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Uma publicação da Igreja Batista da Lagoinha Gerência de Comunicação Edição Setembro/2007

Revisão e Copidesque Jussara Costa

Capa e Diagramação Luciano Buchacra

A ressurreição

“Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão. Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E apareceu a Cefas e, depois, aos doze. Depois, foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria sobrevive até agora; porém alguns já dormem. Depois, foi visto por Tiago, mais tarde, por todos os apóstolos e, afinal, depois de todos, foi visto também por mim, como por um nascido fora de tempo. Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus. Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo. Portanto, seja eu ou sejam eles, assim pregamos e assim crestes. Ora, se é corrente pregar-se que Cristo ressus- citou dentre os mortos, como, pois, afirmam alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? E, se não há ressurreição de mortos, então, Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé; e somos tidos por falsas testemunhas de Deus, porque temos asseverado contra Deus que ele ressuscitou a Cristo, ao qual ele não ressuscitou, se é certo que os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram. Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens. Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem. Visto que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos. Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo. Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda. E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder. Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés. O último inimigo a ser destruído é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo dos pés. E, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, certamente, exclui aquele que tudo lhe subordinou. Quando, porém, todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos. Doutra maneira, que farão os que se batizam por causa dos mortos? Se, absolutamente, os mortos não ressuscitam, por que se batizam por causa deles? E por que também nós nos expomos a perigos a toda hora? Dia após dia, morro! Eu o pro- testo, irmãos, pela glória que tenho em vós outros, em Cristo Jesus, nosso Senhor. Se, como homem, lutei em Éfeso com feras, que me aproveita isso? Se os mortos não ressuscitam, comamos e bebamos, que amanhã morreremos. Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes. Tornai-vos à sobriedade, como é justo, e não pequeis; porque alguns ainda não têm conhecimento de Deus; isto digo para vergonha vossa. Mas alguém dirá: Como ressuscitam os mortos? E em que corpo vêm? Insensato! O que semeias não nasce, se primeiro não morrer; e, quando semeias, não semeias o corpo que há de ser, mas o simples grão, como de trigo ou de qualquer outra semente. Mas Deus lhe dá corpo como lhe aprouve dar e a cada uma das sementes, o seu corpo apropriado. Nem toda carne é a mesma; porém uma é a carne dos homens, outra, a dos animais, outra, a das aves, e outra, a dos peixes. Também há corpos celestiais e corpos terrestres; e, sem dúvida, uma é a glória dos celestiais, e outra, a dos terrestres. Uma é a glória do sol, outra, a glória da lua, e outra, a das estrelas; porque até entre estrela e estrela há diferenças de esplendor. Pois assim também é a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo na corrupção, ressuscita na incorrupção. Semeia-se em desonra, ressuscita em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscita em poder. Semeia-se corpo natural, ressuscita corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual. Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, e sim o natural; depois, o espiritual. O primeiro homem, formado da terra, é terreno; o segundo homem é do céu. Como foi o primeiro homem, o terreno, tais são também os demais homens terrenos; e, como é o homem celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do que é terreno, de- vemos trazer também a imagem do celestial. Isto afirmo, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção. Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão.” (1 Coríntios 15.1-58.)

Introdução

Se Jesus Cristo não tivesse ressuscitado, nós também não teríamos o direito de ressuscitar. A ressurreição de Jesus é a base da nossa res- surreição, porque todos que recebem Jesus como seu Salvador e Senhor adquirem o direito à ressurreição e conseqüente vida eterna. Além disso, quando aceitamos o governo de Jesus em nossa vida, temos o privilégio de uma vida abundante aqui na Terra (João 10.10).

Há uma grande diferença entre a vida daqueles que se entregaram a Jesus e servem a Deus e a vida dos que o rejeitam. E há uma diferença ainda muitíssimo maior, entre a morte do crente em Jesus e a morte do ímpio, aquele que não reconhece Jesus como Filho de Deus e o rejeita como único e suficiente Salvador. Além de usufruir a paz que excede todo o entendimento (Filipenses 4.6-7) quando se enfrenta a morte de um ente querido, evitando-se as manifestações de desespero inúteis, a crucial diferença entre morte do crente e a morte do ímpio é a esperança da ressurreição, porque o próprio Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá.” (João 1.25.)

