Apostila - sistema de produção de suínos

Apostila - sistema de produção de suínos

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Introdução

O presente sistema de produção está direcionado para a criação de suínos em ciclo completo, confinado, desenvolvido em um único sítio e contemplando um plantel de 160 a 320 matrizes. Todas as etapas de produção a partir da maternidade estão previstas para serem desenvolvidas seguindo o princípio do sistema "todos dentro todos fora" (all-in allout), onde os animais de cada lote ocupam, ou desocupam uma sala num mesmo momento. Esse manejo possibilita a limpeza e desinfecção completa das salas e a realização do vazio sanitário.

Pelo fato de contemplar todas as etapas da produção, desde a aquisição do material genético até a entrega dos suínos de abate na plataforma do frigorífico, as orientações descritas neste documento aplicam-se também à sistemas de produção que executam apenas parte das etapas de produção de suínos, como a Unidade de Produção de Leitões (UPL) que produz leitões até a saída da creche e a Unidade de Terminação (UT) que recebe os leitões de uma UPL e executa as fases de crescimento e terminação.

Outros sistemas de produção de suínos, como o Sistema Intensivo de Suínos Criados ao Ar Livre (SISCAL), o agroecológico, o orgânico e outros, precisam ser tratados separadamente em razão de suas particularidades. Mesmo assim, grande parte dos conceitos sobre a criação de suínos, caracterizados neste sistema, podem ser considerados com as devidas adaptações.

A criação de suínos sobre cama, que está ganhando espaço considerável entre os suinocultores, principalmente por facilitar o manejo dos dejetos, também apresenta peculiaridades que merecem e precisam ser tratadas de forma específica. Informações referentes à produção de suínos sobre cama poderão ser obtidas em várias publicações da Embrapa Suínos e Aves.

Importância Econômica

A produção mundial de carne suína em 2001 foi de 83.608 mil toneladas e, segundo a FAO, o crescimento anual de consumo de carnes no mundo até o ano 2015 deve ficar em torno de 2%. Considerando ser a carne suína a mais produzida no mundo, uma parcela significativa deste percentual deverá ser atendida via expansão da produção de suínos. A posição dos principais países produtores de carne suína (China, União Européia e Estados Unidos) não deve ser alterada pelo menos no curto e médio prazos, uma vez que a diferença entre eles, no volume produzido em 2001, é significativa: 42.400, 17.419 e 8.545 mil toneladas respectivamente. O Brasil ocupa atualmente a 4ª posição com 2.240 mil t. e concorre diretamente com o Canadá para manter essa classificação. As previsões para 2002 indicam que o Brasil deverá crescer cerca de 5,81% com relação à 2001, enquanto a produção de carne suína no Canadá crescerá apenas 1,74% no mesmo período. Tais níveis de produção solidificam a posição brasileira no ranking mundial.

Com relação ao abate brasileiro de suínos, no período entre 1990 e 2001, verificouse um crescimento de cerca de 45%, passando de 19,7 para 28,5 milhões de cabeças/ano.

A expansão da produção voltou-se para algumas áreas das regiões Sudeste e

Centro-Oeste, sem, no entanto, caracterizar migração ou mesmo redução da atividade na Região Sul. Os dados de desempenho da suinocultura nacional mostram que em 1990 a Região Sul participava com 45,07% do abate total de suínos no Brasil e, em 2001, sua participação cresceu para 53,74%.

Com base na análise dos problemas e potencialidades dos grandes produtores mundiais, fica claro que o Brasil apresenta amplas possibilidades de se firmar como grande fornecedor de proteína animal. Estudos recentes mostram que o Brasil apresenta o menor custo de produção mundial, cerca de US$ 0,5/kg, e produz carcaças de qualidade comparada à dos grandes exportadores. Dessa forma, pode-se dizer que o mercado internacional sinaliza para o crescimento das exportações brasileiras, com possibilidades de abertura de novos mercados como o do NAFTA, China, África do Sul, Chile e Taiwan. A abertura do Mercado Europeu para a carne suína brasileira deverá merecer atenção especial, assim como também o ingresso no Japão que é o maior importador mundial.

O Canadá é o atual líder mundial na exportação de carne suína com 710 mil t. em 2001. O Brasil, graças à abertura do mercado russo, vem apresentando cifras cada vez maiores, passando a ocupar a quarta posição no ranking dos exportadores, com 265 mil t. em 2001, com expectativa de crescer mais 32% em 2002.

No mercado interno espera-se que, uma crescente recuperação da economia com o conseqüente aumento no poder aquisitivo da população, o consumo "per capita" atual de 12 kg/habitante/ano volte a crescer, estimulando o setor produtivo e exercendo pressão sobre os preços pagos por quilo de suíno vivo.

