Cultivo do pinheiro

Cultivo do pinheiro

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Cultivo do pinheiro-do-paraná

Taxonomia

De acordo comçã Sistema de classificação de Engler, a taxonomia de Araucaria angustifoliaçãbedece à seguinte hierarquia:

Classe Coniferopsida

Ordem Coniferae

Família Araucariaceae

Espécie

Araucaria angustifolia (Bertoloni)çãtto Kuntze, Revisio Generum Plantarum 3(2):375, 1898.

Sinonímia botânica

Araucaria brasiliana Richard; Araucaria brasiliensis London; Colymbea angustifolia Bertoloni; Pinus dioica Vellozo

Nomes vulgares no Brasil

Paraná, Santa Catarina e São Paulo: araucária, pinheiro-araucária e pinheiro-caiová São Paulo: cori; curi Rio de Janeiro: curiúva; pinhão e pinheiro-chorão Paraná: pinheiro Rio de Janeiro; pinheiro,

Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo: pinheiro-branco; pinheirobrasileiro,

Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo; pinheiro-cajuva; pinheiro-elegante; pinheiro-macaco,

Paraná e Santa Catarina: pinheiro-macho-fêmea; pinheiro-das-missões; pinheiro-deponta-branca; pinheiro-preto; pinheiro-rajado; pinheiro-são-josé; pinho,

Rio Grande do Sul: pinho-brasileiro e pinho-do-paraná.

Nomes vulgares no exterior kuri'y, no Paraguai e pino parana, na Argentina. Comercialmente é conhecido por parana pine.

Etimologia

Araucaria, deriva de Arauco, região do Chile, donde procede a espécie tipo; angustifolia, do latim angustus, estreito, pontudo e folium, folha (Reitz & Klein, 1966).

Descrição das espécies

Forma

Árvore perenifólia, de aspectoçãriginal e contrastante com as demais árvores do Sul do Brasil, com 10 a 35 m de altura e 50 a 120 cm de DAP, atingindo excepcionalmente 50 m de altura e 250 cmçãu mais de DAP, na idade adulta.

Tronco Reto, colunar e quase cilíndrico. Fuste com até 20 mçãu mais de comprimento.

Ramificação

Em pseudo-verticilos, muito típica. Copa alta, estratificada e múltipla, caliciformeçãu em forma de taça, nas árvores mais velhas e cônica nas mais jovens.

Casca

Grossa com espessura de até 10 cm, nas árvores adultas (Castiglioni, 1975). Casca externa de cor marrom-arroxeada, persistente, áspera, rugosa, desprendendo-se em lâmina na parte superior do fuste. A casca interna é resinosa, esbranquiçada, com tons róseos.

Folhas

Simples, alternas, espiraladas, lineares a lanceoladas, coriáceas, com até 6 cm de comprimento por 10 m de largura.

Flores

Dióicas; as masculinas, em amento cilíndrico alongado de 10 a 2 cm de comprimento, por 2 a 5 cm de diâmetro, com escamas coriáceas. Flores femininas em estróbilo (chamado de pinha)çãu cone subarredondado.

Fruto

Pseudofrutos reunidos em estróbilo femininoçãu pinha (ovário), com 10 a 25 cm de diâmetro, composto de 700 a 1.200 escamas, com número variável de sementes (cinco a

150) e com até 4.700 g de peso. As pinhas são encontradas nos galhos, entre uma a duas em cada ramo. Contudo,çã maior número de pinhas num galho, foi de quatorze (Mattos, 1972).

Sementes

As sementes têmçãrigem nas brácteas do amentilho feminino, desenvolvendo-se a partir de óvulos nus, geralmente com tegumento duro e endosperma abundante. Elas são carnosas, conhecidas como pinhões, tendo 3 a 8 cm de comprimento, por 1 a 2,5 cm de largura e peso médio de 8,7 g,çãbovada-oblonga, com ápice terminando com um espinho achatado, e curvo para a base. A amêndoa brancaçãu róseo-clara é rica em reservas energéticas, principalmente amido (54,7%) e também possui nível relativamente alto de aminoácidos; no centro, encontra-seçã embrião comçãs cotilédones, que são retos e constituem 5/6 do comprimento do embrião.

