A importancia da gestão dos custos ambientais

A importancia da gestão dos custos ambientais

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A Importância da Gestão dos Custos Ambientais

Resumo

A globalização define um mercado que se apresenta cada vez mais competitivo e as empresas precisam buscar um diferencial competitivo para garantir seu espaço. O meio ambiente passou a ser um destes diferenciais nas ultimas décadas, com o valor agregado trazido pelo seu controle de gerar melhor utilização, métodos de preservação e até mesmos sistemas de recomposição de degradações ocorridas anteriormente. Este artigo tem como objetivo apresentar que havendo profundo conhecimento das empresas e de suas atribuições é possível criar condições de desenvolvimento e preservar o meio ambiente sem que haja acréscimo de custos, visão comum aos empresários. Podemos constatar, que com a utilização de um sistema de gestão de custos aplicado ao meio ambiente poderemos obter resultados significativos para as partes envolvidas, não só no tocante a preservação do meio, mas também como diferencial competitivo para a empresa através das vantagens obtidas com a boa utilização do meio ambiente em que a mesma está inserida.

1. Introdução

Na ultima década do século passado a questão ambiental surgiu de forma contundente como um ponto que merecia maior cuidado e atenção. No Brasil a Eco 92 funcionou como uma abertura do país para essa questão, como se a partir daquele momento o problema ambiental passasse a ser de todos e não só dos ecologistas de carteirinha, ou dos membros do partido verde.

Diante deste novo aspecto os empresários de todas as esferas passaram a observar suas empresas por novos focos, não só como fonte, meio e processo da evolução da economia mundial, mas principalmente como um sistema aberto que interage com o meio ambiente. Desta forma, entenderam que o seu ambiente não eram apenas os fornecedores, instituições financeiras, governo e clientes. De acordo com Ribeiro (1998), entenderam que os problemas causados pelos seus detritos industriais (águas, poluição, expansão dos negócios em detrimento de rios e florestas), a insatisfação e a repulsa da sociedade por seus produtos, obrigava-os a incorporarem aos seus objetivos o fator “meio ambiente”.

A evolução do tema se projetou rapidamente dada sua importância para a sustentabilidade das empresas e do próprio planeta.

Como todos as demais áreas componentes das empresas, a ambiental também tem que sofrer mensuração e passar pelo processo de gestão, pois caso contrário ficará apenas como um anexo sem na realidade integrar a administração da entidade.

Diante deste foco e da indiscutível importância da preservação ambiental, principalmente em um país como o Brasil que é o maior país da América Latina e o quinto do mundo com área territorial, compreendendo 8.511.996 Km2, com zonas climáticas variando do trópico úmido a áreas subtropicais e semi-áridos e certamente um dos países detentor do maior patrimônio de biodiversidade do planeta, é que tratamos aqui da importância da gestão dos custos ambientais.

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Aldo Leonardo Cunha Callado

2. A Evolução da Contabilidade e a Questão Ambiental

A contabilidade desde o começo de sua descoberta tem ajudado em muito o processo de tomada de decisão das empresas, destarte vem tentando (e conseguindo) responder as diversas perguntas que tem sido colocadas para que a mesma as estude e dê um retorno evidente e claro. A partir das necessidades humanas é que a contabilidade surgiu para quantificar riquezas, sem nenhum valor agregado.

E é a partir dessas necessidades e de uma sociedade cada vez mais exigente e consciente que a preocupação com o meio ambiente vem se tornando um tema bastante discutido pelos gestores de diversos setores, bem como se tornou um tema bastante estudado e investigado pelo meio acadêmico. Desta forma a contabilidade assumiu, também, a responsabilidade de mensurar os custos ambientais, já que em todo mundo de forma contundente vem se intensificando a preocupação com o meio ambiente.

Portanto a falta de responsabilidade social veio aumentando e muito durante as últimas décadas. São diversos os exemplos de irresponsabilidade social e desgaste incontrolável com os recursos ambientais que vieram surgindo ao longo do tempo, tais como: o acidente do petroleiro Exxon-Valdg, no Alasca; os resíduos de materiais nucleares em Chernobil, na Rússia; o vazamento de gás na Vila Socó, em Cubatão; o vazamento de 1.200 mil litros de óleo na baía de Guanabara, Rio de Janeiro e finalmente o maior dos últimos anos que foi o vazamento de soda cáustica no Rio Pomba pela empresa Cataguazes Papel e Celulose no Estado de Minas Gerais, dentre outros que não são amplamente divulgados pelos meios de comunicação.

Por ser uma fonte de recurso “ilimitado” e de “livre acesso”, o meio ambiente tem sido cada vez mais utilizado pelas empresas. A extração de recursos naturais está ligada ao processo cultural evolutivo e tecnológico. Segundo Donaire (1995) os recursos são materiais do meio ambiente, pois em um dado momento da história os conhecimentos técnicos permitiram uma utilização socialmente útil, ou seja, “é recurso hoje o que não foi recurso ontem, podendo ser recurso amanhã o que não é percebido hoje enquanto recurso”.

Portanto faz necessário que as empresas tomem sua posição frente aos acontecimentos e exigências ambientais, pois caso contrário quem sabe, talvez, com falta de responsabilidade social/ambiental, o que hoje é considerado com recurso ilimitado poderá vir a ser escasso amanhã.

3. Conceito de Custos

Para Sá (1995), Custos podem ser definidos como tudo o que se investe para conseguir um produto, um serviço ou uma utilidade. O mesmo afirma que a maioria dos mestres e por custos as aplicações para mover atividade, seja ela direta ou indiretamente, feitas na produção de bens de vendas.

