Proteção de Plantas da ABEAS

Proteção de Plantas da ABEAS

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ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Módulo 1: 1.1 - A defesa vegetal no Brasil

Módulo 1 1.1. A defesa vegetal no Brasil

Tutor: Prof° Engº Agrº Marçal Zuppi da Conceição (ANDEF-SP)

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS

Universidade Federal de Viçosa - UFV

Centro de Ciências Agrárias Departamento de Fitopatologia

Brasília - DF 2006

ESPECIALIZAÇÃO POR TUTORIA A DISTÂNCIA – ABEAS/UFV Curso: Proteção de Plantas

Módulo 1: 1.1 - Defesa Vegetal no Brasil

Ficha Catalográfica

Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior - ABEAS

A Defesa Vegetal no Brasil / Marçal Zuppi da Conceição, tutor. – Brasília, DF : ABEAS; Viçosa : UFV; 2006. 56 p. : il. (ABEAS. Curso Proteção de Plantas. Módulo 1 - 1.1)

Inclui bibliografia.

1. A Defesa. 2. Vegetal no Brasil. I. Conceição, Marçal Zuppi da. I. Universidade Federal de Viçosa. I. Título. IV. Série.

É proibida a reprodução total ou parcial deste módulo. Direitos reservados a ABEAS e ao Autor.

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Módulo 1: 1.1 - A defesa vegetal no Brasil

Sumário

1. Contribuição da defesa vegetal, 4 2. Proteção de Plantas / Defesa Vegetal, 7 3. Manejo Integrado de Pragas, 10 4. Manejo integrado de doenças e de plantas daninhas, 1 5. Evolução dos produtos fitossanitários, 12 5.1. Mudanças nas técnicas de produção, técnicas de cultivo e rotação de culturas, 13 5.2. O desenvolvimento da defesa fitossanitária, 14 5.3. Alterações na incidência e importância de pragas e plantas invasoras, 15 5.4. O desenvolvimento do controle químico, 16 5.5. Fatos a considerar, 2 5.6. O controle biológico e integrado, 23 6. Controle químico, 25 7. Descoberta e desenvolvimento de um produto fitossanitário, 27 8. Novos produtos, 29 9. Registro e comercialização dos produtos fitossanitários no Brasil, 30 9.1. Entendimento histórico, 31 9.2. Legislação, 32 9.3. A receita agronômica, 3 10. Análise do setor de produtos fitossanitários, 35 10.1. Formulações de produtos fitossanitários, 36 10.2. Embalagens de defensivos agrícolas, 46 10.3. Avanços tecnológicos, 48 1. Produtos fitossanitários modernos, 49 12. Responsabilidade coletiva, 51 Literatura consultada, 52

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1. Contribuição da defesa vegetal

O objetivo precípuo deste módulo é responder, basicamente, a três perguntas: De onde viemos? Onde estamos? Para onde vamos? É importante conhecer o passado. Quem conhece o passado pode perscrutar o futuro.

O agricultor norte-americano gastava em 1915, em média, 132 horas de trabalho, para obter uma produtividade de seis toneladas de alimento por hectare cultivado. Em 1950, o tempo necessário para atingir as mesmas 6 toneladas caiu para a média de 53 horas e, em 1985, com apenas 3 horas, ele obtinha o mesmo resultado. Esta progressão deveu-se, particularmente, à introdução de novas tecnologias agrícolas, utilizadas em forma integrada.

O quadro a seguir mostra com clareza a evolução da agricultura através dos anos, numa demonstração dos benefícios que a tecnologia pode trazer para a sociedade. Em 1850 eram necessários quatro agricultores para alimentar uma única pessoa.

Quadro 1 - Evolução da agricultura através dos anos

Fonte: Aspectos Toxicológicos Relacionados ao Uso de Produtos Fitossanitários –Dinnouti et all. 2004 * CropLife International 2005

Na história sobre o uso do manejo fitossanitário integrado, o ano de 1950 assumiu uma característica de divisor de águas para a agricultura mundial, pois a partir daquela época passou-se a explorar a idéia de integração do controle químico com o biológico, com o objetivo de se resolver o conflito entre o uso de inseticidas e ação dos inimigos naturais. Estava, portanto, plantada a semente da seleção de métodos de controle e do desenvolvimento de critérios para o emprego do Manejo Integrado de Pragas (MIP), garantindo conseqüências favoráveis sob os pontos de vista econômico, ecológico e sociológico. Uma conceituação que desabrochou, definitivamente, em 1961, quando os ecologistas australianos Diana e Clark escreveram um artigo em que defendiam uma tecnologia visando fazer o manejo protetor contra espécies benéficas (predadores, parasitas, polinizadores).

