O Discurso do Seculo e a Critica de Razão

O Discurso do Seculo e a Critica de Razão

O Discurso do Sécul o e a Crítica de Rousseau 1

Bento Prado Jr . 2

“Leitor es vulgar es, perdoem-me meus paradoxos. É preciso fazê-los quando se reflete, e, digam o que disser em, pr efiro ser homem de para - doxos a ser homem de pr econceitos”. Nesta frase, Rousseau não se limita a repetir a oposição tradicional entr e opinião e razão; aqui, esta oposição não mais se deixa captar sobr e o fundo da hierarquia dos modos de conhecimento. Oleitor vulgar nã o é oinsensato, mas oleitor pr esente , o público real a quem se ender eça também o discurso de Rousseau. Também, porque ao provocar esse leitor pr esente, Rousseau não deixa de invocar um leitor possível ou futuro, uma “geração melhor”, animada por “pr econceitos contrários”: “A questão, resolvida com tanta desenvoltura em nosso século, será melhor discutida num outro, quando o ódio em que se mantém o público deixar de ser fomentado: e quando, em gerações melhor es, a presente for reduzida a seu justo pr eço, seus juízos for marão pr econceitos contrários: será então uma ver - gonha ter sido por ela louvado, e uma glória ter sido odiado”.

O Paradoxo de hoje talvez venha a ser uma evidência comum no futuro, como par ece já ter sido no passado. Aidéia de pr econceito não se recorta negativamente no elemento intemporal da verdade, como o olhar da car ne ou limite da luz natural; pr econceito significa aqui apenas uma for ma de inserção no discurso coletivo. Paradoxo e preconceito figuram assim dois ritmos difer entes na pulsação de um discurso anô - nimo e a crític a é a inscrição da difer ença. Mas que só se tor na

1 Originalmente publicado em: Almanaque: Cadernos de Literatura e Ensaio , São Paulo: Brasiliense, n. 1, p. 9-12, 1976.

2 A publicação deste texto nos Cadernos de Ética e Filosofia Política é uma homenagem ao professor Bento Prado Jr. (1937-2007), que integrava o Conselho Editorial da revista. Os editores dos Cadernos agradecem a Raquel de Almeida Prado por permitir a reprodução integral do texto.

necessária na situação da adversidade, no século infeliz – quando, no limite, o discurso inatural já se tornou inútil: “Eu me explicarei: mas isto será ter otrabalho mais inútil ou o mais supérfluo: pois tudo que direi só poderia ser compreendido por aqueles a quem não é necessário dizê-lo”.

A denúncia do pr econceito não é uma calma operação epistemoló - gica, mas uma operação que podemos legitimamente chamar de crítica da ideologia – sem que essa crítica venha associada àfé na proximidade ou na iminência do Bom Século. Percorr endo a contra-corr ente o dis - curso do século, a escrita de Rousseau está de alguma maneira conde - nada ao mal entendido. Desde início, o paradoxo tende a par ecer “puro” paradoxo, jogo verbal e provocação gratuita. Daí a necessidade de alertar constantemente o leitor , de explicitar as regras da crítica: a difícil necessidade de explicar o paradoxo, de fazê-lo atravessar o elemento adverso do pr econceito, onde fatalmente tende a dissolver -se.

Que nós possamos interpr etar a oposição entr e paradoxo e preconceito como oposição entr e crítica eideologia , é o que mostra aleitura do Pr efácio de Nar ciso . Otexto parte da figura mais visível do paradoxo – como explicar que o autor do Discurso sobr e as ciências e as artes assine também peças de teatro? Não é apenas o leitor imediato que tende a esvaziar a virulência do paradoxo; os intérpr etes mais bem dispostos e distantes, hoje, são levados a desqualificar o argumento do Pr efácio e, mais ainda, a própria sinceridade do Autor . Onde Rousseau afir ma sua plena coerência, lê-se a confissão da contradição. Releiamos o último parágrafo do texto, onde o problema é for mulado na sua maior acuidade:

