Preparação no futebol

Preparação no futebol

Universidade Federal do Piauí

Departamento de Educação Física

Disciplina: Futebol

Profº.: Raul

Graduanda: Thaíse de Sousa Barbosa

A preparação no Futebol

Teresina, PI Maio 2010

Preparação Física

Da mesma forma que em qualquer outro desporto de rendimento, os Técnicos e Preparadores Físicos do Futebol de Campo, buscam seu embasamento teórico e prático no que há de mais recente na ciência desportiva, objetivando o maior rendimento em longas temporadas de jogo.

A planificação ou planejamento das metodologias de trabalho que serão utilizadas na preparação dos times é de suma importância para uma maior otimização dos resultados. A periodização no futebol segundo Mourinho(2001) é "Aspecto particular da programação, que se relaciona com uma distribuição no tempo, de forma regular, dos comportamentos táticos de jogo, individuais e coletivos, assim como, a subjacente e progressiva adaptação do jogador e da equipe a nível técnico, físico, cognitivo e psicológico" e deve conter um nível de especificidade muito grande, deve-se estar atento a todas as características específicas do esporte, o futebol apresenta características muito específicas e por ser um desporto intermitente as dificuldades na preparação aumentam.

A periodização divide a preparação em três grandes períodos: O período preparatório, onde são desenvolvidos todos os treinamentos que visão a preparação para a competição, período competitivo, época na qual o planejamento é montado e desenvolvido durante a competição ou competições e período transitório onde o atleta vai iniciar sua recuperação total do desgaste trazido pelos outros dois grandes períodos. Longas sessões de treinamentos e competições levam o atleta a um desgaste físico e estresse emocional muito elevado, por isso o período transitório dentro da periodização é de grande valia para a equipe.

MÉTODOS DE TREINAMENTO

As capacidades de resistências apresentam diversas exigências às capacidades aeróbica e anaeróbica. Métodos de treinamento que se aproximam das exigências metabólicas específicas da disciplina em questão e que possam melhorá-las, são utilizados para possibilitar um aumento efetivo no desempenho. Esses métodos são subdivididos em 3 grupos:

  • método contínuo; 

  •  método intervalar; 

  • método de repetição  

Método Contínuo

Tem-se em primeiro plano a melhora da capacidade aeróbica e, dependendo da abrangência e intensidade da carga de resistência, diferentes efeitos são objetivados por esse método como por exemplo ganhos no sistema circulatório – aumento da cavidade cardíaca, aumento da capilarização do músculo requisitado e melhoras no aproveitamento de oxigênio.

Para se operacionalizar este método leva-se em questão uma série de fatores como o consumo máximo de oxigênio (VO2 máx – absorção e utilização), as fontes energéticas, o limiar anaeróbico, tipos de fibras musculares e outros fatores que possam influenciar no desempenho do indivíduo durante o treinamento.Caracterizado pelo treinamento em corridas, podemos classificá-lo em método contínuo intensivo (é caracterizado pelo baixo volume e alta intensidade, não deve ser executado mais que 2 – 3 vezes por semana, pois o tempo de reabastecimento do depósito de glicogênio se torna muito curto) e método contínuo extensivo(tem como característica um alto volume e baixa intensidade, serve para melhorar os parâmetros cardiovasculares ou como "treinamento do metabolismo", como medida de regeneração).

Método Intervalar

Neste método são introduzidos estímulos de treinamento acentuados, em relação à dilatação do coração, assim como à melhora do metabolismo de hidratos de carbono, ou da capacidade anaeróbica e aeróbica, que são mais ou menos acentuadas conforme a intensidade.

Podemos classificá-lo como método intervalar de duração curta, média e longa, onde o método de curta duração abrange espaços de tempo de carga de 15 – 60", o de média duração de 1 – 8’ e o de longa duração de 8 – 15’.

A principal característica deste método é o princípio da pausa vantajosa, ou seja, os níveis de recuperação são delimitados até um ponto onde a F.C. atinja cerca de 120 – 140 bpm para um novo estímulo. Não há a recuperação completa.

Método de Repetição 

Representa um método muito eficiente para melhorar a resistência especial, que contribui de forma excepcionalmente complexa e diferenciada, para a melhora das capacidades e mecanismos regulatórios dos sistemas cardiovascular e respiratório, assim como do metabolismo. Contém a execução repetida de um percurso escolhido com a maior velocidade possível, depois de uma recuperação completa.

