apostila contabilidade comercial II

apostila contabilidade comercial II

(Parte 1 de 5)

BACHARELADO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS - 2003

CONTABILIDADE II

Prof. JOSE MARCOS PAULA THEODORO

Balanço Patrimonial

Grupo de Contas

INTRODUÇÃO

O balanço Patrimonial é constituído de Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido. O Ativo, por sua vez, compõe-se de Bens e Direitos aplicados na Entidade Contábil. O Passivo e o Patrimônio Líquido registram todas as entradas (origens) de recursos na empresa.

Se demonstrássemos um Balanço Patrimonial cujo Ativo fosse um “amontoado de contas de Bens e Direitos” (de forma heterogênea), teríamos dificuldades em ler, interpretar e analisar o Balanço Patrimonial. Por isso, é importante apresentar o Balanço agrupando-se as contas de mesma características, isto é, separando grupos de contas homogêneas entre si. Por exemplo, poderíamos agrupar as contas Caixa e Bancos (depósito que a empresa tem nos Bancos), em um único grupo denominado Disponível (dinheiro à disposição da Entidade).

Para facilitar a interpretação e análise do Balanço existe uma preocupação constante em estabelecer uma adequada distribuição de contas em grupos homogêneos. A Lei das Sociedades por Ações dispõe uma estrutura de contas nacionalmente aceita (inclusive por outros tipos de sociedades).

OS GRUPOS DE CONTAS

As contas do Ativo são agrupadas de acordo com a sua rapidez de conversão em dinheiro: de acordo com o seu grau de liquidez (a capacidade de se transformar em dinheiro mais rapidamente).

Em primeiro lugar, agrupam-se as contas que já são dinheiro (Caixa, Bancos etc.) com aquelas que se converterão em dinheiro rapidamente (Títulos a Receber, Estoques etc.). A este grupo de contas denominamos Ativo Circulante. É um grupo de elevado grau de liquidez.

Em segundo lugar, serão agrupadas aquelas contas que se transformarão em dinheiro mais lentamente. São Ativos de menor grau de liquidez (Valores a Receber, mas que levam muito tempo para serem recebidos). A este grupo denominados Ativo Realizável a Longo Prazo.

Em terceiro lugar, serão agrupados os itens que dificilmente serão transformados em dinheiro, que normalmente não são vendidos, mas são utilizados como meio de consecução dos objetivos operacionais da empresa. Poderíamos dizer que, praticamente, são itens sem nenhuma liquidez. Outra característica desse grupo é que são itens utilizados pela empresa por vários anos – vida útil longa (Prédios, máquinas etc.), por isso são denominados Ativo Permanente.

BALANÇO PATRIMONIAL

As contas do Passivo e PL são agrupadas de acordo como seu vencimento, isto é, aquelas a serem liquidadas mais rapidamente serão destacadas daquelas a serem pagas num prazo mais longo

Em primeiro lugar, agruparemos as contas que serão pagas mais rapidamente (Salários a Pagar, Impostos etc.). Este grupo é chamado Passivo Circulante.

Em segundo lugar, as contas que serão pagas num prazo mais longo (Financiamentos etc.). Este grupo é chamado Passivo Exigível a Longo Prazo.

Em terceiro lugar, as contas que, praticamente, não serão pagas. São obrigações com os proprietários da empresa, as obrigações não exigíveis. Este grupo é chamado Patrimônio Líquido

Há uma analogia em termos de grupos de contas entre o lado do Ativo e o lado do Passivo e PL: é o grau de liquidez decrescente.

No Ativo aparecerão em primeiro lugar as contas que se converterão mais rapidamente em dinheiro e, a seguir, as contas mais lentas de realização em dinheiro; no Passivo e PL serão destacadas, prioritariamente, as contas que deverão ser pagas mais rapidamente e, a seguir, aquelas que serão acertadas a Longo Prazo.

A – CIRCULANTE E O CONCEITO DE CICLO OPERACIONAL

O primeiro grupo de contas, é o circulante, tanto para o Ativo como para o Passivo.

Vamos partir de uma indústria, como exemplo, para melhor entender este grupo de contas.

No processo de industrialização, a primeira preocupação básica de uma empresa industrial é adquirir matéria-prima para transformá-la em produtos acabados. Normalmente, a aquisição de matéria-prima é a prazo. Dessa forma, a empresa contrai uma dívida que, contabilmente, se denomina fornecedores (são os fornecedores de matérias-primas para a indústria ou fornecedores de mercadorias para revenda em uma empresa comercial).

Em seguida, a empresa inicia a industrialização, entrando no estágio de transformação da matéria-prima: Produção em Andamento. Neste estágio surgem outras obrigações a pagar:

  1. Salários a Pagar: a utilização de mão-de-obra na produção em andamento gera despesas de salários que, via de regra, deverão ser pagas até o quinto dia útil do mês seguinte ao mês trabalhado;

  2. Contas a Pagar: pequenas despesas, tais como: material secundário à industrialização, contas de luz, de água etc.;

  3. Aluguel a Pagar: se o prédio utilizado for alugado etc.

  4. ......................................................................................

Por fim, a empresa chega ao estágio de Produtos Acabados, isto é, já houve a transformação total almejada. Agora o produto acabado poderá ser vendido.

Da mesma forma que a empresa adquiriu matéria-prima (a prazo), com raras exceções, também venderá seus produtos acabados a prazo. Nesta transação é gerado um Direito a Receber, cujo documento comprobatório (emitido pela empresa que vende e aceito pela empresa que compra) daquele direito é uma duplicata. Por isso, contabilmente, é gerada a conta Duplicatas a Receber.

