Cuidados com o paciente acamado

Cuidados com o paciente acamado

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transplacentária e aquelas associadas a bolsa rota superior a 24 horas

Nos dias de hoje, onde há superlotação de hospitais e falta de leitos, grande parte dos pacientes recebe alta, assim que tem fim a intervenção médica, para retornarem a suas casas o mais rápido possível, com a finalidade de abrirem vagas nos hospitais e que o paciente se recupere no conforto do lar. Contudo, há casos em que o paciente precisa de um acompanhamento profissional, para que sua reabilitação se faça de maneira mais rápida e eficiente, dando condições pra que o ele volte mais rápido ao seu estado de saúde normal, ou mais próximo do normal possível. Mais do que nunca, se faz necessária presença de um profissional que faça a reabilitação domiciliar, que, além de tratar o paciente, irá “educar” seus familiares a como proceder em certas ocasiões, como mudá-lo de decúbito, que condutas são melhores e mais indicadas para cada situação, complexa ou não, que o paciente apresentar. O profissional (massoterapeuta, fisioterapeuta, etc.) poderá prestar atendimento ao paciente até mesmo no hospital, quando o paciente está sob tratamento, cuidando para que ele tenha o máximo de atenção tanto no âmbito psicológico, como no terapêutico, zelando por sua saúde e bem estar. Ambiente Hospitalar Para realizar atendimento em ambiente hospitalar, é imprescindível que o profissional esteja consciente de que são necessários materiais e condutas especiais, por se tratar de um ambiente, de certa forma, infecto, e que há grandes chances de ocorrer qualquer complicação se não forem seguidas as condutas adequadas ao procedimento à ser realizado. Infecção hospitalar: É aquela adquirida após a admissão do paciente e que se manifesta durante a internação ou após a alta, quando puder ser relacionada com a internação ou procedimentos hospitalares. São também convencionadas infecções hospitalares aquelas manifestadas antes de 72 horas da internação, quando associadas a procedimentos terapêuticos e/ou diagnósticos, realizados durante este período. As infecções no recém-nascido são hospitalares, com exceção das transmitidas de forma Infecções comunitárias: São consideradas infecções comunitárias: - A infecção que está associada com complicação ou extensão da infecção já presente na admissão, ou que haja mudança de microorganismos com sinais ou sintomas fortemente sugestivos da aquisição da nova infecção; - A infecção em recém-nascido, cuja aquisição por via transplacentária é conhecida ou foi comprovada e que se tornou evidente logo após o nascimento: (herpes simples, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, sífilis e AIDS); - As infecções de recém-nascidos associadas com bolsa rota superior a 24 horas; Classificação das Cirurgias por Potencial de Contaminação: - Cirurgias Limpas: são realizadas em tecidos estéreis, na ausência de processos infecciosos; cirurgias eletivas; cirurgias em que não ocorre penetração nos tratos urinário, digestivo, respiratório, etc. - Cirurgias Potencialmente Contaminadas: são aquelas realizadas em tecidos colonizados por flora microbiana pouco numerosa, na ausência de processos infecciosos; cirurgias com drenagem aberta e naquelas que ocorre penetração sem contaminação significativa nos tratos urinário, digestivo, respiratório etc. - Cirurgias Contaminadas: são aquelas realizadas em tecidos recentemente traumatizados e abertos, na presença de inflamação aguda na incisão; obstruções biliares ou urinárias também se incluem nesta categoria.

- Cirurgias Infectadas: são todas as intervenções cirúrgicas realizadas em qualquer tecido ou órgão, em presença de processo infeccioso (supuração local) e/ou tecido necrótico.

Precauções Universais e Equipamento de Proteção Individual (EPIs): Lavagem de mãos:

- Lavar as mãos após tocar em sangue, fluidos corporais, secreções e itens contaminados, mesmo que tenha sido feito o uso de luvas; - Usar sabão neutro (não germicida) para lavagem de mãos de rotina;

- Usar detergente anti-séptico ou um produto para anti-sepsia rápida (álcool glicerinado);

Luvas:

- Usar luvas (procedimento) quando tocar em sangue, fluidos corporais, secreções e itens contaminados; - Usar luvas (estéreis) imediatamente antes de tocar em membranas mucosas e/ou pele não intacta; - Mudar as luvas entre tarefas diferentes no mesmo paciente após contatos que possam conter uma alta concentração de microorganismos; - Remover as luvas imediatamente após o uso, antes de tocar itens não contaminados e superfícies ambientais; - Trocar de luvas antes de atender outro paciente;