Aconselho portanto aqueles que buscam tão ardentemente críticas para me ender eçar , a melhor observar minha con - duta, antes de me acusar de contradição e deinconseqüên - cia [...]. Enquanto isso, escr ever ei livros, far ei versos e música se, para tanto, tiver talento, tempo, força e vontade: continuar ei a dizer mui francamente todo o mal que penso das letras e daqueles que as cultivam, e acr editar ei não valer menos por isso. É verdade que poderão dizer algum dia:

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Esse inimigo declarado das ciências e das artes fez, no entanto, e publicou, peças de teatro; e esse discurso será, eu o confesso, uma sátira muito amarga, não de mim mesmo, mas de meu século.

Só haverá confissão de contradição se a última frase, com a estranha partilha de responsabilidades que ela implica, com a oposição entr e o autor e seu século, não abrigar uma significação positiva. Mas éjusta - mente essa disjunção que o Pr efácio tor na pensável, através de uma nova exposição do primeiro Discurso . Uma nova exposição onde se tor na claro que a crítica das ciências e das artes não é uma crítica metafí - sico-moral que as visa no absoluto, mas uma crítica de sua função ideológica no pr esente histórico. Rousseau começa por esboçar uma espécie de simulacro do primeiro Discurso ,isto é, sua versão banalizada e corrente: a única super fície do texto que o olhar dos contemporâneos foi capaz de percorr er:

A ciência não é boa para nada e só produz o mal, pois ela é má por natur eza. Ela é tão inseparável do vício como a ignorância o é da virtude. Todos os povos letrados sempr e foram corrompidos; todos os povos ignorantes foram virtuosos: em uma palavra, só há vícios entr e os sábios, só é virtuoso quem não sabe nada. Só há portanto um meio de voltar mos a ser honestos: é prescr ever rapidamente a Ciência e os sábios, queimar nossas bibliotecas, fechar nossas Academias, nossos Colégios, nossas Universidades, mer gulhar novamente em toda a barbárie dos primeiros séculos.

Antes de examinar o alcance deste texto, é preciso sublinhar que, com esta simplificação extr ema de suas teses que lhe rouba qualquer significação, Rousseau não facilita sua tar efa, caricaturando seus oposi - tor es. Essa interpr etação se encontra, telle quelle , sob as penas mais ilus - tr es, como mostra a carta de Voltair e, cuja ironia não basta para esconder a maciça ingenuidade que a carr ega:

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Quando se lê vossa obra, dá vontade de andar de quatro patas. Como, todavia, perdi esse hábito há mais de sessenta anos, sinto, infelizmente, que me éimpossível retomá-lo, e deixo essa postura natural àqueles que dela são mais dignos do que vós, ou do que eu mesmo.

Aleitura de Voltair e coincide, ponto por ponto, com o simulacro do primeiro Discurso : e m ambos os casos, é a mesma operação de redução que está em ação. As proposições críticas são interpr etadas como positi - vas, universal-afir mativas , e a genealogia do pr esente histórico é rebai - xada à condição de visão moral do mundo. Toma-se como verdade material e descritiva o qu e é o momento de uma análise, estende-se como nor ma universal o que é u m passo na interpr etação dos valor es em situação histórica . A crítica da ideologia nas ciências e nas artes não deve ser confundida com a proscrição metafísico-moral da ciência e da arte. Não é, com efeito, das ciências e das artes no absoluto, em sua profunda identidade numênica, que Rousseau fala, mas de seu funcionamento intra-histórico, aqui e agora , no circuito da inter -subjetividade, de seu desempenho como figuras do jogo do Poder .

É o que transpar ece na oposição que o Pr efácio estabelece entr e a ciência “considerada de maneira abstrata ” e a “louca ciência dos homens”. Esta distinção par ece remeter -nos à problemática do ceticismo, ao abismo que separa o entendimento infinito de Deus, idêntico à verdade, do entendimento finito do homem, condenado ao não-saber .

