Educação Física Escolar

Educação Física Escolar

Educação Física escolar: um olhar reflexivo

 

Especializanda em Educação Física Escolar

Universidade Federal de Santa Maria, RS

(Brasil)

Carolina Canha Santos

carolinacanha@yahoo.com.br

 

 

 

Resumo

          Este estudo tem como objetivo fazer uma reflexão crítica sobre a Educação Física Escolar bem como as possibilidades de tornar esta prática mais interessante visto que esta disciplina vem sendo constantemente desvalorizada pelos alunos, pais e professores de outras áreas do conhecimento. Neste sentido, é preciso fazer um resgate sobre o papel do professor de Educação Física na escola e de como se deve reagir frente a esses problemas.

          Unitermos: Educação Física. Escola. Reflexão.

 

http://www.efdeportes.com/ Revista Digital - Buenos Aires - Año 13 - Nº 123 - Agosto de 2008

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    Através de estudos, discussões, e reflexões com colegas de profissão sobre como vem sendo trabalhada a Educação Física na escola podemos perceber o quanto, aos poucos, esta disciplina está sendo desvalorizada pelos alunos, pelos pais, e até mesmo por professores de todas as áreas de ensino. Este problema torna-se visível pelo fato de haver um aumento no desinteresse dos alunos pela prática desta disciplina. Os pais, muitas vezes, desconhecem os conteúdos, os objetivos e a importância da atividade física, assim, não incentivam os filhos a participarem das aulas e não questionam sobre como está à aula de educação física da mesma forma que questionam sobre conteúdos das demais disciplinas do currículo escolar. Os professores destas disciplinas também desconhecem o valor da atividade física na idade escolar e, naturalmente, vão se distanciando, em nível de trocas de experiências e de planejamento, dos professores de educação física. Isso porque o próprio professor de educação física não tem contribuído para reverter este problema e para mostrar a verdadeira importância desta disciplina do currículo escolar na vida e formação de seus alunos, ele deve encarar esta realidade e começar a fazer algumas modificações no seu próprio comportamento diante dos outros professores e no planejamento e desenvolvimento das aulas, possibilitando que os alunos estejam cientes do real objetivo das aulas, que segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) são o conhecimento do próprio corpo cuidando-o, valorizando-o, adquirindo hábitos saudáveis, e também que os alunos sejam capazes de utilizar diferentes linguagens como meio de produção, entre estas a corporal (Brasil, 1998). O profissional de Educação Física deve estar preparado para atender estas exigências e outras, de igual relevância. Ainda, nos PCNs encontramos que a educação física “é a área do conhecimento que introduz e integra os alunos na cultura corporal do movimento, com finalidade de lazer, de expressão de sentidos, afetos e emoções, de manutenção e melhoria da saúde” (Brasil, 1998, p.62).

    É preciso trabalhar, desde as séries iniciais, visando o aprimoramento das capacidades físicas e motoras e além de aulas práticas, termos também aulas teóricas, que abordam temas do interesse dos alunos conforme a faixa etária, ampliando o campo de conhecimento sobre corpo, saúde, sociedade, havendo assim uma prática consciente, proporcionando ao aluno uma compreensão mais ampla da realidade. Barbosa (2001) nos fala que ao olharmos para Educação Física Escolar no contexto da Educação, tem-se como papel principal tornar os alunos cidadãos críticos, e autônomos responsáveis pelos seus atos, visando à transformação da sociedade. A aprendizagem é decisiva para o desenvolvimento dos alunos, sendo indispensável à busca de uma complementaridade entre as disciplinas a fim de facilitar aos alunos um desenvolvimento intelectual, social e afetivo mais completo e interligado.

