Monografia Panax ginseng gnosia

Monografia Panax ginseng gnosia

(Parte 1 de 2)

Panax Ginseng

Nomes:

Oficial

Panax ginseng

(Família Araliaceae) (18).

Usual histórico

Jen Sheng (15).

Korean Ginseng, Asian Ginseng, Chinese Ginseng, Panax Schinseng, Jiln Ginseng, Ren Shen (14).

Parte usada:

Raízes secas de Panax ginseng (C. A. Meyer) (18).

Características gerais da planta:

O Panax ginseng tem seu habitat natural na China, Coréia, Japão e Nepal, e também é cultivado na Rússia. É uma das mais famosas ervas da medicina tradicional Chinesa (13).

Ginseng é uma erva aromática com um pequeno caule associada a uma raiz carnuda. Esse sistema de raízes consiste de uma raiz primária que se ramifica em algumas raízes adventícias desenvolvidas do rizoma (ver fig. 1). A parte acima do solo da planta tem entre 30 e 60 cm que morre anualmente. Na idade de três ou quatro anos, a planta começa a dar frutos, em Junho ou Julho.

O clima ideal para o crescimento do ginseng é no frio das zonas temperadas férteis e ligeiramente úmidas, portanto ela prefere as sombras de florestas densas (14).

Fig. 1: Fotografia da raiz do Panax ginseng retirada da referência (17).

Histórico:

3500 a.C. – O Ginseng é mencionado no primeiro tratado chinês de medicina (1);

200 a.C. – O imperador chinês Cho-chi-clu refere o Ginseng na cura de muitas doenças (1). Durante a dinastia de Han (de 206 a.C. a 24 d.C.) um texto medicinal foi escrito sobre uma planta chamada Sheng. Posteriormente a planta ficou conhecida como “Jen Sheng, a raiz do paraíso” ou “ginseng” que literalmente significa erva-homem, pois a raiz apresenta forma similar ao corpo humano. Em 1883, o Panax foi adicionado ao nome (pan; significando “tudo” e axos; significando “cura”). Assim o significado para Panax ginseng é “a erva-homem curativa para tudo” (15);

502-555 – Na dinastia Liang descreve-se a planta, os métodos de colheita e as suas características (1);

1000 – Com as invasões muçulmanas, o Ginseng entra na Europa via Espanha. A planta cai no esquecimento quando os mouros são expulsos da Europa (1);

1294 – O explorador Marco Polo traz a raiz quando volta para a Europa (1);

1710 – Pierre Jartroux, um missionário jesuíta, faz experiências com a raiz na china e publica um trabalho sobre as suas descobertas. Os japoneses também conseguem cultivar o Ginseng (1);

1736 – Introdução da raiz na Holanda. Médicos famosos como Vandermonde, Truer e outros usam-na no tratamento de estados de exaustão e para recuperar as forças após doenças (1);

1757 – O Ginseng é cultivado na Coréia (1);

1833 – Nees denomina o Ginseng coreano silvestre de Panax schin seng nees, nome posteriormente modificado para Panax C.A. Meyer, pelo botânico C.A.Meyer.(1);

1920 – O Ginseng é cultivado em vários estados norte-americanos (1);

1960 – As primeiras experiências com Panax C.A. Meyer são feitas nos laboratórios Pharmaton na Suíça, com resultados animadores (1);

1974 – Começa a produção industrial do extrato padronizado de G115 feito com as raízes do genuíno Panax Ginseng C.A. Meyer. (1).

Hoje A pesquisa e o desenvolvimento continuam ininterruptamente. Até o momento, o Panax Ginseng já se encontra referido nas Farmacopéias do Japão, China, França e Áustria, Farmacopéia estatal da antiga União Soviética, Martindale - The Extra Pharmacopeia e Merck Index. Outras farmacopéias conhecidas, brevemente também incluirão o Ginseng (1).

Caracterização morfohistológica:

Macroscopia

Raízes fusiformes ou cilíndricas, às vezes ramificados. De 5 a 12 cm ou até 20 cm de comprimento e mais de 2,5 cm de diâmetro na parte superior, com um ou mais cicatrizes caulinares; superfície amarelada pálida, lisa na parte superior, mas com sulcos finos e longitudinais além de cicatrizes caulinares nas partes inferiores. Algumas finas radículas podem estar fixadas; pequenas fraturas; fendas na superfície com brilho amarelado amarronzado estão presentes, existindo um círculo de canais secretores no córtex que são distinguidos por apresentarem coloração de câmbio amarelo amarronzada (18).

Microscopia

Quando triturados e examinados por um microscópio, as peças mostram o seguinte: traços de súber composto por células poligonais de parede delgada, mas principalmente com feloderma do outro lado. Extenso córtex de células parenquimáticas com numerosos canais secretores arranjados em zonas concêntricas. Xilema parenquimatoso com traqueídeos não lignificados e vasos ligeiramente lignificados em espiral com espessamento reticulado; isolados ou em pequenos grupos. Pequenos grânulos de amido com cerca de 0,5 a 1,0 m em todas as células parenquimatosas e ocasionalmente drusas (inclusões celulares de oxalato de cálcio) nas células da região central (18).

