A vida Secreta das Plantas

A vida Secreta das Plantas

(Parte 3 de 3)

Sustentando que os campos elétricos são os verdadeiros organizadores dos sistemas vivos, Northrop e Burr ofereciam aos químicos uma base para explicar como podiam ser encontrados os milhares de componentes que tinham descoberto e separado. Aos biólogos, sugeriam que chegava ao fim sua longa busca de um "mecanismo" que garante que as células do corpo humano, substituídas de seis em seis meses, alinham-se uniformemente. E isso parecia infundir nova vida às teorias rejeitadas do magnetismo animal de Mesmer e da eletricidade animal de Galvani, propiciando ao mesmo tempo um fundamento tangível para o vago "élan vital" do filósofo francês Henri Bergson e a "enteléquia" do bioquímico alemão Hans Driesch.

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Para provar sua teoria, Burr e seus colegas de laboratório montaram um voltímetro de concepção nova que, não extraindo corrente das formas vivas estudadas, abstinha-se de interferir com os campos totais à volta delas. Vinte anos de pesquisas com esse aparelho - e outros ainda mais sofisticados que derivaram dele - revelaram a Burr e sua equipe coisas espantosas sobre o mundo vegetal e animal. O Dr. Louis Langman, um ginecologista e obstetra que aplicou a técnica de Burr, descobriu por exemplo que o momento exato da ovulação da mulher pode ser estabelecido com grande precisão e que algumas mulheres ovulam durante todo o ciclo menstrual, em alguns casos sem menstruação. Embora extremamente simples e em nada oposto ao método rítmico de controle da natalidade da Igreja Católica, o método ainda espera por ser posto ao alcance de milhares de mulheres que gostariam de saber como ter ou não ter filhos.

O próprio Burr determinou ser possível averiguar a malignidade em certos órgãos, antes de sinais clínicos observáveis, bem como medir o rítmo de cicatrização de feridas. Durante o primeiro dia de incubação, sem quebrar o ovo, foi-lhe possível descobrir exatamente - e marcar na casca - a futura localização da cabeça do pinto.

Voltando-se para o mundo das plantas, Burr mediu o que passou a chamar de "campos vitais" à volta das sementes, notando que mudanças profundas no padrões de voltagem eram causadas pela alteração de um só gene na matriz hereditária. Mais interessante ainda para os cultivadores de plantas foi sua descoberta de que é possível prever, pela leitura do diagnóstico elétrico da semente que o gera, a saúde e o vigor de um futuro espécime.

Por serem aparentemente as árvores, de todos os seres vivos, os mais longevos e os menos dotados de motilidade, Burr se dedicou, durante quase duas décadas, a obter um registro dos campos vitais de exemplares plantados no campus de Yale e junto a seu laboratório em Old Lyme, Connecticut. A seu ver, tais registros não só propunham uma relação com o ciclo lunar e as manchas solares, que se manifestam a intervalos de muitos anos, como também deixavam supor a existência de ciclos trimestrais e semestrais para os quais não encontrou explicação. Mas suas conclusões tornavam menos suspeita a crença de gerações de jardineiros, já muito ridicularizadas, de que sempre convém plantar de acordo com as fases da Lua.

Um dos alunos de Burr, Leonard J. Ravitz Jr, que se formaria em psiquiatria, foi capaz de medir os graus da hipnose, ainda em 1948, graças às técnicas inventadas pelo mestre. --- Depois disso, ele chegou à conclusão nada surpreendente de que a maioria dos homens, mesmo quando acordados, vive em estado hipnótico a maior parte do tempo.

Em pessoas, o registro contínuo dos campos vitais indica uma alternância cíclica de queda e elevação de voltagem, correspondendo os pontos extremos aos períodos em que elas se sentem bem ou mal. Estudando-se antecipadamente os gráficos, é possível prever semanas boas e ruins, tal como proposto pelos estudiosos

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— 16 — dos bio-rítmos, cujas especulações remontam ao tempo do Dr. Wilhelm Fliess, seu primeiro teorizador e autor de cartas a Sigmund Freud que muito encorajaram o pai da psicanálise durante os anos de auto-análise.

