produção enxuta como

produção enxuta como

Aurelia Fuertes Medina (1); Kazuo Hatayama (2) (1) Centro Federal de Eduação Tecnológica de Paraná - Av. Sete de Setembro 3165, CEP

Aplica o conceito de produção enxuta à produção nas indústrias de serviços, em particular, a indústria de serviços de informação. Propôr que o aprimoramento na produtividade das grandes indústrias não é somente resultado da introdução de novas técnicas de manufatura, mas sobretudo, a conseqüência da aplicação de postulados e idéias na forma de entender e definir uma cadeia de produção como uma corrente de valor (value stream). Identifica os componentes para o sucesso do sistema e propõe que conceitos como jidoka; cadeia de valor; Kaizen e JIT fazem da produção enxuta mais do que uma nova ferramenta de gestão da produção, um modo de pensar que gera nova cultura organizacional. Sob esta perspectiva se podem identificar novas oportunidades de negócios nas indústrias de serviços, em particular, na indústria de serviços de informação. Descreve-se a estrutura e a dinâmica da indústria e mercados da informação, o impacto das novas tecnologias no setor, assim como a cadeia de produção e valor da informação como produto. Mostra-se que as práticas de produção enxuta são chaves também para a prática de parcerias estratégicas que incorporam competências adicionais na organização, somam valores nos produtos e transformam os perfis profissionais do pessoal da empresa.

Na última década, a “produção enxuta” passou a ser um dos conceitos mais populares entre a alta direção das maiores empresas do mundo, assim como um dos casos mais estudados no meio acadêmico. Embora o sucesso da aplicação deste tipo de produção na indústria manufatureira de bens de consumo industrial seja massivo, ainda não se conhecem muitos casos de aplicação deste novo paradigma nas indústrias de serviços. É interessante observar que, mesmo no setor de indústria de bens materiais, o conceito já tem evoluído, pelo menos em termos enunciativos, para o uso cada vez mais freqüente do termo “lean-production” sobre o original “lean- manufacturing”. Tal evolução poderia demonstrar que o propósito é abarcar muito mais do que a “faixa e os processos de montagem” e focar na produção de forma integral, sendo que o processo de “manufatura” dos produtos faria parte de uma cadeia maior que começa além da empresa (com a criação mesma dos insumos, por exemplo) e não termina com a entrega ao distribuidor, pois é o cliente quem pode julgar a qualidade do produto.

Para alguns autores “a aplicação das técnicas enxutas a atividades específicas não é o fim do caminho” (WORMACK; JONES, 1994) e sugerem a extensão do conceito à criação da “empresa enxuta”, uma nova forma organizacional conformada por um grupo de indivíduos, funções e companhias legalmente separadas, porém operacionalmente sincronizadas, que criam, vendem, e servem uma família de produtos. Neste caso, a missão do grupo é analisar e focar coletivamente uma corrente de valor (value stream) de modo que o grupo realize tudo aquilo que envolve a provisão de um bem ou serviço: desde o desenvolvimento e a produção até as vendas e a manutenção, a fim de oferecer o máximo valor ao cliente. Alguns autores têm proposto que “a produção enxuta não é um paradigma da mecanização, mas um paradigma do processo [...] portanto, sendo é suficientemente global como para ser aplicada ao melhoramento de qualquer processo ou forma organizacional complexa”.

1. Da linha de produção à produção enxuta: desenvolvimento de um novo paradigma

dos conceitos de “fluxo contínuo” e demanda desde o clienteAlgumas características do

Em termos básicos, a produção enxuta é a eliminação sistemática do desperdício (inventário, super-produção, esperas, transporte, deslocamento, unidades defeituosas), e a implementação sistema sao: ??Fluxo de produção de uma única-peça / lote pequeno: alcançado pela redução do tempo de preparação da máquina, da atenção na manutenção da maquinaria e no espaço de trabalho

(limpo e em ordem); ??A manutenção de um fluxo contínuo dos produtos através do reordenamento físico das

??A mudança do foco no aprimoramento contínuo dos processos de toda a cadeia de valor e não só nos resultados.

Segundo KATELNIKOV (2002), alguns dos benefícios já observados nas empresas que têm implementado estes modelos de produção enxuta são: a redução da mudá (desperdício em japonês), a redução dos custos e ciclos de produção, o incremento da capacidade das instalações, a redução do trabalho mantendo ou incrementando os insumos, maior flexibilidade dos sistemas para responder a demandas de mudanças, a redução de inventários mediante o incremento dos níveis de serviço ao cliente, o aprimoramento do fluxo de capital através da maior rapidez das transações (ordens de pedidos, faturamento, etc.) e melhor qualidade.

Atualmente, tanto pesquisadores como consultores que têm estudado e aplicado, por quase uma década, os sistemas de produção enxuta, destacam que um sistema de produção enxuta está embasado numa estrutura de gestão cujos componentes podem ser agrupados em três grandes categorias igualmente importantes para o sucesso do sistema:

??Ferramentas e técnicas: os meios pelos quais o sistema físico de produção é implementado, mantido e aprimorado;

??Sistemas de suporte: inclui todas as funções de apoio que mantêm o sistema enxuto trabalhando no topo da eficiência;

??Princípios: os ideais e as crenças articuladoras que orientam todas as ações no sistema enxuto.

Assim, o sucesso da produção enxuta é em grande medida resultado da atitude mental que a mesma introduz na empresa. Mais do que uma nova ferramenta de gestão da produção, é um novo modo de pensar, uma nova cultura organizacional. Portanto, se bem o conceito ainda está em evolução é necessário estender a visão da produção enxuta além da linha de montagem e compreender a “filosofia” e culturas subjacentes reunidas em conceitos como: ??o jidoka: a qualidade do produto como resultado do processo de produção e não uma característica final individual em cada peça.