Biologia reprodutiva e Fenologia

Sistema sexual

Planta dióica, raramente planta monóica, por traumaçãu doenças. Esta espécie apresenta suas estruturas reprodutorasçãrganizadas em estróbilos masculinos e femininos. Geralmente, há maior percentagem de pinheiros de sexo masculino que pinheiros do sexo feminino, por área considerada. Levantamentos em povoamentos naturais não desbastados revelaram uma proporção estatisticamente significativa de 52,4% a 5,2% de árvores masculinas para 4,8% a 47,6% de árvores femininas (Bandel & Gurgel, 1967; Mattos, 1972). A proporcionalidade dos sexos desta espécie em povoamentos plantados, nãoçãbedece a relação 1:1, havendo maiorçãcorrência de árvores masculinas (Pinto, 1982).

Sistema reprodutivo A dioicia do pinheiro-do-paraná jáçã identifica como espécie alógama.

Vetor de polinização

O pinheiro-do-paraná é polinizado principalmente pelo vento.çã amadurecimento do pólen e a subseqüente polinização efetuam-se de agosto açãutubro, no sul do Brasil e deçãutubro a dezembro, em Minas Gerais (Shimoya, 1962).çã estróbilo masculino, nesta fase, passa da cor verde para acastanhado. Normalmente, dois anos após a polinização, as pinhas ficam maduras. Porém,çã ciclo evolutivo completo do pinheirodo-paraná, do carpelo primordial à semente, dá-se num período de quatro anos, aproximadamente (Shimoya, 1962). A ave conhecida por grimpeirinho (Leptasthenura setaria) também age como polinizador, transportando pólen de um pinheiro paraçãçãutro, durante a procura de alimento entre as folhas das árvores (Boçon, 1995).

Floração Estróbilo masculino, de agosto a janeiro, e estróbilo feminino visívelçã ano todo.

Frutificação

As pinhas amadurecem desde fevereiro até dezembro, conforme as diversas variedades. As sementes (pinhões) são encontradas no Brasil, de março a setembro, no Paraná (a época principal é de abril a junho); de abril a julho, em São Paulo e em Santa Catarina, e de abril a agosto, no Rio Grande do Sul. Quando plantado, árvores isoladas iniciam a produção de sementes entre dez e quinze anos, porém, em povoamentos, a produção de sementes dá-se a partir de 20 anos. Em Cascavel - PR, parcelas pequenas apresentaram sementes e plântulas de árvores na bordadura já a partir deçãnze anos, após plantio. Há grande diferença individual quanto à idade de floração do pinheiro-do-paraná. Em um povoamento de 26 anos de idade já desbastado, 54,7% das árvores não se encontravam em floração. A espécie apresenta ciclos de produção, com anos de contra-safra após doisçãu três anos consecutivos de alta produção de sementes. A frutificação é anual e a abundância, em cada ano, varia entre locais.çã pinheiro-do-paraná leva mais de 200 anos em produção (Mattos, 1972). Em termos médio, um pinheiro produz 40 pinhas por árvore, chegando a atingir individualmente até 200 pinhas.

Dispersão de frutos e sementes

Geralmente é apenas por autocoria, principalmente barocórica, limitada (60 a 80 m) à vizinhança da árvore-mãe, devido ao peso das sementes. Algumas vezes é zoocórica, feita por aves e roedores. Entreçãs roedores, citam-se:camundongos, pacas, cutias,çãuriços e esquilos (Kuhlmann & Kuhn, 1947; Müller, 1990; Alberts, 1992). A cutia (Dasyprocta azarae), como grande apreciadora que é do pinhão e pelo costume que tem de enterrar as sementes, para comê-las depois, talvez seja, graças a este comportamento, uma das disseminadoras mais importantes do pinheiro (Carvalho,

1950). É tradição no Sul do Brasil, principalmente no Paraná, considerar a gralha-azul (Cyanocorax caeruleus) comoçã principal dispersor do pinheiro-do-paraná. Porém, ela raramente desce ao solo, vivendoçã tempo todo no alto das árvores, na floresta. Quem escondeçã pinhão no chão, para possivelmente vir buscá-lo mais tarde, é a gralha- picaçaçãu gralha-amarela, Cyanocorax chrysops (Anjos, 199-).çãutra ave que atua como dispersora do pinheiro-do-paraná éçã papagaio-de-peito-roxo, Amazona vinacea

Na Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais, entreçãs principais dispersores desta espécie podem ser mencionadosçãs aiurus,çãs tucanos, as tiribas eçãs macacos (Bustamante, 1948).çã homem, que também utilizaçã pinhão na sua alimentação, pode, em certos casos, funcionar como agente dispersor (Monteiro & Speltz, 1980). A relação do pinheiro comçã homem, comçãs animais da floresta, com a paisagem, comçãs fenômenos naturais e tantosçãutros aspectos, motivou a existência de muitas lendas e estórias sobre essa planta fantástica (Sanquetta & Tetto, 2000).

Ocorrência natural

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