Segundo as Escrituras, o mesmo Espírito Santo que ressuscitou Jesus

Cristo dentre os mortos e que habita em nós é que vai nos ressuscitar. Quando nos referimos ao milagre de Jesus ao chamar Lázaro, morto há quatros dias, para fora do túmulo, dizemos que Jesus ressuscitou Lázaro. Na verdade, ele foi revificado, ou seja, recebeu a capacidade de viver novamente, tanto que morreu certo tempo depois. Quando houver a ressurreição, nunca mais haverá morte. E todos os salvos experimentaremos a ressurreição. Não importa que tipo de vida a pessoa teve antes de se entregar a Jesus, desde que tenha recebido Jesus como seu Salvador, ela subirá com Jesus quando Ele voltar e arrebatar a Igreja. Neste dia, Ele não pisará na terra, nós, os salvos, é que iremos ao seu encontro. Antes, porém, os mortos que em vida aceitaram Jesus Cristo ressuscitarão primeiro.

“Ora, ainda vos declaramos, por palavra do Senhor, isto: nós, os vivos, os que ficarmos até à vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que dormem. Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras.” (1 Tessalonicenses 4.15-17.)

Aqueles que vão experimentar a primeira ressurreição serão privilegiados com alegria especial, um gozo indizível, uma dádiva que somente eles receberão. É como se fôssemos morar em um esplendoroso castelo com o rei e seu filho. Experimentar a primeira ressurreição é participar das bodas, do banquete de recepção. Contudo, aqueles que chegassem no dia seguinte, apesar de também terem o privilégio de morar ali para sempre, teriam perdido a festa na presença do rei. Isso significa que aqueles que não subirem na volta de Jesus poderão ser salvos, mas não terão o gozo de participar da primeira ressurreição. Então, na primeira ressurreição, os mortos em Cristo ressuscitados e todos os salvos, vivos, subiremos para encontrar o Senhor nos ares (1 Coríntios 15.52).

Haverá Salvação também durante o período da grande tribulação

(Apocalipse 7.14). Os 144 mil judeus vão se converter, e muitas outras pessoas também se converterão até a segunda ressurreição.

Doutrina da ressurreição

A doutrina da ressurreição é a base fundamental para que possamos entender essa questão. Mas para não entrarmos por caminhos er- rados, de heresias, precisamos encontrar esse assunto na Bíblia. Assim teremos fundamentação bíblica para nossa fé. Toda doutrina que não é baseada na Palavra, não tem aproveitamento algum.

Os textos não devem ser usados como uma arma para atacar nossos semelhantes. Há algum tempo, houve uma campanha de conscientização de segurança no trânsito cujo slogan era: “Não faça do seu carro uma arma. A vítima pode ser você.” Muitas pessoas fazem da Bíblia uma arma, não para atacar o diabo, mas para destruir seus semelhantes. Aqueles que usam a Bíblia manipulando as palavras de Deus (isso me lembra uma certa cena no jardim do Éden) e a transformam em uma arma contra as pessoas se esquecem de que podem se tornar vítimas de seus próprios erros. Se ela for interpretada apenas com a nossa visão humana, se forem usados textos sem levar em conta o seu contexto, ela poderá ser mal interpretada e suscitar doutrinas erradas, sem fundamento bíblico. Todo texto fora de contexto pode ser um pretexto para heresia. E se puder ser, será.

A meditação na Palavra de Deus deve sempre ser feita com o coração aberto para a revelação de Deus, para o ensino do Espírito Santo, que nos ensina a respeito de todas as coisas (1 João 2.27).

A interpretação da Palavra de Deus é simples, no entanto, existem muitas pessoas criando confusão, fazendo tantas alegorias bíblicas que desvirtuam o verdadeiro sentido. Muitas coisas são mesmo simbologia, mas não significa que tudo tenha um sentido alegórico.

