Apostila de Latim Básico

Apostila de Latim Básico

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Agradecimentos

A meus colegas do Departamento de Letras ClÆssicas da Faculdade de Letras da UFRJ, pela agradÆvel e fecunda convivŒncia de tantos anos.

A meus alunos, pelo constante ensinamento que me dªo, a cada contacto.

À Rosa Maria, pela dedicaçªo e apoio constantes.

À Vanessa, por sua ajuda constante em editar meus textos.

Ao Fabricio, incansÆvel em sua ajuda para a feitura do livro.

Breves comentários sobre o Latim

O Latim, língua indo-europØia, pertence ao grupo itÆlico osco, umbro, latim. Falado primeiramente pela populaçªo de Roma e do LÆcio, prevaleceu sobre os outros idiomas da ItÆlia (osco, umbro, grego, etrusto), difundiu-se graças às conquistas e ao desenvolvimento do ImpØrio Romano, e tornou-se uma das duas principais línguas do mundo antigo.

1Período arcaico (entre o sØculo I e o início do sØculo I a.C.), com Catªo e, sobretudo, com

Começou a adquirir forma literÆria apenas pelo início do sØculo I a.c. Costuma-se dividir a história do latim em períodos: os dois grandes escritores cômicos, Plauto e TerŒncio.

2. Período clÆssico (entre o início do sØculo I a.C. e o início do ImpØrio), com Cícero, CØsar, Salœstio, HorÆcio, Vergílio e outros.

3. Período pós-clÆssico ( a partir de nossa era) com Tito Lívio, SŒneca, Quinto Cœrcio, Plínio, o Velho, Quintiliano, Plínio, o Moço, Suetônio e outros.

4. Período cristªo (a partir do sØculo I de nossa era, aproximadamente), com Tertuliano, Santo Agostinho, Sªo Jerônimo e outros.

Cumpre ressalvar que ao lado da língua escrita ou literÆria existia uma língua falada, que nos Ø conhecida sobretudo pelos textos nªo literÆrios e pelas inscriçıes. Essa língua se transformava mais rapidamente que a outra. Foi ela que deu origem às línguas românicas portuguŒs, espanhol, catalªo, provençal, francŒs, italiano, romeno.

Alfabeto

Na Øpoca clÆssica, o alfabeto latino compreende 21 letras, das quais apenas uma nªo Ø usual o K (k). Sªo elas: A (a), B (b), C (c), D (d), E (e), F (f), G (g), H (h), I (I), L (l), M (m), N (n), O (o), P (p), Q (q) R (r), S (s), T (t), V (u), X (x).

Ditongos Os ditongos sªo indicados pelas letras: Ae (ae), Oe (oe), Au (Au) Fonemas

īū ĭ ŭ
ēō ĕ ŏ
āă

Fonemas vocÆlicos

pt k
bd g
fs h
m n ŋ
l

Fonemas consonânticos r

O acento Nªo hÆ nenhum sinal para marcar o acento em latim.

Regras: 1. Nas palavras de uma sílaba ele recai sobre ela:[tē] tŒ; 2. Nas de duas sílabas, ele recai sobre a primeira:[păter] pÆter; 3. Nas de trŒs ou mais sílabas o acento recai sobre a penœltima, se esta for longa; se for breve, o acento recua uma sílaba: [inuēnit] inuØnit encontrou ; [inuĕnit] ínuenit encontra .

Primeira Lição

O nome e o verbo latinos; os casos; a primeira e segunda declinaçıes; primeira e segunda conjugaçıes no presente do indicativo; adjetivos de primeira classe. Presente do indicativo do verbo irregular esse e de seu composto posse.

F1 Fāmă uŏlat. (Vergílio)

F2 Fortūnă est caecă. (Cícero)

O destino Ø cego. [fortūna, ae (f) destino; sŭm, ĕs, ĕsse (irr.) ser; caecus, a, um cego]

F3 Immŏdĭcă īră creat insāniam. (SŒneca) A ira desmedida gera a loucura.

[īra, ae (f) ira; immŏdĭcus, a, um desmedido; creō, ās, āre (1) gerar; insānia, ae (f) loucura]

F4 Debēmus īram uitāre. (SŒneca)

F5 Maecēnas, amīcus Augustī, mē in numĕrō amicōrum habet. (HorÆcio)

Mecenas, amigo de Augusto, me tem no rol de seus amigos.

[Maecēnas, ātis (m) Mecenas; amīcus, i (m) amigo; Augustus, i (m) Augusto; mē (pron. pess. ac.) me; in (prep. + abl. ) em; numĕrus, i (m) rol, nœmero; habeō, ēs, ēre (2) ter]

F6 Mŏdum tenēre debēmus. (SŒneca)

Devemos guardar moderaçªo. [mŏdus, i (m) moderaçªo; teneō, ēs, ēre (2) guardar; debeō, ēs, ēre (2) dever]

F7 Multam pecūniam deportat. (Cícero)

Ele leva muito dinheiro. [multus, a, um muito; pecūnia, ae (f) dinheiro; deportō, ās, āre (1) levar]

F8 Errāre est humānum. (SŒneca)

Errar Ø humano. [errō, ās, āre (1) errar; sŭm, ĕs, ĕsse (irr.) ser; humānus, a, um humano]

F9 Puellam meam magis quam ocŭlōs meōs amō. (TerŒncio)

Amo minha menina mais do que meus olhos.

F10 Infinītus est numĕrus stultōrum. (Eclesiastes)

O nœmero dos insensatos Ø infinito. [infinītus, a, um infinito; sŭm, ĕs, ĕsse ser; numĕrus, i (m) nœmero; stultus, a, um insensato]

Vergílio (P. Vergilius Maro: 70 19 a.C.) Cícero (M. Tullius Cicero: 106 43 a.C.) SŒneca (L. Annaeus Seneca: 4 a.C. 65 d.C.) HorÆcio (Q. Horatius Flaccus: 65 8 a.C.) TerŒncio (P. Terentius Afer: 185? 159 a.C.)

Informações gramaticais

A. As formas verbais uŏlat (F1), creat (F3), habet (F5), deportat (F7), est (F2, F8, F10) estªo na terceira pessoa do singular do presente do indicativo da voz ativa, cuja marca Ø o t.

JÆ a desinŒncia mus de debēmus (F4, F6) e ō de amō (F9), indicam que os verbos estªo na primeira pessoa, plural e singular, respectivamente.

As outras desinŒncias sªo: s, para a segunda pessoa do singular; tis, para a segunda do plural; nt, para a terceira do plural.

Essas terminaçıes aparecem nas quatro conjugaçıes dos verbos regulares e irregulares.

O verbo ĕsse e seus compostos, no entanto, tŒm como marca da primeira pessoa do singular a desinŒncia m: sum [eu sou]

verbo ĕsse [ser] e seu composto pŏsse [poder]

Nesta liçªo estuda-se o presente do indicativo da primeira e da segunda conjugaçıes, e o do

Para se reconhecer a conjugaçªo de um verbo, examina se a vogal que precede o sufixo do infinitivo presente, re.

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