Ela pr epara, todavia, uma reflexão que caminha numa dir eção bem dife - rente, onde se trata menos do erro e do não-saber , do que do horror de um certo uso da não-verdade assim como da própria verdade.

A loucura das ciências do homem, denunciada pela ciência do homem, teria bem pouco alcance se corr espondesse apenas a uma hybris do entendimento, pura ilusão, e não fosse carr egada por cumpli - cidades secular es. O verdadeiro objetivo da crítica de Rousseau é a moder nidade , a mesma que apar ece adjetivada nas expr essões: Estado moder no, Ciência moder na:

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Nossos escritor es consideram todos como a obra-prima da política de nosso século as ciências, as artes, o luxo, o comércio, as leis, e outros liames que reforçam entr e os homens os nós da sociedade pelo inter esse pessoal, colo - cando-os todos numa mútua dependência, dando-lhes inte - resses comuns e obrigando cada um deles a conspirar pela felicidade dos outros para realizar sua própria felicidade.

O discurso do inter esse bem compr eendido, essência da política moder na, nova maneira de assegurar a coesão da sociedade –tudo isso não nos faz lembrar o discurso inaugural dá sociedade civil? Vê-lo-emos adiante. Ao texto que acabamos de citar , Rousseau acr escenta uma pequena nota, onde é dito:

O que lamento é que a Filosofia afrouxe os liames da sociedade que se for maram na estima e na benevolência mútua e lamento que as ciências, as artes etodos os outr os objetos do comér cio reforcem os liames pelo inter esse pessoal. Com efeito, não se pode reatar um desses liames sem que o outro não se desate ao mesmo tempo. E não há, nisto, contradição alguma.

Do mesmo modo, a crítica do teatro francê s é a crítica política de um teatro de classe que, à sua maneira, afrouxa os liames da sociedade, ao contrário do teatro gr ego, onde a cidade inteira podia reunir -se efetiva - mente e meditar seu próprio destino exposto sobr e a cena. Os liames que oteatro tece, em Paris, são bem estr eitos, mas retiram toda sua coe - são da malha mais universal que dissolvem . É o que observa St. Pr eux:

Os próprios espectador es tor naram-se tão delicados que temeriam comprometer -se na Comédia como numa visita, e não se dignariam air ver em repr esentação gente de condi - ção inferior à sua. Ter u m Carr osse ,u m Suisse ,eu m Maîtr e d’hôtel , é ser como todo mundo. Para ser como todo mundo, é preciso ser como muito pouca gente [...]. É unica -

O Discurso do Século e a Crítica de Rousseau11 mente para eles que são feitos os espetáculos. Eles aí se apresentam, ao mesmo tempo, como representados no meio do teatro e como representantes dos dois lados; são personagens na cena e comediantes nos bancos. É assim que a Esfera do mund o e a dos autores se estreita ; e é assim que a cena moderna não abandona mais sua tediosa indignidade.

Ocultação da difer ença, a operação do teatro consiste em limitar a repr esentaçã o e a assegurar , por isso mesmo, a dominação. Mais uma obra-prima da política moder na.

Vemos assim qua l é o peso do século – tanto mais que ele impõe, com a sua linguagem, um horizonte incontor nável. De resto, podemos dizer , antecipando um pouco, que o século é a sua linguagem. O pensamento crítico não pode deixar de passar pelas malhas dessa linguagem, respirar a atmosfera do pr econceito ou da ideologia; mesmo se sua tar efa é dissolver essa trama, éinevitável que comece por situar -se dentro de seu espaço, pois não pode falar de um lugar absolutamente outro e não dispõe de outra linguagem. Mas, se escr ever significa, deste modo, apoiar -se sobr e a linguagem, torcê-la numa nova dir eção, subverter a ideologia, dizer só pode ser contra -dizer . É guardando a difer ença entr e contradição e contra -dicção que devemos reler a conclusão do Pr efácio de Nar ciso , de que partimos:

É verdade que poderão dizer algum dia: Esse inimigo decla - rado das ciências e das artes fez, no entanto, e publicou peças de teatro; e esse discurso será, eu o confesso, uma sátira muito amar ga, não de mim mesmo, mas de meu século.

