Desenho de Maquinas

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(Parte 3 de 4)

1.9.2.2 Elementos mecânicos que não devem ser seccionados longitudinalmente.

- esfera- pino- orelha- dente de engrenagem - nervura- contrapinos- chaveta- dente de roda dentada

- eixo- braços- rebites- - parafuso

Nota: Caso estas peças possuam detalhes em seu interior que justifiquem um corte longitudinal, este deve ser representado, e de preferência deve ser um corte parcial.

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Exemplos de elementos mecânicos não secionados por plano de corte longitudinal: Errado Correto

Figura 1.9.7 – Dente de engrenagem

Figura 1.9.8 – Orelha e parafuso CorretoErrado

F Corte F-F

Corte F-F Figura 1.9.9 - Eixo

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H Errado Correto

Corte H-HCorte H-H Figura 1.9.10 - Nervuras

Corte K-TK Corte K-TCorte K-T

Figura 1.9.1 – Braço 1.9.3 Diferença entre corte e seção

A diferença existente entre um corte e uma seção, é que em uma representação em corte, são representados todas as arestas e contornos que se encontram no plano de corte e todas as aresta e detalhes visíveis que se encontram após este plano, Figura 1.9.12, enquanto que, em uma seção são representados apenas as arestas e contornos visíveis que se encontram no plano de corte. Nota: Deve-se evitar a representação de arestas invisíveis em corte e seção, a não ser que seja essencial para a compreensão do desenho do elemento.

Figura 1.9.12– Diferença entre corte e seção

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1.9.4 Tipos de corte

- Na representação em corte, deve-se iniciar preferencialmente pelos que secionam a peça complemente como: Corte Total, Corte em Desvio, Corte com Rebatimento e Meia-vista Meio-corte. O corte Parcial deve ser a última opção escolhida.

- Corte Total: O plano de corte seciona complemente a peça sem sofrer desvio.

Figura 1.9.13– Corte total

- Corte em desvio: tem-se neste caso vários planos paralelos secionando a peça. O desenho mostrado na Figura 1.9.14 representa um corte em desvio, neste exemplo temos três planos paralelos. Nem sempre é possível executar este tipo de corte, após algumas modificações nesta peça, Figura1.9.15, pode-se observar que esta já não pode ser cortada pelo plano em desvio F-G, uma vez que não foi possível desviar o plano antes do detalhe que se quer mostrar no corte, provocando uma vista deficiente, desta forma para esta peça, tem-se que realizar dois cortes totais, F e E, Figura 1.9.16.

Figura 1.9.14 – Corte possívelFigura 1.9.15 – Corte impossível

Figura 1.9.16 – Peça com dois cortes totais

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Meia vista-meio corte: deve ser utilizado apenas em peças simétricas, onde se representa, metade da peça em corte e a outra metade em vista. As aresta invisíveis de ambos os lados devem ser evitadas a não ser que seja essencial para o entendimento do desenho. Não é necessário indicar o traço do plano. Ver exemplos mostrado nas figuras abaixo.

Figura 1.9.17 – Meia-vista meio-corte em um pistão

Figura 1.9.18 – Meia-vista meio-corte em uma Contra – ponta

- Corte Parcial: é representado na própria vista onde se encontra o detalhe que se quer mostrar. Geralmente não se indica o traço do plano de corte. Se assemelha a uma peça quando quebrada e é limitado por uma linha de ruptura curta e pelo contorno da peça. Geralmente é realizado nas peças que não devem ser cortadas longitudinalmente.

Figura 1.9.19 – Corte parcial em um Eixo

Figura 1.9.20– Corte parcial em uma Rosca

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- Corte com rebatimento: deve ser utilizado apenas em peça que possuam centro de rotação, a forma de projetar é idêntica à forma utilizada na projeção com rebatimento vista anteriormente.

Figura 1.9.21 – Corte com rebatimento em um Balancim

Figura 1.9.2– Corte com rebatimento numa Polia para Correia Trapezoidal

1.9.5 Tipos de Seção Todos os elementos mecânicos podem ser secionados, com exceção da esfera

Figura 1.9.23 – Seção em um eixo

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Figura 1.9.23 – Seção em um braço 10

FCorte D-F Figura 1.9.24 – Seção em uma nervura

M Corte M-M

Figura 1.9.25 – Seção em nervura

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Corte F-G

Figura 1.9.26– Seção em nervura

Nota.: Nos desenhos de elementos mecânicos que contenham: braço, nervura e orelha, deve-se representar no mínimo um corte longitudinal, com o objetivo de visualizar o contorno do braço, da nervura e da orelha e uma seção para visualizar o perfil do braço, da nervura e da orelha.

