procedimentos fechamento arquivos

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A propaganda, além de ser arte e ciência, depende profundamente da técnica para cumprir seu objetivo. De nada adianta a genialidade criativa na concepção de um conceito se, na transformação do conceito em mensagem publicitária perdese a capacidade de encantar e despertar o desejo. Assim, a capacidade de reproduzir com fidelidade as formas, texto e cores que compõem a mensagem publicitária, torna-se elemento central do sucesso ou insucesso de qualquer mídia. Com o objetivo de compartilhar técnicas para elaboração de trabalhos de alto nível, buscamos o desenvolvimento de um padrão de qualidade de reprodução gráfica, apresentado nas páginas seguintes. A idéia é somar ao processo criativo a fidelidade entre concepção e o produto final. Este manual é o resultado da parceria entre empresas que acreditam nesta fidelidade como diferencial competitivo e absorção de novas tecnologias como elemento chave do sucesso empresarial. Todos nós ganhamos com os anúncios digitais, tanto no tempo quanto no custo de produção e, principalmente, na qualidade final de nosso produto. Isso representa satisfação para quem lê, agilidade para quem produz e retorno para quem anuncia.

Normas e procedimentos

para fechamento de arquivos

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| Normas e procedimeNtos para fechameNto de arquivos

A impressão de jornais possui características particulares em certos aspectos cuja compreensão é fundamental para que se obtenha um resultado com qualidade e clareza. O conteúdo deste trabalho visa auxiliar as agências de publicidade e todos os demais que, de alguma forma, se encontram envolvidos nos processos de criação e produção de anúncios para jornais, a desenvolverem arquivos compatíveis aos padrões de impressão com rotativas offset coldset utilizadas pela maioria das empresas brasileiras. Inicialmente, serão apresentados alguns conceitos básicos e, depois, mostrados procedimentos, especificações e sugestões que, se forem seguidos, irão resultar em uma maior qualidade no resultado final dos anúncios impressos.

Ganho de ponto Os efeitos decorrentes do chamado “ganho de ponto” afetam essencialmente as imagens. Esse ganho de ponto é resultado da variação das dimensões dos pontos de retícula (geralmente, aumento de tamanho) na imagem impressa em relação às dimensões originais, verificadas na imagem em tela do computador. O processo de impressão utilizado pelos jornais possui uma capacidade de absorção da tinta acentuada e é, entre todos os outros processos da Indústria, o que apresenta maior ganho de ponto. Diversos fatores influenciam nesse ganho e entre os principais se encontram:

A pressão de impressão na transferência da tinta (imagem) da chapa para a blanqueta e da blanqueta para o papel. As características do papel utilizado, que possui maior capacidade de absorção.

As propriedades da tinta (viscosidade, tack etc.)

O ganho de ponto, portanto, ocorre de forma cumulativa ao longo de todo o processo produtivo. Vale notar que a pressão de impressão e alta capacidade de absorção do papel jornal causam deformações/distorções nas bordas dos pontos, o que também influencia nesse ganho. Além disso, o ganho de ponto é mais acentuado nos chamados meiostons. Cada jornal deve realizar testes específicos para determinar o comportamento do ganho de ponto em cada uma das cores (CMYK). Exatamente pelo fato de a impressão de jornais apresentar um ganho de ponto elevado, é muito importante que esse efeito seja minimizado para que o resultado final tenha maior qualidade. Para isso, o software de tratamento de imagens (a maioria das empresas utiliza o Photoshop) deve ser configurado de forma a prever e compensar esse ganho.

Cuidados na digitalização das imagens Dentro do processo de criação e otimização de anúncio e imagens para impressão em jornais, a forma com que esses dados são capturados é um dos pontos que merece atenção especial. Todos os originais coloridos (negativos inclusive) devem ser escaneados em RGB. A conversão para CMYK deve ser feita através de programas de tratamento de imagens, como o Photoshop. O tamanho da publicação em que a imagem será impressa deve ser ajustado via softwares e os cortes necessários devem ser realizados antes da montagem da imagem no anúncio. Além disso, o mesmo formato de arquivo deve ser

*Texto adaptado a partir do manual de fechamento e envio de anúncio da ANJ.

utilizado para todas as imagens dentro do anúncio. Evite usar impressos como originais; um original reticulado pode causar efeito moiré quando escaneado.