O trabalho ao qual Burr consagrou a vida, e que foi desenvolvido por Ravitz, indica que o campo organizador à volta dos "corpos" da coisas vivas antecipa os eventos físicos, em seu interior, e sugere que a própria mente, como proposto por Marcel Vogel, pode, modulando o campo, afetar positiva ou negativamente a matéria à qual supostamente se associa. Mas é preciso, ainda, que os líderes da medicina organizada se deixem convencer por essa advertências: só há pouco, de fato, o trabalho de Burr começou a despertar um interesse sério.

Para espanto dos figurões da medicina, outra surpreendente descoberta veio à tona, em 1972, no Instituto de Medicina Clínica e Experimental de Novossibirsk, uma efervescente cidade industrial de mais de 1 milhão de habitantes, às margens do grande rio siberiano Ob, descoberta essa que fortemente valida as de Gurwitsch, Rahn e Crile.

S. P. Chchurin e dois colegas do Instituto de Automação e Eletrometria receberam um diploma especial do Comitê Estadual de Investigações e Descobertas da URSS por descobrirem que as células podem "conversar", codificando suas mensagens em forma de um raio eletromagnético especial.

Após colocarem culturas de tecidos idênticos em dois recipientes hermeticamente fechados e separados por um placa de vidro, os pesquisadores introduziram num deles um vírus mortal que exterminou a colônia de células. A do lado nada sofreu. Contudo, ao substituírem a divisória de vidro por uma lâmina de quartzo e novamente introduzirem vírus numa das colônias, os pesquisadores soviéticos constataram que a outra também era atacada - inexplicavelmente, já que de nenhum modo poderiam os vírus transpassar a barreira. Outras colônias de células separadas por quartzo também pereceram aos pares quando apenas uma delas foi exposta a venenos químicos ou a radiações letais. A que atribuir, em todos os casos, a morte da segunda colônia?

Havia uma pista para os cientistas soviéticos: o vidro comum, ao contrário do quartzo, não permite a passagem de raios ultravioleta. Lembrando-se de que Gurwitsch afirmara que células de cebola eram capazes de transmitir tais raios, eles ressuscitaram suas idéias, relegadas ao esquecimento na década de 50. Trabalhando com uma célula fotomissiva amplificada por uma fotomultiplicadora e acompanhada por um registrador automático que traçava um gráfico marcando os níveis de energia numa fita móvel, descobriram que, quando os processos vitais nas culturas de tecidos permaneciam normais, a radiação ultravioleta, invisível ao olho humano, mas verificável como oscilações na fita, permanecia estável. Tão logo a colônia afetada começava a lutar contra a infecção, a radiação se intensificava.

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Comentando o trabalho, jornais de Moscou disseram que, por mais fantástico que parecesse, a radiação ultravioleta das células afetadas transportava informação codificada na flutuação de intensidade e de algum modo recebida pela segunda colônia, assim como no código Morse as palavras são transmitidas e recebidas como pontos e traços.

Dada a impressão de que, em cada caso, a segunda colônia morria do mesmo modo que a primeira, os soviéticos compreenderam que a exposição de células sadias aos sinais transmitidos por células malsãs era tão perigosa quanto a exposição a vírus, venenos e radiações letais. Recebido o sinal de alarma da colônia emissora em extinção, a colônia receptora parece mobilizarse para a resistência, e esse próprio "esforço de guerra" contra um inimigo não existente se mostrava tão fatal como se de fato ela tivesse sido atacada.

Os jornais moscovitas sugeriram que as pesquisas de Novossibirsk podem ajudar a estabelecer com precisão as defesas internas do organismo humano contra as mais variadas doenças, citando uma declaração de Chchurin sobre as novas perspectivas que assim se delineiam para os diagnósticos:

"Estamos convencidos de que a radiação é capaz de dar o primeiro sinal sobre o começo de uma regeneração maligna e a presença de vírus específicos. Mas por enquanto a identificação antecipada de muitas doenças, como as numerosas formas de hepatite, coloca grandes dificuldades".

Cinquenta anos depois de seu trabalho, os compatriotas de Gurwitsch reconheceram assim o valor das brilhantes pesquisas por ele efetuadas. Por coincidência, validaram também o trabalho de outro russo obscuro, Semyon Kirlian, que foi capaz de captar em filme imagens extraordinárias dos campos de força à volta de pessoas e plantas tão acuradamente descritos e medidos por Burr e Ravitz.

Fonte: A vida secreta das plantas, Peter Tompkins e Christopher Bird, Círculo do Livro, p. 189-211.

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