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Décio SenaDécio Sena

LÍNGUA PORTUGUESA ÁREA FISCAL - SIMULADO SIMULADO 01 DÉCIO SENA

Considere o trecho abaixo, transcrito com erros, para responder às questões de 01 a 05.

A seqüência dos eventos retoma, etapa por etapa, a mesma lógica previsível e desumana. Fazendeiros, grileiros e seus prepostos procuram intimidar os posseiros, acusando-os inclusive de infrações por eles inventadas. Os posseiros recorrem à Justiça e à polícia, que, acovardados pelo dinheiro ou pelas armas dos poderosos, nada fazem. A tensão sobe. Religiosos e líderes insistem com posseiros para que não renunciem a luta. A busca de solução legal das disputas, embora os venha fazer conhecer a espuria cumplicidade dos poderes públicos com os interesses privados dos grandes proprietários não devem cessar, apesar dos perigos.

A escalada cotidiana de provocações e humilhações, no entanto, continua até que os posseiros, desesperados com a inércia da “lei”, explodem e passam a se defender como podem. A represália é, então, aterradora. Quem duvidar veja o documentário sobre a morte do padre Josimo, exibido recentemente no programa “Linha Direta”, de uma emissora de televisão brasileira.

Mesmo com as limitações no gênero, as cenas mostradas no programa nada devem aos massacres de civis no Vietnã. Bandos equipados com helicóptero, granadas, fuzis e metralhadoras se abatem sobrem trabalhadores brasileiros desarmados, incendiando casas, matando pessoas e saqueando tudo o que encontram pela frente.

(Jurandir Freire Costa, Folha de São Paulo, Mais!, 6/5/2001)

01 – Ocorre erro de acentuação gráfica na linha a) 01; b) 1; c) 12; d) 19; e) 26.

02 – Ocorre erro de concordância nominal na linha a) 02; b) 05; c) 06; d) 25; e) 29.

03 – Ocorre erro de concordância verbal na linha a) 08; b) 14; c) 16; d) 25; e) 30

04 – Ocorre erro de pontuação na linha a) 04; b) 06; c) 07; d) 10; e) 13.

05 – Ocorre erro de regência na linha a) 06; b) 07; c) 09; d) 25; e) 28.

Extremamente sagaz, o juiz ligara esses indícios à leitura ocasional do artigo de Raskólnikov. No artigo, o que mais lhe intrigara for a distinção entre os homens comuns e os extraordinários. O juiz, entretanto, levanta ao autor uma questão que seu artigo não respondia: se ao homem extraordinário a história concede o direito ao crime, que sucederá se o agente do crime se enganar e for um homem comum que se julgara extraordinário. Circunspecto, Raskólnikov responde que não haverá problema, “eles mesmos se flagelam porque são muito morais”.

(Adaptado de Luiz Costa Lima, Folha de São Paulo, Mais!, 6/5/2001)

06 – Assinale a opção que apresenta o sentido em que os vocábulos grifados estão sendo utilizados, respectivamente, no texto.

Décio SenaDécio Sena

A educação recebida por esses jovens, _, não favorece a observação, mas o “truque”, isto é, a questão com um certo nível de raciocínio, desenhada para “pegar” aqueles mais inocentes nas provas de vestibular. Porque me parece claro que a atitude de desprezar _ só pode ser conseqüência da filosofia de ensino adotada em nossas escolas, focada no formato das provas de vestibular e não no material didático em si.

(Adaptado de Marcelo Gleiser, Folha de São Paulo, Mais!, 29/4/2001)

07 – Assinale a opção que preenche corretamente as lacunas, assegurando a coerência da informação.

a) em vez de estimular-lhes a busca por raciocínios lógicos – a esperteza em detrimento da razão; b) ao invés de criar-lhes a vivacidade, a agilidade na resolução das questões – a lógica, privilegiando o raciocínio científico; c) como é de praxe em tantas escolas – o bom senso em nome da esperteza; d) que são, felizmente, muito poucas, dada a inutilidade do estudo das ciências – o aspecto prático, privilegiando a formação acadêmica; e) não só os incentiva a buscar a lógica dos fenômenos científicos – o raciocínio lógico em face da necessidade de aguçar-se a vivacidade mental.

A década não foi boa para a estratégia. As empresas deram crédito a um número extraordinário de idéias errôneas ou simplistas sobre o significado da competição – é o que chamo de “caldeirões intelectuais”. Falou-se tanto que os negócios tinham a ver com mudanças, velocidade, dinamismo e reinvenção da empresa, e que velocidade dos acontecimentos era de tal ordem, que não havia espaços a perder. Esse tipo de visão produziu uma argumentação frágil e tola, que refletia uma concepção radicalmente enganosa do real significado da competição.

