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Lingüística Histórica/Antropologia Lingüística: possibilidades interdisciplinares

Genésio Seixas Souza (UNEB) (UFBA-DO)

A Antropologia Lingüística, assim como outras Ciências, dedica-se ao estudo do papel das línguas e da faculdade lingüística dos indivíduos. Faculdade esta que é medida culturalmente. Este trabalho tentará discorrer sobre estes estudos “antropológicos – lingüísticos”, representando uma síntese de nossas leituras de alguns autores sobre o tema, Antropologia Lingüística. Aponto no sentido de tentar clarear a própria terminologia “Antropologia Lingüística ou Lingüística Antropológica?”, verificando a conceituação desta “vertente” da Lingüística e depois seguiremos para verificar seus fundamentos, correntes surgidas, autores constituintes dela, como se desempenha na atualidade e, por fim, estabelecer uma interface com a disciplina Lingüística Histórica, no que tange ao objeto da minha linha de pesquisa: o códice quinhentista Notícia do Brasil de Gabriel Soares de Sousa1.

As discussões em torno do binômio língua/linguagem remontam a tempos antigos e variações quanto aos enfoques de conceituação dos termos como já vimos nos estudos da Antigüidade até os dias atuais. No entanto, a Lingüística surge como estatuto de estudo científico a partir do Curso de Saussure, o que, em geral, nos remete a fazer referência a ela com um “antes” e um “depois” de Saussure. As vertentes surgidas após este autor correspondem ao desenvolvimento das reflexões desde a Filologia até a Análise do Discurso em que os estudiosos se debruçam para mergulhar nesta misteriosa relação homem/linguagem.

Duranti (Duranti:2001) nos lembra que o uso da língua é mediado culturalmente. Conforme o autor:

Se quisermos compreender o papel da língua na vida das pessoas, precisamos ir além do estudo de sua gramática e entrar no mundo da ação social, onde as palavras são encaixadas e constitutivas de atividades culturais específicas, tais como, contar história, pedir um favor, mostrar respeito, insultar[...]2.

A Antropologia Lingüística, doravante AL, dedica-se ao estudo do papel das línguas e à faculdade lingüística desta atividade social. Para tanto, é preciso compreender os sistemas lingüísticos e documentar o seu uso em atividades que sempre procuram o tecido cultural dentro dos quais são produzidos enunciados e sentidos.

O termo Antropologia Lingüística data mais ou menos de 1870, contudo somente em 1964, quando Dell Hymes editou uma primeira coletânea e inclui artigos cujos autores não se denominavam antropólogos lingüistas como Mauss, Meillet, Lévi- Strauss, Bloomfield, entre outros, é que o termo ganha força. O que pretendia Hymes era muto mais que um interdisciplinaridade, mas denotar:

1 Cf. Gabriel Soares de SOUSA em Notícia do Brasil, Lisboa: Ed. Alfa-Biblioteca da Expansão Portuguesa, 1989. 2 Cf. Alessandro DURANTI, ed. 2001. Linguistic Antrhropology: a Reader. Oxford: Blackwell, textos disponibilizados para estudo na disciplina.

1) A importância de língua/linguagem para uma compreensão de cultura e sociedade; 2) A relevância de fenômenos culturais e sociais para a compreensão de língua/linguagem (Duranti:2001)

Para a AL, o entendimento da mensagem lingüística vem com o entendimento do

Nos anos 60 e 70, AL e “Sociolingüística” eram consideradas campos, mas desde então têm-se afastado uma da outra apesar do compartilhamento de tópicos que se relacionam e se separam por razões, inclusive de identidade profissionais (Roman Jakbson é lingüista e Erving Goffman é sociológo), interesses teóricos e históricos constituindo-se em dois campos relacionados, porém separados na pesquisa. contexto em que a mesma está sendo produzida e interpretada. O estudo da linguagem contextualizada abre margem para a análise além da estrutura lingüística.

O termo AL coexiste com outros, entendido, para alguns, inclusive como sinônimos: Lingüística Antropológica, Sociolingüística e Etnolingüística. Todas abarcam dois grandes campos como a Lingüística e a Sociologia em que as fronteiras e interações contribuem para melhor definir o que seja Antropologia Lingüística. Para Duranti (Duranti:2001), a diferença entre os termos tem a ver com histórias, identidades e interesses teóricos diferentes.

