ministério do Meio Ambiente Marina Silva

Secretaria de Coordenação da Amazônia Muriel Saragoussi

Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Marcus Luiz Barroso Barros

Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais do Brasil Nazaré Lima Soares

Diretoria de Fauna e Recursos Pesqueiros Rômulo José Fernandes Barreto Mello

Coordenação-Geral de Gestão de Recursos Pesqueiros José Dias Neto

Projeto Manejo dos Recursos Naturais da Várzea - ProVárzea/Ibama Coordenador: Mauro Luis Ruffino Gerente-Executivo: Benedito A. Pessoa Reis Peritos: Darren Andrew Evans (DFID) e Wolfram Maennling (GTZ) Assessora de Comunicação: Marinês da Fonseca Ferreira Gerente do Componente Iniciativas Promissoras: Evandro Pires Leal Câmara Equipe ProVárzea/Ibama:

Adriana M. Magalhães, Albert Sousa, Alzenilson S. Aquino, Anselmo C. de Oliveira, Antônia Lúcia F. Barroso, Aparecida Heiras, Aubermaya Xabregas, César V. Teixeira, Cleucilene da Silva Nery, Emerson C. Soares e Silva, Flávio Bocarde, Joelcia C. Ribeiro de Figueiredo, Kate Anne de Souza, Luiz Alexandre Chixaro Voss, Manuel da Silva Lima, Marcelo D. Vidal, Marcelo Parise, Marcelo B. Raseira, Márcio M. Aguiar, Maria Clara Silva-Forsberg, Mário Thomé de Souza, Natália Aparecida de Souza Lima, Núbia Maria Gonzaga, Raimunda Queiroz de Mello, Ricardo Pinheiro Lima, Rosilene B. da Silva, Simone N. Fonseca, Tatianna de Souza Silva, Tatiane P. Souza dos Santos, Tiago Viana da Costa, Urbano L. da Silva Júnior, Willer Hermeto Almeida Pinto.

Manaus - AM 2005

Criação de abelhas sem ferrão

Gislene Almeida Carvalho-Zilse Carlos Gustavo Nunes da Silva

Nelson Zilse

Hélio Conceição Vilas Boas Alexandre Coletto da Silva

Jonilson Paulo Laray

Delci da Costa Brito Freire Warwick Estevam Kerr

Edição de texto: Tereza Moreira Projeto gráfico: Luiz Daré Ilustrações: Rodrigo So Revisão: Maria José Teixeira e Vitória Rodrigues

Os autores são técnicos e pesquisadores do

Grupo de Pesquisas em Abelhas, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia

C928Criação de abelhas sem ferrão / Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
Nunes da Silva, Nelson Zilse[et al.]. – Brasília: Edições IBAMA, 2005.

dos Recursos Naturais Renováveis. Projeto Manejo dos Recursos Naturais da Várzea; autores, Gislene Almeida Carvalho-Zilse, Carlos Gustavo 27p. 21 cm. – (Iniciativas Promissoras, 2)

1. Apicultura - Amazônia. I. Carvalho-Silze, Gislene Almeida. I. Silva, Carlos

Gustavo Nunes da. I. Zilse, Nelson. IV. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. Projeto Manejo dos Recursos Naturais da Várzea.

CDU (2.ed.) 638.1

Grupo de Pesquisas em Abelhas Coordenação de Pesquisas em Ciências Agronômicas Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA Caixa Postal 478 Manaus – AM – CEP 69083-060 Tel.: (92) 643.3281 http://www.inpa.gov.br

Para mais informações

Apresentação7
Amazônia: campeã mundial das abelhas sem ferrão8
Meliponas e trigonas: os dois grandes grupos9
Vantagens da criação de abelhas sem ferrão10
Diferentes tipos de manejo1
Passos da criação racional13
1. Fabricação da caixa: imitando a natureza14
2. Preparando o local: sombra, água fresca e flores, é disso que elas gostam16
3. Captura das abelhas: passos necessários18
4. Fortalecer as colônias: abelhas fortes, produção garantida21
5. Multiplicação das colônias: dividir para crescer24

