apostila metais

apostila metais

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O ouro, de forma semelhante ao mercúrio, foi usado em medicina como panacea para todos os tipos de doenças. Os chineses foram provavelmente os primeiros a usar o ouro como propostas curativas, como no alívio de pruridos (Berman, 1980).

O ouro é utilizado hoje em ligas dentárias e no tratamento de úlceras cutâneas. Ouro radioativo também é empregado no tratamento do câncer. Há ainda uma série de utilizações do ouro em medicina e ciência. Utilizações industriais são: circuitos eletrônicos, conexões, resistências e semi-condutores. O ouro também é utilizado nos projetos espaciais como selador de junções vidro-metal ou como protetor contra alta radiação solar e radiação infra-vermelha (Berman, 1980).

Os efeitos tóxicos mais comuns do ouro envolvem problemas na pele e mucosas, iniciando com pruridos e indo até dermatites. Os compostos de ouro podem ser tóxicos aos órgãos hematopoiéticos gerando trombocitopenia, leucopenia, agranulocitose e anemia (Berman, 1980).

A concentração de ouro na água do mar é de 4 x 10-3 μg Kg-1 e a principal espécie encontrada é AuCl2 (Maeda & Sakaguchi, 1990). A microalga dulcícola Chlorella vulgaris é capaz de acumular Au(I) e Au(I) das soluções aquosas com alta afinidade. Sob determnadas condições, o nível de ouro acumulado pode representar 10% do peso seco da célula. Au(I) acumulado intracelularmente é rapidamente reduzido a Au(I) e o ouro ligado à superfície celular é lentamente reduzido a Au(0). A redução do ouro é provavelmente um processo de detoxificação (Maeda & Sakaguchi, 1990)

5.7 – Prata

A prata também é um dos metais utilizados pelo homem desde a Antigüidade. Os gregos possuíam minerações de prata. A prata é encontrada pura ou associada a cobre, ouro e chumbo (Berman, 1980). A prata é um metal não-essencial e sua dose letal aguda (LD50) em ratos é de 7,9 x 10-4 mol Kg-1. A concentração de prata na água do mar varia entre 0,04 a 0,09 μg L-1. Cerca de 34% da prata dissolvida está em espécies orgânicas e as espécies inorgânicas são principalmente AgCl-2 (Maeda & Sakaguchi, 1990).

Além de ser usada em utensílios de mesa e joalheria, a prata está em ligas metálicas de alumínio, cádmio, cobre e chumbo, aumentando sua força, dureza e resistência a corrosão (Berman, 1980).

Os compostos de prata foram intensivamente usados como agentes antimicrobianos no tratamento de queimaduras e em infecções oculares (Slawson et al., 1992 apud Beveridge et al., 1997). Atualmente, ainda se utilizam os complexos protéicos de nitrato de prata em aplicações locais dada a suas propriedades germicidas (Berman, 1980).

A atividade tóxica da prata é principalmente local. A prata inativa os grupamentos sulfidrila das enzimas e também se combina com grupos amino, imidazol, carboxil e fosfato. Devido a sua lenta absorção, sua ação sitêmica não é extensiva. Além de se ligarem a proteínas, os íons também precipitam na forma de AgCl2 onde foi aplicada. Concentrações elevadas de prata sobre a pele causam uma pigmentação que varia do cinza ao azul e é conhecida como argiria. Isso se deve à formação de sulfeto de prata e prata metálica. Não há maiores problemas, a não ser a mancha que persiste para o resto da vida (Berman, 1980)

Embora a prata tenha efeito germicida, algumas bactérias desenvolveram mecanismos de tolerância ao metal. Cepas de Escherichia coli e Pseudomonas stutzeri resistentes à prata foram isoladas de um paciente queimado e de uma mina de prata respectivamente (Gadd et al., 1989; Goddard & Bull, 1989; Starodub & Trevors, 1989). O acúmulo de prta por alguns microrganismos, como conseqüente mobilização e exclusão do metal são processos de resistência e detoxificação. Há também evidências experimentais de mecanismos de resistência genéticos codificados por plasmídeos, já encontrados em E. coli (Starodub & Trevors, 1989).

Outro estudo experimental envolvendo a cadeia trófica aquática (Scenedesmus sp., Daphnia magna, mexilhões e peixe) e os metais prata e mercúrio, revelou que ambos podem ser acumulados por peixes através dos vários níveis da cadeia. O fator de concentração do mercúrio é mais alto que o da prata, e o mercúrio é biomagnificado enquanto a prata não (Terhaar et al., 1977 apud Maeda & Sakamuchi, 1990).

5.8 – Estanho e Telúrio

O estanho é um metal utilizado como cobertura protetora de outros metais e como antiincrustante em tintas usadas no ambiente marinho (McDonald & Trevors, 1988 apud Beveridge et al., 1997). Ele é considerado por uns como um metal essencial (Maeda & Sakaguchi, 1990) e por outros como não-essencial.

O telúrio é um metalóide utilizado em baterias, ligas metálicas e em borracha como corante (Beveridge et al., 1997). É um elemento não-essencial.

Estudos de incorporação e tolerância para ambos em microrganismos podem ser revistos em Beveridge et al. (1997).

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