A revelação da Palavra de Deus é progressiva, semelhante ao nascer do sol. Às 5 horas da manhã, começa a clarear e prossegue clareando, mas só teremos a luz perfeita ao meio dia. Assim, no Antigo Testamento, a doutrina da ressurreição é uma doutrina progressiva, na qual encontramos apenas alguns vislumbres, tal como a revelação do Espírito Santo. Naquele tempo, o Espírito Santo atuava por intermédio de Deus, o Pai. No Novo Testamento, encontramos Deus agindo por intermédio do Filho, principalmente no livro dos Atos dos Apóstolos, quando Ele se revelou à Igreja.

O santo não verá corrupção

No livro de Jó, encontramos uma pergunta referente à vida humana, que soa como uma suposição:

“Assim o homem se deita e não se levanta; enquanto existirem os céus, não acordará, nem será despertado do seu sono. Que me encobrisses na sepultura e me ocultasses até que a tua ira se fosse, e me pusesses um prazo e depois te lembrasses de mim! Morrendo o homem, porventura tornará a viver? Todos os dias da minha luta esperaria, até que eu fosse substituído. Chamar-me-ias, e eu te responderia; terias saudades da obra de tuas mãos.” (Jó 14.12-15.)

O salmista Davi escreveu: “Alegra-se, pois, o meu coração, e o meu espírito exulta; até o meu corpo repousará seguro. Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção.” (Salmos 16.9-10.). Essa profecia foi aplicada diretamente a Jesus e citada novamente no livro de Atos para ratificar a ressurreição de Jesus:

“Por isso também em outro salmo diz: Não permitirás que o teu santo veja corrupção. Porque, na verdade, tendo Davi servido à sua própria geração, conforme o desígnio de Deus, adormeceu, foi para junto de seus pais e viu corrupção. Mas aquele a quem Deus ressuscitou nenhuma corrupção viu.” (Atos 13.35-37)

O profeta Isaías falou sobre os outros mortos e também sobre si mesmo ao dizer: “Os vossos mortos e também o meu cadáver viverão e ressuscitarão; despertai e exultai, os que habitais no pó, porque o teu orvalho será como o orvalho de vida, e a terra dará luz a seus mortos.” (Isaías 26.19.)

Vale de ossos secos

“Veio sobre mim a mão do Senhor, e ele me fez sair no Espírito do Senhor, e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos. E me fez passar em volta deles; e eis que eram mui numerosos sobre a face do vale, e eis que estavam sequíssimos. E me perguntou: Filho do homem, porventura viverão estes ossos? E eu disse: Senhor Deus, tu o sabes. Então me disse: Profetiza sobre estes ossos, e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor. Assim diz o Senhor Deus a estes ossos: Eis que farei entrar em vós o espírito, e vivereis. E porei tendões sobre vós e farei crescer carne sobre vós, e sobre vós estenderei pele, e porei em vós o espírito, e vivereis, e sabereis que eu sou o Senhor. Então profetizei como se me deu ordem. E houve um ruído, enquanto eu profetizava; e eis que se fez um rebuliço, e os ossos se achegaram, cada osso ao seu osso. E olhei, e eis que vieram nervos sobre eles, e cresceu a carne, e estendeu-se a pele sobre eles por cima; mas não havia neles espírito. E ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao espírito: Assim diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam. E profetizei como ele me deu ordem; então o espírito entrou neles, e viveram, e se puseram em pé, um exército grande em extremo. Então me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; nós mesmos estamos cortados. Portanto profetiza, e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu abrirei os vossos sepulcros, e vos farei subir das vossas sepulturas, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel. E sabereis que eu sou o Senhor, quando eu abrir os vossos sepulcros, e vos fizer subir das vossas sepulturas, ó povo meu. E porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos porei na vossa terra; e sabereis que eu, o Senhor, disse isto, e o fiz, diz o Senhor.” (Ezequiel 37.1-14.)

Esse texto tem o poder de acalentar nosso espírito quando enfrentamos uma situação difícil e, aparentemente, até impossível. O profeta foi levado a um vale cheio de ossos secos, sequíssimos e espalhados. Então, diante daquele quadro, o Senhor lhe perguntou se acaso poderiam reviver aqueles ossos. Ao que o profeta respondeu: “Senhor, tu sabes.”

