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BACHARELADO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS - 2003

CONTABILIDADE I

Prof. JOSE MARCOS PAULA THEODORO

CATANDUVA - 2003

I . CONTABILIDADE

1. CONCEITO

A Contabilidade é uma ciência que permite, através de suas técnicas, manter um controle permanente do Patrimônio da empresa.

A principal finalidade da Contabilidade é fornecer informações sobre o Patrimônio, informações essas de ordem econômica e financeira, que facilitam assim as tomadas de decisões, tanto por parte dos administradores ou proprietários, como também por parte daqueles que pretendem investir na empresa.

Para fornecer tais informações, a Contabilidade precisa registrar a movimentação do Patrimônio.

Registrar de que maneira?

Suponha que você seja o contador de uma empresa. Você vai iniciar a contabilização dessa empresa.

E agora? Por onde começar?

Responderemos que o primeiro passo é a escrituração.

A escrituração é uma das técnicas da Contabilidade que consiste em registrar, nos livros próprios, os fatos que provocam modificações no Patrimônio da empresa.

A escrituração começa pelo livro Diário, no qual todos os registros são efetuados mediante documentos que comprovem a ocorrência do fato. Os documentos mais comuns são: Notas Fiscais, Recibos de Aluguéis, Contas de Água, Contas de Luz e Duplicatas.

Veja um exemplo:

Ocorreu na empresa o seguinte fato: venda de uma máquina de escrever.

Para comprovar essa venda foi extraída uma Nota Fiscal. Mediante essa Nota Fiscal, o contador providenciará o registro do fato (venda da máquina) no livro Diário. Inicia-se aí o processo da contabilização.

NOTA:

  • Não se pode escriturar nada nos livros contábeis sem que documentos idôneos comprovem que aquilo que está sendo registrado é verdadeiro

2. APLICAÇÃO DA CONTABILIDADE

Uma pergunta comum entre principiantes no estudo da Contabilidade é: Onde aplicar a Contabilidade?

O campo de aplicação da Contabilidade abrange todas as entidades econômico-administrativas, até mesmo as pessoas de direito público, como a União, os Estados, os Municípios, as Autarquias etc.

II. PATRIMÔNIO

  1. CONCEITO E DEFINIÇÃO

O Patrimônio é um conjunto de Bens, Direitos e Obrigações de uma pessoa, avaliados em moeda.

Sendo assim, podemos imaginar o Patrimônio da seguinte maneira:

Vamos, então, estudar cada um desses elementos que compõem o Patrimônio.

1.1. Bens

São coisas capazes de satisfazer as necessidades humanas e suscetíveis de avaliação econômica.

Quando você entra em um supermercado, por exemplo, encontra inúmeros objetos, como balcão, vitrinas, prateleiras, máquinas registradoras e uma infinidade de mercadorias para venda. Todos esses objetos são os Bens que o supermercado possui.

Sob o ponto de vista contábil, pode-se definir como Bem tudo aquilo que uma empresa possui, seja para uso, troca ou consumo. Para exemplificar esse conceito, tomemos a nossa empresa comercial, que compra e vende calçados. Suponhamos, ainda, que essa empresa possua somente os seguintes Bens: balcão, prateleira, vitrina, caixa registradora, espelho, calçados para venda (mercadorias), papel para embrulho, material para limpeza da loja e meio quilo de pó de café. Neste caso, temos:

Os bens podem ser classificados segundo o modo como são considerados. A classificação que nos interessa é aquela que os divide em:

  • Bens materiais;

  • Bens imateriais.

Os Bens materiais, como o próprio nome diz, são aqueles que possuem corpo, matéria. Por sua vez, dividem-se em:

  • Bens móveis: os que podem ser removidos do seu lugar. Exemplos: mesas, veículos, máquinas de escrever, dinheiro, mercadorias etc.;

  • Bens imóveis: os que não podem ser deslocados do seu lugar natural. Exemplos: casas, terrenos, edifícios etc.