Apresentação

Esta cartilha é fruto do trabalho da equipe do subprojeto Abelhas e Polinização de Plantas da Várzea, que integra o componente Iniciativas Promissoras do Projeto Manejo dos Recursos Naturais da Várzea – ProVárzea. O ProVárzea/Ibama faz parte do Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais do Brasil – PPG7, e seu objetivo é contribuir para que a várzea da calha do rio Solimões-Amazonas seja conservada mediante o uso sustentável dos seus recursos naturais. Para isso, trabalha em parceria com instituições governamentais e não-governamentais, organizações pesqueiras e comunitárias. Entre as ações do ProVárzea/Ibama está o apoio a projetos de manejo dos recursos da várzea por meio do componente Iniciativas Promissoras.

Este componente visa desenvolver e testar novas formas de uso dos recursos naturais da várzea que sejam sustentáveis e promovam o bem-estar da população ribeirinha. Atualmente há vinte subprojetos em andamento e quatro em fase de contratação. Esses subprojetos ocorrem de forma integrada em 32 municípios dos estados do Pará e do Amazonas.

O subprojeto Abelhas e Polinização de Plantas da Várzea ensina os ribeirinhos de comunidades indígenas e não indígenas a criarem abelhas sem ferrão em caixas de madeira, desenvolvidas pelo Grupo de Pesquisas em Abelhas, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – Inpa. Nessas caixas, as abelhas produzem e se reproduzem com facilidade, evitando o corte de árvores para a coleta do mel. Com isso, o subprojeto contribui para a conservação da floresta e para a saúde e a renda das famílias ribeirinhas, que têm no mel um alimento de alta qualidade e ainda uma fonte alternativa de renda.

Três comunidades indígenas das etnias Sateré-Mawé, Mura e Mayoruna estão diretamente envolvidas, além de comunidades não indígenas nos municípios de Careiro Castanho e Paraná de Parintins. Todos no Estado do Amazonas.

Esta cartilha pretende contribuir com a disseminação da tecnologia de criação de abelhas sem ferrão na Amazônia. Os resultados apresentados são fruto da parceria do ProVárzea-Ibama com a Fundação Djalma Batista/Inpa, e ainda do Inpa com a Fundação Nacional do Índio – Funai, Superintendência da Zona Franca de Manaus – Suframa, e Fundação de Apoio Institucional Rio Solimões – Unisol.

Evandro Pires Leal Câmara Gerente do componente Iniciativas Promissoras

Existem no mundo cerca de 20 mil espécies de abelhas. Grande parte dessas espécies não formam colônias e são conhecidas como abelhas solitárias. Entre as que formam colônias, de 300 a 400 espécies não possuem ferrão e estão reunidas num grupo chamado Meliponíneos. Cerca de 200 espécies de abelhas sem ferrão vivem no Brasil, especialmente na região amazônica. Por isso, a Amazônia é conhecida como o berço mundial das abelhas sem ferrão.

Amazônia: campeã mundial em abelhas sem ferrão

Criadoras de florestas

Conforme o local onde vivem, as abelhas sem ferrão são responsáveis por 40% a 90% da polinização das árvores nativas. Por isso, têm uma função muito importante na formação das florestas, contribuindo também para manter a diversidade de plantas e animais que vivem na várzea.

Abelhas de paz

Os meloponíneos constroem ninhos em locais protegidos, como ocos de árvores. Como não desenvolveram ferrão, quando atacados se defendem como podem. Enrolam-se nos cabelos e pêlos, entram em ouvidos, nariz e olhos. Ou, então, lançam substâncias resinosas que ardem a pele.

Trigonas são abelhas pequenas, conhecidas como abelhas enrola-cabelo, lambe-olhos, mosquito, canudo, irapuá. A entrada de seus ninhos tem formato de tubo e é construída com cera.

Meliponas são abelhas grandes, que chegam a medir um centímetro e meio. Fazem a entrada dos seus ninhos usando barro e própolis. As mais conhecidas entre elas são a jupará, a uruçu, a jandaíra e a mel-de-pau.