Existem muitas ocasiões em que a melhor coisa que temos a fazer é dizer: “Senhor, tu sabes.” Havia um fato, uma situação real de desesperança. Havia um problema instalado e uma necessidade a ser suprida. Um monte de ossos ressequidos sobre os quais o Senhor ordenara ao profeta que profetizasse. Ezequiel deveria profetizar, ele deveria declarar a Palavra de Deus.

Apesar de ossos não terem aparelho auditivo, não poderem ouvir, enquanto ele profetizava, houve um ruído. Os ossos começaram a se mexer. O vento soprava ligando-os uns aos outros. Quando o Espírito de Deus age, acontece uma ligação, um mover poderoso. Então, vieram os tendões, e os ossos ficaram ligados. Veio a carne e a pele. Contudo, eles permaneciam no vale e eram ainda cadáveres. Não havia vida neles. E o Senhor mandou que ele profetizasse ao espírito, e este entrou naqueles corpos, fazendo-os reviver. Eles não ressuscitaram, e sim reviveram, porque eles haveriam de morrer novamente. Nas Sagradas Escrituras, a ressurreição sempre é mencionada como uma obra do Espírito Santo. E o Espírito e a Palavra sempre operam juntos para gerarem a vida sobrenatural. Maria recebeu a profecia do anjo e, obediente, permitiu que o Espírito Santo gerasse em seu ventre a semente de Deus, a pessoa de Jesus Cristo, o Salvador dos homens.

Seremos como anjos

Certo dia, alguns saduceus se aproximaram de Jesus e o interrogaram a respeito da ressurreição, falando sobre a conhecida história da mu- lher que se casara sete vezes. Naquela época, havia uma lei criada exatamente para preservar a herança e também o nome de uma pessoa. Se um rapaz se casasse e viesse a morrer sem ter gerado um filho, um irmão dele era obrigado a se casar com a cunhada para preservar a família. Era a chamada lei do levirato – Lei pela qual, quando morresse um israelita sem ter filho homem, o parente mais próximo deveria se casar com a viúva. O primeiro filho homem desse casamento era considerado o primogênito do primeiro marido e seu herdeiro (Deuteronômio 25.5-10.)

Na história dos saduceus, a moça se casara, e o marido morreu.

Então, o irmão mais velho na ordem teve de se casar com ela. Ele também morreu e não teve filho. E assim aconteceu com os outros. Por fim, a mulher morreu. Eles pensaram que poderiam confundir Jesus com esta situação e lhe perguntaram qual dos sete irmãos seria o seu esposo depois da ressurreição, já que todos a haviam desposado.

“Naquele dia, aproximaram-se dele alguns saduceus, que dizem não haver ressurreição, e lhe perguntaram: Mestre, Moisés disse: Se alguém morrer, não tendo filhos, seu irmão casará com a viúva e suscitará descendência ao falecido. Ora, havia entre nós sete irmãos. O primeiro, tendo casado, morreu e, não tendo descendência, deixou sua mulher a seu irmão; o mesmo sucedeu com o segundo, com o terceiro, até ao sétimo; depois de todos eles, morreu também a mulher. Portanto, na ressurreição, de qual dos sete será ela esposa? Porque todos a desposaram. Respondeu-lhes Jesus: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus. Porque, na ressurreição, nem casam, nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos no céu. E, quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó? Ele não é Deus de mortos, e sim de vivos. Ouvindo isto, as multidões se maravilhavam da sua doutrina.” (Mateus 2.23-3.)

Jesus foi muito enfático em mostrar a eles a doutrina. Nós também erramos sempre em função de duas coisas: por não conhecermos as Escrituras nem o poder de Deus. O Senhor disse, sobre o povo de Israel, pelo profeta Oséias: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos.” (Oséias 4.6.)

Este é basicamente o grande conflito existente até hoje. Há muitas pessoas que conhecem as Escrituras, mas negligenciam o poder de Deus. Existem outras que sabem muito da Bíblia, mas não crêem no poder do

Senhor em curar enfermos e libertar oprimidos. É preciso conhecer as Escrituras e também crer no poder de Deus.