- Lavar as mãos imediatamente após retirar as luvas para evitar a transferência de microorganismos para outros pacientes ou ambiente;

Máscaras, Protetores Oculares ou de Face:

- Usar uma máscara, protetor ocular e/ou protetores faciais para proteger as membranas mucosas dos olhos, nariz e boca durante procedimentos e atividades com pacientes que possam gerar respingos ou aerossóis de sangue, fluidos corporais, secreções ou excreções;

Avental: - Usar avental (limpo, não estéril) para proteger a pele e prevenir o umedecimento das roupas durante procedimentos e atividades de cuidados com pacientes que possam gerar respingos e/ou aerossóis de sangue, fluidos corporais, secreções e excreções; - Escolher avental que seja apropriado para a atividade e a quantidade de secreções que se supõem encontrar; - Remover aventais úmidos assim que possível e lavar as mãos para evitar a transferência de microorganismos para outros pacientes ou ambiente; Materiais e Equipamentos:

- Manusear materiais e equipamentos sujos com sangue, fluidos corporais, secreções e excreções de forma a prevenir a exposição de pele e membranas mucosas, contaminação de roupas e transferência de microorganismos para outros pacientes ou ambiente;

- Assegurar-se de que equipamentos e materiais reutilizáveis não sejam utilizados em outro paciente até que tenham sido submetidos a limpeza e reprocessamento adequados;

- Assegurar-se de que equipamentos e materiais descartáveis sejam descartados apropriadamente após o uso; Controle ambiental:

- Assegurar-se de que os procedimentos de rotina para limpeza e desinfecção de superfícies, móveis, unidade de pacientes e outros artigos estão sendo seguidos; Roupas:

- Manusear, transportar e processar roupas usadas umedecidas ou sujas com sangue, fluidos corporais, secreções e excreções de forma que possa prevenir a exposição e contaminação da roupa, para evitar a transferência de microorganismos para outros pacientes e ambiente; Isolamento: I - Por Gotículas:

- É recomendado para reduzir o risco de transmissão de agentes infecciosos presentes em pessoas infectadas ao falar, tossir e espirrar;

Medidas Recomendadas: - Quarto privativo com banheiro;

- Uso de máscaras Indicações: - Caxumba;

- Coqueluche;

- Rubéola I - Por Transmissão Aérea:

- É recomendado para reduzir o risco de transmissão de agentes infecciosos pela disseminação de gotículas contendo microorganismos que possam permanecer suspensos no ar por longos períodos ou por poeira contaminada com agentes infecciosos; Medidas Recomendadas:

- Quarto privativo com banheiro que possua sistema de ventilação especial pelo risco de disseminação da infecção pelo ar; - Porta do quarto sempre fechada;

- Máscaras adequadas;

Indicações: - Sarampo;

- Rubéola;

- Tuberculose pulmonar ou laríngea;

- Varicela; I – Por Contato: - É recomendado para reduzir o risco de transmissão de microorganismos pelo contato, que poderá ser: Contato Direto: o microorganismo é transferido de uma pessoa infectada para um hospedeiro suscetível através do contato físico; Contato Indireto: ocorre pelo contato do hospedeiro suscetível com material ou equipamento contaminado, com mãos não lavadas, luvas não trocadas, medicações contaminadas; Medidas Recomendadas: - Quarto privativo com banheiro;

- Luvas;

- Avental;

- Desinfecção de materiais de uso do paciente; Indicações: -Infecções em grandes feridas;

-Escabiose e pediculose;

-Conjuntivite viral aguda;

-Febre Hemorrágica viral (Ebola, Lassa);

-Varicela;

- Prevenir a transmissão de doenças
- Evitar a decomposição de alimentos

-Úlcera de decúbito infectada; Controle Microorganismos O bem estar da humanidade depende em grande parte da capacidade do homem em controlar a população de microorganismos visando: - Evitar a contaminação da água e do ambiente. Esse controle de microrganismos é possível pela ação de agentes físicos e químicos, que possuem propriedades de matar a célula microbiana, ou de impedir a sua reprodução.

