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Manual de Contabilidade

Índice

Introdução à Contabilidade 5

As Diferentes Formas Da Contabilidade 5

O PATRIMÓNIO 9

Noção e elementos constitutivos 9

INVENTÁRIO E BALANÇO 17

O Inventário: noção e classificação 17

BALANÇO 21

Noção e classificações 21

A CONTA 27

Noção, partes construtivas e representação gráfica 27

Representação gráfica 28

DISPOSITIVOS DA CONTA 30

CLASSIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DAS CONTAS 35

Classificação 35

Caracterização de algumas contas 37

Métodos De Registo Contabilístico 41

MÉTODOS DE REGISTO CONTABILÍSTICO 43

Método Digráfico: 43

LANÇAMENTOS 47

Noção 47

Documentos 47

Livros 47

Espécies de lançamentos 50

DIÁRIO E RAZÃO 55

Escrituração 55

ESTORNOS NO DIÁRIO 62

Estornos no Razão 66

BALANCETES E BALANÇOS 67

SISTEMAS CONTABILÍSTICOS 73

Sistemas de Contas 73

Sistemas de Coordenação 74

Sistema Clássico 74

ESQUEMA DO SISTEMA CLÁSSICO 75

ESQUEMA DO SISTEMA DIÁRIO-RAZÃO 77

Sistema Centralizador 77

NORMALIZAÇÃO CONTABILÍSTICA o POC 79

INTRODUÇÃO 79

VANTAGENS DA NORMALIZAÇÃO CONTABILÍSTICA 81

A NORMALIZAÇÃO CONTABILÍSTICA EM PORTUGAL 83

O PLANO OFICIAL DE CONTABILIDADE 87

Nota prévia 87

Introdução 89

Funcionamento e ligação do quadro de contas 91

Código das contas 91

QUADRO DE CONTAS 96

Introdução à Contabilidade

CONTABILIDADE

ORÇAMENTAL

CONTABILIDADE

ANALÍTICA

CONTABILIDADE

GERAL

Os sistemas contabilísticos dizem respeito a ................ 

...Todos os responsáveis e à administração.....

...Todos os responsáveis.....

...Às administrações e a título de informação

Ao pessoal

Aos proprietários

A tesouraria

OBJECTIVOS :

Montante e origem do resultado

Justeza das decisões

Posições perante terceiros

Evolução do património

As Diferentes Formas Da Contabilidade

A CONTABILIDADE NAS SUAS DIVERSAS FORMAS, PERMITE QUE O GESTOR:

  • Conheça o montante e a origem dos resultados, passados e futuros.

  • Verifique a justeza das decisões tomadas ou a tomar (é de facto um instrumento de gestão e previsão).

  • Conheça a posição da empresa perante todos os terceiros, isto é, conheça sempre e mesmo antecipadamente a quem é que a empresa deve dinheiro e quem lho deve a ela.

  • Controle a evolução patrimonial da empresa.

A CONTABILIDADE GERAL, PERMITE, EM RELAÇÃO AO CONJUNTO DA EMPRESA:

  • Constatar os encargos e os proveitos por natureza, isto é, os fluxos de consumo e produção.

  • Fazer surgir os resultados de um dado período, isto é, a variação patrimonial devida à actividade da empresa.

  • Fazer periodicamente o ponto de situação dos bens e das dívidas da empresa, isto é, indicar e quantificar a situação patrimonial.

A CONTABILIDADE GERAL regista os fluxos externos.

A CONTABILIDADE ANALÍTICA tem como objectivo indicar os custos por centro de actividade, por sector ou actividade, por produto ou por mercado. É a contabilidade do passado / presente. Regista os fluxos internos e descreve o processo de transformação dos bens e serviços desde a sua entrada até à sua saída da empresa.

A CONTABILIDADE ORÇAMENTAL OU PREVISIONAL, consiste na organização e qualificação das previsões efectuadas pelos centros de responsabilidade, isto é, pelos diferentes directores de serviço da empresa, a partir de determinados objectivos. O conjunto destas previsões, depois de agrupados e coordenados ao nível da empresa, permite a elaboração dos diversos orçamentos (vendas, aprovisionamentos, tesouraria, etc.) E o do orçamento geral.

A exploração da contabilidade analítica permite analisar os resultados e especificar as origens do resultado global que a contabilidade geral indica.

As comparações entre os valores indicados na contabilidade orçamental e os da contabilidade analítica permitem analisar os desvios entre as previsões e as realizações.