Percorr endo a nova exposição do primeiro Discurso no Pr efácio de

Nar ciso , pudemos atribuir um sentido mínimo às noções de ideologia e de crítica. Não há dúvida, com efeito, de que a crítica rousseauniana visa

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menos àinércia do erro, do que ao poder de dissimulação do discurso, sua capacidade de encobrir a diferença que atravessa o social. Resta agora sugeri r – eisto talvez seja mais interessante – como a estratégia da crítica é comandada por uma filosofia da linguagem.

Que entendemos por poder de dissimulação ? Num primeiro momento, essa expr essão significa apenas a eficácia da mentira. A men - tira é, com efeito, uma figura essencial da arqueologia da desigualdade exposta no segundo Discurso . Nós areencontramos em todas as plaques tour nantes da História como motor da multiplicação da desigualdade. Não éjamais a violência que instaura a difer ença; a violência só pode desenrolar -se de for ma pura, como resultado , aoter mo do processo ou no fim da História. Lembr emos o astucioso discurso do rico que, ameaçado pela generalização do estado de guerra, acena com a possibilidade da sociedade civil:

Unamo-nos para impedir a opr essão dos fracos, conter os ambiciosos e assegurar a cada um a posse do que lhe pertence [...]. Em uma palavra, em lugar de voltar nossas forças contra nós mesmos, associemo-las num único poder supr emo que nos gover ne segundo sábias leis, que proteja e defenda todos os membros da associação, expulse os inimigos comuns, e nos mantenha numa concórdia eter na.

Mas, menos inter essante de que a mentira em si mesma , é a cumpli - cidade que, por assim dizer , ela encontra entr e aqueles que quer enga - nar . Aqui não estamos mais diante da pura ingenuidade daqueles que acr editaram na proposição “isto é meu”, enunciada pelo primeiro que teve aidéia de cercar um terr eno. Por que cumplicidade?

Era pr eciso muito menos que o equivalente desse discurso para convencer homens grosseiros facilmente sedutíveis, que aliás tinham muitas questões a resolver entr e si para poder dispensar Árbitros, e demasiadas ambições para poder dispensar , por muito tempo, Senhor es. Todos se pr e - cipitaram em dir eção dos grilhões, acr editando assegurar a

O Discurso do Século e a Crítica de Rousseau13 própria liberdade pois, tendo razões suficientes para sentir as vantagens de um estabelecimento político, não tinham suficiente experiência para prever perigos; os mais capazes de pressentir os abusos, eram precisamente aqueles que pensavam em tirar proveito e mesmo os sábios viram que era necessário sacrificar uma parte de sua liberdade à con - servação da outra, como um ferido que deixa cortar um braço para salvar o resto do corpo.