Segundo Foley (apud Duranti:2001), Lingüística Antropológica é aquele subcampo da Lingüística que se preocupa com o lugar a linguagem em seu contexto social e cultural mais amplo, seu papel em avançar e sustentar as práticas culturais e as estruturas sociais. Nos séculos XIX e X, houve grande ênfase na documentação das línguas aborígenes nos Estados Unidos e Canadá, o que desencadeou pesquisas acadêmicas em torno da documentação das línguas, levantando um projeto para transformar a Antropologia em profissão e área de conhecimento. Assim é que Sapir influencia muitos de seus alunos a serem lingüistas e não antropólogos, pois era uma área em crescente autonomia. Os chamados lingüistas antropólogos tinham como principais preocupações:

a) A documentação das estruturas gramaticais das línguas indígenas americanas e outras línguas ágrafas; b) A linguagem como meio pelo qual os mitos e narrativas históricas podem tomar forma; c) O uso da língua como uma janela para a cultura.

Somente a partir de 1960 é que esta visão muda, pois a Antropologia deixa de prestar
um serviço para ser mais autônomaOs estudos de John Gumperz e Charles Ferguson

Foi observando estas metas que se partia para estudar as nomenclaturas e taxonomias (de animais, plantas, tipos de doença, termos de parentesco), relações entre as línguas, o impacto da cultura sobre a língua. Tudo era estudado dentro do departamento de Antropologia em aulas ministradas por professores de Lingüística que treinavam alunos de outros sub-campos para usar dados lingüísticos em suas pesquisas. Daí se usar a expressão Lingüística Técnica. instigaram uma nova identidade profissional através de dois projetos: a) a investigação da variação dialetal e contato lingüístico no Sul da Ásia e b) a “etnografia da fala” por Hymes, depois renomeada para “etnografia da comunicação”. É em 1964 que este mesmo autor propõe usar o nome Antropologia Lingüística, tendo forte presença nos Estados Unidos em oposição aos países europeus.

identidade intelectual própriaO principal objetivo da Antropologia Lingüística é descrever essa

A Antropologia Lingüística é um campo interdisciplinar que se baseia em várias outras disciplinas independentemente estabelecidas, mas especialmente nas disciplinas das quais tira seu nome: a Antropologia e a Lingüística. Nas últimas décadas, este campo de estudo tem desenvolvido uma identidade e explicar como ela pode aumentar nossa compreensão de linguagem, não somente como uma forma de pensar, mas sobretudo, como uma prática cultural, isto é, como uma forma de ação que ao mesmo tempo pressupõe e realiza modos de estar-no-mundo3.

A distinção entre os antropólogos lingüistas e os outros estudos da linguagem está no foco da linguagem como um conjunto de recursos simbólicos que entra na constituição do sistema social e a representação individual de mundos reais ou possíveis. Isto permite que se abordem questões e tópicos da pesquisa antropológica: política da representação, constituição de autoridade, legitimação do poder, conflito cultural, processo de socialização, construção cultural da pessoa, política da emoção e a relação entre o desempenho ritual e formas de controle social entre conhecimentos específicos e cognição, entre a performance artística e a política do consumo estético e entre o contato cultural e a mudança social.

Duranti (Duranti:1997) segue mostrando como e onde se dá o estudo de práticas lingüísticas e importantes conceitos para mostrar as intenções da AL. Ela parte da pressuposição teórica de que palavras são importantes e de que signos lingüísticos nunca são neutros: são usados para a construção de afinidades e diferenciações culturais realizadas nas comparações. O trabalho dos antropólogos lingüistas é verificar que as diferenças não estão apenas nos códigos simbólicos que as representam. Não são diferenças de substituição de um som por outro como em /pata/ vs. /bata/, ou de uma palavra por outra como em “Um grande amigo seu” vs. “Um grande cão seu”. Essas diferenças ocorrem nos atos concretos de fala, na mistura de palavras com ações e na substituição de palavras pela ação. Talvez uma herança dos estruturalistas.

O trabalho dos antropólogos lingüistas está, também, na maneira em que as palavras são enunciadas numa dada ocasião e o que representam para enunciadores e pesquisadores.