Uma das funções do serviço de controlo orçamental, entre muitas outras, consiste em analisar, com e para os responsáveis, os desvios, utilizando as informações contidas nos diferentes sistemas contabilísticos.

O CONTABILISTA classifica e regista as informações quantificadas o seu papel é aparentemente passivo. Está vinculado a um rigoroso formalismo. Está condenado a uma precisão absoluta de valores. É ele o guardião da lei exterior representado pelo p.o.c., e das leis internas, representadas pelos regulamentos e normas. O contabilista é imparcial e deveria ser independente, no sentido jurídico do termo.

O GESTOR explora e interpreta as informações quantificadas que o contabilista lhe transmite. Deve, o mais rapidamente possível, trabalhar essas informações a fim de auxiliar os responsáveis pela empresa a dividir as acções correctas e as modificações nos objectivos ou no orçamento. Para ele, são mais importante a rapidez e a qualidade da informação do que a precisão dos valores. Além disso é frequente o gestor quem põe em execução os regulamentos e normas internas e elabora as especificações necessárias para a definição dos termos próprios da empresa.

O AUDITOR verifica a coerência e a correcta aplicação dos regulamentos, quer internos quer externos, definidos pela lei ou pelos gestores, no sentido amplo do termo. Por outro lado, certifica-se da qualidade e do significado das informações fornecidas pelos diferentes serviços e unidades da empresa. O auditor deve estar directamente em ligação com a administração. Ele dispõe de um amplo poder de investigação e a sua independência deve permitir-lhe propor múltiplas reformas em todos os domínios.

CONSIDERAÇÕES GERAIS

As empresas, células base da actividade económica, são vulgarmente entendidas como conjuntos organizados de meios materiais e humanos, viradas para a produção de bens e serviços.

Constituídas sem horizonte temporal definido, têm contudo à semelhança das demais organizações, um ciclo de vida, limitado, o qual, pode ser dividido nas três fases seguintes:

- INSTITUCIONAL, em que se decide da sua criação, através da obtenção e combinação dos recursos necessários para a sua entrada em funcionamento.

- FUNCIONAMENTO, ou execução, na qual se desenvolve todo o processo de transformação, ou seja, o da produção de bens e serviços, com vista à obtenção de certos resultados.

- LIQUIDAÇÃO, na qual se procede à extinção da empresa

SENDO a fase de execução a de mais longa duração, e tendo em conta a necessidade de se obter informações regulares sobre o andamento dos negócio, houve necessidade de a dividir em intervalos de tempo, no fim dos quais se apuram os resultados, se elabora o balanço, se discute a actuação da direcção, se aprovam as contas. A cada um desses períodos coincidentes com os anos civis, designa-se por período administrativo.

A parte da gestão correspondente a cada período administrativo, denomina-se exercício económico.

PERÍODO ADMINISTRATIVO EXERCÍCIO ECONÓMICO

ACTIVIDADES ECONÓMICAS INTERIOR / EXTERIOR

Estas relações traduzem-se por fluxos de bens e serviços, aos quais correspondem sempre fluxos monetários de sentido inverso.

Três ópticas distintas podem ser evidenciadas:

  • A primeira óptica é a financeira e diz respeito ao endividamento da empresa perante o exterior. Está directamente relacionada com a remuneração dos factores e dos bens e serviços vendidos. Nesta óptica podemos distinguir: as despesas, que correspondem à remuneração dos factores produtivos e as receitas, que correspondem à remuneração das vendas efectuadas e/ou dos serviços prestados. Em suma, despesas e receitas, dizem respeito a factos que originando, as primeiras obrigações a pagar e as segundas direitos a receber, irão provocar, respectivamente, saídas e entradas de valores monetários para a empresa.

  • A segunda óptica é a económica ou produtiva, e anda ligada à transformação e incorporação dos diversos materiais, mão-de-obra, até se atingir o produto final. Os valores incorporados e gastos na produção designam-se custos. Por sua vez, os produtos acabados de fabricar e aptos para a venda designam-se proveitos. Em síntese, a empresa ao consumir bens e serviços tem custos; ao produzi-los, tem proveitos.

  • Por último, a terceira óptica é a de tesouraria (ou de caixa) e corresponde às entradas e saídas monetárias da empresa. Nesta óptica, podemos distinguir os recebimentos, que correspondem à entrada de valores monetários para a empresa, e os pagamentos, que dizem respeito às saídas de valores monetários.

