Redação ao alcance de todos

Redação ao alcance de todos

(Parte 1 de 7)

Licenciado em Letras, Professor de Português Instrumental na Faculdade de Ciências Econômicas de São Paulo,

Professor de Redação no Colégio Comercial

Álvares Penteado e Escola Técnica Oswaldo Cruz

Iglu Editora

© Copyright by João Jonas Veiga Sobral © Copyright 1995 by Iglu Editora Ltda.

Editor responsável: Júlio Igliori

Revisão: Maria Aparecida Salmeron

Composição: Real Produções Gráficas Ltda.

Capa: Osmar das Neves

Todos os direitos reservados à

IGLU EDITORA LTDA. Rua Duílio, 386 – Lapa

05043-020 – São Paulo-SP Tel.: (011) 873-0227

A Deus pelo dom de ensinar. Ao meu editor pela confiança no trabalho. Ao professor Manuel José Nunes Pinto pela força e incentivo.

Para minha mãe, figura forte, fantástica e bela a quem amo. Para Eliana, a quem a vida presenteou-me como mulher e amiga. Para meus alunos, companheiros de gostosas jornadas. Para meus colegas de trabalho, que muito me ajudaram. Para o Zíngari, meu mestre sempre.

“Esta é uma declaração de amor; amo a língua portuguesa.

Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento e de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa do superficialismo.

Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Às vezes se assusta com o imprevisível de uma frase. Eu gosto de manejá-la como gostava de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes lentamente, às vezes a galope.”

Clarice Lispector

Para escrever não é necessário o dom da escrita, dos privilegiados, para escrever basta um pouco de técnica e dedicação.

Esta obra mostra os mecanismos que facilitam o trabalho da produção escrita, por meio de teorias e exercícios práticos.

Ao lado desses mecanismos, há textos consagrados de autores expressivos. Esses modelos certamente o auxiliarão na produção de seus textos. Há, também, exercícios de enriquecimento da língua e propostas de redações retiradas de vestibulares, de textos de jornais, de tiras de quadrinhos e de letras de canções, recursos que subsidiarão o ato de redigir com eficácia.

A nossa experiência no ensino de redação nos 2º e 3º graus fez com que tanto a exposição teórica quanto as propostas de trabalho fossem didáticas e práticas a fim de tornar o trabalho de redigir mais gostoso e eficiente.

Acreditamos que Redação: escrevendo com prática aliado a dicionários, gramáticas e boas leituras, constituir-se-á em material indispensável para aqueles que pretendam escrever de forma adequada.

Finalizando, é preciso de sua parte bastante dedicação para conseguir êxito no ato de redigir textos. Parafraseando o escritor alemão, GOETHE: “O ato de redigir é 10% de inspiração e 90% de transpiração”; por isso, meu caro amigo, mãos à obra. Boas redações!

João Jonas Veiga Sobral

Início de trabalho: escrevendo o texto15
Exercícios16

UNIDADE 1

Os mecanismos de coesão e coerência textuais21
Capítulo 1: A coesão2
Exercícios23
Capítulo 2: A coerência25
Exercícios26

UNIDADE 2

A descrição28
Capítulo 1: Descrição objetiva e subjetiva28
Exercícios29
Capítulo 2: Descrição sensorial32
Exercícios3
Capítulo 3: Descrevendo a personagem:34
a) Descrição física e psicológica34

UNIDADE 3 b) Critérios de seleção na composição da personagem..............38

c) Critérios de seleção em benefício da mensagem41
Exercícios42
Capítulo 4: Descrição de ambiente e paisagem43
a) Descrição de paisagem46
b) Descrição de ambiente fechado47
c) Descrição de cena48
Exercícios49
Propostas de redação50
A narração5
Capítulo 1: A técnica narrativa5
Exercícios57
Capítulo 2: O narrador60
a) Narrador em 1ª pessoa60
b) Narrador em 3ª pessoa60
Exercícios61
Capítulo 3: O discurso62
a) Discurso direto62
b) Discurso direto e os verbos de locução62
c) Discurso indireto64
d) Trocando os discursos64
e) Discurso indireto-livre65
Exercícios6
Capítulo 4: Níveis de linguagem70
a) Linguagem formal70
b) Linguagem informal70
Exercícios71
Capítulo 5: O tempo na narrativa72
a) Tempo psicológico72
b) Tempo cronológico72

UNIDADE 4 Exercícios ...................................................................................................74