As mais criadas na Amazônia

Nome comumEspécie

Jupará Melipona compressipes Uruçu-boca-de-renda Melipona seminigra Uruçu-boi Melipona nebulosa Nariz-de-anta Melipona lateralis Uruçu-boca-de-ralo Melipona rufiventris Beiço Melipona eburnea Jandaíra Melipona fulva Canudo Scaptotrigona sp ilustração dos potes de mel em de cachos e em formato de potes

Os meliponíneos constroem discos de cria que lembram cachos e armazenam mel e pólen em potes. Além de delicioso alimento, o mel de algumas espécies possui propriedades medicinais e pode render dinheiro para quem souber criar.

Meliponas e trigonas: os dois grandes grupos

Vantagens da criação de abelhas sem ferrão

Essas abelhas não picam. Por isso, sua criação é barata e não exige roupas e equipamentos especiais.

São nativas e podem ser adquiridas por meio de caixas-iscas, capturadas em desmatamentos autorizados pelo Ibama ou compradas de criadores licenciados.

homens com motosserra tirando a colméia da árvore caída ilustração jovem de short mexendo com as caixas ilustração vegetação e, em primeiro plano, abelhas visitando flores

O mel é um alimento saudável que pode substituir o açúcar, melhorando a alimentação e a saúde da família.

Das colméias é possível extrair mel, pólen, própolis e cera. Esses produtos são muito valorizados nos mercados da Amazônia.

Criar abelhas não ocupa muito tempo e permite renda extra para as famílias, em especial para mulheres, jovens e idosos.

As abelhas ajudam a polinizar as lavouras e os pomares, garantindo maior fartura de alimentos.

ilustração mulher, junto com uma criança, manejando as colméias crianças em volta de uma mesa com produtos de café da manhã e vidro escrito mel ilustração de pessoa dando mel com uma mão e recebendo dinheiro em outra ilustração com sacos de mantimentos empilhados e abundância de frutas de todos os tipos ao redor

Depois de pesquisar muito, alguns estudiosos das abelhas sem ferrão começaram a estudar formas de criá-las em caixas racionais. Assim, surgiu um sistema simples, barato, que facilita o manejo das colméias. Dessa forma, as abelhas têm condição de produzir mais e em menos tempo. Essa atividade é chamada meliponicultura e permite criações mais produtivas.

Os índios, caboclos e outros povos que vivem na Amazônia costumam extrair mel dos ocos dos paus. Às vezes, criam abelhas sem ferrão em cabaças, cortiços ou até mesmo nos locais onde elas fazem seus ninhos. Para retirar o mel, as colméias são praticamente destruídas e as abelhas têm muito trabalho para refazer suas moradias e produzir novamente. Isso prejudica a produção e pode até matar a colônia.

ilustração casa típica de caboclo com cabaças em volta e pessoa mexendo com abelha junto com porco, cachorro e galinha ilustração

Caixas colocas juntas e cobertas por telhado num local mais isolado (pode até colocar casa ao fundo) e em lugar cheio de vegetação

Diferentes tipos de manejo

Esse é o jeito tradicional...

mas existe a

maneira racional

13 Passos da criação racional

Sem medo de errar Antes de iniciar uma criação, convém buscar orientação dos técnicos e visitar outros meliponicultores. É importante conhecer as regras do Ibama para o registro dos criatórios.

2. Preparar o local onde ficarão as colméias1. Fabricar as caixas para receber as colônias

3. Adquirir e instalar os enxames4. Alimentar as colméias 5. Multiplicar as colônias6. Extrair e comercializar o mel

É preciso fabricar caixas racionais e saber multiplicar as colônias. Com boas floradas e manejo correto, em dois ou três anos dá para ter cem colméias produzindo. A venda de mel, própolis e cera pode render um bom dinheiro.

As colônias são locais onde existe ordem e limpeza. Na parte de baixo fica a lixeira. Depois vem o ninho, contendo discos de cria colocados uns sobre os outros, onde ficam os ovos e as larvas. Acima dos ninhos estão os depósitos de mel. As caixas racionais mantêm essa mesma ordem e são construídas em partes independentes, ajustadas umas sobre as outras.

1Fabricação da Caixa:

imitando a natureza...

2. Ninho É onde as abelhas construirão os discos de cria (filhotes) e, algumas vezes, também poderão colocar potes de alimento. Com 7cm de altura, tem uma peça de madeira na base, deixando em cada lado um furo de 1cm, que servirá de ligação entre esse compartimento e a lixeira.