Os Bens imateriais são aqueles que, embora considerados Bens, não possuem corpo, não têm matéria. São determinados gastos que a empresa faz, os quais, por sua natureza, devem ser considerados parte do seu Patrimônio. Não existe muita variedade. Os mais comuns são:

  • Benfeitorias em Imóveis de Terceiros: Suponhamos que a nossa empresa tenha construído um depósito de 80m2 de área, nas dependências da empresa, ligado à loja. Como o imóvel onde nossa empresa está instalada é alugado, o valor do gasto na construção do depósito será contabilizado no Patrimônio de nossa empresa como bem imaterial, com o título de Benfeitorias em Imóveis de Terceiros, já que o referido gasto constitui uma benfeitoria em imóvel que não é de propriedade da nossa empresa.

  • Fundo de Comércio: Suponhamos, por exemplo, que José tenha uma loja. Todos os moradores da região estão acostumados a comprar na sua loja, já que existe há vários anos.

Reinaldo, também interessado em comércio, pretende comprar a loja de José. José faz um levantamento de tudo o que possui e chega à conclusão, que somando os valores dos seus Bens, Direitos e Obrigações, o Patrimônio da sua empresa vale R$50.000.

Porém, José cobra de Reinaldo R$70.000. A diferença de R$20.000, cobrada a mais, corresponde ao preço pelo qual José avaliou o seu ponto (local de trabalho, clientela, fama da sua loja, o tempo em que trabalhou ali). Na contabilidade de Reinaldo, que está comprando, esse valor de R$20.000 será registrado como Bem imaterial, com o título de Fundo de Comércio.

  • Patentes: Se, porventura, uma empresa inventa algum produto, deve registrar a patente desse invento. A importância gasta com esse registro, somada a todas as despesas de pesquisas necessárias à obtenção do invento, será registrada, na Contabilidade, como Bem imaterial.

1.2. Direitos

É comum as empresas efetuarem vendas a prazo. Quando isso ocorre, a empresa não recebe no ato o dinheiro correspondente à venda; receberá futuramente, porque a venda foi a prazo, não é mesmo? Sendo assim, a empresa fica com direito de receber o valor da venda no prazo determinado.

Constituem Direitos para a empresa todos os valores que ela tem a receber de terceiros (Terceiros, no caso, são os clientes, os fregueses da empresa).

Esses Direitos geralmente aparecem com os nomes dos elementos seguidos da expressão a Receber.

Exemplos:

1.3. Obrigações

É comum, também, as empresas efetuarem compras a prazo. Quando isso ocorre, a empresa não paga a compra no ato; deverá pagar futuramente, porque a compra foi a prazo, não é mesmo? Nesse caso, a empresa fica com a obrigação de pagar o valor da compra no prazo determinado.

Constituem Obrigações para a empresa todos os valores que ela tiver a pagar para terceiros (terceiros, neste caso, são os fornecedores, isto é, as pessoas que vendem a empresa).

Essas Obrigações geralmente aparecem com os nomes dos elementos seguidos da expressão a Pagar.

2. ASPECTOS QUALITATIVOS E QUANTITATIVOS DO PATRIMÔNIO

Vimos que o Patrimônio é um conjunto de Bens, Direitos e Obrigações.

Mas, se eu disser que o Patrimônio da minha empresa é:

PATRIMÔNIO

Somente com essas informações será possível avaliar o tamanho desse Patrimônio?

É evidente que não.

Então, há necessidade de ressaltar dois aspectos que a Contabilidade leva em conta para representar adequadamente os elementos que compõem o Patrimônio: o qualitativo e o quantitativo.

2.1. Aspecto qualitativo

Este aspecto consiste em qualificar os Bens, Direitos e Obrigações. Assim:

Com esse aspecto, já melhorou a idéia que se pode ter do Patrimônio da minha empresa. Mas ainda não basta, pois: Quanto de dinheiro possuo? Quanto de veículos tenho? Daí a necessidade do segundo aspecto.

2.2. Aspecto quantitativo

Este aspecto consiste em dar a esses Bens, Direitos e Obrigações seus respectivos valores, levando-nos a conhecer o valor do Patrimônio da minha empresa. Assim:

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