Já Leone (1997) determina que custos dizem respeito ao valor dos fatores de produção consumidos por uma firma para produzir ou distribuir produtos ou serviços, ou ambos.

Para Martins (2000) considera custos como gastos relativos a bens ou serviços utilizados na produção de outros bens e serviços, ou seja, o valor dos insumos usados na fabricação dos produtos da empresa. Martins ainda diz que o custo é também um gasto, só que reconhecido como tal, isto é, como custo, no

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Aldo Leonardo Cunha Callado momento da utilização dos fatores de produção (bens e serviços) para fabricação de um produto ou execução de um serviço.

3.1 Identificação dos Custos Ambientais

Segundo Carvalho et al. (2000, p. 15) “os custos ambientais compreendem todos aqueles gastos relacionados direta ou indiretamente com a proteção do meio ambiente e que serão ativados em função de sua vida útil, ou seja”: - Amortização, exaustão e depreciação;

- Aquisição de insumos para controle, redução ou eliminação de poluentes;

- Disposição dos resíduos poluentes;

- Tratamento de recuperação e restauração de áreas contaminadas;

- Mão-de-obra utilizada nas atividades d3e controle, preservação e recuperação do meio ambiente.”

Já Moura (2000), mostra em um fluxograma uma forma de classificação dos custos ambientais (adaptando os conceitos de qualidade total) enquadrando-se de maneira mais específica na realidade das empresas brasileiras.

Custos Ambientais de Controle: - Custos de prevenção;

Custos Ambientais da falta de Controle: - Custos de falhas internas;

- Custos intangíveis.

Custos de Prevenção: são aqueles que visam prevenir a indústria de certos danos ambientais no processo industrial. O setor de atividade com responsabilidade deste setor ajudam a se livrar de ocorrência de problemas ambientais durante o processo produtivo, ainda tem como função manter o cumprimento de padrões e normas e a fabricação de problemas que causam danos ambientais, caso venha ocorrer falhas e acidentes.

Custos de Avaliação: são os custos dispendidos para manter os níveis de qualidade ambiental da empresa, por meio de trabalhos de laboratórios e avaliação formais do sistema de gestão ambiental ou sistema gerencial que se ocupe de garantir um bom desempenho ambiental da empresa. Englobam custos com inspeções, testes, auditorias da qualidade ambiental e despesas similares.

Custos de Falhas Internas: é o primeiro dos custos decorrente das falhas (ou falha) de controle. Esses custos resultam de ações internas na empresa, tais como correção de problemas ambientais e recuperação de áreas internas degradadas, desperdícios de material, de energia, de água e outros recursos naturais, além de tempos de máquinas paradas, como resultado de problemas ambientais causados (interdições e retrabalhos), em processos causados por não conformidades ambientais.

Custos de Falhas externas: compreende os custos de qualidade ambiental e não conformidades fora dos limites da empresa, resultantes de uma gestão ambiental inadequada. Engloba os custos decorrentes de queixas ambientais de

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Aldo Leonardo Cunha Callado consumidores levando à existência de despesas de correção, recuperação de áreas externas degradadas ou contaminadas pela atividade da empresa, pagamento de multas aplicadas por órgãos ambientais de controle indenizações decorrentes de ações legais resultantes de disposição inadequada de resíduos ácidos, transporte de produtos tóxicos, inflamáveis, corrosivos, prejuízo decorrentes de suspensão de vendas e fabricação de produtos.

Custos Intangíveis: são aqueles com alto grau de dificuldade para serem quantificados, embora se perceba claramente a sua existência. Normalmente não podem ser diretamente associados a um produto ou processo. Eles são identificados pela associação de um resultado a uma medida de prevenção adotada. Como exemplo tem-se a perda de valor das ações da empresa, como resultado de desempenho ambiental insatisfatório, baixa produtividade dos empregados em função de um ambiente poluído, contaminado ou inseguro, dificuldades e aumento de tempo (e custo) na obtenção de licenciamento ambiental como resultado de multas e problemas anteriormente constatados.

Despesas e Perdas Ambientais

Despesas Ambientais: de acordo com Ribeiro (1998) são aquelas empregadas em atividades inerentes à proteção ambiental, como por exemplo, os insumos envolvidos no processo de definição da política ambiental da empresa na de insumos antipoluentes, na movimentação e estocagem de material utilizado no processamento dos efluentes e dos resíduos sólidos, seja para reaproveitamento, reciclagem ou venda, nas auditorias ambientais.

Perdas Ambientais: para Carvalho (2000), são os recursos empregados sem beneficio algum. Podem ser as multas punitivas, devido à inadequação, à legislação vigente e também àqueles dispendidos na recuperação de áreas degradas pelos resíduos e efluentes provenientes da atividade da empresa.

Ativos Ambientais

Para De Luca & Martins (1994), são fatores de produção a serem consumidos visando à preservação ambiental, ou seja, bens de longa vida útil empregados para preservação ambiental, investimentos em tecnologia de reparação ambiental, “reservas” para desvalorização de bens sujeitos a ação ambiental; e parcelas dos bens ou direitos intangíveis da empresa relativos ao desempenho ambiental.

Passivos Ambientais

Primeiramente faz-se necessário que se reconheça um passivo ambiental.

Dos quais podemos citar três tipos de obrigações: a legal, a construtiva e a eqüitativa.

• A legal é aquela requerida pela Lei (legislação), ou por contrato, por exemplo, o reflorestamento de terras degradadas;

• A construtiva ocorre quando a empresa coloca em seus relatórios, ou seja, anuncia publicamente suas ações de responsabilidade de descontaminação de um lago, exemplo; e

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