(Exame, março/2001, p. 108 fragmento adaptado)

a)é o a que chamo “caldeirões intelectuais” ...
da empresa(ls. 05-08);
c)que não existiam espaços a serem perdidos. (l.
argumentações(ls. 10-1);
e)que refletiam concepções radicalmente

08 - O texto permanece correto se forem feitas as seguintes substituições, exceto: (ls. 04-05); b) Falaram tanto que os negócios tinham a ver com mudanças, velocidade, dinamismo e reinvenção 09); d) Esse tipo de visão produziu frágeis e tolas enganosas dos reais significados da competição. (ls. 1-13).

O risco das discussões fechadas, que levam às decisões ocultas, está na anulação da cidadania, que deveria estar presente nas deliberações que a ela importam. Nesse complicado e clandestino labirinto, há, ainda que não queiram os iluminados e desajeitados dirigentes nacionais, que professam a verdade democrática, um toque autoritário, acima das instituições e das pessoas.

(Raymundo Faoro, Carta Capital, 25/4/2001)

09 – É incorreto afirmar que, no texto:

a) O vocábulo “Nesse” (l. 04) poderia ser substituído por Em tal e o texto teria seu significado preservado; b) O adjetivo “presente” (l. 03) relaciona-se com “que” (l. 03, 1a. ocorrência); c) A locução “ainda que” (l. 05) introduz nexo semântico concessivo; d) A forma verbal “professam” (l. 07) porta, no texto, o significado de confessam. e) Igualmente estaria correta a redação, na linha 08 do texto do fragmento acima das instituições e pessoas.

10 – Assinale o segmento do texto em que há erro de paralelismo sintático.

a) Além de serem obrigadas a negociar preços e perdendo freqüentemente suas margens de lucros, as empresas que produzem telefones celulares são obrigadas constantemente a investir em grandes cifras em novas tecnologias para não perderem mercado. b) As fabricantes de equipamentos de telecomunicação móvel, instaladas na Europa e nos Estados Unidos, estão vivendo dias de tempestade neste início de 2001 por conta da forte queda nas vendas de celulares. c) Apesar de preferirem manter uma boa relação com as operadoras para que futuros contratos não sejam boicotados, os fabricantes de celular admitem que a pressão para baixar preços já existe e que tal pressão deve aumentar ainda mais com a formação dos grandes grupos de telefonia. d) “O investimento em tecnologia é uma questão de sobrevivência, pois quem não investir em novidades ficará fora do mercado. Ter um

Décio SenaDécio Sena aparelho celular diferenciado pode ser o requisito necessário para um bom contrato”, diz o diretor da Samsung. e) Grandes operadoras de telefonia estão se formando – a exemplo da fusão ocorrida entre a Telefónica e Portugal Telecom – e tendência natural é de que esses players pressionem fortemente as produtoras de equipamentos de telefonia a baixar os preços, provocando uma redução nos lucros.

Nas questões de 1 e 12, marque o segmento de texto que contém erro de estruturação sintática:

a) Estamos, pois, diante do que se convencionou chamar de homem livre moderno. Notamos, porém, que esse “homem” são dois tipos diferentes de homem: há o burguês, proprietário privado das condições do trabalho, e há o trabalhador, despojado dessas condições, “liberado” da servidão, mas também despojado dos meios de trabalhar. b) O real não é constituído por coisas. Nossa experiência direta e imediata da realidade levanos a imaginar que o real é feito de coisas (sejam elas naturais ou humanas), isto é, de objetos físicos, psíquicos, culturais oferecidos à nossa percepção e às nossas vivências. c) Qual será a manifestação por excelência desse homem livre? Aquela atividade na qual sua vontade subordina seu corpo para obter um certo fim - o trabalho. O trabalho aparece, assim, como uma das expressões privilegiadas do homem como ser natural e espiritual. d) O homem surge, então, como um ser muito peculiar: por seu corpo, é uma máquina natural e impessoal que obedece a causalidade eficiente; por sua vontade (ou por seu espírito, onde a vontade se aloja), é uma liberdade que age em vista de fins livremente escolhidos. e) Pode, então, fazer com que seu corpo, atuando mecanicamente, sirva aos fins escolhidos por sua vontade. Assim, se do lado da Natureza não há mais hierarquia de seres e de causas, do lado humano a hierarquia reaparece porque a causa final ou livre é superior e mais valiosa do que a eficiente: o espírito vale mais do que o corpo e este deve subordinar-se àquele. (Marilena Chaui, com adaptações) a) O homem livre é, portanto, um ser universal (sempre existiu e sempre existirá) que se caracteriza pela união de um corpo mecânico e de uma vontade finalista. b) Suponhamos que pertençamos a uma sociedade cuja religião é politeísta e cujos deuses são imaginados com formas e sentimentos humanos, embora superiores ao dos homens, e que nossa sociedade exprima essa superioridade divina fazendo com que os deuses sejam habitantes dos altos lugares. c) A montanha já não é uma coisa: é a morada dos deuses. Suponhamos, agora, que sejamos uma empresa capitalista que pretende explorar minério de ferro e que descubramos uma grande jazida numa montanha. d) Como empresários, compraríamos a montanha, que, portanto, não é uma coisa, mas propriedade privada. Visto que iremos explorá-la para obtenção de lucros, não é uma coisa, mas capital. e) A montanha, agora, é matéria prima num conjunto de forças produtivas, dentre as quais se destaca o trabalhador, para quem a montanha é lugar de trabalho. (Marilena Chaui com adaptações)