Recomendações técnicas Alguns aspectos básicos devem ser respeitados:

Não devem ser utilizadas fontes nativas do sistema operacional Macintosh ou Windows. Não recomendamos a utilização de fontes do tipo TTF (TrueType Fonts). Os anúncios que contêm mais do que 80 caracteres de texto devem ser feitos em programas de paginação, como InDesign, QuarkXPress etc., evitando softwares de ilustração, como Illustrator, CorelDraw... A conversão em curva é, quase sempre, um risco. Essa técnica não deve ser aplicada a grandes blocos de texto, sendo mais viável em blocos com cerca de 100 caracteres, onde se deve selecionar e agrupar esse texto. Mesmo assim, esse recurso pode deformar o desenho da letra ou eliminar detalhes em fontes que possuam corpo menor do que 14. Em fontes caligráficas ou com caracteres muito rebuscados, o risco de perda de detalhes também é grande. Nunca utilize opções de bold, itálico e bold itálico por atalho de teclado. Em vez disso, utilize o menu de fontes e escolha a variação que contenha o efeito desejado. Muitas vezes, o software aplica efeitos na tela, mas por esta não estar instalada, não é impressa com o respectivo efeito. Não utilizar a opção de inclusão de fontes (Embed fonts using true doc) do CorelDraw.

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Normas e procedimeNtos para fechameNto de arquivos |

Para a escolha das cores de seu anúncio, use como referência a escala de tonalidades fornecida pelo jornal. O monitor do computador pode não ser uma boa referência de escolha e aprovação. Se o anúncio for P&B, todos os seus elementos, como fotos, textos, gráficos etc., têm que estar de acordo com esse padrão. Para isso, converta todos os objetos coloridos para tons de cinza (Grayscale) através de um software de imagens antes de importá-los para o anúncio. Nunca utilize quadricromia para textos em preto, evitando assim problemas de registro ou decalques. Não aplique fundos transparentes nos boxes de imagens Grayscale ou TIFF. Ao processar esses arquivos, as bordas das imagens podem ficar serrilhadas. Quando for necessário manter a transparência do fundo das imagens, salve-as em EPS utilizando clipping paths (Photoshop). Não utilize medidas hairline. Essas medidas dependem da resolução dos equipamentos de saída. Em uma impressora laser de 300 dpi, a medida hairline é claramente visível. Em uma foto compositora de 1200 dpi, ela fica praticamente invisível. Para fios, utilize medidas mínimas de 0.425 pontos ou 0.15 m. Elimine todos os elementos que não pertencem à página, como réguas, imagens não utilizadas e localizadas fora da área de imagem etc. Esses elementos podem causar erros no processamento dos arquivos. O somatório das porcentagens das quatro cores nas áreas de máxima do anúncio não pode ultrapassar 240%. Imagens P&B devem estar em Grayscale, a menos que se deseje um preto e branco a quatro cores. Nesse caso, devem estar em CMYK sem exceder o limite de 240%. Os recursos de copy / paste não devem ser utilizados para imagens ou logos dentro do programa de finalização do anúncio. Prefira usar sempre as opções de importar imagens desses aplicativos.

Nunca renomeie os arquivos após estes terem sido importados para o programa de finalização do trabalho. Isso quebra a ligação entre o programa e o arquivo. Quando isso ocorre, a cópia impressa é a que está em baixa resolução. Atualize os links das imagens com seus equivalentes em alta resolução antes de gerar o arquivo final. Nunca utilize a ferramenta Magic Wand (varinha mágica). Ela produz um número excessivo de pontos vetoriais que causam erro de PostScript. Prefira usar a ferramenta path. Simplifique os paths utilizando o menor número possível de pontos. Quebre ninhos de paths compostos e também paths longos em segmentos mais curtos. Ao utilizar uma imagem sobre um fundo com degradê, ou sobre uma ou mais fotos, faça a fusão no Photoshop, gerando um único arquivo. Não se esqueça de, antes, gravar o arquivo, desabilitar a função layers (se esta tiver sido utilizada) e de apagar os canais extras. Certifique-se de que nenhum elemento (bloco de texto, imagens etc.) esteja saindo dos limites do anúncio. Não cubra esses elementos não desejados, apague-os. O arquivo não deve conter elementos externos à área do anúncio, como marcas de corte, registro etc. O tamanho do documento deve ser definido pelo tamanho do anúncio sem margens, ou seja, defina o page setup ou a configuração de página para a medida exata do anúncio. Limite o número de elementos complexos no arquivo. Evite ou diminua a quantidade de regras de retículas (screen rulings) no mesmo documento. Utilize gradient fills em vez de blends. Se não for possível, use o menor número de passos quando for criar seu blend. Elimine qualquer degradê, pattern, custom colors ou Spot colors que não estejam sendo efetivamente utilizados no documento.

Recomendações gráficas

Utilizar textos vazados a partir de 60% de degradê e corpo não inferior a 10 pontos. Utilizar textos em positivo sobre fundos com degradê somente a partir de corpo 10, com porcentagem de fundo de até 30%.