1.9.6 Tipos de hachuras e recomendações

1.9.6.1 Recomendações: - Distância entre as linhas de hachuras: de 1,5 a 2 m (podem ser maiores, depende das dimensões gráficas do desenho).

- Angulo da hachura: de preferência 45o, em seguida 30o; 60o; 75o, 15o.

- Traçado das hachuras: deve ser a última operação realizada num desenho, mesmo utilizando computação Gráfica.

- As hachuras de peças em contato devem ter inclinações diferentes. Observe no desenho mostrado na Figura 1.9.27, que a hachura não pode ter a mesma inclinação que uma aresta da peça (peça 1), e que as hachuras das diversas peças quando em contato não podem ter a mesma direção, cada peça deve ter uma inclinação diferente da anterior, mesmo que sejam de materiais diferentes.

Figura 1.9.27 – Inclinação das hachuras

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Nota - Em peças de pequena espessura gráfica, é permitido preencher a seção com hachura sólida, e quando em desenho de conjunto deve-se separa-las por um espaço denominado linha de luz, Figura 1.9.28, distanciando uma peça da outra de 1 m, esta distância não deve ser alterada por efeito de escala.

Figura 1.9.28 – Linha de luz, aplicada em peças de pequena espessura - Em peças de grande dimensão gráfica, é permitido hachurar apenas o contorno da peça, Figura 1.9.29.

Figura 1.9.29 – Peça com grande dimensão gráfica

- Não coincidir a direção das hachuras com a direção da linha de cota, nem interceptar a dimensão com as hachuras, Figura 1.9.30.

Figura 1.9.30– Inclinação das hachuras em relação às cotas

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- A inclinação das hachuras não devem coincidir com o contorno da peça, Figura 1.9.31. Errado Correto Correto

Errado Errado Figura 1.9.31– Inclinação das hachuras em relação ao contorno da peça

1.9.6.2 Tipos de hachuras

Figura 1.9.32 – Tipos de hachuras

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1.10 Cotagem

A cotagem e a escolhas das vistas que irão compor um desenho, são os dois itens que mais exigem conhecimentos e experiência do engenheiro mecânico na área do Desenho Técnico. Influenciam na forma de cotar e na seleção das vistas: o processo de fabricação, a montagem, o contrôle de qualidade, a manutenção, além das normas técnicas específicas do Desenho Técnico Mecânico. Portanto cotar não é distribuir cotas em qualquer vista aleatoriamente. Na cotagem de peças mecânicas, deve-se preferencialmente colocar a dimensão o mais próximo possível do detalhe que se está cotando, mesmo que para isto se deva cotar sobre a vista ou entre as vistas. No Brasil os Desenhos Técnicos Mecânicos devem ter suas cotas expressas em milímetro, não necessitando portanto indicar esta unidade nas cotas dos desenhos, Figura 1.10.1, quando as dimensões não estiverem em milímetro, deve-se indicar ao lado da dimensão a unidade na qual está sendo cotada, ver Figura 1.10.2, ou na legenda ou uma nota próximo do desenho, Figura 1.10.3.

Figura 1.10.1 – Cotas em milímetroFigura 1.10.2 – Cotas em polegada Figura 1.10.3 – Cotas em metro

Nota: todas as cotas em metro 1.10.1 Seta, linha de cota e de chamada (extensão)

O tipo de linha utilizado para linha de cota e para linha de chamada, é a linha estreita, e na extremidade da linha de cota deve vir uma seta, que deve tocar a linha de chamada ou o detalhe que se está cotando, Figura 1.10.4.

Formas corretas das setasFormas incorretas das setas

Figura 1.10.4 – Tipos de seta 1.10.2 Formas de cotagem em função do tipo de linha de cota:

Linha contínua: As cotas horizontais devem vir sempre acima da linha de cota, e as cotas verticais à esquerda da linha de cota, Figura 1.10.5.

Linha interrompida, existem duas formas: - Todas as cotas têm a direção da linha de cota, Figura 1.10.6.