A família constituída de marido, mulher e filhos é uma bênção que

Deus deu ao homem para desfrutar aqui na Terra, “porque, na ressurreição, nem casam, nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos no céu” (Mateus 2.30). Jesus complementou sua informação dizendo que, no céu, as pessoas serão “como anjos no céu” para que eles pudessem entender perfeitamente. Cada anjo é uma criação absoluta. Anjo não se reproduz. O número de anjos que existe hoje é o mesmo que existia no dia em que Deus os criou. Hoje existem aproximadamente cinco bilhões e meio de pessoas no mundo, mas Deus não os criou todos. Criou apenas um casal: Adão e Eva. Todos os outros estavam neles. Anjo não se reproduz porque anjo é assexuado. Um terço deles acompanhou Lúcifer. É como se existissem três bilhões de anjos e um bilhão desobedecesse. Quando saíram da presença de Deus, eles se endemoninharam, transformaram-se em anjos caídos.

Como todos nós estávamos de modo latente em Adão, quando ele pecou, todos nós também pecamos. Contudo, temos a Salvação porque Jesus, como o representante legítimo de toda a raça humana, se deu em sacrifício de cruz, como o Cordeiro de Deus, sem defeito. Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor (Colossenses 1.13). Jesus é o Salvador todo suficiente. Por isso é que o sangue de Jesus nos purifica de todo o pecado (1 João 1.7). Mas cada anjo é um ser exclusivo porque, para haver salvação para cada anjo, precisaria de um salvador para cada um. É um ponto que extrapola a nossa compreensão, ou seja, nós estamos ligados ao nosso corpo. O nosso espírito está ligado ao nosso corpo e o nosso corpo exige muitas coisas. Exige comida, para que ele tenha vida, exige afeto e se reproduz. Mas o anjo exclui do seu querer, da sua vontade, toda a matéria.

E Deus declarou não ser Deus de mortos e sim de vivos, ou seja,

Abraão, Isaque e Jacó, entre outros, estarão vivos. A nossa grande dificuldade é que, ao mesmo tempo em que a eternidade não é uma quantidade de tempo, ela é qualidade de vida. Ao mesmo tempo em que nós estamos aqui, estamos também na eternidade.

O tempo é apenas porque a Terra gira em torno do Sol. Se a Terra estivesse um pouquinho fora do eixo normal, ou um pouco mais distante, um dia talvez durasse um século. Dia e noite existe em função do lugar onde o planeta Terra está. A eternidade é algo completamente diferente, ela independe da posição de qualquer astro. A eternidade tem muito a ver com qualidade de dias, porque nossa vida com o Senhor será de total alegria. É como disse o salmista: “Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente.” (Salmos 16.1.) Foi por isso que Jesus disse que “Deus não é Deus de mortos, e sim de vivos; porque para ele todos vivem” (Lucas 20.38). Em outras palavras, para Deus não existem mortos. Somos salvos antes que o mundo existisse, ou seja, no plano eterno de Deus, nós já éramos salvos, porque Ele “nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado, no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Efésios 1.4-7).

Assim como as multidões se maravilhavam da doutrina de Jesus, é preciso que o mundo se maravilhe da nossa doutrina, que é a de Jesus. A doutrina da ressurreição é a doutrina da vida eterna, por isso devemos ficar cheios de alegria, de regozijo.

Veja outros textos bíblicos sobre ressurreição

“Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno. Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos conduzirem à justiça, como as estrelas, sempre e eternamente. Tu, porém, segue o teu caminho até ao fim; pois descansarás e, ao fim dos dias, te levantarás para receber a tua herança.” (Daniel 12.2-3,13.)

“E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia. De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia.” (João 6.39-40, 4, 54.)

“Eu os remirei do poder do inferno e os resgatarei da morte; onde estão, ó morte, as tuas pragas? Onde está, ó inferno, a tua destruição? Meus olhos não vêem em mim arrependimento algum.” (Oséias 13.14.)

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