Esterilização - Destruição total da população microbiana e este termo deve ser empregado sempre em caráter absoluto, não sendo jamais empregado quando não houver a destruição total dessa população. Estéril - É um termo absoluto, ou seja, um material está estéril ou não. Não pode ser "parcialmente estéril" ou "quase estéril" Desinfetante - É uma substância química que mata as formas vegetativas de microrganismos patogênicos, mais não necessariamente suas formas esporuladas. Refere-se normalmente a substâncias utilizadas em objetos inanimados. Anti-séptico - É um composto químico usualmente aplicado na superfície do corpo humano para prevenir a multiplicação dos microrganismos. Mata os microrganismos, ou inibe seu crescimento e sua atividade metabólica. Saneador - Agente que mata 9,9% dos microrganismos contaminantes de uma área. São normalmente aplicados em objetos inanimados (copos, talheres, pratos e utensílios em restaurantes), e também na limpeza de equipamentos de lacticínios e indústrias de alimentos.

Paciente no Leito

O paciente prostrado no leito por longos períodos exige uma maior atenção do profissional que está com ele. Dependendo da patologia do paciente e do local onde ele se encontra (casa ou hospital), ele despenderá de cuidados e medidas próprias para ele, podendo estar fazendo uso de medicação intravenosa (intracath, abocath), algum tipo de drenagem (torácica, estomacal), recebendo alimentação via sonda (nasoentérica, nasogástrica) ou até mesmo com algum fixador ou tração óssea. O terapeuta, ao realizar as condutas próprias da sua área, deve ter conhecimento de como interagir com o meio, ou seja, como realizar seu serviço sem receio de tracionar, puxar ou deslocar acidentalmente algum acesso ou dreno. Acesso venoso Alguns pacientes, tanto em hospitais como domiciliares, podem estar recebendo medicação ou soro via corrente sanguínea. O medicamento pode ser ministrado através de dois tipos de acessos: Intracath: acesso venoso profundo, geralmente inserido na veia subclávia; e Abocath, acesso venoso mais superficial localizado geralmente nos membros (antebraço, mão, tornozelo, pé). Drenagem

Pacientes usuários de algum tipo de drenagem podem necessitar de atendimento por estarem muito tempo acamados. A drenagem pode ser de tórax, mediastino, após cirurgias ou até mesmo drenagem gástrica. Geralmente o tubo de drenagem é facilmente identificado, sendo ele grosso, podendo estar aberto em frasco (vidro coletor) ou fechado em compartimento com água (selo d’água); Alimentação via sonda

Pacientes que se encontram sob este tipo de procedimento, possuem alguma dificuldade de se alimentar pelo modo convencional. Podem sofrer de algum distúrbio neurológico, motor ou psicológico, sendo obrigatória sua nutrição pelo meio de sondas. Elas podem ser do tipo Nasoentérica (vão até o intestino delgado); ou Nasogástrica (vão até o estômago). Ambas são inseridas pela cavidade nasal. Tração e fixadores ósseos Quando há casos de fraturas mais sérias, o médico pode fazer uso de trações, utilizadas antes da cirurgia para diminuir a dor do paciente, e de fixadores ósseos, utilizados para consolidar o osso de forma correta.

Cuidados com Fraturas

Fratura Fechada: Caracteriza-se pela ocorrência de dor intensa, deformação do local afetado (se comparado com a parte normal), incapacidade ou limitação de movimento e edema (inchação) no local;

Fratura Aberta: Neste caso, deve-se proteger o ferimento com gaze ou pano limpo antes de imobilizar, a fim de evitar a penetração de poeira ou qualquer substância que favoreça uma infecção. O paciente que sofreu algum tipo de fratura, seja ela exposta ou fechada, necessita de muita atenção e cuidados especiais, pois, qualquer movimento brusco ou errôneo, pode afetar seu ferimento, causando dor, desconforto e prejudicar o tratamento. (Figura A: Fratura de rádio e Ulna); No ambiente hospitalar ou ambulatorial, a mobilização do paciente deve ser orientada pelo fisioterapeuta, que, analisando a situação, indicará a forma mais adequada e segura de realizar o procedimento, que será executado pela equipe de fisioterapeutas ou de enfermagem. O massoterapêuta também poderá atuar conforme sua legislação, usando técnicas de massoterapia,na reabilitação do paciente fraturado, contudo, orientado também pelo fisioterapeuta responsável. Os efeitos da massagem são extremamente benéficos a um paciente imobilizado, tanto antes da cirurgia, casa haja necessidade, ou depois.