Figura 1.10.5 Figura 1.10.6 Figura 1.10.7

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1 - A linha de chamada não devem tocar no detalhe que está sendo cotado

2 - A linha de chamada deve ultrapassar a linha de cota 3 - A cota deve ficar afastada em cerca de

10mm do detalhe que está sendo cotado 4- As cotas em paralelo devem ficar distanciadas uma das outras em cerca de 10mm

5 - As linhas de chamada podem se interceptar. 6 - A linha de cota não pode ser interceptada nem por linha de chamada nem por linha de cota.

1.10.3 Posicionamento da cotas e das setas em relação às linhas de chamada 1- Cotas e setas devem vir preferencialmente entre as linhas de chamada:

2- Quando não couberem a cota e as setas entre as linhas de chamada, as setas devem ser colocadas fora da linha de chamada:

3-Quando a cota não couber entre as linha de chamada, esta deve ser posicionada por fora da linha de chamada, preferencialmente do lado direito quando a cota for horizontal e acima quando a cota for vertical.

Nota: De maneira nenhuma deve-se reduzir a altura das letras e número, assim como também não se deve reduzir o tamanho da seta para que, para que caibam entre as linhas de chamada.

1.10.4 Distâncias a serem observadas na cotagem:

1.10.5 – Cotagem de forma e de posição: Na Figura 1.10.8 as cotas com índice (1), são cotas de forma, enquanto as de índice (2) são cotas de posição

-Figura 1.10.8 – Cotas de forma e de posição

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Ao iniciar a cotagem de um desenho, deve-se de preferência iniciar pela cotagem de forma e de posição, dos arcos de circunferência, e dos furos.

1-Cotagem em paralelo: é a cotagem em que todas as cotas têm como referência uma superfície comum da peça, denominada superfície de referência Figura 1.10.9 ou linha de referência Figura 1.10.10.

de referência superfície linha de referência

Figura 1.10.9 – Cotagem por superfície de referênciaFigura 1.10.10 – Cotagem por linha de referência

2- Cotagem em série: é a cotagem em que todas as cotas da peça dependem uma das outras. Neste tipo de cotagem não se deve colocar todas as cotas, deve-se deixar pelo menos um trecho da peça sem dimensão, Figura 1.10.1.

Figura 1.10.1 – Cotagem em série 3- Cotagem mista: quando se apresentam cotas em paralelo e em série.

Figura 1.10.12 – Cotagem mista

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4 – Cotagem em coordenadas polares: Este tipo de cotagem deve ser utilizada quando os detalhes a serem cotados estiverem todos a uma mesma distância do centro de uma circunferência. Deve conter o raio do arco que passa pelos centro dos detalhes, o ângulo que referencia a posição do detalhe na peça e a dimensão do detalhe

IncorretoCorretoCorreto

Figura 1.10.2 – Cotagem e m coordenadas polares

5 - Cotagem por coordenadas: Deve ser utilizada de preferência em desenhos de peças em cuja fabricação se utilizará maquinas CNC (máquinas ferramentas de comando numérico). O referencial X,Y não deve ser representado no desenho, mas deve ser escolhido de forma a não apresentar coordenadas negativas.

Figura - 1.10.32 – Cotagem por coordenadas

6 - Cotagem aditiva: É um sistema de cotagem em paralelo, deve ser utilizada em situações em que o sistema de cotagem normal em paralelo, visto anteriormente se mostre ineficiente (de maneira geral não deve ser utilizado).

Figura 1.10.3 – Cotagem aditiva

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1.10.7 Simbologia utilizada na cotagem:

R – Notação para raio de arco de circunferência, de preferência para arcos de raio maior que 10mm r – Notação para raio de arco de circunferência, de preferência para arcos de raio menor que 10mm f - Símbolo de diâmetro de circunferência

L – Para indicar cantoneira L – Exemplo. L20x20x3 P-PB-128 H – Para indicar vigas H – Exemplo: H 100 L P-PB-126, onde o “L” indica perfil leve I – Para indicar vigas I – Exemplo: I 200 L P-PB-125, onde o “L” indica perfil leve

1.10.8 Cotagem de furo, eixo, arcos de circunferência, chanfro

1.10.8.1 - Cotagem de furo: a posição do furo deve ser cotada sempre pelo seu centro, e o diâmetro de preferência na vista em que se apresenta a seção circular, Figura 1.10.13, quando não for possível, cota-se em outra vista, acrescentando-se o símbolo f antes da dimensão, Figura 1.10.14.

