Embriologia e histologia

Embriologia e histologia

(Parte 1 de 6)

UNIVERSIDADE DO CONTESTADO – UnC UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE CONCÓRDIA

Profª MSc. Celí Teresinha Araldi Profª MSc. Neide Armiliato

1 REPRODUÇÃO HUMANA

A reprodução humana envolve a união de um ovócito de uma mulher e um espermatozóide de um homem. Cada célula traz a metade da informação genética para a união, de tal maneira que a nova célula, um zigoto, recebe a informação genética necessária para direcionar o desenvolvimento de um novo ser humano. O sistema reprodutor em ambos os sexos, é designado para garantir a união bemsucedida do espermatozóide e do ovócito, um processo denominado fertilização.

A puberdade se inicia quando as características sexuais secundárias surgem. Corresponde ao período entre os 12 e 15 anos nas meninas e 13 e 16 anos nos meninos, no qual o indivíduo torna-se capaz de reproduzir-se. Embora as mudanças mais notáveis aconteçam no sistema reprodutor, a puberdade afeta o corpo como um todo. A menarca (primeira menstruação) pode ocorrer em meninas com 8 a 1 anos. A puberdade termina aos 16 anos. Nos homens a puberdade inicia-se mais tarde (13 a 16); entretanto os sinais da maturidade sexual podem aparecer nos meninos aos 12 anos. A puberdade termina quando são formados espermatozóides maduros.

1.1 SISTEMA REPRODUTOR

1.1.1 Órgãos reprodutores femininos

O sistema reprodutor feminino é responsável pela produção de ovócitos e hormônios, pela criação de condições propícias à fecundação e, quando esta ocorrer, pela proteção ao desenvolvimento do embrião.

Constituído basicamente pelos ovários, trompas de Falópio, útero, vagina e pela vulva.

1.1.1.1 Ovários: Gônodas femininas. São duas glândulas mistas com um formato semelhante ao das amêndoas, medem aproximadamente 4 cm de comprimento por 2 cm de largura. Localiza-se no interior da cavidade abdominal, nos lados direito e esquerdo do útero. - Função: produção de óvulos e hormônios (estrógeno e progesterona).

- Regiões: - externa (cortical): coberta pelo epitélio germinativo, nas crianças, ele apresenta uma cor esbranquiçada e de aspecto liso e na mulher adulta, assume um tom cinza com cicatrizes que correspondem às ovulações ocorridas. Após a menopausa, os ovários apresentam a superfície enrugada, devido às inúmeras ovulações ocorridas ao longo da vida reprodutiva da mulher. No córtex, estão presentes pequenas formações, os folículos ovarianos, que sofrem a ação de hormônios hipofisiários, originando os óvulos. Quando uma menina nasce apresenta no córtex cerca de 200.0 folículos, totalizando aproximadamente 400.0 folículos ovarianos. Este número cai para 10.0 na puberdade e nenhum na menopausa. - interna (medular): esta região está envolvida pelo córtex, exceto o hilo que dá passagem a nervos e vasos sangüíneos.

1.1.1.2 Tubas uterinas:

São formadas por dois condutos com aproximadamente 12 cm de comprimento, localizados na cavidade abdominal. - Função: encaminhar o óvulo em direção ao útero.

- Regiões: - intramural: localiza-se no interior da parede uterina, atravessando-a e abrindo-se no interior do útero, através de pequeníssimo orifício. - ístimca: porção intermediária, apresenta a maior parte da trompa e também a mais estreita.

- Ínfundibular: extremidade oposta à intramural. Possui as bordas franjeadas (fímbrias) que ficam em contato com os ovários e são responsáveis pela captura do óvulo quando ele eclode na superfície dos ovários. É no interior desta região que ocorre a fecundação e a formação do zigoto, o qual é conduzido ao útero para a nidação.

Ao longo das trompas de Falópio (internamente), encontra-se o epítélio ciliado que auxilia no deslocamento do óvulo em direção ao útero. As paredes possuem musculatura lisa e realizam movimentos peristálticos que também auxiliam no deslocamento do óvulo e do zigoto.

1.1.1.3 Útero:

É o mais volumoso órgão do sistema reprodutor feminino. Localiza-se na linha mediana da bacia, atrás da bexiga urinária. Possui a forma e as dimensões semelhante às de uma pêra, apesar de ser um órgão oco. - Camadas: - epimétrio: é uma delicada serosa que reveste o útero externamente.

- endométrio: é uma mucosa que reveste internamente o útero, cresce durante o ciclo ovulatório e desprende-se ao final do ciclo (caso não ocorra gravidez), sendo eliminado com o fluido mestral. - miométrio: porção intermediária da parede uterina, está representada por um conjunto de músculos lisos. Graças a estes músculos, o útero pode aumentar de tamanho durante a gravidez e sofrer as contrações durante o parto.

