Estudos de concepcao de sistemas publicos de abastecimento de agua

Estudos de concepcao de sistemas publicos de abastecimento de agua

(Parte 1 de 3)

SUMÁRIO 1 Objetivo 2 Documentos complementares 3 Definições 4 Condições gerais 5 Condições específicas ANEXO A -Utilização dos elementos cartográficos ANEXO B -Características básicas dos sistemas existentes

ANEXO C -Avaliação de disponibilidade hídricas de superfície

1 Objetivo

1.1 Esta Norma fixa as condições exigíveis para estudos de concepção de sistemas públicos de abastecimento de água.

1.2 Esta Norma se aplica à definição de qualquer sistema público de abastecimento de água com amplitude suficiente para permitir o desenvolvimento do projeto de todas ou qualquer das partes constituintes do sistema.

2 Documentos complementares Na aplicação desta Norma é necessário consultar:

NBR 12212 - Projeto de poço para captação de água subterrânea - Procedimento

NBR 12216 - Projeto de estação de tratamento de água para abastecimento público - Procedimento

Copyright © 1990, ABNT–Associação Brasileira de Normas Técnicas Printed in Brazil/ Impresso no Brasil Todos os direitos reservados

ABNT-Associação Brasileira de Normas Técnicas

Palavras-chave: Água. Abastecimento de água14 páginas

Estudos de concepção de sistemas públicos de abastecimento de água

NBR 12211ABR 1992

3 Definições

Para os efeitos desta Norma são adotadas as definições de 3.1 a 3.13.

3.1 Estudo de concepção

Estudo de arranjos, sob os pontos de vista qualitativo e quantitativo, das diferentes partes de um sistema, organizadas de modo a formarem um todo integrado, para a escolha da concepção básica.

3.2 Concepção básica

Melhor solução sob os pontos de vista técnico, econômico, financeiro e social.

3.3 População residente

Aquela formada pelas pessoas que têm o domicílio como residência habitual, mesmo que ausente na data do censo por período inferior a doze meses.

3.4 População flutuante

Aquela que, proveniente de outras comunidades, se transfere ocasionalmente para a área considerada, impondo ao sistema de abastecimento de água consumo unitário análogo ao da população residente.

3.5 População temporária

Aquela que, proveniente de outras comunidades ou de outras áreas da comunidade em estudo, se transfere para

Sede: Rio de Janeiro Av. Treze de Maio, 13 - 28º andar CEP 20003 - Caixa Postal 1680 Rio de Janeiro - RJ Tel.: PABX (021) 210-3122 Telex: (021) 34333 ABNT - BR Endereço Telegráfico: NORMATÉCNICA

Origem: Projeto 02:009.30-001/1987 CB-02 - Comitê Brasileiro de Construção Civil CE-02:009.30 - Comissão de Estudo de Projeto de Sistema de Abastecimento de Água NBR 12211 - Public water supply system - Engineering design - Procedure Descriptors: Water. Water supply system Esta Norma substitui a NB-587/7 Reimpressão da NB-587, Jun 1989

Procedimento

2NBR 12211/1992 a área abastecível, impondo ao sistema consumo unitário inferior ao atribuído à população, enquanto presente na área, e em função das atividades que aí exerce.

3.6 População total em uma área da comunidade Soma das populações residente, flutuante e temporária.

3.7 População abastecida Aquela atendida pelo sistema de distribuição existente.

3.8 População abastecível

Parcela da população total, em uma área da comunidade, a ser abastecida pelo sistema de distribuição.

3.9 Consumidor singular

Aquele que, ocupando parte de uma área específica, apresenta um consumo específico significativamente maior que o produto da vazão específica da área, pela área por ele ocupada.

3.10 Consumidor especial

Aquele que deve ser atendido, independentemente de aspectos econômicos relacionados ao seu atendimento.

3.1 Alcance do plano

Data prevista para o sistema planejado passar a operar com utilização plena de sua capacidade.

3.12 Data de início do plano

Data de início das obras constituintes do sistema, previamente fixada pelo contratante.

3.13 Data de início de operação

Data previamente fixada pelo contratante para início da operação do sistema, tendo em vista o tempo necessário para a sua implantação.

4 Condições gerais 4.1 Elementos necessários

Para que o estudo de concepção possa ser feito é necessário:

a)definição do objetivo do estudo; b)definição do grau de detalhamento e de precisão do estudo de concepção em geral e das partes constituintes do sistema, que exigem diferentes graus de detalhamento e de precisão; c)aspectos e condições econômicas e financeiras, condicionantes do estudo; d)definição de condições e parâmetros que, pela presente Norma, são de iniciativa do contratante.

4.2 Atividades necessárias O estudo de concepção deve abordar, dependendo de sua aplicação e definição do contratante, os seguintes aspectos:

a)os problemas relacionados com a configuração topográfica e características geológicas da região de localização dos elementos constituintes do sistema; b)os consumidores a serem atendidos até o alcance do plano e sua distribuição na área a ser abastecida pelo sistema; c)a quantidade de água exigida por diferentes classes de consumidores e as vazões de dimensionamento; d)no caso de existir sistema de distribuição, a integração das partes deste ao novo sistema; e)a pesquisa e a definição dos mananciais abastecedores; f)a demonstração de que o sistema proposto apresenta total compatibilidade entre suas partes; g)o método de operação do sistema; h)a definição das etapas de implantação do sistema; i)a comparação técnico-econômica das concepções; j)o estudo de viabilidade econômico-financeira da concepção básica.

