introdução a transferencia de calor

introdução a transferencia de calor

(Parte 1 de 10)

Eduardo Emery Cunha Quites Luiz Renato Bastos Lia

Este trabalho fornece aos alunos de transferência de calor os conceitos fundamentais básicos da mesma forma que são ministrados em sala de aula. Esta abordagem tem por objetivo permitir que os alunos se concentrem nas explanações dadas em aula, livrando-os da tarefa de reproduzir o que for escrito no quadro negro. Também estão incluídos diversos exercícios resolvidos e propostos cujas respostas encontram-se em apêndice ao final deste trabalho. Os exercícios aqui apresentados, em sua grande maioria, fizeram partes das provas ministradas durante os últimos anos. Nesta primeira edição desta apostila certamente estarão presentes erros e imperfeições. Entretanto, estamos certos de que os alunos nos auxiliarão apontado os erros, comentado e sugerindo, de forma que nas próximas edições este trabalho possa ser aperfeiçoado. Aproveitamos também para agradecer a todas as pessoas que de alguma forma contribuíram para a realização deste trabalho.

Eduardo Emery Cunha Quites Engenheiro Metalúrgico, M.Sc.

Luiz Renato Bastos Lia Engenheiro Químico, M. Sc.

1. INTRODUÇÃO5
1.1. O QUE É e COMO SE PROCESSA?5

Eduardo Emery Cunha Quites 1 1.2. RELAÇÃO ENTRE A TRANSFERÊNCIA DE CALOR E A

TERMODINÂMICA6
1.3. RELEVÂNCIA DA TRANSFERÊNCIA DE CALOR7

1.4. METODOLOGIA DE RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS EM

TRANSFERÊNCIA DE CALOR7
2. MECANISMOS DE TRANSFERÊNCIA DE CALOR8
2.1. CONDUÇÃO8
2.2. CONVECÇÃO9
2.3. RADIAÇÃO10
2.4. MECANISMOS COMBINADOS10
2.5. REGIMES DE TRANSFERÊNCIA DE CALOR1
2.6. SISTEMAS DE UNIDADES12
3.1. LEI DE FOURIER13
3.2. CONDUÇÃO DE CALOR EM UMA PAREDE PLANA16
ELÉTRICA19
3.4. ASSOCIAÇÃO DE PAREDES PLANAS EM SÉRIE20
3.5. ASSOCIAÇÃO DE PAREDES PLANAS EM PARALELO21

3. CONDUÇÃO DE CALOR UNIDIMENSIONAL EM REGIME PERMANENTE13 3.3. ANALOGIA ENTRE RESISTÊNCIA TÉRMICA E RESISTÊNCIA

CILÍNDRICAS25

3.6. CONDUÇÃO DE CALOR ATRAVÉS DE CONFIGURAÇÕES 3.7. CONDUÇÃO DE CALOR ATRAVÉS DE UMA CONFIGURAÇÃO

ESFÉRICA28
4.2. CAMADA LIMITE37
4.3. DETERMINAÇÃO DO COEFICIENTE DE PELÍCULA (h)38
4.4. RESISTÊNCIA TÉRMICA NA CONVECÇÃO40

4.5. MECANISMOS COMBINADOS DE TRANSFERÊNCIA DE CALOR

(CONDUÇÃO E CONVECÇÃO)41
5. PRINCÍPIOS DA RADIAÇÃO TÉRMICA58
5.1. CORPO NEGRO e CORPO CINZENTO59
5.2. LEI DE STEFAN-BOLTZMANN60
5.3. FATOR FORMA60
6. ALETAS69
6.1. DEFINIÇÃO69
UNIFORME70
6.3. TIPOS DE ALETAS72
6.4. EFICIÊNCIA DE UMA ALETA75
7- TROCADORES DE CALOR90
7.1 TIPO DE TROCADORES90
7.3. BALANÇO TÉRMICO EM TROCADORES DE CALOR94
7.4. COEFICIENTE GLOBAL DE TRANSFERÊNCIA DE CALOR95
7.5. FATOR DE FULIGEM (INCRUSTAÇÃO)96
8.1. DEFINIÇÃO113
8.2. CARACTERÍSTICAS DE UM BOM ISOLANTE113
8.3. MATERIAIS ISOLANTES BÁSICOS114
8.4. FORMAS DOS ISOLANTES115
8.5. APLICAÇÃO DE ISOLANTES115
8.6. CÁLCULO DE ESPESSURAS DE ISOLANTES116