No Brasil, entomologistas pioneiros, como Prof. Ângelo Moreira da Costa Lima (Escola Nacional de Agronomia – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) já eram precursores da

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Módulo 1: 1.1 – A defesa vegetal no Brasil 5 idéia de controle integrado pois, quando fez o estudo dos problemas do algodoeiro no Nordeste do país (1950), propôs uma série de medidas que se enquadram hoje, perfeitamente no conceito de integração.

A classe Agronômica tem apoiado o Método Integrado e os Sistemas Integrados de

Cultivo.A ANDEF – Associação Nacional de Defesa Vegetal tem sido grande propulsora do Manejo Integrado de Pragas. No passado, isto parecia ser muito mais o papel de órgãos de pesquisa e universidades no nosso país. Hoje estamos de mãos dadas. O dilema da resistência das pragas aos inseticidas tem estado presente há anos com relação aos inseticidas, e também contribui para o desenvolvimento de programas de MIP.

Os ácaros, que são a ruína dos produtores de maçãs e pêras, têm uma longa história de desenvolvimento de resistência. O curto ciclo de vida e o rápido período entre as gerações aceleram a velocidade na qual a resistência se desenvolve. Mais de meia dúzia de acaricidas tornaram-se ineficientes devido à resistência de ácaros e apenas alguns continuam sendo eficazes, através da implementação de rigorosas estratégias de manejo da resistência.

A Defesa Fitossanitária é uma prática que objetiva salvaguardar a produção agrícola dos danos provocados por pragas, doenças e plantas daninhas. Tradicionalmente, estes problemas são enfrentados com o emprego de Produtos Fitossanitários. Esse trabalho não é fácil, principalmente quando se levam em conta os efeitos não desejados que podem advir do uso inadequado dos produtos fitossanitários, em especial, o uso equivocado dos agroquímicos, baseando-se em calendários de aplicações, independentemente de sua necessidade. Como resultado, tem-se a realização de tratamentos que resultam levar ao meio ambiente quantidades desnecessárias desses produtos.

A prática de intervir com os produtos fitossanitários em períodos pré-programados, mesmo quando as populações de pragas não estão provocando “danos econômicos”, é uma das causas que podem contribuir para a ocorrência de efeitos não desejados, aumentos nos custos de produção e de outros inconvenientes que afetam o agricultor, tais como: • Desenvolvimento de resistência pelos agentes a serem controlados

• Aparecimento de novas Pragas, devido à eliminação maciça dos Inimigos Naturais

O uso dirigido e adequado do Produto Fitossanitário é um método que compreende sua utilização quando os agentes daninhos chegam a uma população que realmente irá provocar prejuízo econômico à cultura estabelecida. Para isso, deve-se ter como base para sua prescrição e utilização alguns quesitos como: • Conhecimento da Praga, Doença ou Planta Daninha

• Conhecimento dos Inimigos Naturais

• Condições Climatológicas

• Métodos de Amostragens e Monitoramento

• Conhecimento dos Níveis de Danos Econômicos

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O Manejo Integrado, sem dúvida, é o melhor caminho para o uso correto e seguro dos produtos fitossanitários. Esta prática também possibilita que Predadores / Parasitas / Polinizadores desenvolvam seu papel útil à agricultura. Paralelamente contribui para reduzir e até mesmo neutralizar a resistência das pragas aos diferentes produtos.

As exigências da moderna agricultura brasileira crescem à medida que se impõe a necessidade de garantia dos níveis de produção e produtividade, adequados ao pleno abastecimento do mercado interno e geração de excedentes exportáveis que possam contribuir, de forma definitiva, para o superavit da balança comercial do País.

Esses insumos agrícolas, quando utilizados sob a supervisão de profissionais legalmente habilitados, geram resultados positivos para todos os envolvidos no processo. O Manejo Integrado de Pragas, Doenças e Plantas Daninhas, que consiste na implementação de métodos de controle que utilizem, harmonicamente, os processos químicos, físicos, biológicos e os métodos culturais, de forma planejada, resulta em benefício da produtividade, proteção ambiental, segurança do consumidor e das pessoas envolvidas na atividade agrícola.

A produção agrícola é norteada por 3 (três) tipos de fatores de produção (de acordo com Rabbringe e De Wit, 1989):

• fatores determinantes da produtividade • fatores limitantes da produtividade

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