Com suas exigências máximas e submáximas há um esgotamento dos depósitos de energia muscular (principalmente do glicogênio muscular), que, após a recuperação, acarreta um aumento do mesmo. Dependendo do calendário de competições da equipe treinadores e preparadores físicos devem também planejar com bastante atenção o período transitório, definindo períodos de treinamentos com cargas extremamente reduzidas e planifica-se também o período de férias. O descanso é peça fundamental na preparação física e técnica de um atleta.

Preparação Técnica

No futebol, como em qualquer modalidade esportiva, existem fundamentos básicos, que fazem a base de ação técnica dos praticantes, estes fundamentos que constituem o suporte do futebol como também de outras modalidades esportiva chama-se técnica e para uma boa execução durante uma prática desportiva, deve ser aprendida e treinada. Alguns desses fundamentos são:

Passe: compreendido como elo de ligação entre dois jogadores da mesma equipe, tendo como objetivo atingir a meta adversária no qual podem estabelecer uma relação de jogadas e uma organização da equipe.

Domínio da bola: com o pé, coxa, peito e cabeça. Este fundamento tem como principal função mostrar a habilidade que o atleta tem em amortecer a bola na sua recepção, sobretudo, conservando-a próximo de si, mantendo-a sob controle, com as diferentes partes do corpo, evitando que o adversário aproveite de sua falha e fique com a posse de bola.

Antecipações: carrinho, colisões, ombro, peito, deslizamento

Condução: com a parte interna e externa do pé, peito do Pé e região plantar. É de suma importância para os atletas, visto que pretende-se deslocar com a bola, sem a perde-la para seu adversário, o atleta tem que estar bem adaptado com este fundamento, visto que o futebol é muito dinâmico e exige dos atletas arrancadas e corridas com a bola rapidamente, para que possa realizar seu objetivo.Fundamento imprescindível para o futebol.

Fintas: calcanhar, voleio, cabeça, efeito interno e externo, arremessos, laterais, goleiro-defesa, saídas do gol, escanteios, tiro livre, cruzamentos, reposições.

Alguns recursos são utilizados pelo técnico para aprimorar a técnica como limitar o numero de toques na bola por jogador, delimitar áreas de chute ao gol, limitar o numero de passes permitidos em determinados setores do campo, aumentar o numero de jogadores na equipe reserva para poder aprimorar o poder de marcação nos titulares. O treinamento é sempre feito com bolas paradas, em situações de impedimentos etc.

Preparação Tática

A tática é compreendida como uma arte que os atletas apresentam na realização das ações motoras durante o jogo e tem como conduta a orientação das ações técnicas as quais visam à obtenção dos objetivos competitivos. A noção "Tática Desportiva" abrange todos os métodos racionais de realização da competição (tática individual) pelo atleta e (tática de grupo) pela equipe, orientadas para o resultado desportivo. A idéia da tática de uma equipe consiste no aproveitamento dos métodos competitivos os quais permitem realizar com maior eficiência suas capacidades, vencendo a equipe adversária.

Durante o aperfeiçoamento do raciocínio tático, devem ser treinadas as capacidades como percepção; consciência e análise das situações competitivas; avaliação precisa e rápida da situação e tomada de decisão; prognóstico das ações do adversário; manifestação de suas próprias ações na situação concreta de jogo, etc.

Em relação à preparação tática temos os sistemas:

3-5-2 Esse sistema foi muito utilizado a partir da Copa de 1990 na Itália, pois muitas seleções o utilizaram naquele torneio. Veio como uma alternativa para marcar o 4-4-2, visto que os 3 zagueiros garantiriam a sobra a todo momento. Os “laterais” nesse sistema passam a ser chamados de alas porque ganham novas funções tanto na parte defensiva quando devem marcar mais “por dentro” quanto na parte ofensiva quando tem participação ativa na armação do jogo. A inteligência e as características dos alas são fundamentais para que esse sistema de jogo funcione.

2-3-5

É o esquema mais ofensivo do futebol,conhecido também como pirâmide, com dois zagueiros, três meias ofensivos e cinco atacantes, sendo dois nas pontas, dois segundos atacantes e um centro-avante. Geralmente é utilizado quando o time impõe pressão sobre o adversário, mas deixando a defesa de lado, podendo originar diversos contra-ataques do time adversário.

4-3-3

4-3-3 é conhecido como um esquema tático com quatro jogadores na defesa, três jogadores no meio-campo (com um ou dois volantes) e três jogadores no ataque (dois pontas e um atacante).

O lado ofensivo do esquema, os pontas e os laterais sobem para o ataque, acabando por desarmar a defesa adversária, já que o lateral adversário se vê obrigado a marcar dois jogadores. E, no aspecto defensivo, os três homens de frente auxiliam na marcação dos laterais/volantes adversários.