Nas questões 13 e 14, as duas sentenças em cada conjunto estão gramaticalmente corretas, exceto:

a) Há que fixar dois conceitos que, na verdade, se opõem, no campo do comércio internacional: o do livre-cambismo e o do protecionismo alfandegário. // Há que se fixarem dois conceitos que, na verdade, se opõem, no campo do comércio internacional: o do livre-cambismo e o do protecionismo alfandegário. b) Teve influência bastante para ser adotado, na

França, por um período que não foi adiante de vinte anos. // Teve influência bastante para ser adotado, na França, por um período que não ultrapassou vinte anos. c) O do livre-cambismo (câmbio independente de decisões governamentais) não existiu, na Grã- Bretanha, senão durante sessenta anos. // O do livre-cambismo (câmbio independente de decisões governamentais) não existiu, na Grã- Bretanha, se não durante sessenta anos. d) Fora disso, é um grande ausente no domínio internacional. // Afora este caso, é um grande ausente no domínio internacional. e) Há que procurar, com telescópio de astrônomo, onde possa ser encontrado, não obstante a defesa ardente que dele fazem a maioria dos doutrinadores. // Há que procurar, com telescópio de astrônomo, onde possa ser encontrado, não

Décio SenaDécio Sena obstante a defesa ardente que dele faz a maioria dos doutrinadores.

a) Do outro lado do campo estão os regimes que se inspiraram no protecionismo alfandegário, como um processo para assegurar a vida e a prosperidade de suas indústrias. // Do outro lado do campo estão os regimes que se inspiraram no protecionismo alfandegário, a fim de assegurar a vida e a prosperidade de suas indústrias. b) À frente de todos, os Estados Unidos da América, que, dispondo de um amplo mercado interno, se sentiam com forças suficientes para enfrentar uma Inglaterra ciosa de um império colonial. // À frente de todos, os Estados Unidos da América, que, porque dispunha de um amplo mercado interno, se sentiam com forças suficientes para enfrentar uma Inglaterra ciosa de um império. c) Havia, de um lado, como capitão do time, o prestígio incontrastável de Adam Smith, com seu grande livro sobre a maneira de conquistar a riqueza das nações. // De um lado, existia, como capitão do time, o prestígio incontrastável de Adam Smith, com seu grande livro acerca da maneira de conquistar a riqueza das nações. d) Do outro lado surgia, como comandante da tropa, o Relatório de Alexandre Hamilton, que acaba de conquistar dois séculos, num ambiente de festas na pátria a que ele se incorporou. // Do outro lado surgia, como comandante da tropa, o Relatório de Alexandre Hamilton, que acaba de conquistar dois séculos, num ambiente de festas no país ao qual ele se incorporou. e) Mestre Gide e Rist não hesitaram em incluir os

Estados Unidos entre as nações que são protecionistas, não apenas nos fatos como na doutrina. // Não hesitaram, Mestre Gide e Rist, na inclusão entre as nações que são protecionistas, não apenas nos fatos como na doutrina, dos Estados Unidos.

Nas questões 15 e 16, identifique o item sublinhado que contém erro de natureza ortográfica ou gramatical ou impropriedade vocabular, e marque a letra correspondente.

