Alimentação saudável na promoção de saúde e prevenção de doenças não transmissíveis

Alimentação saudável na promoção de saúde e prevenção de doenças não...

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DIRETRIZES . ESTADO DO RIO DE JANEIRO Secretaria de Saúde e Defesa Civil • Subsecretaria de Atenção à Saúde • Superintendência de Vigilância em Saúde

Na promoção de saúde e prevenção de enfermidades não transmissíveis

Saudável Alimentação

Diretrizes sobre Alimentação Saudável Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil

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É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial.

Diretrizes sobre Alimentação Saudável Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro

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As diretrizes sobre Alimentação Saudável foram desenvolvidas com o intuito de servirem como guia geral para uma orientação dos profissionais que atuam na área de atendimento básico de saúde. Foram planejadas e executadas levando-se em conta o conhecimento científico de melhor nível de confiabilidade, no momento, contando com ajuda de profissionais respeitados, que trabalham em pesquisa sobre a relação entre a alimentação e a saúde em nosso Estado.

As linhas gerais de orientação, no presente documento, deverão ser adaptadas às especificidades de cada região a ser adotada, visando a utilização racional de suas potencialidades agrícolas, determinantes sociais e culturais, disponibilidade de recursos humanos e econômicos. Dessa forma, a melhora do estado nutricional da população terá como conseqüência aumento da qualidade de vida e da produtividade do indivíduo, resultando em possível melhoria de renda da sociedade.

A alimentação adequada da população é um tema de fundamental importância para o combate adequado das enfermidades não transmissíveis e vem ganhando importância política em nosso meio.

A desnutrição ainda é um grande flagelo em nosso meio, sendo determinante para graves alterações físicas irreversíveis e para alterações cognitivas de importância. Porém, como demonstram alguns estudos, o Brasil vem rapidamente substituindo o problema da escassez pelo problema do excesso dietético, caracterizando a transição nutricional. Além disso, a falta de nutrientes é um importante fator de risco para osteoporose e degeneração óssea precoce, baixo rendimento físico e intelectual, enquanto o aumento da prevalência da obesidade entre adultos ocorre de forma generalizada, sendo mais elevada nas famílias de menor poder aquisitivo. A desnutrição, déficit alimentar, ainda relevante em crianças de famílias de baixa renda, vem diminuindo em todas as cidades e em todos os estratos sócioeconômicos.

Independente das razões que resultaram no fenômeno da transição nutricional em nosso país, é correto afirmar que ele determina importantes implicações para definição de prioridades e de estratégias de ações de Políticas Públicas de Saúde. Entre outros aspectos, deve-se destacar as ações de educação e nutrição que demonstrem a importância de uma alimentação saudável para a promoção da saúde, assim como para a prevenção e o controle das enfermidades não transmissíveis.

A ingestão de dietas caracterizadas pelo consumo excessivo de carboidratos, gordura saturada e sódio além da ingestão diminuída de fibras alimentares favorece uma série de alterações metabólicas que aumentam a probabilidade de instalação de várias doenças crônicas como

Diretrizes sobre Alimentação Saudável Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil diabetes mellitus, hipertensão arterial, dislipidemia, obesidade e câncer, entre outras. Portanto, os hábitos alimentares inadequados associados à inatividade física parecem ser os principais responsáveis pela grande diferença na prevalência de enfermidades degenerativas observadas entre as diversas populações do planeta.

Ensaios clínicos têm relacionado à alimentação baseada na maior ingestão de frutas, legumes e verduras-FLV, frutos oleaginosos, óleo de oliva, peixes, fibras solúveis e menor quantidade de alimentos industrializados com a diminuição das doenças cardiovasculares e hipertensão arterial sistêmica. Assim, desde o ensaio clínico com o limão e o escorbuto, um dos primeiros de que se tem registro até o momento, acumulam-se dados que demonstram a importância de uma alimentação equilibrada e em quantidades adequadas tanto para a promoção da saúde, como para a prevenção primária (populações ou pessoas em risco de uma doença), secundária (populações ou pessoas já doentes) e terciária (populações ou pessoas com lesões avançadas de órgãos alvo de determinada doença) de enfermidades não transmissíveis.