Figura 1.10.13 – cotagem de furo na seção do furoFigura 1.10.14 – Cotagem do furo em outra vista

‘ Fig 6Fig. 7

1.10.8.2 Cotagem de Eixo e de Cone: a cotagem da posição do um eixo e do cone, deve ser feita quando necessário, no desenho de conjunto, sempre pela linha de eixo do elemento, Figura 1.10.15, e as cotas de diâmetro, no desenho de detalhe, na vista onde está representada a altura do eixo ou do cone, Figura 1.10.16.

Figura 1.10.15 – Cotagem da posição do eixoFigura 1.10.16 – Cotagem do diâmetro do eixo

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1.10.8.3 Cotagem de arcos de circunferência: Tanto a posição do centro do arco, como a dimensão do raio do arco, devem ser cotados na vista em que se apresenta o arco do círculo.

- Quando as linha de centro do arco estiverem representadas, pode-se omitir o símbolo R antes da dimensão, Figura 1.10.17. - Quando as linhas de centro não estão representadas, deve-se colocar o símbolo R antecedendo a dimensão, Figura 110.18.

Figura 1.10.17 – Cotagem com centro definidoFigura 1.10.18 – Cotagem com centro indefinido

Nota: Ao se cotar arcos de circunferência, deve-se de preferência colocar a dimensão do arco, a seta e a linha de cota, do lado em que se encontra o centro do arco.

CorretoCorretoEvitarCorreto

Figura 1.10.19 – Posicionamento da cota de arco de circunferência

1.10.8.3.1 Cotagem de grandes arcos de circunferência:

R20 R20 314

R60 6,73

Forma correta Forma corretaForma correta

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Forma incorretaForma incorreta

Figura 1.10.20 – Cotagem de grandes arcos

1.10.8.4 Cotagem de chanfros: Nota: A cotagem de chanfro, é sempre uma cotagem em PARALELO em relação as outras cotas.

Figura 1.10.21 – Cotagem de chanfro 1.10.8.5 Cotagem em peças com corte em meia vista: (lembre-se não se deve cotar arestas invisíveis)

Correto Incorreto

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Correto Incorreto

Figura 1.10.23 – Cotagem em meia-vista meio-corte 1.10.8.6 Cotagem de furos concêntricos: pode-se cotar no máximo dois diâmetros na vista que apresenta a seção do círculo

Correto Incorreto Figura 1.10.24 – Cotagem de furos concêntricos

1.10.8.7 Cotagem de pequenos detalhes: O detalhe deve ser posicionado com a mesma orientação que ocupa na peça, Figura 1.10.25.

Figura 1.10.25 – Detalhe corretoFigura 1.10.26 – Detalhe posicionado errado

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Figura 1.10.27 – Cotagem de pequenos detalhes em série

Figura 1.10.28 – Cotagem de cantos “filetados” 1.10.8.8 Cotagem de superfícies esféricas:

Figura - 1.10.29

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1.10.8.9 Cotagem de ângulo:

Figura – 1.10.30

1.10.8.10 Cotagem de treliças e de tubulações industriais : São os dois únicos elementos do Desenho Técnico Mecânico, no qual é permitido cotar na peça.

Figura 1.10.31 1.10.8.13 Erros comuns na cotagem:

a)Errado b) Errado c) Correto

Figura - 1.10.34 – Errado, as linhas de chamada estão longe do detalhe em (a) e não estão numa mesma linha em (b)

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a) Erradob) Errado c) Correto

1.54Normas gerais do Desenho Técnico Mecânico Figura 1.10.35 – Errado, as cotas estão muito próximas do contorno em (a) e sobre o contorno da peça em (b)

a) Errado b) Correto c) Errado d) Correto

Figura 1.10.36 – Errado, a cota de diâmetro está sobre um dos eixos em (a) e a cota do arco não toca o contorno em (b)

a) Errado b) Errado c) Errado d) Correto

Figura 1.10.37 – Errado, as setas não tocam a linha de chamada em (a) e ultrapassam a linha de chamada em (b) e (c) a) Corretob) Errado Figura 1.10.38- Errado, as linhas de chamada interceptam a linha de cota em (b) a) Errado Figura 1.10.39 – errado, as cotas estão à direita e abaixo das linhas de cota em (a)

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