Obs.: o texto sobre degradê deve merecer um cuidado especial em função de sua possível ilegibilidade. Consulte a Carta de Cores do Diário.

Utilizar tamanho mínimo de 8 pontos para fontes impressas em uma única cor, ou seja, com 100% de magenta, cyan ou preto. O tamanho mínimo para letras impressas com cores com sobreposição de duas ou mais cores e letras vazadas é de 10 pontos, sem serifas e em negrito. Sempre observar, por exemplo, se a assinatura da agência e os textos de validade das ofertas estão de acordo com essas recomendações. Não utilizar letras serifadas menores do que 10 pontos. Nesses casos, deve-se preferir aquelas que não possuem serifas.

Obs.: tenha atenção quanto às opções de sobreposição do preto (overprint) e dispersão automática (trapping). Use-as de acordo com o tipo de trabalho. Pequenos desvios no registro, de até 0.38 m, são inevitáveis na impressão do jornal e não podem ser considerados como falhas. Porém, esses desvios fazem com que o texto vazado, de letra pequena e serifada menor do que 10 pontos torne-se ilegível.

Recomendações gerais sobre a produção de anúncios

Todas as imagens devem ser digitalizadas no tamanho em que serão utilizadas. As imagens que serão importadas para o programa de finalização e devem estar na resolução final. Todos os elementos usadas no anúncio devem obedecer à escala CMYK. Nunca utilize cores Pantone, Tru- Match ou RGB.

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©2006 Alexandre Keese | dtp.com.br | photopro.com.br

02 tratamento e manipulação de imagens digitais para jornais

Uma vez que grande parte das decisões de cores são tomadas a partir de uma análise visual do que está na tela, você deve sempre conferir e configurar o aplicativo corretamente quanto às cores utilizadas para que exista consistência e fidelidade durante todo o processo. E é justamente este o objetivo principal deste capítulo, o de apresentar as configurações de cores do Photoshop e ensinar como e por quê você deve conhecer e dominar esse recurso. O Photoshop gerencia cores a partir de um comando chamando Color Settings / Configurações de cores, que é configurado os dados de RGB, CMYK, Gray, Spot, entre outros, para garantir uma reprodução confiável. Mas, antes de começar a configurar o Photoshop, temos que entender um pouco mais sobre espaços de cores e suas conversões.

Modo RGB O modo de Cores RGB do Photoshop utiliza o modelo RGB, atribuindo um valor de intensidade a cada pixel em uma escala de 0 (preto) a 255 (branco) para cada um dos componentes de vermelho, verde e azul em uma imagem. Por exemplo, um vermelho-claro pode ter um valor de vermelho (R) de 246, um valor de verde (G) de 20 e um valor de azul (B) de 50. Quando os valores de todos os três componentes são iguais, o resultado é um tom de cinza neutro. Quando o valor de todos os componentes é 255, o resultado é branco e, quando o valor é 0, o resultado é preto. As imagens RGB utilizam três cores, ou canais, para reproduzir tons na tela. Os três canais são convertidos em 24 bits (8 bits por canal). Com imagens de 24 bits, é possível reproduzir até 16,7 milhões de cores. Com imagens de 48 bits (16 bits por canal), uma quantidade ainda maior de cores pode ser reproduzida. Além de ser o modo padrão para novas imagens do Photoshop, o modelo RGB é utilizado por monitores de computador para exibir cores. Isso significa que, ao trabalhar em modos de cores diferentes do RGB, como o CMYK, o Photoshop converte a imagem CMYK para RGB para exibição na tela. Embora o RGB seja um modelo de cores padrão, o intervalo exato de cores representadas poderá variar dependendo do aplicativo ou dispositivo de exibição.

Qual é o espaço de trabalho RGB ideal? A escolha de um espaço de trabalho RGB é uma decisão importante. Por um lado, você deseja um espaço de trabalho cujo gamut ou universo seja amplo o suficiente para abranger os espaços de cor de todos os dispositivos no seu fluxo de trabalho. Por outro, é possível escolher um espaço de trabalho grande demais. Ao trabalhar no RGB, existem 255 níveis de intensidade para cada cor. Quanto maior o espaço de trabalho RGB, maior poderá ser a distância de cada valor de cor em comparação ao valor adjacente mais próximo resultando na diferença visualmente significativa de um nível de intensidade de uma cor para outra.

RGB da Adobe (1998) É o recomendado pelo Diário de Pernambuco, principalmente se você trabalha com capturas digitais. É o maior espaço de trabalho RGB, sendo adequado para a produção de impressões gráficas e fotográficas.