Capítulo 6: O enredo e sua estrutura75
Exercícios78
Capítulo 7: A estrutura narrativa82
a) Manipulação82
b) Competência82
c) Performance82
d) Sanção82
Exercícios83
Capítulo 8: A organização do texto narrativo85
a) Narração objetiva85
b) Narração subjetiva85
c) O conflito89
d) Ações da personagem91
e) O fato novo92
Exercícios93
Propostas de redação94
A dissertação108
Capítulo 1: O texto dissertativo108
Exercícios109
Capítulo 2: O título e o tema no texto dissertativo1
Exercícios112
Capítulo 3: O fato e a opinião113
Exercícios113
Capítulo 4: O desenvolvimento da opinião115
Exercícios116
Capítulo 5: O planejamento do texto117

UNIDADE 5 Exercícios ...................................................................................................118

Capítulo 6: A organização das idéias119
Exercícios120
Capítulo 7: Escrevendo o texto dissertativo121
a) O parágrafo dissertativo122
estatísticos, 6) citações123
3) conclusão-surpresa125
Exercícios127
Capítulo 8: A dissertação subjetiva128
Exercícios130
Propostas de redação135

14 b) Desenvolvimento do texto: 1) enumeração, 2) causa/ conseqüência, 3) exemplificação, 4) confronto, 5) dados c) Conclusão: 1) conclusão-síntese, 2) conclusão-solução,

Apoio funcional158
Capítulo 1: Acentuação gráfica159
Exercícios161
Capítulo 2: A crase162
Exercícios165
Capítulo 3: O uso da vírgula167
Exercícios169
Capítulo 4: O uso dos pronomes171
Exercícios174
Capítulo 5: Concordância verbal175
Exercícios181
Capítulo 6: Concordância nominal179
Exercícios181

UNIDADE 6 Bibliografia ......................................................................................................183

UNIDADE 1: INÍCIO DE TRABALHO: Escrevendo o texto

“Penetra surdamente no reino das palavras.” Carlos Drummond de Andrade

É comum ouvir das pessoas frases como essas: “Escrever é mui- to difícil”, “Eu não sei escrever”, “Redação é uma das matérias mais difíceis da escola” e outras parecidas.

Será possível, realmente, aprender a escrever ou é um dom natural?

As respostas para as duas perguntas são positivas: é possível aprender a escrever; e escrever é, também, um dom natural.

No entanto, mesmo escritores que possuem o dom natural de escrever trabalham tecnicamente o texto. O trabalho de correção e reescritura chega a ser árduo, porém o resultado é com- pensador. Conclui-se, então, que escrever é uma técnica e, dessa forma, pode ser aprendida.

Há em nossa literatura depoimentos de escritores sobre a técnica da escrita:

“Esta é a terceira vez ou quarta vez que ponho o papel na máquina e começo a escrever: mas sinto que as frases pesam ou soam falso, e as palavras dizem de mais ou dizem menos e a escrita sai desentoada com o sentimento.” (Rubem Braga)

“Escrevo trezentas páginas, aproveito no máximo trinta.” (Fernando Sabino)

“Você irá escrevendo, irá escrevendo, se aperfeiçoando, progredindo, progredindo aos poucos: um belo dia (se você agüentar o tranco) os outros percebem que existe um grande escritor.” (Mário de Andrade)

Percebemos pelos depoimentos que escrever não é uma tarefa fácil, e aí reside sua graça: o desafio de escrever.

É maravilhoso ver no papel a concretização de um pensamento, de um sonho, de uma idéia.

Para isso, é preciso um pouco de técnica na escolha da palavra, do estilo do texto, do ponto de vista; estes recursos técnicos serão trabalhados nos próximos capítulos.

Porém, antes, que tal começar o trabalho produzindo um texto?

1)Leia as duas belas crônicas de dois dos maiores cronistas brasileiros: Rubem Braga e Fernando Sabino. A seguir, elabore uma redação expressando sua vontade sobre como quereria o seu texto.

MEU IDEAL SERIA ESCREVER... Rubem Braga

Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta, quando lesse minha história no jornal, risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse – “ai meu Deus, que história mais engraçada”. E então contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria – “mas essa história é mesmo muito engraçada!”

Que um casal que estivesse em casa mal-humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história. O marido a leria e começaria a rir, o que aumentaria a irritação da mulher. Mas depois que esta, apesar de sua má vontade, tomas- se conhecimento da história, ela também risse muito, e ficassem os dois rindo sem poder olhar um para o outro sem rir mais; e que um, ouvindo aquele riso do outro, se lembrasse do alegre tempo de namoro, e reencontrassem os dois a alegria perdida de estarem juntos.

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