4-2-4

O  4-2-4 é composto por 4 defensores, 2 meio-campo e 4 atacantes. Foi um esquema popular nas décadas de 40 e 50.

O esquema funciona com os laterais a(c)tuando na defesa além dos zagueiros, então os laterais não avançam muito.No meio-campo, só direita e esquerda onde ambos ficam de sobra, pois na área já tem os 4 atacantes, além disso, eles precisam cuidar para impedir um contra-ataque do oponente.No ataque, ambos avançam, quando seu time não ataca, 2 deles voltam para o meio-campo e dois ficam mais avançados.

Preparação Psicológica

A preparação psicológica trabalha o desenvolvimento emocional do atleta, ajuda-o a estabelecer metas, a enfrentar situações de stress, principal fonte geradora de maus rendimentos, tais como: relação com a torcida, dirigentes, técnicos, patrocinadores, adversários, situações próprias do jogo, relacionamento com os próprios membros do time, mídia, materiais e instalações, visando otimizar o rendimento.

    No treinamento psicológico há várias técnicas e instrumentos para auxiliar a melhoria do desempenho atlético, tais como técnicas de motivação, relaxamento, redução de ansiedade, treinamento de ativação, concentração, autoconfiança, gerenciamento de stress entre outros. Para que o atleta seja bem sucedido é necessário, também, que se desenvolvam atributos psicológicos de autoconfiança, liderança, adaptação social, controle emocional e psicomotor.

Segundo Nitsch (1985), O objetivo e a meta do treinamento psicológico é a modificação dos processos e estados psíquicos (percepção, pensamento, motivação), ou seja, as bases psíquicas da regulação do movimento. Essa modificação será alcançada com a ajuda de procedimentos psicológicos. Podem ser feitas entrevistas individuais, questionários e em alguns casos testes psicológicos. A observação de treinos e competições também são ferramentas fundamentais, assim como o aconselhamento ao atleta que acontece nas reuniões com o psicólogo. 

A participação no treinamento psicológica deve acontecer por interesse própria e sem pressão externa. Antes de aplicar o treinamento psicológico, deve-se informar os atletas sobre seus objetivos, métodos, indicações e efeitos.

O treinamento psicológico deve contribuir para o desenvolvimento da personalidade e desenvolver saúde, bem-estar, autodeterminação e responsabilidade social.

Em relação à concentração constitui na melhoria da capacidade de focar a atenção em um ponto fixo. Capacidade de dirigir a consciência a um determinado objeto ou uma ação, ou seja, capacidade de atenção a um ponto específico, ter concentração é ser capaz de analisar uma situação para saber o que fazer e possivelmente antecipar o que seu adversário está para fazer, é a chave da habilidade de atenção.

 Dentre todos esses fatores que englobam a psicologia do esporte a autoconfiança é a principal base para o sucesso, pois gera maior concentração de forças nas buscas por uma meta. A autoconfiança do atleta é um alto nível de competência técnica-psicológica nos treinamentos pré-competitivos. O resultado positivo do treinamento físico- técnico-tático fortalece a autoconfiança, dando segurança e motivação para o desportista nas competições em direção à vitória.

O atleta confiante tem como característica principal nunca desistir e considera as situações adversas como desafios, e reage com muita determinação para conseguir superá-las, isso não quer dizer que o atleta seja arrogante, mas que se sente forte e seguro na direção das suas metas, acredita em seu potencial e nos seus objetivos, não tendo dificuldades em admitir seus próprios erros, em função da grande confiança em suas habilidades.

Preparação Alimentar

A nutrição tem sido alvo de crescente interesse por parte dos atletas e praticantes de atividade física, cada vez mais conscientes de seus benefícios. Assim, uma alimentação adequada visa manter saúde, preservar composição corporal, favorecer as vias metabólicas associadas à atividade física, armazenar energia na forma de glicogênio, retardar a fadiga, promover hipertrofia muscular, e quando necessário, auxiliar na recuperação de lesões ou traumas eventualmente provocados pelos exercícios.

A nutrição juntamente com o treinamento e a saúde do jogador são fatores decisivos que contribuem para o seu desempenho em campo. Uma nutrição adequada deve ser sempre parte da rotina de um jogador, já que sua alimentação antes e depois dos jogos e treinos pode influenciar seu desempenho durante os mesmos.

A dieta de um jogador de futebol deve atender seu gasto energético, fornecendo balanço adequado de proteínas e carboidratos e atender às recomendações de micronutrientes.