1.1.1.4 Vagina:

É o órgão destinado a cópula, ao parto e à eliminação dos resíduos menstruais. É constituído por um canal muscular e elástico, com aproximadamente 10 cm de profundidade por 3 cm de diâmetro. Este canal tem início anteriormente na vulva, orientando-se para o interior em direção ao colo uterino. Ele termina em um fundo em forma de saco, onde os espermatozóides ficam temporariamente depositados para iniciar sua viagem em direção ao útero e às trompas.

1.1.1.5 Vulva:

É a parte externa e visível da genitália feminina, formada pelas seguintes estruturas: - Monte de vênus: localizado na região pubiana, é representado por um acúmulo de gordura e recoberto de pilosidade característica. - Grandes e pequenos lábios: são formados por dobras da pele, localizados em cada lado do orifício vaginal, apresentando um preenchimento gorduroso. Os grande lábios sào mais externos e pouco desenvolvidos na criança, passando a se desenvolver a partir da puberdade. Os pequenos lábios são mais internos com um revestimento mucoso e com uma cor róseo-clara característica. A região localizada entre os pequenos e grandes lábios forma uma fenda alongada, denominada vestíbulo vaginal. Na região superior do vestíbulo vaginal, localiza-se a abertura externa da uretra, denominada de meato urinário. Encontramos também as glândulas vulvovaginais, denominadas de glândulas de Bartholin, com a função de produzirem secreções lubrificantes que facilitam a penetração do pênis por ocasião da cópula. - Clitóris: é uma pequena estrutura cilíndrica e erétil. Está localizado entre a parte superior dos pequenos lábios. Ele representa um órgão de sensibilidade erógena na mulher, por isso é recoberto por grande quantidade de nervos e de vasos sangüíneos. - Hímen: localiza-se abaixo da uretra, circundando a vagina, pode conter um ou mais orifícios, com forma e elasticidade bastante variadas. Em geral, o hímem rompe-se durante o período-perinatal, formando o orifício vaginal. Normalmente, esta abertura aumenta durante a infância, em conseqüência da atividade física. Se intacto, o hímen apenas se alarga durante a primeira relação sexual, mas pode também romper-se. Ao contrário da crença popular, a ruptura desta membrana mucosa ou a ausência de sangramento, secundária ao seu rompimento durante a primeira relação sexual, não é, necessariamente, indicação de perda da virgindade.

1.1.1.6 Fisiologia do sistema reprodutor feminino (ciclo ovulatório)

O folículo é uma unidade formada por muitas células, presentes nos ovários. É dentro dos folículos que se desenvolve o óvulo e ocorre a produção de hormônios sexuais femininos.

A mulher nasce com aproximadamente 200.0 folículos primários em cada ovário, os quais amadurecem, formando os folículos secundários. A partir da puberdade, uma vez por mês, um folículo secundário amadurece mais ainda, por estímulo do hormônio FSH (hormônio folículo estimulante), e forma o folículo maduro ou folículo de Graaf, que contém o óvulo e produz grande quantidade de estrógeno, que prepara o útero para a gravidez. Cerca de dois milhões de ovócitos primários normalmente estão presentes nos ovários de uma menina neonata. A maioria desses ovócitos regride durante a infância de modo que na adolescência não mais que 40 mil permanecem. Destes, somente cerca de 400 amadurecem e são expelidos na ovulação durante o período reprodutivo.

Por volta do 14º dia após o primeiro dia da menstruação, o folículo está totalmente maduro. Recebe então a influência de outro hormônio hipofisiário, o LH (hormônio luteinizante), que estimula a ovulação. A ovulação é acionada por uma onda de produção de LH. A ovulação normalmente se segue ao pico de LH por 12 a 24 horas. Após a ovulação, o folículo transforma-se no corpo-lúteo ou amarelo, que inicia a produção do hormônio progesterona, que age sobre o útero, mantendo-o propício para a gravidez.

Caso ocorra a fecundação, o corpo-lúteo, por estímulo da gonodotrofina cariônica, produzida pela placenta, permanece produzindo a progesterona, o que mantém o endométrio proliferado, capaz de nutrir o embrião em desenvolvimento.

Caso não ocorra a gravidez, o corpo-lúteo regride, transformando-se no corpo albicans. Após 14 dias da ovulação, pela falta de progesterona, o endométrio descama, constituindo a menstruação, quando tem início um novo ciclo hormonal.

Nas mulheres, a ovulação se encerra entre 45 e 50 anos de idade, fenômeno denominado menopausa. Num ciclo de 28 dias, o período de maior fertilidade fica entre o 10º e o 18º dia do ciclo.

A suspensão da menstruação é um dos sintomas da gravidez. Durante ela, não ocorrerão novas ovulações e nem menstruações.

