Análise Semiótica

Análise Semiótica

ANÁLISE

SEMIÓTICA

DA CAMPANHA DO GREENPEACE

Por Adriana de Vasconcellos,

na disciplina de Semiótica orientada por Roberto Forlin

Florianópolis, abril de 2009

Considerações sobre o procedimento de análise

A análise foi elaborada segundo o método semiótico de Lucia Santanella. Segundo esta, na definição de Pierce, o signo possui natureza triádica, podendo ser analisado em si mesmo, na sua referência àquilo que ele indica e nos tipos de efeito que está apto a produzir nos seus interpretantes. Portanto, a análise semiótica que segue, está estruturada em três níveis: as mensagens em si mesmas, a referencialidade da mensagem e a interpretação da mensagem.

Vídeo de divulgação via internet:

Filme “Diga não aos transgênicos.”

Objeto Dinâmico ou Referente:

Mensagem demonstrativa do universo transgênico com possibilidades reais de sua aplicação e possíveis conseqüências caso o produto seja inserido no país.

Objeto Imediato:

A representação em si, tal como está representada. As imagens de robôs, ratos encubados, fragmentos genéticos misturados a raízes, uma planta modificada, exposição à agrotóxicos, entre outros. Esses, em sua totalidade, podem ser considerados objetos imediatos, pois criam um objeto maior, em sua totalidade. Eles compõem o filme.

Fundamento do signo:

Segundo Pierce, fundamento do signo é a alusão que o signo faz com alguma outra situação ou objeto, de forma um tanto platônica, onde encontra seu embasamento e fundamentações.

No vídeo essa idéia é bastante ressaltada logo após a planta brotar e dar os seus frutos. Nessa parte, uma mão aparece lançando agrotóxicos sobre eles. Pode-se ver que o agrotóxico possui uma cor vermelha escurecida com tons fortes de preto. Essa configuração sugere uma associação com agrotóxicos mortais, uma vez que a cor vermelha é imediatamente associada com perigo, morte e desgraça.

Interpretante Imediato:

Segundo Santanella “...o interpretante imediato é a propriedade do signo para significar, que advém do seu fundamento, de um caráter que lhe é próprio.” ou ainda “...interpretante imediato é aquilo que o signo está apto a produzir de imediato.”

No filme, podemos indicar como interpretante imediato o tom de voz do locutor. Mesmo que não dissesse nada inteligível, mesmo que falasse em língua desconhecida, poderíamos identificar o tom de voz como um tom de perigo ou de aviso.

Interpretante e Referência: significados produzidos pelo filme em relação ao objeto de conscientização a respeito da responsabilidade do receptor para o problema dos alimentos transgênicos.

Sintático: Relações estruturais entre os elementos componentes do filme. A composição visual, a forma, o movimento, as cores, luz, interferências lingüísticas e a inter-relação entre as seqüências e planos que se sucedem.Os elementos sonoros, a música instrumental, ruídos, ritmo, interferências verbais, graduação sonora.

Semântico: Relações entre os elementos visuais e acústicos com o objeto referente. Aquilo que os elementos denotam.

Pragmático: Relações entre a materialidade do filme, seu objeto e seu interpretante. O nível conotativo da leitura, o simbólico.

Do suporte: Filme colorido para veiculação em internet, duração de um minuto.

Da composição: os elementos morfológicos conforme descrição abaixo:

Filme composto por uma única dinâmica, sendo esta minuciosamente descrita a seguir:

Desenho rústico com traços agressivos, em fundo preto e branco, tons de cinza e a cor vermelha para os agrotóxicos e contaminações. Mudando do cenário da fábrica para a plantação, e desta para a mesa da cozinha do consumidor.

Narrador com voz metálica e falando pausadamente, de acordo com as imagens, trazendo certo ar de mistério. O vídeo todo nos traz a sensação de insegurança, dúvida, medo, irresponsabilidade e conseqüências irreversíveis para todo planeta, as suposições de riscos como contaminação completa do solo e do alimento, e não obstante também teremos a contaminação de nossos organismos sem saber ao certo a que conseqüências isso pode vir a acarretar, portanto o ambiente em que se passa as cenas do filme, e as cores utilizadas, a voz do narrador, e todos estes e demais elementos nos atiram num mundo fantasioso onde produtores são maquinas irônicas, e consumidores são porcos inúteis.

A audácia ainda desta publicidade que aparenta ser mesclada, no

sentido de crise da informação e mudanças operadas nos hábitos alimentícios é condicionada à crítica do que ver não é acreditar, mas principalmente interpretar e reconhecer os limites do corpo e da consciência

E aí,a teoria dos signos está contingente aos limites de tempo e espaço:

aquilo que se compreende por significado semiótico não nega os elementos de

distinção do imaginário visual em relação ao texto,quando da imediaticidade do

sentido. Quando se averigua tal fato que determinada coisa rotineira é instintivamente tornada como banal, e que esta pode ser brutalmente modificada em meio há tantas outras exclamações do dia-a-dia é então no cotidiano que essas mensagens absorvidas se fazem reverberar; e não são limitadas somente à linguagem (ela se faz presente nos níveis verbais, visuais, comportamentais) dos

jogos comunicacionais, que não informam somente,mas seduzem,e convencem pela via

mais fácil e rápida,desdobrada pelos princípios de prazer ou de dor, de bem ou de mal, do claro ou do escuro, e afins.

“... a criação do grotesco pode surgir na visão de quem

sonha, de quem devaneia, de quem exprime uma visão

desencantada da existência, assimilando-a como um

jogo de máscaras ou uma representação caricatural.

Desta maneira, pode assumir formas fantásticas,

horroríficas, satíricas ou simplesmente absurdas”.

(Sodré e Paiva)

Referencias Bibliográficas:

http://books.google.com.br/books?id=f-3QmOPYpqIC&pg=PA50&lpg=PA50&dq=fundamento+do+signo&source=bl&ots=Fwfykn3Dy_&sig=kRjhjRjI7JtLMWsZDKZHvdtprfI&hl=pt-BR&ei=4UDxSfqGB6XUlQfK1unDDA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1#PPP1,M1

http://www.cap.eca.usp.br/wawrwt/version/textos/texto24.htm

http://www.arte.unb.br/6art/textos/cleomar-fabio.pdf

http://rafaelmarin.net/wp-content/uploads/2008/10/analise_sucrilhos.pdf

http://www.usabilidoido.com.br

http://74.125.93.132/search?q=cache:wxbuJuc-czcJ:www.eca.usp.br/alaic/Congreso1999/5gt/Yvana%2520Carla%2520.rtf+semiotica+de+video&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

http://74.125.93.132/search?q=cache:cdJ5WRwXJw8J:www.ceart.udesc.br/revista_dapesquisa/volume2/numero2/plasticas/Amanda%2520-%2520PPGAV.pdf+semiotica+de+video&cd=7&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

Vídeo encontrado em:

http://www.greenpeace.org/brasil/transgenicos/arroz-transg-nico/ser-cobaia-n-o-e-bom

Ou apenas em:

http://www.greenpeace.org/brasil/transgenicos/

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