Dessa forma a desnutrição/má alimentação são causas importantes e modificáveis de morbimortalidade e perda de anos de vida produtiva.

A maneira para alcançar e executar os objetivos que se pretende, nestas diretrizes, passam por ações políticas e de conscientização da população e autoridades, visando a integração de várias áreas governamentais e organizações não governamentais, tais como: agricultura, distribuição de alimentos, melhoria de renda, alterações legislativas, diminuição de taxação sobre alimentos de interesse, aumento das taxas de alimentos nocivos e proibição de sua vinculação via mídia, discussão de suplementação de algumas substâncias em alimentos de alto consumo na população, exigência de modificação no processamento na indústria para melhorar a qualidade dos alimentos.

Esperamos que as Diretrizes sobre Alimentação Saudável possam ser úteis aos profissionais de saúde e que estes possam enriquecê-las com sugestões e críticas, resultantes de sua aplicação.

Prof. Nelson Robson Mendes de Souza, PhD - Médico Cardiologista

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2.1 Introdução Nos últimos cem anos, ocorreram mudanças profundas no perfil de saúde da população brasileira, conseqüências do crescimento vertiginoso da industrialização e urbanização. Com os novos conhecimentos científicos, melhoram-se as condições de vida, resultando no envelhecimento da população. Portanto, nesse novo cenário demográfico cresce o número de óbitos por doenças cardiovasculares, alcançando 15% das mortes na faixa etária de 14 a 4 anos, atingindo precocemente jovens em plena fase produtiva. As doenças cardiovasculares são as mais importantes causas de aposentadoria por invalidez no Brasil, destaque para a hipertensão arterial sistêmica, sendo responsável por cerca de 20% das causas de aposentadoria precoce.

A alimentação vem destacando-se como o determinante mais modificável das enfermidades crônicas, com evidências científicas aumentando o conceito de que alterações na dieta ou plano alimentar têm fortes efeitos na saúde, positivos e negativos, durante toda uma vida. Ajustes na alimentação podem não somente influenciar a saúde do indivíduo no presente, mas podem determinar se desenvolverá doenças tais como câncer, diabetes e doenças cardiovasculares no futuro. Em muitos países em desenvolvimento, as políticas sobre alimentação permanecem focadas somente na desnutrição e não são voltadas para a prevenção de enfermidades crônicas.

Em verdade, o estilo de vida e o comportamento são elementos determinantes para essas patologias, pois podem prevenir, iniciar ou agravar esses problemas e as condições decorrentes. Comportamentos e padrões de consumo não saudáveis implicam de forma predominante no surgimento das condições crônicas.

Vários são os fatores de risco associados às enfermidades crônicas, dentre eles os relacionados ao estilo de vida: tabagismo, sedentarismo, abuso de álcool, estresse e alimentação inadequada, que podem conduzir a concentrações elevadas de colesterol, triglicérides e glicose no sangue, pressão arterial aumentada, sobrepeso/obesidade, diabetes mellitus (DM). É evidente, nas discussões, a participação de outros fatores tais como: aglutinação da urbanização acelerada, o crescimento desenfreado das cidades, fortes aspirações de consumo (em boa parte frustradas), dificuldades no mercado de trabalho e conflitos de valores que são algumas variáveis que concorrem para o agravamento do fenômeno da violência, aumento do número de casos de alcoolismo e uso de drogas e de tabaco na sociedade brasileira contemporânea.

A perda de credibilidade e de referências simbólicas significativas destrói expectativas de convivência social elementares. Filósofos, pensadores e cientistas sociais das mais variadas

Diretrizes sobre Alimentação Saudável Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil orientações mostram que a sociedade só é viável mediante um mínimo de valores e padrões compartilhados. Entretanto, hoje vivemos claramente uma crise ético-moral, pois a família, a escola e a religião não têm sido capazes de resistir a deteriorização desses valores. Sem dúvida, continuam existindo áreas e grupos sociais que preservam e se preocupam com essas questões. Certamente, a maioria das pessoas não é violenta ou corrupta. No entanto, o clima geral de impunidade incentiva à utilização de recursos e estratégias perigosas.

