Espécies recomendadas para a Arborização Urbana

Espécies recomendadas para a Arborização Urbana

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Espécies Recomendadas

A seleção das espécies deve considerar, necessariamente, os seguintes itens: capacidade de adaptação, sobrevivência e desenvolvimento no local do plantio, além de características como porte, tipo de copa, folhas, flores, ausência de frutos, hábito de crescimento das raízes, ausência de princípios tóxicos, adaptabilidade climática, resistência a pragas e doenças, tolerância a poluentes e a baixas condições de aeração do solo.

O programa de arborização deve estabelecer para cada rua ou padrão de rua a espécie e o porte de árvore a utilizar, indicando se o plantio será de um ou de ambos os lados da rua. Deve definir paisagisticamente se o plantio será regular, com uma única espécie por rua, intercalado por espécies diferentes a cada determinado número de quarteirões ou totalmente misto, dentro de padrões de porte aceitáveis.

Deve-se, por razões estéticas e também fitossanitárias, estabelecer o número de espécies a utilizar e a proporcionalidade de uso de cada espécie, em relação ao total de árvores a ser plantado, sendo que cada espécie não deve ultrapassar 10 a 15% da população total de árvores. Segundo a ISA (International Society of Arboriculture), é recomendável que a freqüência de uma única espécie não ultrapasse 15%.

Espécies a utilizar para redução da poluição Se o objetivo é utilizar espécies para o controle da poluição, em áreas centrais do município, então deve-se utilizar uma composição de espécies resistentes à poluição e que ao mesmo tempo reunam características morfológicas adaptadas para esta função, pois as folhas das árvores podem absorver gases poluentes e prender partículas sobre sua superfície, especialmente se estas forem pilosas, cerosas ou espinhosas. A seguir, apresenta-se tabelas com a denominação de espécies indicadas para a redução da poluição: Pequeno Porte com Folhagem Permanente:

Nome comum Nome científico Sistema radicular

Quaresmeira Tibouchina granulosa Pivotante Quaresmeira Tibouchina sellowiana Pivotante Chal-chal Allophyllus edulis Pivotante Araçá Pisidium cattleyanum Pivotante Chuva-de-ouro Cassia multijuga Pivotante

Médio Porte com Folhagem Semicaduca:

Nome comum Nome científico Sistema radicular Guabiroba-de-folha-miúda Campomanesia rhombea Fasciculado Cocão Erythroxylum argentinum Fasciculado Manaça-da-serra Tibouchina mutabilis Pivotante Tarumã-preta Vitex montevidensis Pivotante Goiabeira-da-serra Brittoa guazumifolia Pivotante

Médio Porte com Folhagem Permanente:

Nome comum Nome científico Sistema radicular Goiabeira Psidium guajava Pivotante Sibipiruna Caesalpinia peltophoroides Pivotante

Grande Porte com Folhagem Semicaduca:

Nome comum Nome científico Sistema radicular Guabiroba Campomanesia xanthocarpa Fasciculado Camboatá vermelho Cupania vernalis Pivotante Maria preta Diospyrus inconstans Fasciculado Camboatá branco Matayba elesgnoides Fasciculado

Grande Porte com Folhagem Permanente:

Nome comum Nome científico Sistema radicular Guajuvira Patagonula americana Pivotante

Aguaí Pouteria gardneriana Pivotante Aguaí-folha-de-salso Pouteria salicifolia Pivotante Catiguá Trichilia clauseni Pivotante Açoita-cavalo Luehea divaricata Fasciculado Louro-preto Chordia ecalyculata Pivotante Louro Chordia trychotoma Pivotante Caroba Jacaranda micrantha Fasciculado

Espécies a utilizar em estacionamentos Se o objetivo é arborizar locais de estacionamento de veículos, deve-se utilizar espécies que proporcionem sombra, mas que não tenham frutos grandes, que possam causar danos aos veículos, folhas caducas de grande tamanho e outras características que dificultem o trânsito dos veículos. Para estacionamentos, são indicadas as espécies abaixo:

Nome comum Nome científico Persistência Foliar Açoita-cavalo Luehea divaricata Caducifólia Aleluia Senna multijuga Caducifólia Angelim-bravo Lonchocarpus campstris Caducifólia Angico-vermelho Parapiptadenia rigida Semicaducifólia Aroeira-pririquita Schinus molle Perenifólia Bartimão Cassia leptophylla Perenifólia Camboatá-vermelho Cupania vernalis Perenifólia Canafistula Peltophorum dubium Perenifólia Canela-amarela Nectranda rigida Caducifólia Canela-do-brejo Machaerium stipitatum Perenifólia Canela-ferrugem Nectranda rigida Caducifólia Capororoca Rapanea umbellata Perenifólia Carne-de-vaca Styrax leprosus Perenifólia Carvalho-brasileiro Roupala brasiliensis Caducifólia Catiguá Trichilia clausenii Perenifólia Cedro Cedrella fissis Caducifólia Corticeira-da-serra Erytrhrina falcata Caducifólia Grápia Apuleia leiocarpa Caducifólia Guajuvira Pataonula americana Caducifólia Inga-feijão Inga marginata Perenifólia Inga-macaco Inga sessilis Perenifólia Ingazeiro Lonchocarpus sericeus Perenifólia Marmeleiro-do-mato Ruprechtia laxiflora Caducifólia Pau-brasil Caesalpinia echinata Perenifólia Pau-ferro Caesalpinia ferrea Caducifólia Quaresmeira Tibouchina granulosa Perenifólia Rabo-de-bugio Lonchocarpus muehlbergianus Perenifólia Sibipiruna Caesalpinia peltophoroides Perenifólia Timbó Ateleia glazioveana Perenifólia

Espécies a utilizar em canteiros centrais Na arborização de canteiros centrais pode-se utilizar espécies de grande porte, se o canteiro tiver grandes dimensões (mais de 4 metros de largura), ou então espécies colunares, como as palmeiras. Estas últimas se apresentam de forma adequada para este fim, além de servirem como referência aos condutores de automóveis. Sempre que possível, deve-se utilizar espécies nativas, mas se estas não estiverem disponíveis, pode-se utilizar espécies exóticas adaptadas.

