(Parte 1 de 5)

ELETRÔNICA

Prof. Roberto Angelo Bertoli V3 setembro, 0

Colégio Técnico de Campinas ELETRÔNICA 2

Prof. Roberto A. Bertoli set-0

1 DIODO SEMICONDUTOR E RETIFICAÇÃO 4

1.1 FÍSICA DOS SEMICONDUTORES 4

A ESTRUTURA DO ÁTOMO 4 ESTUDO DO SEMICONDUTORES 4

1.2 DIODO 7

POLARIZAÇÃO DO DIODO 8 CURVA CARACTERÍSTICA DE UM DIODO 8 RESISTOR LIMITADOR DE CORRENTE 10

1.3 DIODO EMISSOR DE LUZ E FOTODIODO 1

1.4 APROXIMAÇÕES DO DIODO 12

1.5 RETIFICADORES DE MEIA ONDA E ONDA COMPLETA 14

RETIFICADOR DE MEIA ONDA 16 RETIFICADOR DE ONDA COMPLETA 17 RETIFICADOR DE ONDA COMPLETA EM PONTE 19

1.6 CAPACITOR 20

1.7 FILTRO PARA O RETIFICADOR 24

1.8 DIODO ZENER 26

CORRENTE MÁXIMA NO ZENER 27 REGULADOR DE TENSÃO COM ZENER 28

CÁLCULO DO RESISTOR DE CARGA RS. 28

1.9 CIRCUITO COM DIODOS 29

MULTIPLICADORES DE TENSÃO 29 LIMITADORES 30 GRAMPEADOR C 32

1.10 EXERCÍCIOS 32

2 TRANSISTOR BIPOLAR 39

2.1 FUNCIONAMENTO DE TRANSISTORES BIPOLARES 39

POLARIZAÇÃO DO TRANSISTOR NPN 40 TRANSISTOR PNP 42 AS CORRENTES NO TRANSISTOR 42 MONTAGEM BÁSICA COM TRANSISTOR 43

3 POLARIZAÇÃO DE TRANSISTORES 47 3.1 RETA DE CARGA 47

3.2 O TRANSISTOR COMO CHAVE 49 3.3 O TRANSISTOR COMO FONTE DE CORRENTE 50

3.4 O TRANSISTOR COMO AMPLIFICADOR 51

CIRCUITOS DE POLARIZAÇÃO EM EMISSOR COMUM 51 POLARIZAÇÃO POR DIVISOR DE TENSÃO 51 REGRAS DE PROJETO 52

3.5 EXERCÍCIOS 53

4 AMPLIFICADORES DE SINAL 5

Colégio Técnico de Campinas ELETRÔNICA 3

Prof. Roberto A. Bertoli set-0

4.1 AMPLIFICADORES DE SINAL EMISSOR COMUM 5

TEOREMA DA SUPERPOSIÇÃO PARA AMPLIFICADORES 57 CIRCUITOS EQUIVALENTES CA E C. 57 RESISTÊNCIA CA DO DIODO EMISSOR 58 βCA - GANHO DE CORRENTE ALTERNADA 60

4.2 AMPLIFICADOR COM EMISSOR ATERRADO 60

4.3 REALIMENTAÇÃO 63

4.4 AMPLIFICADOR COM REALIMENTAÇÃO PARCIAL 63

IMPEDÂNCIA DE ENTRADA 65 ESTÁGIOS EM CASCATA 6

4.5 AMPLIFICADOR BASE COMUM 68

4.6 AMPLIFICADOR COLETOR COMUM 70 IMPEDÂNCIA DE ENTRADA 71

4.7 EXERCÍCIOS 73

5 AMPLIFICADORES DE POTÊNCIA 76 5.1 CLASSE A 76

5.2 CLASSE B 78 5.3 CLASSE AB 80

6 OSCILADOR DE BAIXA FREQÜÊNCIA 81 6.1 OSCILADOR POR DESLOCAMENTO DE FASE 82

7 TRANSISTORES ESPECIAIS 83

7.1 JFET 83

POLARIZAÇÃO DE UM JFET 83 TRANSCONDUTÂNCIA 87 AMPLIFICADOR FONTE COMUM 8 AMPLIFICADOR COM REALIMENTAÇÃO PARCIAL 89 AMPLIFICADOR SEGUIDOR DE FONTE 89