1. Lixeira Aqui as abelhas depositarão lixo, fezes e restos de alvéolos de cria. Possui 1 cm de altura. Tem duas ripas pregadas sob a madeira em cada uma das extremidades, que servirão como pés da caixa.

Nome comumMedidas (em cm)

Jupará15 x 15 x 7

Uruçu-boca-de-renda25 x 25 x 7

Uruçu-boi21 x 21 x 7

Nariz-de-anta21 x 21 x 7

Uruçu-boca-de-ralo15 x 15 x 7

Beiço21 x 21 x 7

Jandaíra15 x 15 x 7 Canudo25 x 25 x 7

A caixa é toda construída em madeira de 2,5 a 3 cm de espessura, o que é fundamental para manter a temperatura interna da colônia. A madeira não deve ser tratada para não prejudicar as abelhas. As medidas internas da caixa são ajustadas para cada espécie, conforme tabela:

Medidas internas da caixa

5. Tampa Fecha a parte superior da colméia. Tem duas peças de madeira pregadas nas extremidades (parede externa) para facilitar a abertura da caixa.

4. Melgueira Local da colméia destinado a armazenar mel e pólen. Tem 5 cm de altura, contém três pequenas tábuas separadas entre si, deixando frestas que servirão de ligação com o sobreninho.

3. Sobreninho Aqui as abelhas também construirão discos de cria, à medida que a colônia for crescendo e houver necessidade de mais espaço. Também tem 7 cm de altura, possui um losango na base e um furo na lateral traseira, para ventilação.

sombra, água fresca e flores, é disso que elas gostam.

2Preparando o local:

Cuidado!

Algumas abelhas têm o hábito de coletar fezes, suor ou outras substâncias que podem prejudicar a saúde humana. Por isso, as colméias devem ficar bem longe de depósitos de lixo, privadas, esgotos e fossas.

Meliponário é o nome do local onde ficam as colméias. Pode ser um galpão, construído para abrigar as caixas ou um agrupamento de caixas colocadas próximas umas das outras. O mais importante é que deve ser:

• um lugar afastado das casas e dos animais domésticos; • fácil acesso, para facilitar o manejo e a vigilância; • com fontes de água limpa nas proximidades; • sombreado e abrigado de ventos fortes;

• com flores durante a maior parte do ano;

• longe de plantações onde são pulverizados agrotóxicos, inimigos mortais das abelhas.

De olho nas floradas

Antes de iniciar a criação convém observar quais as principais plantas que dão flores e em que época do ano ocorrem as floradas que as abelhas visitam para coletar néctar e pólen (samborá). As abelhas costumam voar de 800 m a 1,5 km em busca de alimento. Vale lembrar que são necessárias flores de cem árvores para alimentar cada colônia.

Galpão próprio

Para facilitar o manejo, os meliponicultores constroem um galpão sem paredes e com prateleiras, onde são colocadas as caixas. O galpão deve ser construído com o material disponível na região. Madeira com cobertura de palha é ideal para manter a temperatura agradável.

Instalação das caixas

Os criadores costumam colocar as caixas a uma distância mínima entre si de 0,50 m (em prateleira) ou de 1,50 m (em cavaletes individuais). A entrada das colméias deve ficar desimpedida para facilitar a movimentação das abelhas. Muito cuidado para não colocar colméias de espécies diferentes ao lado umas das outras. Cada prateleira deve ter colméias da mesma espécie. Quando fora do galpão, aconselha-se que fiquem protegidas da chuva e distantes de árvores como mangueiras e castanheiras. A queda dos frutos pode danificar a caixa ou machucar o criador.

Proteção extra

Formigas e outros insetos costumam atacar as colméias. Por isso, convém manter as caixas sempre bem fechadas e com os pés protegidos. A fita adesiva é companheira fiel do criador e deve ser usada para vedar as frestas que se formam entre as diferentes partes da caixa. Para impedir a entrada de formigas, podese usar tampinhas de refrigerante ou copos de café descartáveis, cheios de óleos de andiroba ou copaíba, nos pés das caixas. Vale também enrolar, nas pernas das prateleiras, espuma encharcada em óleo queimado.

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