Observando o consumo de carne suína no Estado de Santa Catarina, com cerca de 23 kg/habitante/ano, percebe-se que há espaço para o aumento do consumo em nível nacional.

Proteção Ambiental

Além da produtividade e competitividade econômica, qualquer sistema de produção deve primar pela proteção ambiental, não somente pela exigência legal, mas, também, por proporcionar melhor qualidade de vida à população rural e urbana.

Com relação à proteção ambiental, o produtor deve implantar um sistema de gestão ambiental integrado, contemplando as seguintes etapas:

Avaliação do impacto ambiental

• Proceder o diagnóstico da situação ambiental local, antes de iniciar qualquer construção.

• Delinear um plano com dimensionamento do projeto em função do volume de resíduos gerados na produção de suínos.

• Planejar as obras a partir das exigências da legislação ambiental federal, estadual e municipal que determinam, por exemplo, as distâncias mínimas de corpos d'água (fontes, rios, córregos, açudes, lagos etc.), estradas, residências, divisas do terreno, a proteção das áreas de preservação permanente, 20% da área de reserva legal e outras.

Figura 1. Croqui das distâncias de acordo com a Legislação da FATMA (SC).

(Obs: Estas distâncias podem sofrer variações nos diferentes estados da federação, para tanto, sugere-se consultar o órgão estadual de proteção ambiental).

Quadro 1. Legislação pertinente ao licenciamento ambiental. - Constituição Federal Brasileira - 1998 - Art. 225.

- Decreto Federal nº 0750/93 - Mata Atlântica.

- Lei Federal nº 9.605/98 - Lei dos Crimes Ambientais - Art. 60.

- Código das Águas - Decreto Federal nº 24.645 de 10/07/34 e alterações.

- Código Florestal Federal - Lei 4.771/65 e alterações.

- Lei Federal nº 6.766/79 - Disciplinamento do solo urbano.

- Legislações e Códigos Sanitários Estaduais e Municipais.

• Planejar a propriedade tendo em vista a bacia hidrográfica como um todo, respeitando a disponibilidade de recursos naturais.

• Minimizar o uso da água nas instalações através de: a)- Desvio das águas pluviais com o uso de calhas, aumento dos beirais e drenagem; b)- Adequação da rede hidráulica e escolha dos bebedouros; c)- Dimensionamento do sistema hidráulico de forma a manter a velocidade e a pressão da água uniforme em todos os bebedouros (Tabela 1).

Tabela 1. Estimativa de consumo de água (litros/dia), de acordo com o tipo de bebedouro para a produção de um suíno de 100 kg de peso vivo.

Bebedouro Peso Corporal, kg

Bom Ruim Desperdício

Consumo diário de água (l)

• Avaliar as áreas de maior risco de poluição em caso de acidentes. • Atender às legislações estaduais e municipais que normalmente exigem:

• a)- LP (Licença Prévia) que determina a possibilidade de instalação do empreendimento em determinado local; b)- LI (Licença de Instalação) que faz a análise do projeto quanto à conformidade com a legislação ambiental; c)- LO (Licença de Operação) que concede a licença de funcionamento após conferência do projeto executado com base na LI e prevê um plano de monitoramento;

• Estabelecer um programa de nutrição e manejo das rações que minimize a excreção de nutrientes e de resíduos na propriedade, escolhendo o que for mais adequado a sua área (tratamento, reaproveitamento dos resíduos, exportação para vizinhos, etc);

• Monitorar e avaliar a adequação do dimensionamento do projeto.

• Considerar e avaliar as ampliações futuras em função da legislação, do licenciamento e de mudanças no plano de nutrição.

Manejo voltado para a proteção ambiental

Reduzir a geração de resíduos através do manejo nutricional eficiente e do manejo da água na propriedade, diminuindo o potencial poluente dos resíduos (Tabela 2).

Tabela 2. Características químicas e físicas dos dejetos (mg/l) produzidos em uma unidade de crescimento e terminação manejada em fossa de retenção, obtidas no Sistema de Produção de Suínos da Embrapa Suínos e Aves.

Parâmetro Mínimo Máximo Média

Manejo Nutricional

Para promover a melhoria do desempenho e das carcaças, reduzindo o poder poluente dos dejetos e o custo de produção dos suínos, o produtor deve:

• Buscar o aumento da eficiência alimentar e da produtividade por matriz;

• Usar rações formuladas com base nos valores de disponibilidade de nutrientes dos alimentos, utilizando informações específicas dos suínos que estão sendo produzidos, especialmente quanto ao genótipo, sexo e consumo de ração;

• Utilizar dietas formuladas com maior precisão, evitando o acréscimo de mais nutrientes ("margens de segurança") do que os animais necessitam;

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