5 Condições específicas 5.1 Configuração topográfica da região

5.1.1 Os elementos cartográficos utilizados para elaboração de estudos de concepção podem ser constituídos de mapas, fotografias aéreas, levantamentos aerofotogramétricos, topográficos planimétricos ou planialtimétricos ou levantamentos expeditos.

5.1.1.1 Devem pelo menos cobrir a região em que se encontra a área urbana a ser abastecida (incluindo as áreas de expansão previstas) e de possível localização das partes isoladas do sistema; devem também cobrir as regiões em que se encontram os presumíveis mananciais abastecedores e as faixas de terreno nas quais podem se localizar os condutos de interligação dos mananciais e partes do sistema, isoladas ou não.

5.1.2 A escala dos elementos cartográficos utilizados deve:

a)ser suficiente para permitir a análise e comparação das soluções possíveis; b)possibilitar a apresentação dos estudos de forma que resultem perfeitamente caracterizados todos os elementos definidores de cada uma das soluções.

5.1.2.1 Os elementos cartográficos devem apresentar precisão e detalhamento suficientes para que, na com-

NBR 12211/19923 paração de concepções, se evitem erros que possam levar a preterir a solução mais vantajosa em benefício de outra qualquer.

5.1.2.2 Dependendo do grau de detalhamento e de precisão do estudo de concepção e sua amplitude de conclusão final, as escalas gráficas dos mapas, dos levantamentos aerofotogramétricos ou dos topográficos utilizados para fins de concepção devem ser as indicadas no Anexo A.

5.1.2.3 Podem ser utilizadas fotografias aéreas para as mesmas finalidades indicadas no Anexo A, para os le- vantamentos nas escalas de 1:250 0 até 1:25 0.

5.1.2.4 Ampliações gráficas de elementos cartográficos podem ser feitas unicamente com a finalidade de facilitar a apresentação do sistema estudado, permanecendo para grau de precisão, no máximo, aquele do documento que deu origem à ampliação.

5.1.3 Podem ser utilizados levantamentos expeditos para comparação de soluções, desde que o erro cometido na avaliação das grandezas relacionadas com as concepções comparadas não prejudique a conclusão do estudo.

5.1.3.1 Os levantamentos expeditos podem ser feitos mediante o uso de altímetro, bússola, goniômetro, trena ou odômetro, bem como mediante qualquer artifício que permita estabelecer as posições relativas das diferentes partes que devem constituir o sistema de abastecimento.

5.1.3.2 Os levantamentos que não dispuserem de elementos comprobatórios de sua precisão ou de elementos que tornem possível a verificação dessa precisão só podem ser utilizados em estudos de concepção como se fossem levantamentos expeditos.

5.1.4 Nenhuma concepção pode deixar de ser examinada, por falta ou inadequação, de elementos cartográficos.

5.1.5 Em caso de elementos cartográficos insuficientes para atender às condições da presente Norma, estes de-vem ser devidamente complementados.

5.1.5.1 Quando a complementação se destina a permitir a comparação de concepções, seu grau de precisão e de detalhamento deve ser apenas o necessário e suficiente para atender à condição de 5.1.3.

5.2 Consumidores a serem considerados

5.2.1 Os consumidores a serem considerados compreendem os estabelecimentos residenciais, industriais e públicos.

5.2.2 A População abastecível deve ser constituída, no alcance do plano, de:

a)pelo menos 80% da população residente, quando esse percentual não é fixado pelo contratante; b)parcelas das populações flutuante e temporária, cujos abastecimentos apresentem interesse econômico ou social, a juízo do contratante.

5.2.3 Devem ser abastecidos os estabelecimentos comerciais e públicos que:

a)se situem no interior da área abastecível; b)se situem fora da área abastecível, mas que, a juízo do contratante, sejam considerados consumidores especiais.

5.2.4 Podem ser abastecidos os estabelecimentos industriais que:

a)se situem no interior da área abastecível e não utilizem água do sistema público em seus processamentos; b)se situem fora da área abastecível, mas que, a juízo do contratante, sejam considerados consumidores especiais, quer utilizem ou não água nos seus processamentos.

