Sae

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MINI-CURSO: SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM – SAE

PROFESSOR: RAIMUNDO JÚNIOR

PROGRAMA:

PARTE I

  1. EVOLUÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO MUNDO

  2. ASPECTOS CONCEITUAIS E LEGAIS DA SAE

  3. SAE: ETAPAS DO PROCESSO (ANEXO 01)

PARTE II

  1. ESTUDO DE CASO: EXEMPLIFICANDO A SAE

  2. DISCUSSÃO/DEBATE

EVOLUÇAO DA ASSISTENCIA DE ENFERMAGEM NO MUNDO

Séc. XIX

Florence Nightingale inicia a história da Enfermagem

1955

Lídia Hall utiliza pela primeira vez o termo “processo de enfermagem”: reação/ação do enfermeiro frente ao comportamento do paciente.

1968

Wanda Horta publica o primeiro artigo sobre diagnóstico de enfermagem no Brasil

1973

1ª conferência sobre diagnóstico de enfermagem – USA (ANA). Iniciados os estudos sobre a construção da Taxonomia I da NANDA.

1979

Wanda Horta definiu 6 fases do processo de enfermagem (histórico, diagnóstico, plano assistencial, plano de cuidados, evolução e diagnóstico).

1989

A taxonomia I da NANDA é publicada. A necessidade de desenvolvimento de um sistema de classificação internacional é apresentada ao CIE.

1993 aos dias atuais

CIE, com a participação da ABEn desenvolve a CIPE (Classificação Internacional das Práticas de enfermagem)

1999

Publicação da CIPE – Versão Beta

2001

A taxonomia II da NANDA e a Versão CIPE/CIE Beta 2 são publicadas

2003

Introdução da CIPESC no município de Curitiba-PR, utilizando como ferramenta de trabalho a informática.

2005

Publicação da CIPE/CIE Versão Beta 1 ainda sem tradução para o Brasil.

ASPECTOS CONCEITUAIS E LEGAIS DA SAE

Atualmente, a assistência de enfermagem, de forma sistematizada, vem fundamentando o processo de trabalho de enfermagem e, cada vez mais, recebe grande enfoque da literatura de enfermagem, fazendo parte da maioria dos currículos das escolas de enfermagem. (Farias, 2007, p.43)

Diversos conceitos, teorias e modelos específicos à enfermagem foram e estão sendo desenvolvidos, com a finalidade de prestar uma assistência, ou seja, planejar as ações, determinar e gerenciar o cuidado, registrar tudo o que foi planejado e executado e, finalmente, avaliar estas condições, permitindo assim gerar conhecimentos a partir da prática, realizando assim o processo de enfermagem (Friedlander, 1981).

Entende-se por Processo de Enfermagem, “a dinâmica das ações sistematizadas e inter-relacionadas visando à assistência ao ser humano” (Horta, 1979).

Após a promulgação da lei 7.498, de 25 de junho de 1986, referente ao exercício da enfermagem, dispõe o artigo 11, como atividades exclusivas do enfermeiro: a consulta de enfermagem; prescrição da assistência de enfermagem; cuidados diretos de enfermagem a pacientes graves com risco de vida; cuidados de enfermagem de maior complexidade e que exijam conhecimentos de base científica e capacidade de tomar decisões imediatas.

A consulta de enfermagem é uma atividade privativa do enfermeiro (Art. 8º, da Lei de Exercício Profissional – Lei 7.498/86)

A implementação da SAE, deverá ser registrada formalmente no prontuário do paciente devendo ser composta por (COREN, 1999; COREN, 2000).

ETAPAS DO PROCESSO DE ENFERMAGEM

(VER ANEXO 01)

ESTUDO DE CASO: EXEMPLIFICANDO O PROCESSO DE ENFERMAGEM

CASO 01:

IDENTIFICAÇÃO

O.P.S., 37 anos, sexo feminino, branca, casada, com 2 filhas (7 e 5 anos). É católica praticante, brasileira, curso primário completo, é natural e procedente de São Paulo. Foi admitida pelo ambulatório, é a segunda internação no hospital. Diagnóstico médico: Incontinência Urinária.

Expectativas e percepções

 

Tem medo de morrer e deixar as filhas; procurou deixar tudo em ordem em casa antes de ser internada. Gosta do hospital, embora não tenha ficado satisfeita com o atendimento proporcionado por algumas “atendentes” quando esteve internada pela primeira vez. Como teve muita dor de estômago e retenção urinária, as “atendentes” disseram-lhe que era ‘manha’ de sua parte. Atribui sua doença ao último parto.

Necessidades básicas

 

Sono agitado, acorda de 3 a 4 vezes durante a noite, faz repouso durante o dia, logo após o almoço.

 

Antes de casar trabalhava como tecelã, hoje só se dedica ao lar; os exercícios físicos necessários `a realização das atividades domésticas são os únicos que faz. Tem apetite, come diariamente: feijão, arroz, carne, verduras cruas e cozidas, frutas, leite, pão. Gosta de todos alimentos, embora sinta dor de estômago após as refeições. Ingeria muito liquido mas agora os restringe voluntariamente, em virtude do problema urinário. Faz 4 refeições ao dia: desjejum às 7h, almoço às 11h, lanche às 15h e jantar às 19h.