Parâmetros para Implantação de Arborização em Canteiros Centrais: Largura da Rede Aérea (metros) Porte Sistema Radicular

2,0 sem pequeno pivotante 2,0 com pequeno pivotante 2,0 - 3,0 sem pequeno, médio, grande pivotante 2,0 - 3,0 com pequeno pivotante 3,0 - 4,0 sem pequeno pivotante/fasciculado* 3,0 - 4,0 com pequeno pivotante 4,0 sem Pequeno, médio, grande pivotante/fasciculado 4,0 com Pequeno, médio, grande pivotante/fasciculado

* - Quando se tratar de palmeiras Palmeiras para uso em Arborização:

Nome comum Nome científico Local de plantio

Palmeira-real-da-Austrália Archantophoenix cunninghamiana

Calçadas e/ou Canteiros Centrais

Butiazeiro Butia capiata Calçadas e/ou Canteiros Centrais

Cariota Caryota urens Calçadas e/ou Canteiros Centrais

Palmiteiro Euterpe edulis Calçadas e/ou Canteiros Centrais

Neodipsis Neodypsis decaryi Calçadas e/ou Canteiros Centrais

Tamareira-das-canárias Phoenix canariensis Calçadas e/ou Canteiros Centrais

Tamareira Phoenix dactylifera Calçadas e/ou Canteiros Centrais

Robeline Phoenix roebelinii Calçadas e/ou Canteiros Centrais

Palmeira imperial Roystonea oleracea Calçadas e/ou Canteiros Centrais

Sabal Sabal palmetto Calçadas e/ou Canteiros Centrais

Gerivá Syagrus romanzoffianum Calçadas e/ou Canteiros Centrais

Palmeira cabeluda Trachycarpus fortunei Calçadas e/ou Canteiros Centrais

Buriti-palito Trithrinax brasiliensis Calçadas e/ou Canteiros Centrais

Palmeira-da-califórnia Washingtonia robusta Calçadas e/ou Canteiros Centrais

Palmeira-da-califórnia Washingtonia filifera Calçadas e/ou Canteiros Centrais

Espécies a utilizar em corredores de fauna

As ruas e avenidas da cidade podem formar corredores para o deslocamento da avifauna construídos por meio do emprego de espécies nativas que produzam frutos e constituam abrigo para a aves na cidade. Tais corredores devem ter ocorrência na área de mata e viceversa. As espécies utilizadas devem produzir frutos e sementes em diferentes épocas do ano, de forma a proporcionar alimentação permanentemente disponível no corredor. Além disso, é fundamental que o logradouro permita não apenas a aplicação de espécies variadas, mas também que cada uma possa contribuir com expressivo número de indivíduos. É necessária uma grande quantidade de frutos de uma mesma espécie para que o corredor seja efetivamente atrativo.

Espécies frutíferas Nativas mais Procuradas pela Aves:

Nome popular Nome científico N o de espécies de aves que procuram seus frutos ou sementes

Grandiúva Trema michantha 14 Canela Aiourea saligna 08 Chá-de-bugre Casearia sylvestris 08 Figueira-da-folha-graúda Ficus enormis 08 Chal-chal Allophylus edulis 07 Aroeira-vermelha Shinus terebinthifolius 07 Manica-de-cadela Zanthoxylum rhoifolium 07 Embaúba Cercopia catarinensis 06 Tarumã-do-banhado Citharexylum myrianthum 06 Figueira Ficus pertusa 06 Leiteiro Sapium glandulatum 06 Camboatá-vermelho Cupania vernalis 05 Cerejeira Eugenia inolucrata 05 Guabiju Myrcianthes pungens 05 Tarumã-preta Vitex megapotamica 05

Fonte: SANCHOTENE (1985). Tabela composta através de revisão de literatura e informações pessoais de estudiosos da avifauna.

Espécies que não se deve usar Deve-se evitar a utilização de algumas espécies por diversas razões. Em alguns casos, pode-se ter uma alta freqüência de indivíduos de uma mesma espécie, o que é indício para o aparecimento de doenças.

Nas cidades gaúchas, é muito comum a alta freqüência das espécies Ligustro (Ligustrum japonicum) e extremosa (Lagostroemia indica). Se este for o caso, deve-se evitar o uso destas espécies, dando-se preferência às espécies nativas, ficando a critério do técnico responsável a decisão quanto à sua utilização.

Outro caso é a elevada afinidade de certas espécies com hemi-parasitas, como as ervas-depassarinho. Neste caso, deve-se evitar o uso da uva-do-japão (Hovenia dulcis) e controlar o uso da Tipuana (Tipuana tipu).

Outras espécies, como Perna-de-moça (Brachychyton populneum), apresentam problemas de estabilidade em calçadas.

Outras razões são aquelas mais obvias, como não utilizar espécies frutíferas que apresentam grandes frutos próximo a locais de estacionamentos, espécies caducifólias que apresentam grandes folhas próximo a locais de drenagem superficial, como calhas e bueiros, espécies que apresentam raízes superficiais, notadamente conhecidas como do gênero Ficus, em logradouros que apresentam pouco espaço etc.

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