A destruição do meio ambiente, provocada pelo homem, acabará por retardar e prejudicar gravemente o processo de desenvolvimento social e econômico das nações. Os governos devem priorizar o crescimento sustentável, visando o bem-estar social, evitando a destruição do meio ambiente. O meio ambiente é a única fonte de recursos naturais de que o ser humano dispõe para respirar, viver e prosperar. A poluição provocada pelos esgotos é hoje uma das principais fontes de doenças e contaminação das águas no Brasil. Além de prejudicar a qualidade de vida na moradia, degrada o meio ambiente, retornando às populações em forma de vetores de doenças generalizadas.

O problema das doenças crônicas está distante de ser limitado às regiões desenvolvidas do mundo. Países em desenvolvimento estão sofrendo com altos níveis de problemas de saúde pública, relacionados a essas enfermidades.

No Brasil, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 80% das pessoas vivem em região urbana e estima-se que 70% desta população têm hábitos de vida sedentários, sendo a inatividade física um dos inimigos da saúde pública brasileira. Embora o primeiro propósito do relatório da Organização Mundial de Saúde de 2003 (OMS/FAO, 2003) seja examinar e elaborar recomendações para Alimentação e Nutrição na prevenção das enfermidades crônicas a importância, ou melhor, a necessidade de atividade física também foi enfatizada.

Enfermidades crônicas são em grande parte enfermidades evitáveis. Embora seja necessário maior número de pesquisas básicas sobre certos aspectos do mecanismo que ligam a alimentação à saúde, avaliações das evidências científicas disponíveis fornecem fortes e plausíveis bases para justificar uma tomada de ação agora. Considerando-se todos esses fatores, as enfermidades não transmissíveis se tornaram uma importante epidemia nas últimas décadas, justificando a elaboração de diretrizes para uma alimentação saudável.

2.2 Definição dos Objetivos 2.2.1 Geral Elaborar, com base em conhecimentos científicos, diretrizes sobre Alimentação Saudável a

Diretrizes sobre Alimentação Saudável Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil serem implementadas como ações de Promoção da Saúde na Atenção Básica dos Municípios do Estado do Rio de Janeiro e contribuindo para a Qualidade de Vida da população assistida.

2.2.2 Específicos

I. Elaborar diretrizes gerais sobre alimentação saudável, enquanto, promotora da saúde humana, para serem difundidas pelo programa de educação continuada da coordenação de Vigilância de Doenças e Agravos e não Transmissíveis e Promoção de Saúde.

I. Definir propostas para uma alimentação saudável, à luz dos conhecimentos científicos;

I. Sistematizar apontamentos, para discussão, sobre as propostas elaboradas para uma alimentação saudável.

2.3-Justificativa

A pobreza no Brasil é um problema complexo, cuja erradicação implica principalmente numa política de redistribuição de renda associada ao desenvolvimento econômico. Ações voltadas a garantir a Segurança Alimentar e Nutricional da população viabilizam a prática ao direito humano à Alimentação e Nutrição, extrapolando o setor saúde e alcançando um caráter intersetorial. Visa, também, a melhoria dos índices de qualidade de vida e seus reflexos diretos sobre todo o processo saúde, doença e desenvolvimento social/econômico.

Com a diminuição da mortalidade por doenças infectocontagiosas e o aumento da expectativa de vida, as doenças do aparelho circulatório (DAC) emergiram como a principal causa de morte nos países desenvolvidos, fato este que vem ocorrendo desde a última metade do século passado.

Atualmente, as doenças do aparelho circulatório são as principais causas de morte nos países em desenvolvimento, nos quais se inclui o Brasil. No Brasil, o perfil da mortalidade proporcional por grandes grupos de causas vem se modificando gradualmente desde a década de 1940 até os dias atuais.

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