7.2 MOSFET 90

MOSFET DE MODO DEPLEÇÃO 90 MOSFET DE MODO CRESCIMENTO OU INTENSIFICAÇÃO 91

7.3 FOTOTRANSISTOR E ACOPLADOR ÓPTICO 92

7.4 EXERCÍCIOS 93

8 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 96

Colégio Técnico de Campinas ELETRÔNICA 4

Prof. Roberto A. Bertoli set-0

1 DIODO SEMICONDUTOR E RRETTIIFFIICCAAÇÇÃÃOO

1.1 FÍSICA DOS SEMICONDUTORES

O átomo é formado basicamente por 3 tipos de partículas elementares: Elétrons, prótons e nêutrons. A carga do elétron é igual a do próton, porém de sinal contrário. Os elétrons giram em torno do núcleo distribuindo-se em diversas camadas, num total de até sete camadas. Em cada átomo, a camada mais externa é chamada de valência, e geralmente é ela que participa das reações químicas

Todos os materiais encontrados na natureza são formados por diferentes tipos de átomos, diferenciados entre si pelo seus números de prótons, elétrons e nêutrons. Cada material tem uma infinidade de características, mas uma especial em eletrônica é o comportamento à passagem de corrente. Pode-se dividir em três tipos principais:

São materiais que não oferecem resistência a passagem de corrente elétrica. Quanto menor for a oposição a passagem de corrente, melhor condutor é o material. O que caracteriza o material bom condutor é o fato de os elétrons de valência estarem fracamente ligados ao átomo, encontrando grande facilidade para abandonar seus átomos e se movimentarem livremente no interior dos materiais. O cobre, por exemplo, com somente um elétron na camada de valência tem facilidade de cedê-lo para ganhar estabilidade. O elétron cedido pode tornar-se um elétron livre.

São materiais que possuem uma resistividade muito alta, bloqueando a passagem da corrente elétrica. Os elétrons de valência estão rigidamente ligados aos seu átomos, sendo que poucos elétrons conseguem desprender-se de seus átomos para se transformarem em elétrons livres.

Consegue-se isolamento maior (resistividade) com substâncias compostas (borracha, mica, baquelita, etc.).

Materiais que apresentam uma resistividade elétrica intermediária. Como exemplo temos o germânio e silício

Os átomos de germânio e silício tem uma camada de valência com 4 elétrons. Quando os átomos de germânio (ou silício) agrupam-se entre si, formam uma estrutura cristalina, ou seja, são substâncias cujos átomos se posicionam no espaço, formando uma estrutura ordenada. Nessa estrutura, cada átomo une-se a quatro outros átomos vizinhos, por meio de ligações covalentes, e cada um dos quatro elétrons de valência de um átomo é compartilhado com um átomo vizinho, de modo que dois átomos adjacentes compartilham os dois elétrons, ver Figura 1-1.

Colégio Técnico de Campinas ELETRÔNICA 5

Prof. Roberto A. Bertoli set-0

Figura 1-1

Se nas estruturas com germânio ou silício não fosse possível romper a ligações covalentes, elas seriam materiais isolantes. No entanto com o aumento da temperatura algumas ligações covalentes recebem energia suficiente para se romperem, fazendo com que os elétrons das ligações rompidas passem a se movimentar livremente no interior do cristal, tornando-se elétrons livres.

Figura 1-2

Com a quebra das ligações covalentes, no local onde havia um elétron de valência, passa a existir uma região com carga positiva, uma vez que o átomo era neutro e um elétron o abandonou. Essa região positiva recebe o nome de lacuna, sendo também conhecida como buraco. As lacunas não tem existência real, pois são apenas espaços vazios provocados por elétrons que abandonam as ligações covalentes rompidas.

Sempre que uma ligação covalente é rompida, surgem, simultaneamente um elétron e uma lacuna. Entretanto, pode ocorrer o inverso, um elétron preencher o lugar de uma lacuna, completando a ligação covalente (processo de recombinação). Como tanto os elétrons como as lacunas sempre aparecem e desaparecem aos pares, pode-se afirmar que o número de lacunas é sempre igual a de elétrons livres.

Quando o cristal de silício ou germânio é submetido a uma diferença de potencial, os elétrons livres se movem no sentido do maior potencial elétrico e as lacunas por conseqüência se movem no sentido contrário ao movimento dos elétrons.

Os cristais de silício (ou germânio. Mas não vamos considera-lo, por simplicidade e também porque o silício é de uso generalizado em eletrônica) são encontrados na natureza misturados com outros elementos. Dado a dificuldade de se controlar as

Colégio Técnico de Campinas ELETRÔNICA 6

Prof. Roberto A. Bertoli set-0 características destes cristais é feito um processo de purificação do cristal e em seguida é injetado através de um processo controlado, a inserção proposital de impurezas na ordem de 1 para cada 106 átomos do cristal, com a intenção de se alterar produção de elétrons livres e lacunas. A este processo de inserção dá-se o nome de dopagem.