1. INTRODUÇÃO

1.1. O QUE É e COMO SE PROCESSA?

Transferência de Calor (ou Calor) é energia em trânsito devido a uma diferença de temperatura. Sempre que existir uma diferença de temperatura em um meio ou entre meios ocorrerá transferência de calor. Por exemplo, se dois corpos a diferentes temperaturas são colocados em contato direto, como mostra a figura 1.1, ocorrera uma transferência de calor do corpo de temperatura mais elevada para o corpo de menor temperatura até que haja equivalência de temperatura entre eles. Dizemos que o sistema tende a atingir o equilíbrio térmico.

Se T1 > T2 è T1 > T > T2

[ figura 1.1 ]

Está implícito na definição acima que um corpo nunca contém calor, mas calor é indentificado com tal quando cruza a fronteira de um sistema. O calor é portanto um fenômeno transitório, que cessa quando não existe mais uma diferença de temperatura. Os diferentes processos de transferência de calor são referidos como mecanismos de transferência de calor. Existem três mecanismos, que podem ser reconhecidos assim:

· Quando a transferência de energia ocorrer em um meio estacionário, que pode ser um sólido ou um fluido, em virtude de um gradiente de temperatura, usamos o termo transferência de calor por condução. A figura 1.2 ilustra a transferência de calor por condução através de uma parede sólida submetida à uma diferença de temperatura entre suas faces.

[ figura 1.2 ]

• Quando a transferência de energia ocorrer entre uma superfície e um fluido em movimento em virtude da diferença de temperatura entre eles, usamos o termo transferência de calor por convecção. A figura 1.3 ilustra a transferência de calor de calor por convecção quando um fluido escoa sobre uma placa aquecida.

• Quando, na ausência de um meio interveniente, existe uma troca líquida de energia (emitida na forma de ondas eletromagnéticas) entre duas superfícies a diferentes temperaturas, usamos o termo radiação. A figura 1.4 ilustra a transferência de calor por radiação entre duas superfícies a diferentes temperaturas.

[ figura 1.3 ]

[ figura 1.4 ]

1.2. RELAÇÃO ENTRE A TRANSFERÊNCIA DE CALOR E A TERMODINÂMICA

Termodinâmica trata da relação entre o calor e as outras formas de energia. A energia pode ser transferida através de interações entre o sistema e suas vizinhanças. Estas interações são denominadas calor e trabalho.

· A 1ª Lei da Termodinâmica governa quantitativamente estas interações

"A variação líquida de energia de um sistema é sempre igual a transferência líquida de energia na forma de calor e trabalho".

• A 2ª Lei da Termodinâmica aponta a direção destas interações

A 2ª Lei da Termodinâmica pode ser enunciada assim: "É impossível o processo cujo único resultado seja a transferência líquida de calor de um região fria para uma região quente".

Porém existe uma diferença fundamental entre a transferência de calor e a termodinâmica.

Embora a termodinâmica trate das interações do calor e o papel que ele desempenha na primeira e na segunda leis, ela não leva em conta nem o mecanismo de transferência nem os métodos de cálculo da taxa de transferência de calor.

A termodinâmica trata com estados de equilíbrio da matéria onde inexiste gradientes de temperatura. Embora a termodinâmica possa ser usada para determinar a quantidade de energia requerida na forma de calor para um sistema passar de um estado de equilíbrio para outro, ela não pode quantificar a taxa (velocidade) na qual a transferência do calor ocorre. A disciplina de transferência de calor procura fazer aquilo o que a termodinâmica é inerentemente incapaz de fazer.