5.2.5 A população residente deve ser avaliada de acordo com umpdos seguintes critérios:

5.2.5.1 Mediante a extrapolação de tendências de crescimento, definidas por dados estatísticos suficientes para constituir uma série histórica, observando-se:

a)a aplicação de modelos matemáticos (mínimos quadrados) aos dados censitários do IBGE,

-deve ser escolhida como curva representativa de crescimento futuro, aquela que melhor se ajustar aos dados censitários; b)o emprego de métodos que considerem os índices de natalidade, mortalidade, crescimento vegetativo e correntes migratórias,

-em ambos os casos, devem ser considerados fatores que venham a alterar a tendência de evolução sócio-econômica da comunidade em estudo e da região;

-a projeção populacional adotada deve ser atualizada a cada novo levantamento censitário do IBGE, por ocasião da implantação de etapas futuras; c)todas as discrepâncias apresentadas nos dados estatísticos, utilizados para definir a tendência de crescimento, devem ser devidamente estudadas e explicadas,

-quando a discrepância é decorrente de desmembramento ou agregações, o fato deve ser convenientemente considerado, no que diz respeito à tendência de crescimento que está sendo pesquisada; d)a utilização de dados estatísticos não provenientes do IBGE exige a comprovação de confiabilidade.

5.2.5.2 Mediante a aplicação à última população conhecida da comunidade em estudo das mesmas tendências verificadas em comunidades com características análogas às da comunidade em estudo, quando inexistirem dados

4NBR 12211/1992 característicos suficientes para constituir uma série histórica.

5.2.5.3 Pode ser aceito o estudo de crescimento de população, realizado com outra finalidade, desde que satis- faça aos critérios acima.

5.2.6 As populações flutuante e temporária devem ser avaliadas mediante critérios particulares, estabelecidos de comum acordo com o contratante.

5.2.7 Na falta de dados estatísticos ou informações de outras fontes e a critério do contratante, pode ser admitido que o número de estabelecimentos comerciais e públicos deve manter o mesmo fator de proporcionalidade com a população residente.

5.2.8 Os estabelecimentos industriais, que utilizam ou não água em seus processamentos, devem ser definidos por ocasião da elaboração do estudo de concepção, a partir de levantamento dos estabelecimentos existentes, com seus planos de expansão e dos que tiveram sua instalação já autorizada.

5.2.9 A população que condiciona o dimensionamento do sistema de abastecimento deve ser a população prevista até o alcance do plano, estudada segundo os critérios estabelecidos anteriormente.

5.3 Determinação da demanda de água

5.3.1 Na determinação da demanda de água devem ser considerados o consumo das ligações medidas e não medidas e o volume de perdas no sistema.

5.3.1.1 Os volumes faturados não servem de base para o cálculo da demanda de água.

5.3.1.2 Os valores das demandas de água, adotados para dimensionamento do sistema de abastecimento, devem ser baseados em condições locais, ressalvados os casos previstos na presente Norma.

5.3.2 No caso de comunidade que contam com sistema público de abastecimento de água, as demandas devem ser determinadas através de dados de operação do próprio sistema, a menos que ocorram condições que tornem esses dados não confiáveis.

5.3.2.1 Devem ser apresentadas, em relatório, condições que tornem os dados não confiáveis, seus efeitos e as possibilidades de solução.

5.3.3 Quando os dados disponíveis são confiáveis, os valores de consumo devem ser determinados de acordo com os seguintes critérios:

5.3.3.1 O consumo médio é igual à média dos volumes diários, consumidos no período mínimo de um ano.

5.3.3.2 O coeficiente do dia de maior consumo (k1) deve ser obtido da relação entre o maior consumo diário, ve- rificado no período de um ano e o consumo médio diário neste mesmo período, considerando-se sempre as mesmas ligações. Recomenda-se que sejam considerados, no mínimo, cinco anos consecutivos de observações, adotando-se a média dos coeficientes determinados.

5.3.3.3 O coeficiente da hora de maior consumo (k2) é a relação entre a máxima vazão horária e a vazão média do dia de maior consumo.

5.3.3.4 Para a determinação dos valores do consumo médio diário, do coeficiente do dia de maior consumo e do coeficiente da hora de maior consumo, devem ser excluídos os consumos dos dias em que ocorram acidentes, no sistema, ou fatos excepcionais responsáveis por alteração do consumo.

5.3.4 Os estabelecimentos residenciais, comerciais e públicos devem ter seus consumos avaliados com base no histórico das economias medidas e através de uma estimativa de consumo para as economias não medidas, cujos critérios devem ser fixados de comum acordo com as entidades intervenientes.

5.3.5 A previsão dos consumos de indústrias deve ser feita de acordo com os seguintes critérios:

5.3.5.1 Os estabelecimentos que forem total ou parcialmente servidos pelo sistema público de abastecimento devem ter seus consumos avaliados com base no histórico de seus consumos medidos, bem como em inquéritos para averiguação de eventuais ampliações.

5.3.5.2 Os consumos previstos para estabelecimentos em fase de implantação e para os estabelecimentos com instalação projetada devem ser determinados de acordo com seus respectivos projetos.

5.3.5.3 Cabe ao contratante fixar as condições relacionadas com o compromisso de atendimento e de utilização dos volumes de água levantados, conforme 5.3.5.1 e 5.3.5.2.

5.3.5.4 Os consumos futuros devem ser projetados mediante conhecimento das ampliações previstas dos estabelecimentos já considerados e estimativa de crescimento industrial, feita de acordo com critério aprovado ou fixado pelo contratante.

(Parte 1 de 3)

Comentários