Em muitas sociedades, saudações questionam sobre a saúde de pessoas (em português: “como vai?”) em outras, saudações incluem questões sobre o paradeiro dos participantes (“onde vai?” da pan-polinésia) Há muito que considerar ao estudar tal fenômeno. Estas perguntas são fórmulas? Se elas são, por que é importante a maneira em que se responde? O conteúdo de tais trocas rotineiras revela algo sobre os usuários, seus ancestrais, a humanidade em geral? Por que as pessoas se saúdam? Como é que sabem quando saudar e a quem saudar? As semelhanças e as diferenças de saudações através das variedades lingüísticas, as comunidades de fala e tipos de encontros dentro da mesma comunidade revelam algo interessante sobre os falantes ou aos falantes4.

As idéias de Humbolt entraram nos Estados Unidos através do alemão Franz Boas que postulava:

3 Cf. Alessandro DURANTI em Lingüístic Antropology, cap. I [tradução parcial]. Cambridge: Cambridge University Press, 1977. 4 Cf. id., ibid.

8A teoria dos universais lingüísticos (acreditava que existiam características comuns em todas as línguas).

8Discordava com o que dizia o determinismo lingüístico. Para Boas, as habilidades individuais não eram influenciadas pela cultura e aparentes diferenças lingüísticas não implicavam em diferenças cognitivas, mas em características próprias de cada cultura. Cita, para isso, a língua dos papua na Nova Guiné, que não contém símbolos lingüísticos para números maiores que 4, o que não revela, porém, uma inabilidade cognitiva de seus falantes, mas apenas uma característica própria da cultura em não necessitar do conceito.

8A linguagem categoriza o pensamento já existente, mas não o determina. 8Grande parte da construção da linguagem ocorre de maneira inconsciente. 8O falante não tem consciência da estrutura da língua que fala.

Franz Boas classifica línguas americanas indígenas nas pesquisas efetivadas sobre análise lingüística, trabalho realizado sozinho visto não ser lingüista, estabelecendo um padrão de descrição gramatical para aplicar às classificações. A partir de seus estudos, Boas argumenta então que não há uma correlação necessária entre uma dada língua e uma dada raça ou entre uma dada língua e uma dada cultura (relatividade lingüística). Também foi contrário à classificação genética das línguas, sobre o que declara:

a teoria de um ‘Ursprache’ para todos os grupos de línguas modernas precisa ser suspenso até

podermos provar que essas línguas descendem de uma única fonte e que elas não têm sua origem, em grande medida, no processo de aculturação”.

fortes, pois era freqüente a presença de mulheres de outras tribosMarcou traços

Boas identificava nas línguas indígenas americanas empréstimos lingüísticos muito lingüísticos gerais tais como: categorias gramaticais que são prováveis em qualquer língua e traços fonéticos de nasalização e glotalização, o que dá às línguas indígenas americanas, geneticamente separadas, um aspecto estrutural semelhante. Identificou ainda a sentença (em oposição à palavra) como unidade fundamental para a expressão de idéias em qualquer língua. O autor enfatizou que diferentes línguas classificam o mundo de maneira diferente, refutando assim a idéia de ralativismo nas línguas.

Os estudos de Franz Boas são seguidos por Edward Sapir que concebia a linguagem como o sistema cultural mais sofisticado disponível às sociedades humanas e a seus membros, não sendo possível uma Antropologia sem o estudo da linguagem.

conteúdo das línguas indígenasO mais brilhante aluno de Boas e um dos mais ilustres

Grandes contribuições foram dadas à Lingüística pelos estudos centrados no lingüístas americanos do século X foi Edward Sapir. Dando continuidade aos estudos do seu mentor adicionou a estes uma visão estruturalista da linguagem: que esta é um sistema coerente de subsistemas interligados, sendo impossível “medir” linguagem. Outro nome importante é o de Benjamim Lee Whorf que, engenheiro químico de formação, desenvolvia estudos lingüísticos por interesse pessoal. Foi seguidor de Boas e Sapir e dizia que a visão de mundo era contextualizada através da linguagem (relativismo lingüístico).