1.3. RELEVÂNCIA DA TRANSFERÊNCIA DE CALOR

A transferência de calor é fundamental para todos os ramos da engenharia. Assim como o engenheiro mecânico enfrenta problemas de refrigeração de motores, de ventilação, ar condicionado, etc., o engenheiro metalúrgico não pode dispensar a transferência de calor nos problemas relacionados aos processos pirometalúrgicos e hidrometalúrgicos, ou no projeto de fornos, regeneradores, conversores, etc.

Em nível idêntico, o engenheiro químico ou nuclear necessita da mesma ciência em estudos sobre evaporação , condensação ou em trabalhos em refinarias e reatores, enquanto o eletricista e o eletrônico a utiliza no cálculo de transformadores e geradores e dissipadores de calor em microeletrônica e o engenheiro naval aplica em profundidade a transferência de calor em caldeiras, máquinas térmicas, etc.

Até mesmo o engenheiro civil e o arquiteto sentem a importância de, em seus projetos, preverem o isolamento térmico adequado que garanta o conforto dos ambientes. Como visto, a transferência de calor é importante para a maioria de problemas industriais e ambientais. Como exemplo de aplicação, consideremos a vital área de produção e conversão de energia:

· na geração de eletricidade (hidráulica, fusão nuclear, fóssil, geotérmica, etc) existem numerosos problemas que envolvem condução, convecção e radiação e estão relacionados com o projeto de caldeiras, condensadores e turbinas. • existe também a necessidade de maximizar a transferência de calor e manter a integridade dos materiais em altas temperaturas

• é necessário minimizar a descarga de calor no meio ambiente, evitando a poluição térmica através de torres de refrigeração e recirculação.

Os processos de transferência de calor afetam também a performance de sistemas de propulsão (motores a combustão e foguetes). Outros campos que necessitam de uma análise de transferência de calor são sistemas de aquecimento, incineradores, armazenamento de produtos criogênicos, refrigeração de equipamentos eletrônicos, sistemas de refrigeração e ar condicionado e muitos outros.

1.4. METODOLOGIA DE RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS EM TRANSFERÊNCIA DE CALOR

De modo a se obter maior produtividade, a resolução de problemas de transferência de calor deve seguir um procedimento sistemático que evite a "tentativa-e-erro". Este

1. Saber: Leia cuidadosamente o problema

2. Achar: Descubra o que é pedido 3. Esquematizar: Desenhe um esquema do sistema. Anote o valor das propriedades

4. Resolver: Desenvolver a resolução mais completa possível antes de substituir os valores numéricos. Realizar os cálculos necessários para obtenção dos resultados.

5. Analisar: Analise seus resultados. São coerentes? Comente se necessário 2. MECANISMOS DE TRANSFERÊNCIA DE CALOR

A transferência de calor pode ser definida como a transferência de energia de uma região para outra como resultado de uma diferença de temperatura entre elas.

É necessário o entendimento dos mecanismos físicos que permitem a transferência de calor de modo a poder quantificar a quantidade de energia transferida na unidade de tempo (taxa).

· Condução
dependem somente de um DT
• Radiação
• ConvecçãoÞ depende de um DT e transporte de massa

Os mecanismos são: 2.1. CONDUÇÃO

A condução pode se definida como o processo pelo qual a energia é transferida de uma região de alta temperatura para outra de temperatura mais baixa dentro de um meio (sólido, líquido ou gasoso) ou entre meios diferentes em contato direto. Este mecanismo pode ser visualizado como a transferência de energia de partículas mais energéticas para partículas menos energéticas de uma substância devido a interações entre elas.

O mecanismo da condução pode ser mais facilmente entendido considerando, como exemplo, um gás submetido a uma diferença de temperatura. A figura 2.1 mostra um gás entre duas placas a diferentes temperaturas:

[ figura 2.1 ]

as moléculas próximas à superfície são mais energéticas (movimentam-se mais rápido); 3. O plano hipotético X é constantemente atravessado por moléculas de cima e de baixo.

Entretanto, as moléculas de cima estão associadas com mais energia que as de baixo.

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