As impurezas utilizadas na dopagem de um cristal semicondutor podem ser de dois tipos: impureza doadoras e impurezas aceitadoras.

São adicionados átomos pentavalentes (com 5 elétrons na camada de valência. Ex.: Fósforo e Antimônio). O átomo pentavalente entra no lugar de um átomo de silício dentro do cristal absorvendo as suas quatro ligações covalentes, e fica um elétron fracamente ligado ao núcleo do pentavalente (uma pequena energia é suficiente para se tornar livre).

Figura 1-3

São adicionados átomos trivalentes (tem 3 elétrons na camada de valência. Ex.: Boro, alumínio e gálio). O átomo trivalente entra no lugar de um átomo de silício dentro do cristal absorvendo três das suas quatro ligações covalentes. Isto significa que existe uma lacuna na órbita de valência de cada átomo trivalente.

Figura 1-4

Um semicondutor pode ser dopado para ter um excesso de elétrons livres ou excesso de lacunas. Por isso existem dois tipos de semicondutores:

O cristal que foi dopado com impureza doadora é chamado semicondutor tipo n, onde n está relacionado com negativo. Como os elétrons livres excedem em número as lacunas

Colégio Técnico de Campinas ELETRÔNICA 7

Prof. Roberto A. Bertoli set-0 num semicondutor tipo n, os elétrons são chamados portadores majoritários e as lacunas, portadores minoritários.

O cristal que foi dopado com impureza aceitadora é chamado semicondutor tipo p, onde p está relacionado com positivo. Como as lacunas excedem em número os elétrons livres num semicondutor tipo p, as lacunas são chamadas portadores majoritários e os elétrons livres, portadores minoritários.

1.2 DIODO

A união de um cristal tipo p e um cristal tipo n, obtém-se uma junção pn, que é um dispositivo de estado sólido simples: o diodo semicondutor de junção.

Figura 1-5

Devido a repulsão mútua os elétrons livres do lado n espalham-se em todas direções, alguns atravessam a junção e se combinam com as lacunas. Quando isto ocorre, a lacuna desaparece e o átomo associado torna-se carregado negativamente. (um íon negativo)

Figura 1-6

Cada vez que um elétron atravessa a junção ele cria um par de íons. Os ions estão fixo na estrutura do cristal por causa da ligação covalente. À medida que o número de ions aumenta, a região próxima à junção fica sem elétrons livres e lacunas. Chamamos esta região de camada de depleção.

Além de certo ponto, a camada de depleção age como uma barreira impedindo a continuação da difusão dos elétrons livres. A intensidade da camada de depleção aumenta com cada elétron que atravessa a junção até que se atinja um equilíbrio. A diferença de potencial através da camada de depleção é chamada de barreira de potencial. A 25º, esta barreira é de 0,7V para o silício e 0,3V para o germânio.

O símbolo mais usual para o diodo é mostrado a seguir:

Catodo material tipo n Anodo material tipo p

Colégio Técnico de Campinas ELETRÔNICA 8

Prof. Roberto A. Bertoli set-0

Polarizar um diodo significa aplicar uma diferença de potencial às suas extremidades. Supondo uma bateria sobre os terminais do diodo, há uma polarização direta se o pólo positivo da bateria for colocado em contato com o material tipo p e o pólo negativo em contato com o material tipo n.

No material tipo n os elétrons são repelidos pelo terminal da bateria e empurrado para a junção. No material tipo p as lacunas também são repelidas pelo terminal e tendem a penetrar na junção, e isto diminui a camada de depleção. Para haver fluxo livre de elétrons a tensão da bateria tem de sobrepujar o efeito da camada de depleção.

Invertendo-se as conexões entre a bateria e a junção pn, isto é, ligando o pólo positivo no material tipo n e o pólo negativo no material tipo p, a junção fica polarizada inversamente.

No material tipo n os elétrons são atraídos para o terminal positivo, afastando-se da junção. Fato análogo ocorre com as lacunas do material do tipo p. Podemos dizer que a bateria aumenta a camada de depleção, tornando praticamente impossível o deslocamento de elétrons de uma camada para outra.

A curva característica de um diodo é um gráfico que relaciona cada valor da tensão aplicada com a respectiva corrente elétrica que atravessa o diodo.