A memória faz cruzar a história e a intimidade em crônicas muito originais e prenhes de cotigências(1), crônicas do indivíduo na família, na escola, no trabalho, no bairro ou na cidade, em todo grupo onde(2) os homens se nutriram simbolicamente e onde empenharam aquilo que eles são; aí onde os sujeitos aparecem imantados por pulsões discordantes e que(3) esquema nenhum pode abarcar; ora agiram em acordo com a ideologia, ora a(4) suspenderam: ora foram fiéis a seus conceitos e preconceitos, ora pareceram negligenciá-los; aí, pois, onde o nexo das atitudes humanas não pode ser resolvido por nenhuma sociologia ou psicologia normalizadoras,(5) mas apenas intermitentemente aludido pelo desempenho de algumas vidas. (José Moura Gonçalves Filho, com adaptações) a) 1; b) 2; c) 3; d) 4; e) 5.

A reflexão sobre o trabalho industrial ocupa um lugar eminente na obra de Simone Weil. São preciosas as suas notas, muitas delas ilustradas com desenhos geométricos, sobre a estrutura e o funcionamento das máquinas. No seu diário de metalúrgica combina-se(1) teoria cinética e política militante. Para Simone, enquanto os trabalhadores não forem capazes de verem(2), por dentro, os meios e os fins da sua atividade cotidiana, a sociedade industrial, capitalista ou socialista, não saberão enfrentar os prestígios da tecnocracia. Consciência e regime democrático exigem-se(3) mutuamente. Não sei de texto mais iluminador, nesse campo de interfaces, do que(4) “Reflexões sobre as causas da opressão e da liberdade”, testamento filosófico de Simone Weil e obra prima(5) de concreção e rigor técnico. (Alfredo Bosi, com adaptações) a) 1; b) 2; c) 3; d) 4; e) 5.

Leia o texto:

Nem tudo El Niño explica

El Niño que nos perdoe, mas para entender o que aconteceu neste ano com o verão carioca é preciso indultar o aquecimento das águas do Pacífico de pecados da estação, como a pane de 50 0 telefones, o desmoronamento do castelo de areia erguido na Barra da Tijuca pelo deputado Sérgio Naya, a proliferação de favelas numa taxa dezenas de vezes superior aos índices de crescimento populacional ou a briga entre o

Décio SenaDécio Sena governador e o prefeito que gorou o novo Código de Trânsito no Rio de Janeiro. Há coisas que, sozinha, a natureza não faz.

Não faz, por exemplo uma Cidade

Maravilhosa, alcunha que, aliás, nem é autóctone. O Rio adotou-a depois que uma poetisa francesa a usou para cantar as reformas do prefeito Pereira Passos no início do século. Antes, tal era a sua fama internacional de suja, doentia e violenta, que diplomatas ingleses, para habitá-la, recebiam adicional de insalubridade. E sua paisagem famosa estava no mesmo lugar onde a encontraram os primeiros europeus, testemunhas quinhentistas do acasalamento de baleias na Baía de Guanabara.

Se o velho Rio, apesar do cenário, podia ser posto de sacrifício para estrangeiros, seu verão repelia até os nativos. Dom Pedro fugia para Petrópolis, durante a temporada, que para ele durava de novembro a maio. Em seu rastro, a corte subia a serra, deixando à beira mar a patuléia entregue aos mosquitos. El Niño não inventou o calor. Nos anos 50, o cronista Rubem Braga já escrevia que esta época do ano era tão quente que, quando passava, o carioca ainda suava “gratuitamente e por força do hábito durante quatro ou cinco semanas”.

Transformar a temperatura malsã em motivo de festa e atração turística foi obra dos governos que, no começo do século, atacaram a febre amarela com vacina e saneamento, furaram túneis para Botafogo, cerziram com aterros a orla fraturada por erupções graníticas e apontaram os trilhos do bonde para o futuro — ou seja, para a Zona Sul, que antes disso nem existia. Aí, sim, na hora de vender terrenos nos areais de Copacabana, inaugurou-se oficialmente o verão carioca, esplêndido produto da administração pública embalado pela publicidade imobiliária.

Veio para ficar, mas não é garantido pelo calendário, como os fenômenos regidos exclusivamente por mecanismos cósmicos. O verão, no Rio, exige governo. Tanto que o de 1997, quase tão sufocante quando o de 1998, ficou na memória coletiva como um oásis de bom humor. Foi refrescado pela onda de inaugurações que, na eleição para a prefeitura, prometeram à cidade encerrar um longo ciclo de abandono. Era miragem eleitoral, cujas causas não adianta procurar no mapa do tempo. (Marcos Sá Corrêa, adaptado)

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