Não é apenas o rude entendimento que se deixa engana r e a astúcia se reencontra dos dois lados da mentira. Há algo como um desejo de submissão e, mais ainda, um sábio cálculo, ointer esse bem compr eendido, por parte de quem se deixa ludibriar . E é nesse sentido que pudemos falar de discurso coletivo ou anônimo para designar a espessura do curso da ideologia. Embora aideologia recubra e esconda ointer esse do rico ou do poderoso, ela serve também, ao menos em parte, aos inter esses do pobr e e do oprimido. Nesse sentido, podemos dizer que aideologia não é apenas o discurso dos Senhor es do Tempo, mas, mais propriamente, o discurso da sociedade dividida. A consistência desse discurso está dada na co-pertinência dos inimigos a u m mesmo horizonte, na colaboração que a polêmica esconde. A crítica não consiste portanto em apontar ointer esse real através da ilusão do discurso, mas em trazer àluz a sintaxe única que per manece idêntica a si mesma, por sob a tempestade do confronto entr e os partidos adversos. Nem é por outra razão que Rousseau recusa, em seu século, a alter nativa entr e Fanáticos e Filósofos e denuncia o grão de fanatismo que se abriga no próprio coração da Filosofia. O projeto da Nouvelle Héloïse , reconciliar os espíritos fortes com os devotos, pr essupõe apenas isso: solapar , de lado alado, o discurso que os tor na cúmplices no maniqueísmo que os opõe. Da mesma maneira, for mular corr etamente a questão da introdu - ção do teatro em Genebra, é recusar os próprios ter mos da monótona quer ela que só opusera, até então, os ir mãos inimigos, les gens d’église et les gens du monde . A crítica da ideologia não traça alinha que separa, no interior do Século, o Bom do Mau Discurso, ela aponta, para além dos conflitos que eclodem na super fície, para alógica profunda que articula

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uma forma de linguagem a uma forma de sociabilidade, para o estilo do Século em sua plena contingência.

Mas, para compr eender essa cumplicidade dos discursos inimigos, é necessário ver nela a expr essão de uma outra cumplicidade, mais pro - funda, que liga, de maneira indissociável, afor ma da linguagem àfor ma da sociedade. Se há “ideologia”, para Rousseau, não é porque alingua - gem repete passivamente a dinâmica dos “inter esses”; todos os inter es - ses são ditos e a trama que estabelecem entr e o desejo e as coisas não pr ecede sua própria expr essão simbólica. Numa palavra: o discurso não vem recobrir um universo social já estruturado em silêncio . É aqui que intervêm, como fundamento último, afilosofia da linguage m e a decisão de, contra Condillac, recusar o engendramento da linguagem a partir da noção contraditória de uma sociabilidade afásica. Quando Rousseau apela para a hipótese teológica para dar conta da origem da linguagem – Deus dá a linguagem aos homens –, é preciso entendê-lo negativamente: a for ma da linguagem é contemporânea da for ma da sociabilidade e aslínguas são o espelho, não das coisas como queria Condillac, mas das for mas de gover no . Aideologia não é uma repr esentação falsa ou invertida do real, mas a ver dade da for mação histórica que a carr ega e que ela, por sua vez, institui .

Étão sólida, assim, aideologia –já que alinguagem não é mais frágil ontologicamente do que a coisa –, que aidéia do “fim da ideologia” não teria o menor cabimento na perspectiva de Rousseau. O mesmo já não ocorr e com a crítica da ideologia, desde sempr e frágil e vulnerável. Tanto mais que a história das línguas e das for mas de gover no tende a dar um novo estatuto ao universo da linguagem, onde tudo se altera. No fim da História, o Rei está nu, toda dissimulação deserta o campo do dis - curso: fim do Discurso e curso da Barbárie real. Como sempr e, já é o momento de reler o último capítulo do Ensaio sobr e a origem das línguas :

Nos tempos antigos, quando a persuasão constituía uma força pública, impunha-se a eloqüência. De que serviria hoje, quando a força pública ocupa o lugar da persuasão? Não se tem necessidade nem de arte nem de figura para

O Discurso do Século e a Crítica de Rousseau15 dizer – assim o quero . Qual é o discurso, pois, que resta fazer ao povo reunido? Sermões. E qual ointeresse daqueles que o fazem, em persuadir o povo, se nã o é o povo quem distribui mercês? As línguas populares tornaram-se, também para nós, tão perfeitamente inúteis quanto a eloqüência. As sociedades tomaram sua última forma: nelas nada mais se muda senão com o canhão e com a moeda, e como nada se tem a dizer ao povo, senão dai o dinheiro , diz-se por meio de cartazes nas esquinas ou de soldados nas casas. Para tanto não se precisa reunir ninguém; pelo contrário, convém manter os súditos dispersos –tal a primeira máxima da polí - tica moderna.

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