Autenticação das espécies de Panax

As diferentes espécies de Panax como P. ginseng C. A. Meyer (ginseng oriental) e P. quinquefolius L. (ginseng americano) tem suas raízes secas usadas como tônicos para anti-stress, antifadiga e antienvelhecimento. As raízes secas de P. notoginseng são usadas como anti-hemorrágicos. Devido ao alto valor do ginseng oriental e americano raízes de Mirablis jalapa, Pytolacca acinosa, Platycodon grandiflorum e Talinum paniculatum são freqüentemente encontradas no comércio como ginseng falsos (16).

Tradicionalmente, a autentificação das raízes das espécies de ginseng é baseada nas características morfológicas e histológicas. Recentemente, através do perfil dos ginsenosídeos a cromatografia de HPLC tem sido usada como método de autentificação. Atualmente, ao nível molecular, existem dois métodos para a identificação via PCR. O AP-PCR (arbitrarily-primed polymerase chain reaction) e o RADP (randomly amplified polymorphic DNA) (16).

O AP-PCR trabalha com primers de aproximadamente 20 nucleotídeos, enquanto que o RADP trabalha com primers de aproximadamente 10 nucleotídeos. Ambos são confiáveis, porém o RADP é mais conveniente porque os resultados podem ser facilmente reproduzidos em diferentes laboratórios e os primers são comercialmente disponíveis (16).

“Nesse estudo, exceto as raízes frescas, as amostras usadas foram secas por ventilação ou embaixo de sol. Os resultados geraram distintos fingerprimers entre as três espécies de Panax não sendo influenciados pela origem ou pela idade. No P. quinquefolius pode ser observado uma banda polimórfica. O fingerprimer da P.ginseng é mais estreito em relação às outras espécies. Estes fenômenos podem ser explorados para a determinação das diferenças intra-espécies e para a identificação de falsos Panax que são comercializados” (16).

Constituição química:

Além das proteínas e carboidratos que existem nas outras plantas, ginseng contém inúmeros ingredientes valiosos que o distinguem (6). Algumas classes de compostos foram isoladas como: saponinas triterpênicas (panaxonosídeos (6) e ginsenosídeos); óleos essenciais contendo poliacetilenos e seisqueterpenos; polissacarídeos; peptidioglicanos; compostos contendo nitrogênio; e alguns outros compostos como ácidos graxos, compostos fenólicos (15) e vitaminas (6).

Os compostos nos quais acredita-se que apresentam atividades farmacológicas foram extensivamente estudados a partir de 1955. São as saponinas triterpênicas, nomeadas de ginsenosídeos (14). No total foram listadas 77 saponinas (6).

Saponinas

Como existem por volta de 77 tipos diferentes de saponinas, se listarão as mais importantes caracterizando propriedades gerais do grupo.

A hidrólise de cada saponina irá produzir sapogenina e algumas moléculas de açúcar pela quebra da ligação osídica, por exemplo, Ro gera três moléculas de açúcar (ver fig. 2), Rb1 produz quatro moléculas de glicose e Rb2 produz três glicoses e 1 arabinose (ver fig. 3). Com exceção do Ro, as saponinas do ginseng são diidroxilas ou triidroxilas esteróis, nomeados como panaxadiol ou panaxatriol (6).

Curiosidade: Foi mostrado que o caule a e as folhas contém saponinas idênticas das contidas na raiz. Numa comparação peso por peso de saponina, as folhas contêm maiores porcentagens se comparado à raiz, contudo as folhas são dispensadas no uso medicinal da cultura chinesa (6).

A tab. 1 mostra as porcentagens relativas de saponinas nas diferentes partes do vegetal, comprovando a curiosidade exposta acima.

Tabela 1: Porcentagem relativa de saponinas em diferentes partes do vegetal, tabela extraída da ref. (7).

Porção do vegetal

Total de saponinas (% em peso)

Rizoma

6,23

Raiz principal

Ramificações

2,75

8,28

Folhas

12,2

Cascas

8,0

Botão floral e flor

15,0

Semente

0,7

Como pode ser visto na fig. 2, tem-se a sapogenina no centro, dois açúcares do lado esquerdo e um açúcar do lado direito, todos ligados por ligações osídicas. Tem-se ainda, na fig. 3, outras saponinas que, pela mudança do grupamento R geram Rb1, Rb2, Rc e Rd. Nota-se também que a sapogenina é diferente se comparado ao ginsenosídeo Ro.

Fig. 2: Estrutura química do ginsenosídeo Ro – uma das mais conhecidas saponinas do ginseng, figura retirada da ref. (6).