Por ocasião das vendas alguns impostos serão gerados como, por exemplo, o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), o ISS (Imposto sobre Serviços) etc. Então, a empresa assume o compromisso com o governo: Impostos a Recolher (a pagar).

A empresa poderá, dependendo do prazo de faturamento, esperar 30, 60, 90, 120, ... dias para receber as duplicatas emitidas.

Muitas vezes, a empresa não tem recursos suficientes para cobrir suas obrigações geradas no processo de industrialização. Então recorre a Empréstimos Bancários e utiliza parte de suas duplicatas, oferecendo-as como garantia ao Banco. Como remuneração ao capital de terceiros, a empresa pagará juros à Instituição Financeira que estiver concedendo o empréstimo.

Outra maneira de obter recursos financeiros com duplicatas é o Desconto de Duplicatas. A empresa transfere (através de um endosso no verso do título) a propriedade das duplicatas ao Banco (ou outro financiador). Como contrapartida, a empresa recebe do Banco o valor constante nas duplicatas menos os juros contados até seus vencimentos (das duplicatas). O Banco, por sua vez, receberá o valor total da duplicata do cliente da empresa. Todavia, se, no vencimento da duplicata, não houver a sua liquidação (o Banco não receber), a empresa deverá reembolsar ao Banco (ela é co-responsável) o valor total da duplicata descontada.

A Cia. Socialista, após sua primeira venda a prazo, de posse de uma duplicata emitida contra seu cliente, Cia. Prestes, no valor de R$800.000, encontra reais dificuldades para liquidar suas dívidas.

Uma saída é propor ao Banco General o desconto de sua duplicata, que vencerá daqui a 30 dias. O gerente do banco concorda com o desconto, à base de uma taxa de juros de 9% (nove por cento) ao mês.

Dessa forma, a Cia. Socialista endossa a duplicata, transferindo a propriedade da mesma para o Banco General. O Banco General, por sua vez, libera R$728.000 para a Cia. Socialista (R$800.000 – 9% x 800.000).

A Cia. Prestes recebe um aviso de que deve liquidar a duplicata, na data do seu vencimento, em favor do Banco General.

Observe que, se a Cia. Prestes não liquidar junto ao banco a referida duplicata, estará a Cia. Socialista obrigada a repor os R$800.000 ao Banco General.

Por ocasião do recebimento das duplicatas por parte da empresa, os recursos financeiros serão canalizados para o Caixa ou Bancos (o correto é Bancos conta Movimento), e os compromissos da empresa, à medida que forem vencendo, serão liquidados.

Este processo se repete constante e ininterruptamente, uma vez que a empresa está sempre adquirindo novas matérias-primas para alimentar seu processo industrial.

O período desde a aquisição da matéria-prima (que entra no processo produtivo) até o recebimento das duplicatas é denominado Ciclo Operacional.

É relevante observar que, neste período, todas as contas envolvidas (Estoques de matérias-primas, de produtos em andamento e de produtos acabados; Fornecedores; Salários a Pagar; Contas a Pagar; Aluguel a Pagar; Duplicatas a Receber; Impostos a Recolher; Empréstimos a Pagar; Caixa e Bancos) estão constantemente em movimento, isto é, seus saldos são freqüentemente alterados.

São as contas em giro, em circulação. Por isso, o grupo dessas contas é denominado Circulante. Observe que estas contas aumentam e diminuem freqüentemente. Por exemplo, entra dinheiro no Caixa quando recebemos; sai dinheiro quando pagamos. Os valores modificam-se constantemente. Eles não permanecem fixos com o decorrer do tempo. Esta é uma característica das contas do Grupo Circulante.

Contas que Compõem o Circulante

Matéria-prima

ESTOQUES Produção em Andamento

Produtos Acabados

Fornecedores (De Matéria-prima ou Mercadorias)

Salários a Pagar

Aluguel a Pagar

Duplicatas a Pagar

Empréstimos Bancários (ou Empréstimos a Pagar)

Impostos a Recolher (ou Tributos a Pagar)

Caixa e Bancos etc.

Conhecendo as contas do Grupo Circulante, observamos que há itens de ATIVO e PASSIVO. O passo seguinte é separá-los e agrupá-los adequadamente.

ATIVO

PASSIVO

BALANÇO PATRIMONIAL

O Rei dos Encanadores Ltda. Em R$ mil

O Ativo Circulante também é conhecido como Ativo Corrente ou, ainda que não haja unanimidade, o Circulante Ativo e Passivo são denominados Capital Total em Giro ou simplesmente Capital em Giro ou Capital de Giro. Tanto a expressão “corrente” como a “em giro” são bem fáceis de ser entendidas: são contas com valores correntes (não-fixos); são contas que estão constantemente em giro, em movimento, circulando.

Evidentemente, o desejável seria que o Ativo Circulante fosse sempre maior que o Passivo Circulante. Enquanto o segundo significa obrigações a pagar, o primeiro – Ativo Circulante – significa dinheiro (Caixa e Banco) e valores que se transformarão em dinheiro (Duplicatas a Receber e Estoques).

Muitas vezes, mesmo que o Ativo Circulante seja maior que o Passivo Circulante, a empresa encontra dificuldade de pagamento das suas obrigações, isto porque as dívidas estão vencendo com rapidez maior do que os valores que se transformam em dinheiro. Isto é, os recebimentos da empresa ocorrem de forma mais lenta que os vencimentos das Contas a Pagar.

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