Apple RGB Reflete as características do monitor antigo de 13” do Mac. Esse espaço não mais se encaixa nesta nova era digital.

ColorMatch RGB Corresponde ao espaço de cor nativo dos monitores Radius Pressview. Esse espaço é uma alternativa de gamut menor em comparação ao RGB da Adobe (1998) para o trabalho gráfico.

sRGB Desenvolvido para refletir as características de um monitor de PC comum. O sRGB é adequado para imagens RGB destinadas para a Web, mas não é recomendável na área gráfica.

Obs.: Quando a opção Modo Avançado é selecionada na caixa de diálogo Configurações de cores, cada perfil RGB instalado no computador é exibido no menu do espaço de trabalho RGB. Também é possível escolher RGB Personalizado para definir um espaço de trabalho RGB personalizado. Essa opção é recomendada apenas para usuários com bons conhecimentos sobre cores e que trabalhem com equipamentos adequados, como um colorímetro.

Eu recomendo o equipamento da GretagMacbeth para a calibração profissional de monitores, pois é simples e extremamente preciso, mas um monitor de qualidade também é indispensável.

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Modo CMYK, CMYK Setup e Black Generation Para fazer separações de cor, as três cores aditivas RGB (vermelho, verde e azul) são convertidas para seus opostos subtrativos CMYK (cyan, magenta e amarelo). Na teoria, partes iguais de cyan, magenta e amarelo são combinadas para subtrair toda a luz refletida do papel, além de criar a cor preta. Entretanto, como as impurezas estão presentes em todas as tintas de impressão, uma combinação dessas cores resulta, por sua vez, em um marrom escuro. Para compensar essa deficiência no processo de separação de cores, as impressoras removem um pouco de cyan, magenta e amarelo nas áreas em que as três cores existem, em intensidades iguais, adicionando tinta preta e corrigindo assim a falha do processo.

CMYK Setup O CMYK Setup permite personalizar o espaço de cor que seu monitor está trabalhando, bem como visualizar em tela as cores das tintas de forma compatível com a saída impressa.

UCR / GCR Uma mesma cor pode ser convertida do modo RGB para o modo CMYK de diversas maneiras. Entretanto, os operadores de pré-impressão utilizam normalmente um dos métodos abaixo para compor a cor preta na impressão.

UCR - a tinta preta é utilizada para substituir o cyan, o magenta e o amarelo apenas em áreas neutras (ou seja, áreas com intensidades iguais de CMY). GCR - a tinta preta é utilizada para substituir partes de cyan, magenta e amarelo em áreas coloridas, bem como em áreas neutras. As separações de GCR tendem a reproduzir cores saturadas e escuras relativamente melhores do que as produzidas pelas separações de UCR, além de manter o equilíbrio melhor de cinza na impressão.

O Diário usa a curva GCR com preto Heavy e limites de 90% para o total de preto e 240% para o total de todas as tintas - Total Ink Limit.

Escolha o tipo de separação com base no papel e nas exigências gráficas A partir da configuração de Custom CMYK acessada pelo CMYK Setup > “Working Space” CMYK > Custom CMYK pode-se definir qual o tipo de separação e geração de preto será utilizado no momento da conversão de uma imagem RGB para CMYK.

Nesta tela, você vai encontrar um gráfico com base nas configurações atuais mostrando como as cores neutras na imagem serão separadas. O eixo horizontal representa o valor da cor neutra, de 0% (branco) a 100% (preto). O eixo vertical representa a quantidade de cada tinta que será gerada para um determinado valor. Na maioria dos casos, a curva de cyan se estende além das curvas de magenta e amarelo, pois uma pequena quantidade extra de cyan é exigida para produzir o neutro verdadeiro. A geração de preto usada pelo Diário de Pernambuco é Haevy, pois produz os melhores resultados na impressão “jornal”, garantindo cores mais corretas e, por sua vez, maior fidelidade de cores.

Salvando e carregando configurações de cores Ao criar uma configuração de cores personalizada, é necessário nomeá-la e salvá-la para garantir que ela possa ser compartilhada com outros usuários e aplicativos que oferecem suporte para o gerenciamento de cores, como o Illustrator, o InDesign e o Acrobat. Para salvar uma configuração, basta colocar todos os valores e clicar em Save pela caixa de diálogo aberta.

Mesma imagem, diferentes configurações Neste exemplo, temos a mesma imagem capturada e manipulada em RGB, porém, como ela deve sair em diferentes locais, usando bases e processos de impressão diversos, foi decidido que cada meio teria uma imagem com uma configuração. Note que, acima, quase não existe diferença, mas, ao analisar o canal do cyan de cada uma delas, dá para ver a grande diferença.

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