Fig. 3: estrutura química de saponinas Rb1, Rb2, Rc e Rd de acordo com a substituição do grupamento R, figura retirada da ref. (6)

Ginsenosídeo Ro

O ginsenosídeo Ro, um tipo de saponina, tem sido usado em experimentos como um protetor da inflamação. Esse composto inibe o aumento da permeabilidade vascular induzida por ácido acético e também previne o desenvolvimento de edema provocado pelo tratamento com compostos 48/80 ou carragenina. Isso ocorre porque os compostos 48/80 facilitam a liberação de histaminas pelos mastócitos sem afetar os mecanismos imunológicos e o ginsenosídeo Ro provoca um efeito oposto, diminuindo a liberação de histamina pelos mastócitos. Por outro lado, o ginsenosídeo Ro não combate o edema provocado por adjuvantes, porque eles alteram os mecanismos imunológicos, induzindo a formação de anticorpos o ativando o sistema complemento e isso provoca reações de hipersensibilidade tipo III ou IV. Logo, o ginsenosídeo Ro não tem interação com reações alérgicas tipo III e IV. Porém, os ginsenosídeos Ro combatem todos os outros efeitos crônicos da inflamação induzida por adjuvantes como a hipercoagulação, a redução da fibrose, o aumento do tecido conectivo da artéria e o aumento de efluxo de Ca2+ pelo sangue. “Isso demonstra claramente que o ginsenosídeo Ro possui efeitos inibitórios na inflamação aguda e crônica” (10).

Ginsenosídeo Rg1

Estudos realizados revelaram que o ginsenosídeo Rg1 das raízes do ginseng podem ser usados no tratamento de aterosclerose e de trombose. Estes estudos concluíram que o ginsenosídeo Rg1 é um forte inibidor da indução da agregação de plaquetas e da liberação do vasodilatador 5-hidorxitriptamina (5-HT) por adrenalina (em presença de fibrinogênio) ou por trombina (na ausência de fibrinogênio). Como esse ginsenosídeo não tem efeito na liberação do ácido araquidônico das membranas de plaquetas nem na produção de diacilglicerol sugeriu-se que os efeitos inibitórios não podem ser explicados pela formação de metabólitos de ácido araquidônicos. Para se esclarecer esse mecanismo inibitório realizou-se estudos sobre a movimentação de Ca2+ intracelular induzido por adrenalina ou pela trombina. Como foi observado que esses agentes aumentaram a concentração de Ca2+ intracelular, sugeriu-se que o mecanismo do ginsenosídeo é através da inibição da elevação da concentração de íons cálcio intracelular e conseqüentemente, inibição da agregação plaquetária e da liberação da 5-HT. Além disso, foi sugerido que a absorção do ginsenosídeo Rg1 por administração oral é de 19-20%. Logo, conclui-se que o ginsenosídeo Rg1 das raízes do ginseng podem ser ativos como drogas em tratamentos de arterosclerose e trombose (8).

Outros componentes do Ginseng

Os compostos mais importantes que não pertence à classe das saponinas na raiz de ginseng são os compostos antioxidantes, sendo demonstrado ter atividade principal no melhoramento de funções e atividade do sistema nervoso central (SNC) (7).

A fração ácida éter solúvel do ginseng contém três componentes que podem ser purificados para terem atividades antioxidantes:

  1. Maltol;

  2. Ácido salicílico;

  3. Ácido vanílico.

A forte atividade antioxidante desses compostos vem da sua quelação com íons ferro(6).Em experimentos com ratos, esses três antioxidantes apresentam aumento da longevidade dos animais enquanto nadavam, se comparado com o mesmo teste feito com ginsenosídeos Rg, Re e Rb1. Está sendo provado que esses componentes antioxidanes exercem efeitos protetores contra irradiação, danos ao fígado e arteriosclerose (6).

Com relação ao maltol, sabe-se que muitas substâncias apresentam “atividade de vitamina E” e o exemplo mais conhecido delas e o alfa-tocoferol (5). A estrutura do maltol apresenta certa similaridade com a da vitamina E, um agente protetor efetivo de tecidos cardíacos e nervosos (6).

Fig.4: Estruturas químicas do maltol, extraído da ref. (6)l e do alfa-tocoferol (vitamina E), extraído da ref. (5).

O ginseng também contém ácidos graxos, alguns óleos essenciais, aminoácidos, peptídeos e álcoois poliacetilênicos como parraximol (C17H25O7). Além disso, vitaminas C, B1, B2, B12, ácido nicotínico estão presentes e uma pequena quantidade de minerais (Mn, Cu, Co, As) (7).

Cinco polissacarídeos, panaxanos A, B, C, D e E já foram isolados das raízes do ginseng. São os principais constituintes dos efeitos hipoglicemiantes. (6).

Ácido Polissacarídio

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