A hipótese Sapir-Whorf é uma oposição à tradição romântica de que cada povo se expressa através de uma língua. Afirma esta hipótese que é a língua de uma determinada comunidade que organiza a cultura:

1 – Somente poderemos ver, ouvir e experimentar a realidade que nos cerca através das línguas com suas categorias e distinções próprias. 2 – Estas categorias e distinções são únicas em cada língua e são incomparáveis a outros sistemas lingüísticos. Não há limites para a diversidade estrutural das linguagens.

Em outras palavras, os conceitos e pensamentos de uma comunidade se estabelecem de acordo com as características de sua língua, e por isso, comunidades lingüísticas diferentes percebem o mundo de maneira própria. A diferença de língua tem, portanto, uma estruturação intelectual e afetiva diferente.

categoria do tempo gramatical vive num eterno presentePara Sapir, isto é um princípio
geral: a expressão direta da cultura não está nas categorias gramaticaisPara ele,

Whorf vai ao extremo em sua teoria e diz que um povo cuja língua ignora a mesmo que um povo só tenha nomes de três cores, ainda assim terá a noção de matizes dessas três cores. A hipótese Sapir-Whorf é posteriormente contestada quando estudos mostraram conceitos diferenciados entre culturas e a superioridade de pensamentos mais profundos comuns entre membros de comunidades lingüísticas diferentes. Pessoas bilíngües também não apresentam visão de mundo diferentes quando usam quaisquer das línguas que falam.

O termo Etnolingüística é utilizado como sinônimo de Antropologia Lingüística, sendo mais utilizado em países europeus. As principais preocupações da Etnografia da Comunicação têm sido padrões e funções da comunicação, natureza e definição da comunidade de fala, os meios de comunicação, os componentes da competência comunicativa, a relação da linguagem com a visão do mundo e a organização social, os universais lingüísticos e sociais e as desigualdades lingüísticas. Apreciaremos alguns destes pontos não querendo desconsiderar os demais.

A língua serve para muitas funções. A principal, talvez, seja que uma língua cria/reforça fronteiras, unificando e excluindo falantes. Muitas línguas têm como função a identificação social que pode ser usada para reforçar a estratificação social. Algumas são diretamente relacionadas aos propósitos e às necessidades dos participantes. Incluem categorias de funções como: expressiva (transmitindo sentimentos ou emoções), diretiva (pedindo ou demandando), referencial (conteúdo proposicional de verdade ou falsidade), poética (estética), fática (empatia e solidariedade) e metalingüística (referência à própria língua).

Uma comunidade de fala não pode ser definida como um grupo de pessoas que fala a mesma língua porque falantes de espanhol no Texas e Argentina são membros de comunidades de fala diferentes embora compartilhem um código lingüístico e maridos e mulheres dentro de algumas comunidades do Pacífico Sul usam línguas bastante distintas ao falarem umas com outras. Falantes de dialetos chineses, mutuamente inteligíveis, se identificam como membros da mesma comunidade lingüística (de fato compartilham um código escrito, bem como muitas regras para o uso apropriado), enquanto falantes de espanhol, italiano e português não são membros da mesma comunidade de fala embora suas línguas sejam, até certo grau, mutuamente inteligíveis. Quão diferentes precisam ser as regras de fala para serem consideradas significativamente diferentes? Respostas a esta pergunta são baseadas na história, na política e na identificação grupal, mais do que em fatores puramente lingüísticos.

O termo comunidade inclui a dimensão de conhecimento, posses ou comportamentos compartilhados, cuja derivação do latim communitae traduz-se por “tido em comum”. A questão é: que enfoque deveria ser considerado para as comunidades de fala? Lingüístico compartilhado, fronteiras geográficas e políticas comuns, traços culturais e, talvez, até características físicas (por exemplo uma particular cor de pele pode ser considerada um requisito para associação em algumas comunidades, um defeito auditivo em outras?).

Para Saville-Troike (Saville-Troike:1982)5, os etnógrafos da comunicação deviam começar com uma entidade social definida extralinguisticamente e investigar seu repertório lingüístico em termos da comunidade definida socialmente: a natureza e a distribuição dos recursos lingüísticos, como são organizados e estruturados, como se relacionam à organização social, como funcionam como um componente padronizado e integrado da comunidade como um todo.