A massagem vai melhorar a circulação sanguínea e linfática, ajudando a nutrição dos tecidos do paciente, diminuindo as chances de formação de escaras, e a formação de edemas, situação muito comum em pacientes a muito tempo acamados. Ao realizar seu procedimento, o massoterapêuta deverá ter muito cuidado, pois a região afetada é muito sensível, principalmente se o paciente estiver fazendo uso de uma tração ou fixação trans-esquelética. (Figura B: Fixador Externo); Durante a terapia, não poderá ser causada nenhum tipo de angulação na estrutura afetada do paciente, pois isso poderá gerar dor e prejudicará sua recuperação, podendo também interferir no tratamento. Já que o paciente, pode ter sofrido uma cirurgia e sua estrutura óssea ter sido fixada por uma placa.(Figura C: Placa de Fixação pós-cirúrgica) Novamente ressaltamos que a massagem em ambiente hospitalar ou em reabilitação, deve ser orientada e prescrita pelo fisiatra ou pelo fisioterapeuta responsável. Ao realizar suas competências, o massoterapêuta deve certificar-se se há necessidade ou não do uso de equipamento de proteção (EPIs), e se o paciente refere dor ou sensibilidade em alguma região. Em pacientes pós–operatórios(figura. 4), o cuidado é primordial, pois foi inserida uma placa de fixação óssea no paciente, a qual, pode ser quebrada se não houver um máximo de cuidado. Em situações em que o paciente é submetido a longos períodos sob o uso de fixadores transesqueléticos, o massoterapêuta ajudará a diminuir as aderências que acometem a pele do paciente, facilitando o processo de reparação de cicatrizes.

Como retirá-lo do leito O terapeuta deve ter muita atenção ao tentar tirar o paciente do leito ou sentá-lo em alguma poltrona. Primeiro, o paciente pode apresentar tonturas ao erguer-se muito rápido, segundo, deve-se tomar muito cuidado com acesso de soro, dreno ou outros conectores invasivos que podem ser tracionados se não tiver o devido cuiado. 1- Retirar obstáculos do caminho; 2- Mover conectores para o lugar mais próximo possível de onde o paciente for sentar, respeitando o comprimento dos acessos; 3- Se o paciente conseguir levantar sozinho, eduque-o a:

A) Virar de lado; B) Dobrar os joelhos; C) Erguer o tronco; D) Permanecer alguns minutos sentado no leito caso haja tonturas; E) Apóie os pés no chão; F) Ajude-o a caminhar até a poltrona; 4- Caso o paciente não consiga colaborar:

A) Chamar alguém para ajudar a erguer o paciente; B) Utilizar um lençol (meio) em baixo do paciente para servir como “maca” improvisada; C) Erguer por este lençol (cadeirinha) e repousá-lo na poltrona;

5- Certificar-se que não houve danos aos conectores do paciente; 6- Em caso de ocorrer, comunicar a enfermeira responsável;

Higiene: Banho Deve ficar a critério do paciente escolher a hora do banho, estando o terapeuta junto com ele, jamais deixando-o sozinho. O material deve ser organizado perto do paciente, estando ele em condições ou não de tomar banho sozinho. A água deve estar em uma temperatura agradável, ficando o terapeuta responsável de temperá-la, pois o paciente pode apresentar redução de sensibilidade à temperatura. Cuidados Transporte para cadeira de rodas ou para cama Colocar uma poltrona ou cadeira de rodas bem próximo à cama, de preferência do lado não afetado do paciente. • Quando o paciente for transferido para a cadeira, trazê-lo para a beirada do leito. • Ele poderá apresentar tonturas e cair, portanto, o terapeuta deve ficar próximo ao paciente. • Os braços dele devem estar apoiados nos ombros do terapeuta. • Para melhorar o apoio, colocar nele um cinto bem largo para poder segurá-lo com mais firmeza. Como ajudar a ir ao banheiro • A pessoa enferma freqüentemente precisará de ajuda para ir ao banheiro. Procurar lhe dar a maior privacidade possível, deixando-o sozinho para realizar suas necessidades • Em vez de fazer suas necessidades no leito, é preferível que o paciente vá ao banheiro (sozinho ou acompanhado) mesmo que seja com alguma dificuldade. Coloque no banheiro todo o material de higiene que ele poderá precisar em algum lugar que seja fácil alcançar. • Peça orientações à equipe de enfermagem sobre como limpar o paciente após a evacuação. As escaras de decúbito e a posição do paciente no leito:

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