Mora em casa própria, a casa é servida pela rede de abastecimento de água e esgoto. É membro da irmandade religiosa das zeladoras do Sagrado Coração de Jesus e freqüenta muito a igreja. Vai à missa todos os domingos.

 

Evacua a cada dois dias, fezes secas e duras; emissão involuntária de urina aos pequenos esforços como tosse, espirro, e abaixar-se. Sente dor à micção. Toma banho diário pela manhã e às vezes banho de assento quando sente estrangúria.

 

Exame físico

 

Temperatura 36.8ºC; pulso radial e apical: 97, com características normais; respiração: 34, com características normais; PA = 115 x 70mmHg. Não é alérgica a drogas ou alimentos; não fuma nem usa bebidas alcoólicas.

Condições dos segmentos: pele íntegra, sem lesões, limpa, turgor e umidade normais, panículo adiposo normal. Apresenta sujidade no couro cabeludo e pequena quantidade de caspa. Cavidade bucal com dentes limpos, sem mau hálito; usa prótese total na arcada superior, poucos dentes na arcada inferior.

 

Usa óculos, tem dificuldade para ver de perto e de longe. Músculos e rede venosa para medicação parenteral em boas condições.

Queixas: referiu ter dores de cabeça, estomago e à micção. Emissão involuntária de urina ao tossir, espirrar, assuar o nariz, abaixar-se e ao carregar qualquer objeto mais pesado; diz ser muito nervosa.

Impressões do entrevistador

 

Paciente tensa, falando muito e em tom lastimoso. Durante toda a entrevista mostrou-se preocupada com a saúde, as filhas, a casa.

PROBLEMAS DE ENFERMAGEM

 

Incontinência, 2ª internação. Medo de morrer e deixar as filhas. Na primeira internação não gostou do tratamento recebido por algumas atendentes. Sono agitado, acorda 3 a 4 vezes e custa a dormir. Não faz exercícios físicos alem das atividades domésticas. Dor de estômago após as refeições. Restringe líquidos por causa da incontinência. Evacua a cada dois dias, fezes secas e duras. Dor à micção. Perde urina aos pequenos esforços. Lava a cabeça 1 x por semana, tem caspa e sujidade. Dispareunia. Corrimento vaginal branco amarelado. Dismenorréia. É zeladora do Sagrado Coração de Jesus. Postura corporal sofrível. Cefaléia. Tensa. Preocupação com a saúde, as filhas e a casa. Verminose: enterobíase.

DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM (Com base na Taxonomia da NANDA)

 

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IMPLEMENTAÇÃO DA ASSISTÊNCIA EM ENFERMAGEM

 

Necessidades humanas básicas:

 

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EVOLUÇÃO DE ENFERMAGEM

 

27/X – Admitida às 13h, plano prescrito executado; não evacuou, levantou 2 vezes a noite e foi urinar. Aparentemente adaptada às companheiras de enfermaria e ambiente hospitalar. Informou ter tido cefaléia durante a noite.

 

28/X – Será operada amanhã, cabeça limpa, sem caspas após o banho; recebeu cuidados pré-operatórios e colaborou; lavagem intestinal com eliminação de grande quantidade de fezes; levada à capela para rezar. Aceitou bem dieta prescrita. Ainda demonstrando tensão quanto à cirurgia, foi novamente reorientada.

29/X – Cuidados pré-operatórios, acompanhada até S.O.; aparentemente tranqüila, sob a ação de pré-anestésico. Sinais vitais dentro da normalidade durante todo o P.O. imediato; pálida. Está com sonda Folley. Consciente, reforçados os aspectos psicológicos de segurança e atenção. Recebeu visita do marido.

 ....

2/XI – Informa ter dormido toda a noite. Sente mais apetite e aceitou parte da dieta geral nas refeições. Disúria. Sente dor no hipocôndrio D após a refeição. Orientada sobre sono, exercícios, nutrição e utilização dos recursos da comunidade. Iniciado preparo para alta.

 

REFERÊNCIAS

  • ALMEIDA, MCP. O trabalho de Enfermagem. São Paulo: Cortez, 1997. 296p.

  • CAMPEDELLI, M.C. O processo de enfermagem na prática. São Paulo: Ática, 1989.136p.

  • CARPENITO, L.J. Diagnósticos de enfermagem: aplicação à prática clínica. 8 ed. Porto Alegre, Artmed, 2002.

  • _______ Compreensão do Processo de Enfermagem: Mapeamento de Conceitos e Planejamento do cuidado para estudantes. Porto Alegre, Artmed, 2007.

  • HORTA, W.A. Processo de Enfermagem. São Paulo: EPU Editora Pedagógica Universitária, 2005, 99p.

  • WESTPHALEN, Mary E.A. Metodologias para a assistência de Enfermagem. Goiânia: AB, 2001. 148p.

  • BRASIL. Lei 7.498 de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem e dá outras providências.

  • COFEN – CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. RESOLUÇÃO COFEN Nº 159 de 19 de abril de 1993. Dispõe sobre a consulta de enfermagem.

  • COFEN – CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. RESOLUÇÃO COFEN Nº 272 de 27 de agosto de 2002. Dispõe sobre a sistematização da Assistência de Enfermagem – SAE nas Instituições De Saúde Brasileiras.

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Sistematização da Assistência de Enfermagem – SAE profjr@unp.br

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