Parte da dificuldade em se definir a comunidade de fala tem que ser atribuída ao escopo diferencial que “comunidade” tem, segundo diferentes critérios:

1. É qualquer grupo dentro duma sociedade que tem qualquer coisa significante em comum (incluindo religião, raça, idade, surdez, orientação sexual ou ocupação, mas não cor de olhos ou altura). 2. É uma unidade de pessoas, limitada geograficamente, tendo uma gama completa de oportunidades de papéis (uma tribo ou nação organizada politicamente, mas não uma unidade de um único sexo, idade ou classe como um mosteiro, asilo para idosos ou gueto). 3. É uma coleção de entidades semelhantes situadas que têm algo em comum (tais como o mundo ocidental, países em desenvolvimento, mercado comum europeu ou as Nações Unidas).

Tendo uma cultura compartilhada, tendo um nome nativo com que os membros se identificam, tendo uma rede social para contato e tendo um folclore e uma história comum, a definição de comunidade de fala é bastante dependente do fato de ter um modo de comunicação comum.

A competência comunicativa se refere ao conhecimento e habilidades para o uso e interpretação apropriados da linguagem numa comunidade e refere-se também ao conhecimento e habilidades comunicativas compartilhadas pelo grupo, embora estes (como todos os aspectos da cultura) residam variavelmente no seus membros individuais.

Hymes (apud Saville-Troike,1982)6, observou que falantes que podiam produzir toda e qualquer sentença gramatical de uma língua (de acordo com a definição chomskiana de 1965 da competência lingüística) seriam institucionalizados se tentassem fazê-lo. A competência comunicativa envolve saber não só o código lingüístico, mas também o que dizer, a quem, e como dizê-lo apropriadamente em

5 Cf. Muriel Saville-Troike em The Etnography of Communication, Oxford, Blackwell, 1982. 6 Cf. id., ibid.

qualquer dada situação. Trata-se do conhecimento social e cultural que se presume que os falantes possuam para que possam usar e interpretar as formas lingüísticas. De uma criança que usa uma expressão tabu em público e causa um constrangimento é dito que “não sabia melhor”, isto é, de não ter adquirido certas regras para a conduta social no uso da linguagem (o constrangimento em que se pressupõe a existência desta competência). O conceito da competência comunicativa (e seu congênere maior, competência social) é um dos mais poderosos mecanismos de organização nas ciências sociais.

1982), fornece um excelente exemplo no seu estudo dos Yakan das FilipinasAs

Dentre um dos procedimentos preconizados para se descobrir categorias de fala, em várias ocasiões quando a interação verbal é observada, o etnógrafo pode perguntar a um informante o equivalente de ‘ O que está fazendo?’. Frake (apud Saville-Troike: categorias de falas nativas eliciadas nesta forma inclui mitin = ‘discussão’, qisun = ‘conferência’, mawpakkat = ‘negociação’ e hukum = ‘litigação’.

A esta altura convém fazer uma distinção, como também, delimitar o objeto da

distinção entre ambasA partir de definições de Eugênio Coseriu, o quadro abaixo

Sociolingüística e da Etnolingüística, visto que, tarefas e métodos dependem de um representará uma tentativa de esclarecer o tema:

SOCIOLINGÜÍSTICAETNOLINGÜÍSTICA
lida com a variedade e variação da linguagemlida com a variedade e variação da linguagem em
em relação coma estrutura social das comunidades; relação com a civilização e a cultura;
8Como na Lingüística, a Sociolingüística também8Também possui os três planos: a) o da fala: relação
possui três planos: a) o da fala: o caráter social da entre linguagem e cultura (linguagem como atuali-
linguagem e seu sentido; b) o das línguas: descrição dade da cultura); o das línguas: é o estudo da civi-
das normas do falar em relação com a estrutura só- lização e da cultura refletidas na língua também dia-
cio-cultural das comunidades; c) o do discurso - do cronicamente; c) do discurso - do texto: assemelha-
texto: (estudos dos tipos de discurso e das diferenças se à Sociolingüística, apenas com pontos de vista
estruturais entre os mesmos nas camadas sócio-cultu- diferentes.
rais e o estudo das diferenças diastrásticas – nos dia-
letos – em qualquer tipo de discurso.

8Como disciplina lingüística e não sociológica 8Como disciplina lingüística não etnológica

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