Burrinho Pedrês

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ANÁLISE DO CONTO “O BURRINHO PEDRÊS”, DE JOÃO GUIMARÃES ROSA. Elaborado por: Carla Lins, Luciana Pires, Mariana Pereira, Roberta Binatti, Rodrigo Araújo e Tatiana Mattos / 2005.2

1. ANÁLISE INTRÍNSECADO CONTO 1.1. Linguagem

No conto “O Burrinho Pedrês”, Guimarães Rosa trabalha com jogo de palavras, trocadilhos e associações inesperadas de imagens, trabalha os aspectos sonoros e dá um caráter nitidamente poético à sua prosa.

Guimarães Rosa utiliza em sua obra vários processos estilísticos, que dão singularidade aos seus textos, ele explora o linguajar regionalista e com o ritmo, apela para os aspectos auditivos.

O autor faz uso de ortografia própria, divergente em muitos pontos da ortografia oficial.

Josias foi o mais desfeliz, porque foi jogado para tudo quanto era lado...” (p.3)
o tremendo assobio dos vórtices de caldeirões, circulares, e o choro apressado dos rabos-

Sua invenção lingüística abrange o nível semântico, o sintático e o fonológico. Ele cria palavras, descobre associações imprevistas entre elas e reproduz ruídos. No conto encontram-se alguns exemplos de neologismo, tais como: de-corredeira borborinhantes.” (p.78) “ Desinvoca, Leofredo, fasta o seu macho para lá!” (p.25)

e o poldro – hop plá! – esconde o rabo e funga e desanda...” (p.28)

Como exemplos de sons e ruídos, têm-se:

mesmo prestes assim para surpresas más. – Tchou!...Tchou!...Eh, booôi!...” (p.38)

“Tremendo, este córrego da Fome! Em tempo de paz, não passa de um chuí chocho – um fio.” (p.4)

“- Foi p’r’os infernos!Foi p’r’os infernos!... (p.57)

O autor utiliza ainda supressões, tais como: Easy PDF Creator is professional software to create PDF. If you wish to remove this line, buy it now.

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“Há-háGrudou as pernas no santantônio, firme!” (p.29)

“Me deixa eu ir-s’embora para trás!” (p.67)

1.2. A narrativa

O conto é construído a partir de uma narrativa onisciente, em terceira pessoa, onde o narrador dá voz própria e encantamento ao texto, acentuando sua dimensão mítica, repleta de casos misteriosos e fantásticos e, também sua dimensão poética através de uma verdadeira orquestração sonora feita com as palavras. Na trama desse conto, há uma alternância de narrativas secundárias.

1.3. Tempo da narrativa

O tempo da narrativa é o físico ou cronológico, a história acontece no decorrer de um dia, conforme foi narrado no próprio conto:

“Mas nada disso vale fala, porque a estória de um burrinho, como a história de um homem grande, é bem dada no resumo de um só dia de sua vida. E a existência de Sete-de-Ouros cresceu toda em algumas horas – seis da manhã à meia-noite – nos meados do mês de janeiro de um ano de grandes chuvas [...]” (p.18)

1.4. Ambiente da narrativa

A narrativa acontece num ambiente físico, representado pelo vale do Rio das Velhas, no centro de Minas Gerais. O ápice da história ocorre na travessia do córrego da Fome.

1.5. Personagens

As personagens do conto são planas e tem-se como protagonista o burrinho Sete-de-

Ouros.

Antagonistas: Major Saulo, João Manico e Francolim Ferreira. Personagens secundários: Zé Grande, Silvino, Benevides, Leofredo, Tonico, Badu,

Sebastião, Juca Bananeira, Josias, Tote, Sinoca, Zeferina, Raymundão, Vadico, Neco Borges, Valô Venâncio, Leôncio Madurera, Baldeúno, Martinho, Crioulo Barbeludo, Negrinho, Zacarias, Aristides, Binga, Maricota, Maria Camélia, Quilitano, Mulatinho Campista e Viriato, Salathiel.

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Animais: Cachorrinha Sua-cara, Vaca Açucena, Vaca Malabá, Boi Calundú, cavalo

Cata-Brasa, cavalo Cabiúna, cavalo Amor-perfeito, cavalo Belmonte, Vaca Fumaça e Cachorra Zeferina.

1.6. Significado do conto

No conto o burro não é “burro”, ao contrário, foi este animal que, apesar de idoso e desacreditado, salvou vidas.

Não nadando contra a correnteza, personificando a cautela e a prudência, o burro imitou as qualidades da coragem humana.

As características humanas dadas aos animais, em especial, ao burrinho Sete de

Ouros, e a conclusão do conto com uma natureza moral dão verossimilhança à narrativa e aproximam-na de uma fábula.

2. ANÁLISE EXTRÍNSECADO CONTO

Guimarães Rosa apontou novos rumos para a literatura brasileira, através de uma perspectiva para o regionalismo, valorizando o regional, utilizando a fala dos sertanejos, suas expressões e particularidades.

No conto, “O Burrinho Pedrês”, assim como nos demais contos de “Sagarana” - publicado em 1946, um ano após a queda de Getúlio Vargas – deu-se início às produções da chamada “Geração de 45”, movimento onde a escrita passa ao primeiro plano e o tema ao segundo. A elaboração do texto torna-se o elemento central e é criado um mundo literário próprio através da linguagem – Guimarães Rosa e Clarice Lispector foram os primeiros escritores a exercer esse novo esquema, fazendo com que os aspectos da realidade não esgotassem o texto.

A Geração de 45 passou a se preocupar menos com as questões políticas, ideológicas e culturais dos artistas da década de 30 e privilegiou a questão estética. Assim, a aventura da linguagem, a preocupação com a forma e com o rigor do texto tornaram-se o objetivo básico desta geração, que teve grandes expoentes tanto na poesia, quanto na prosa de ficção.

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MODERNISMO. Disponível em: < http://www.avanielmarinho.com.br/modernismogeracao.htm> Acesso em 13 nov. 2005

ROSA, João Guimarães. Sagarana. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.

SOARES, Angélica. Gêneros Literários. 6. ed. São Paulo: Ática, 2004. .

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