EXERCÍCIO 1

A empresa y adquiriu, em 5/11/n, 10 ton. de cereal ao preço de 5000$00/ton, para proceder à sua moagem. a divida resultante desta aquisição seria paga em 15/12/n. durante o mês de novembro efectuou a moagem de apenas 2 ton., sendo a farinha resultante desta moagem (1,500kg) vendida a 10$00/kg, em 3/1/n+1, recebendo-se o valor desta venda em 10/1/n+1.

INDICAR OS FLUXOS EXISTENTES ?

RESOLUÇÃO:

5/11/n UMA DESPESA DE 50.000$00

15/12/n O RESPECTIVO PAGAMENTO

11/n OS CUSTOS (EM CEREAL) FORAM DE 10.000$00

11/n SENDO OS PROVEITOS DE 15.000$00

3/1/n+1 VERIFICOU-SE A RECEITA DE 15.000$00

10/1/n+1 O RESPECTIVO RECEBIMENTO DE 15.000$00

NOÇÃO:

Compras +

Despesa de compras

= Custo das mercadorias compradas

Custo das mercadorias compradas

+ Stock inicial -

Stock final =

Custo das mercadorias vendidas

Vendas -

Custo das mercadorias vendidas

= Lucro bruto sobre as vendas ou Margem Bruta

Margem bruta -

Despesas de venda

= Lucro comercial ou Margem Liquida

Margem liquida -

Despesas administrativas e financeiras

= Lucro liquida antes de impostos

Lucro liquida antes de impostos -

Imposto sobre os lucros

= Lucro liquida do exercício

O PATRIMÓNIO

Noção e elementos constitutivos

Toda a unidade económica para exercer a sua actividade, necessita de um certo conjunto de valores, ou seja, de máquinas, edifícios, mercadorias, dinheiro, ferramentas e outros. Digamos que ao exercício de qualquer actividade estão sempre alienados valores que são pertença de alguém. Do ponto de vista jurídico, os valores utilizados por cada unidade económica são de sua pertença ainda que, normalmente, os seus direitos não incidam sobre a globalidade desses valores.

O conjunto de valores utilizados pela unidade económica no exercício da sua actividade constitui o património. Contudo, nem só os edifícios, numerário e equipamento utilizados constituem património. A empresa (ou unidade) no desenvolvimento da sua actividade estabelece relações que originarão um conjunto de direitos e de obrigações. Assim aparecerão dívidas a receber (créditos da empresa ou débitos de terceiros) que representam valores pertencentes à empresa; e, dívidas a pagar (débitos da empresa ou créditos de terceiros) que representam valores pertencentes a terceiros e que a empresa se obriga a pagar. Tanto as dívidas a receber como as dívidas a pagar, são consideradas valores integrantes do património.

Podemos designar por património, o conjunto de valores sujeito a uma gestão e afectos a um determinado fim(1). O património de um comerciante, (2) é o conjunto de valores utilizados por esse comerciante na sua actividade comercial. Contudo, os valores pertencentes a esse comerciante mas não afectos aquela actividade (ex. os utensílios domésticos) não devem ser considerados seu património comercial. Serão seu património, não como comerciante, mas sim como pessoa jurídica (privado) que é.

Cada componente de um dado património (ex: as mercadorias, um edifício, uma viatura, etc.), denomina-se de elemento patrimonial.

Como o património é um conjunto de elementos heterogéneos, existe, a necessidade de transformar ou referir esses elementos numa mesma unidade. É assim que todos eles vêm referidos a escudos/euros. Têm , pois, um carácter pecuniário visto todos serem susceptíveis de representação monetária. São valores.

No património podemos distinguir duas classes de elementos patrimoniais distintos: por um lado, os elementos que representam aquilo que se possui ou se tem a receber; por outro lado, aqueles que representam aquilo que se tem a pagar.

À primeira classe, ou seja, ao conjunto dos valores que se possui e se tem a receber, designa-se por ACTIVO; à segunda classe, ou seja, ao conjunto de valores a pagar , designa-se PASSIVO.

Prof. Gonçalves da Silva - Contabilidade Geral, Vol. 1.

Segundo o Código Comercial são comerciantes - «1º As pessoas, que tendo capacidade para praticar actos de comércio, fazem desta profissão; 2º As sociedades comerciais» (art. 13º.).

APLICAÇÃO 2

Património de Y

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