    A proposta é que as aulas tornem-se mais interessantes, estimulando os alunos para que sejam mais criativos, responsáveis, e participativos. Sabemos que as crianças, do ensino fundamental, gostam e participam bem mais do que os alunos do ensino médio, as crianças são mais ativas sentem prazer ao brincarem, e devemos aproveitar este momento para não deixarmos que estas crianças, com o passar do tempo, comecem a perder o interesse nas aulas. Já os alunos maiores sentem vergonha de praticar algumas atividades, por estarem na adolescência, que é uma faixa etária que colabora com o surgimento de várias dúvidas, de mudanças corporais, e descobertas. Os esportes são os principais conteúdos trabalhados com eles, e estes conteúdos acabam selecionando e estimulando somente os mais habilidosos para que continuem praticando as aulas com prazer. Por isso a importância de abordar diferentes conteúdos, a educação física é uma área do conhecimento que vai muito além dos esportes coletivos. Se as aulas forem mais bem planejadas, estruturadas e melhor desenvolvidas em todas as séries, teremos uma maior participação e satisfação do praticante, pois todos estes fatores que influenciam a vida dos alunos devem ser pensados no momento da preparação das aulas.

    A tarefa do professor é de preparar as situações de ensino de tal maneira que estimulem o aluno a agir e que os problemas e questionamentosdo aluno possam ser resolvidos por ele próprio, com base na sua condição de poder fazer e de suas experiências. As vivências corporais de cada aluno, também devem ser valorizadas, assim como merecem respeito tudo que venha tornar este ser humano único e, portanto, diferente. Para que o ensino seja de qualidade, as aulas devem ser relacionadas com a prática ou a experiência do aluno a fim de adquirir significado, a relação entre teoria e prática requer a concretização dos conteúdos curriculares, criando situações mais próximas e familiares do aluno com a aplicação de conhecimentos constituídos na escola e compreendendo as situações da vida cotidiana.

    Para Gonçalves (1997), a Educação Física com rosto próprio, precisa ser inventada, construída. Essa que disciplina corpos e molda atletas já está aí. A Educação Física, ação pedagógica para educar corporeidades no interior das escolas está esperando os seus criadores ou inventores. Professores criativos, fiéis aos objetivos da prática, podem tornar as aulas diferentes e interessantes, utilizando, também, os temas transversais, como meio ambiente, cultura, ética, orientação sexual, e outras questões de acordo com a realidade de cada escola, para a elaboração das atividades.

    O profissional de educação física na escola deve estar sempre bem atualizado sobre os acontecimentos da escola e da sociedade como um todo, faz-se necessário que o professor participe das reuniões pedagógicas, selecionando os conteúdos e participando ativamente da construção do Projeto Político Pedagógico da escola, trazendo todo o seu conhecimento para somar e acrescentar junto com os demais profissionais.

    Desta forma, certamente teremos condições de fazer com que esta disciplina seja vista de forma diferente, primeiramente pelos alunos, que passarão a praticar as atividades com mais prazer, estes irão passar para os pais o quanto está sendo interessante participar das aulas. Após a mudança das aulas e também à mudança da postura do professor frente aos problemas e aos outros professores, todos terão um entendimento maior dos objetivos da educação física escolar, sendo assim, mais valorizada e respeitada por todos, serão os resultados das aulas que irão proporcionar toda diferença. A educação física, além de todos os fatores físicos, pode contribuir com a formação do ser humano no momento em que possibilitamos que, o mesmo, adquira competências para um agir autônomo, buscando ser um cidadão crítico e consciente.

Referências

  • BARBOSA, C. L. DE A. Educação física escolar da alienação à libertação. Petrópolis – RJ. Editora Vozes, 2001.

  • BRASIL. PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais Secretaria de Educação Fundamental: terceiro e quarto ciclos de ensino fundamental – Introdução aos parâmetros curriculares nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1998.

  • ______________ Temas Transversais. Brasília: MEC/SEF, 1998.

  • GONÇALVES, M.S.- Sentir, pensar, agir – Corporeidade e Educação. Ed. Papirus: Campinas, SP, 1994.

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