Figura 1-7 Figura 1-8

Nota-se pela curva que o diodo ao contrário de, por exemplo, um resistor, não é um componente linear. A tensão no diodo é uma função do tipo:

UR I kTq

Ao se aplicar a polarização direta, o diodo não conduz intensamente até que se ultrapasse a barreira potencial. A medida que a bateria se aproxima do potencial da barreira, os elétrons livres e as lacunas começam a atravessar a junção em grandes quantidades. A tensão para a qual a corrente começa a aumentar rapidamente é chamada de tensão de joelho. ( No Si é aprox. 0,7V).

Colégio Técnico de Campinas ELETRÔNICA 9

Prof. Roberto A. Bertoli set-0

Figura 1-9 Figura 1-10 o diodo polarizado reversamente, passa uma corrente elétrica extremamente pequena, (chamada de corrente de fuga).

Se for aumentando a tensão reversa aplicada sobre o diodo, chega um momento em que atinge a tensão de ruptura (varia muito de diodo para diodo) a partir da qual a corrente aumenta sensivelmente.

* Salvo o diodo feito para tal, os diodos não podem trabalhar na região de ruptura.

Figura 1-1

Em qualquer componente, a potência dissipada é a tensão aplicada multiplicada pela corrente que o atravessa e isto vale para o diodo:

IUP∗= Eq. 1- 2

Colégio Técnico de Campinas ELETRÔNICA 10

Prof. Roberto A. Bertoli set-0

Não se pode ultrapassar a potência máxima, especificada pelo fabricante, pois haverá um aquecimento excessivo. Os fabricantes em geral indicam a potência máxima ou corrente máxima suportada por um diodo.

Ex.: 1N914 - PMAX = 250mW

1N4001 - IMAX = 1A

Usualmente os diodos são divididos em duas categorias, os diodos para pequenos sinais (potência especificada abaixo de 0,5W) e os retificadores ( PMAX > 0,5W).

Num diodo polarizado diretamente, uma pequena tensão aplicada pode gerar uma alta intensidade de corrente. Em geral um resistor é usado em série com o diodo para limitar a corrente elétrica que passa através deles.

RS é chamado de resistor limitador de corrente. Quanto maior o RS, menor a corrente que atravessa o diodo e o RS .

Sendo a curva característica do diodo não linear, torna-se complexo determinar através de equações o valor da corrente e tensão sobre o diodo e resistor. Um método para determinar o valor exato da corrente e da tensão sobre o diodo, é o uso da reta de carga. Baseia-se no uso gráfico das curvas do diodo e da curva do resistor.

Na Figura 1-12, a corrente I através do circuito é a seguinte:

No circuito em série a corrente é a mesma no diodo e no resistor. Se forem dados a tensão da fonte e a resistência RS, então são desconhecidas a corrente e a tensão sob o diodo. Se, por exemplo, no circuito da Figura 1-12 o US =2V e RS = 100Ω, então:

Se UD=0V ! I=20mA. Esse ponto é chamado de ponto de saturação, pois é o máximo valor que a corrente pode assumir.

E se I=0A !UD=2V. Esse ponto é chamado corte, pois representa a corrente mínima que atravessa o resistor e o diodo.

A Eq. 1-4 indica uma relação linear entre a corrente e a tensão ( y = ax + b). Sobrepondo esta curva com a curva do diodo tem-se:

Figura 1-12

Colégio Técnico de Campinas ELETRÔNICA 1

Prof. Roberto A. Bertoli set-0

Figura 1-13

(I=0A,U=2V) - Ponto de corte !Corrente mínima do circuito (I=20mA,U=0V) - Ponto de saturação !Corrente máxima do circuito

(I=12mA,U=0,78V) - Ponto de operação ou quiescente!Representa a corrente através do diodo e do resistor. Sobre o diodo existe uma tensão de 0,78V.

1.3 DIODO EMISSOR DE LUZ E FOTODIODO

O diodo emissor de luz (LED) é um diodo que quando polarizado diretamente emite luz visível (amarela, verde, vermelha, laranja ou azul) ou luz infravermelha. Ao contrário dos diodos comuns não é feito de silício, que é um material opaco, e sim, de elementos como gálio, arsênico e fósforo. É amplamente usada em equipamentos devido a sua longa vida, baixa tensão de acionamento e boa resposta em circuitos de chaveamento.

A polarização do LED é similar ao um diodo comum, ou seja, acoplado em série com um resistor limitador de corrente, como mostrado na Figura 1-14. o LED é esquematizado como um diodo comum com seta apontando para fora como símbolo de luz irradiada. A corrente que circula no LED é:

(Parte 1 de 5)

Comentários