Dieta pré-competição: Tem por objetivo abastecer os estoques de glicogênio muscular, caso eles não sejam completamente repostos desde o ultimo treino e/ou jogo; restaurar os estoques de glicogênio hepático; fornecer energia para o exercício entre outras. Nesse período de pré competição o atleta deve comer alimentos ricos em carboidratos, como: Sucos de frutas, frutas frescas, pães, biscoitos simples, com pouca (ou sem) margarina, massas, batata, trigo, aveia, iogurte, maçã, amendoins etc.

Durante os treinos evitar alimentos gordurosos na refeição, como por exemplo frituras, carnes gordas, creme de leite, queijos e presunto. Manter o jogador sempre hidratado. O corpo só pede água quando ela já acabou. A sede é sinal de desidratação. O atleta deve tomar sempre aos poucos e por todo o dia.

Dieta pós-competição: A recuperação após os jogos é particularmente importante para jogadores de futebol, já que eles participam de vários jogos em um curto período de tempo.A maior preocupação é repor tanto os estoques de glicogênio como os líquido perdidos pelo suor durante o jogo. Alimentos como: Açúcar, batata, pão integral, banana, mel etc.

O consumo de carboidrato deve ocorrer imediatamente após o termino do jogo para que a reposição de glicogênio muscular seja mais eficiente e rápida. Alguns fatores podem interferir no consumo de carboidrato no período de recuperação, com: a fadiga, que interfere na habilidade e/ou interesse de comer algum alimento; a perda do apetite após exercícios intensos; problemas musculares, seja por trauma ou por exercício excessivo; aceso limitado a alimentos no local da competição etc.

Apoio Logístico no Futebol

Por mais bem estruturada e profissional que uma equipe esportiva possa ser, nem sempre ela está preparada para assessorar seus atletas. Hoje em dia, diante do crescente número de jogos, campeonatos e, conseqüentemente, viagens, as equipes necessitam de um apoio logístico confiável para que possam cumprir eficientemente suas intensas agendas de jogos.

Dentre as diversas soluções oferecidas para o completo gerenciamento das atividades logísticas pode-se destacar a ajuda de médico, fisioterapeuta, nutricionista, preparador físico, psicólogo, massagista alem de transporte das delegações esportivas e vans especiais para deslocamento das bagagens e acessórios; acomodação em hotéis com localização e infra-estrutura ideal para as necessidades das equipes; coordenação de necessidades diversas, como, serviço de lavanderia, compra de frutas, águas, coordenação de necessidades diversas, como, serviço de lavanderia, compra de frutas, águas.Também é necessário caneleiras, coletes uma academia para a preparação dos jogadores, alimentação adequada conforme o sugerido pelo Médico/Nutricionista das delegações esportivas, água de boa qualidade.

Preparação Complementar

Durante o processo de formação de bons jogadores de futebol e cidadãos de respeito, é necessário que além do empenho na parte profissional haja também dedicação para algumas atividades extra-campo. Pode ser realizados projetos voltados à conscientização dos atletas quanto à importância de se tomar certos cuidados como: manter uma boa saúde pessoal, se relacionar de maneira respeitosa com os companheiros, se alimentar corretamente e manter organizado o ambiente em que vivem.

Todo atleta precisa estar consciente de que a falta de cuidados com a higiene pessoal e também com o ambiente em que moram, pode acarretar em uma série de problemas de saúde que podem vir a prejudicar seu rendimento dentro de campo.

Adquiridas as noções básicas de saúde e higiene, o atleta precisa passar por um processo de aprendizado e aprimoramento para lidar com algumas situações e compromissos que irão fazer parte de seu dia a dia na carreira profissional. Assuntos em que ele deve se posicionar, postura dentro e fora dos gramados, entrevistas freqüentes para a mídia, enfim, essas são algumas das muitas ocasiões onde o atleta precisa estar preparado para agir de forma coerente.

É fundamental também o conhecimento das regras do jogo que norteiam o comportamento de um árbitro dentro de campo. Fazer o atleta entender as razões pela qual foi punido, respeitar o árbitro como autoridade máxima, e adotar um comportamento que não prejudique sua equipe isso pode ser feito organizando palestras para os jogadores.

Referência Bibliográfica

BARROS, Turibio Leite de.;GUERRA, Isabela. Ciência do Futebol. Barueri, SP: Manole,2004

BARBANTI J. V. Teoria e prática do treinamento desportivo. São Paulo: Edgard Blucher, 1997.

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