1.1.1.7 Ovulogênese:

É a gametogênese feminina. Visa à formação do óvulo e realiza-se a partir do epitélio germinativo do ovário, com células diplóides, denominadas ovogônias ou ovulogônias.

Na fase de multiplicação, a ovogônia se divide por mitoses sucessivas e dá origem a numerosas células. Ao contrário da espermatogênese, na ovogênese, todas as células seguem o processo sem conservação da ovogônia. As células resultantes da multiplicação sofrem o processo de crescimento (fase de crescimento) e se transformam nos ovócitos I (primários). Estas ovogônias crescem para formar os ovócitos primários antes do nascimento. Na época do nascimento, todos os ovócitos primários completaram a prófase da primeira divisão meiótica. Estes ovócitos permanecem em prófase até a puberdade. Pouco antes da ovulação, o ovócito primário completa a primeira divisão meiótica, na fase de maturação, cada ovócito I (diplóide) dá, por meiose I (reducional), duas células haplóides: o ovócito I (secundário), relativamente grande, e o 1º glóbulo polar, de tamanho reduzido. Logo a seguir, o ovócito I se divide por meiose I (equacional), dando duas células também diferentes em tamanho: ovótide, bem desenvolvida, e o 2º glóbulo polar, muito menor. Algumas vezes, o 1º glóbulo polar também se divide por meiose I. A ovótide se transforma em óvulo. Portanto, cada ovócito I dará origem a um óvulo e a três glóbulos polares, geralmente estéreis.

Na espécie humana, a ovulogênese inicia-se nos primeiros meses de vida intra-uterina do feto, sendo paralisada quando o ovócito I inicia a maturação, estágio que é chamado dictióteno. Desta forma, ao nascer, a menina apresenta um “estoque” de folículos contendo ovócitos I em dictióteno. À medida que ela vai crescendo, muitos folículos sofrem degeneração, transformando-se em folículos atrésicos. Todos os ovócitos permanecerão em dictióteno até a época da ovulação, que terá início por volta dos 12 ou 13 anos de idade, encerrando-se a partir da menopausa, por volta dos 45 aos 50 anos.

1.1.1.8 Óvulo humano: Estrutura simples, esférico, constituído por membrana plasmática, citoplasma e núcleo. - Membrana primária ou vitelínica: é a membrana plasmática, sempre a mais interna; há também a membrana secundária, formada pelas secreções das células foliculares (membrana pelúcida no óvulo humano), e membranas terciárias, que se

depositam ao redor do óvulo, após ele ter saído do ovário. Podem ser bainhas quitinosas, calcárias ou de outra natureza (coroa radiata formada pelas células foliculares, nos mamíferos). - Citoplasma: dividido em duas partes, o citoplasma formativo ou bioplasma, que fica ao redor do núcleo, e citoplasma nutritivo ou deutoplasma, que armazena substâncias nutritivas, o vitelo ou lécito. - Núcleo: chamado vesícula germinativa, às vezes central, outras vezes polarizado. Tem forma oval, grande. Geralmente, as regiões onde estão o núcleo com o bioplasma e o citoplasma nutritivo estão polarizadas. O pólo onde se encontra o núcleo com o bioplasma é chamado pólo animal, uma vez que dará origem a um novo indivíduo; e o pólo onde se encontra o deutoplasma é chamado de pólo vegetativo, uma vez que tem função nutritiva.

1.1.1.9 Tipo de óvulo dos mamíferos:

Oligolécito ou isolécito ou homolécito – apresenta pouco vitelo, o qual se encontra distribuído homogeneamente com o bioplasma.

Estrutura interna e externa do aparelho reprodutor feminino.

Processo de ovulação e óvulo humano.

1.1.2 Órgãos reprodutores masculinos:

O sistema reprodutor masculino é formado pelos testículos, vias espermáticas, glândulas anexas e o pênis.

1.1.2.1 Testículos:

São duas glândulas mistas, ovóides, localizados na bolsa escrotal.

- Funções: produzir espermatozóides (túbulos seminíferos) e secretar o hormônio testosterona (células Leyding). Criptorquidia: ocorre quando os testículos não migram para a bolsa escrotal, ficando na região abdominal.

1.1.2.2 Vias espermáticas:

Correspondem ao trajeto percorrido pelos espermatozóides, desde a sua produção, o seu armazenamento até a sua eliminação.

1.1.2.2.1 Tubúlos seminíferos: são canais finíssimos que produzem os espermatozóides, nas suas paredes estão presentes as células de Leydig.

1.1.2.2.2 Epidídimo: ainda imaturos os espermatozóides ficam armazenados no epidídimo, são necessários muitos dias para amadurecerem. É no epidídimo que os espermatozóides desenvolvem o seu flagelo, adquirindo mobilidade.

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