??a cadeia de valor (value stream): aquela seqüência de passos que a empresa realiza com o propósito de satisfazer a necessidade do cliente, desde os insumos até a distribuição e o consumo. ??o Kaizen: o conceito de produção enxuta está inspirado em grande medida no Kaizen, estratégia japonesa para o melhoramento contínuo e o “empoderamento” (empowerment) dos empregados.

??JIT: processo que um componente passa de uma etapa da cadeia de produção à outra, no momento e quantidade precisos.

2. Oportunidades de Negócios na Sociedade da Informação

Desde a década dos 1980, o setor de serviços vem dominando a estrutura da economia mundial. Portanto, é importante examinar algumas estratégias de gestão que permitem que as empresas do setor produzam serviços em termos competitivos e rentáveis, assim como de qualidade, para o cliente. No século X tem-se assistido ao surgimento e consolidação de uma indústria da informação, um setor que abarca todos os segmentos ou atividades relacionadas com a produção de recursos de informação – processamento e reprocessamento, organização, armazenamento e recuperação de informação – que se operam com fins de lucro ou não

(PONJUAN, 1998, p. 1). Conseqüentemente, tem se definido também um “mercado de informação” definido pelos mecanismos que facilitam a correspondência entre as necessidades dos consumidores e a disponibilidade dos produtos; entre os desejos dos consumidores e o trabalho dos produtores e entre a oferta e a demanda.

Os serviços de informação tem alto custo de produção onde os processos dificilmente se encaixam no modelo da “linha de montagem” individual, visível e interna de uma só organização, e cujo produto dificilmente pode ser padronizado em massa ou armazenado. É também um setor que requer da participação de pessoal qualificado assim como de uma infraestrutura e equipamento tecnológico muito avançado. Sendo um mercado muito complexo onde as novas tecnologias de informação definem dinâmicas sempre em transformação, desde um ponto de vista comercial se podem identificar até três tipos básicos de atores:

??O provedor: considerado a fonte da informação, o primeiro enlace entre o produtor e a cadeia de informação. Este provedor não é somente um “recoletor” que reúne e armazena informação.

Dependendo do tipo de serviço que ofereça pode ser até um agente para a resolução de problemas.

??O consumidor: o cliente quem procura, demanda e usa diferentes tipos de serviços. O consumidor tem poder de decisão na escolha do provedor, é quem decide pagar o não o preço de um serviço.

??O facilitador: permite a interação eficiente entre provedores e consumidores; a maneira de um “mall” assegura o ambiente acessível, confortável e seguro para os intercâmbios.

Neste caso, o processo tem sido chamado “cadeia de informação” e abarca toda a infraestrutura institucional e documental que permite, em termos gerais, a comunicação humana. Nas últimas décadas, aquela infraestrutura desenvolveu-se muito e tornado complexo apresentando extraordinário desenvolvimento tecnológico e crescimento nos aspectos comerciais da informação como um produto.

Pode-se entender que como em outros setores, tais como a indústria de alimentos o a de automóveis, os serviços de informação formam parte de uma “cadeia produtiva” igualmente complexa onde um insumo em bruto (dados, idéias, conhecimentos) é transformado num produto (um bem) que pode ser consumido seletivamente ou em massa. TAYLOR (1988) indica que alguns processos agregam valor nos dados internamente (ao transformar o conteúdo da mensagem original) e outros externamente (ao relacionar metadata como descritores, índices, etc.). Assim, se pode falar de uma série de processos que como um espectro, agregam valores que transformam os dados originais em informação e logo em conhecimento que permite aos consumidores tomar decisões e agir.

Fig. 1 Modelo do mercado de Informação (Lauffmann Steve, 2000)

Dadas estas características é vital identificar aqueles pontos onde se podem reduzir os investimentos e esforços desnecessários, identificando parcerias estratégicas (que são algumas das possibilidades que oferecem um sistema de produção enxuta). ??Redução de Inventários: a possibilidade de desenvolver serviços “on-line” e através da Internet permitem que as empresas do setor não tenham que manter enormes armazéns para coleções impressas, pois os clientes podem receber imediatamente desde as bases de dados do proveedor versões eletrônicas dos documentos de interesse, segundo pedido. Este sistema é uma forma de serviço just-in-time que elimina os grandes depósitos nas bibliotecas, por exemplo. ??Inovação permanente na linha de produtos: as empresas do setor podem aproveitar cada uma das inovações tecnológicas no setor (computadores e telecomunicações) para transformar também a linha de produção quando necessário.

??Direção: a prática de parcerias estratégicas permite incorporar outras competências na organização e agregar assim novos valores nos produtos, como por exemplo, a fusão com empresas do setor de software.

KATELNIKOV, Vadim. Lean Production - Doing More With Less. Disponível em: <http://w.1000ventures.com/business_guide/lean_production_main.html> Acesso em: 27 ago. 2002

LAUFMANN, Steve. The Information Market Place: The Challenge of Information

Commerce. Conference on Cooperative Information Systems, 1994. Disponível em:

<http://citeseer.nj.nec.com/laufmann94inf.htm> Acceso em: 2 jul. 2002 PONJUAN, Gloria. Gestión de la Información en las organizaciones: principios, conceptos y aplicaciones. Santiago de Chile : CECAPI, Universidad de Chile, 1998. 2 p.

TAYLOR, Robert S. Value-Added Processes in Information Systems. Norwood, New Jersey, 1986.

TAICHI, OHNO. El sistema de producción Toyota: más allá de la producción a gran escala. Barcelona : Gestión 2000, 1991. 180 p.

WOMACK, James; JONES, Daniel T. From Lean Production to the Lean Enterprise. Harvard Business Review on Managing the Value Chain. 1994.

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