Cultivo da Ameixeira

Cultivo da Ameixeira

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Cultivo da Ameixeira

Introdução

Os primeiros escritos sobre a ameixeira datam dos anos 23 a 79 da era cristã. A teoria mais racional é a que supõe que o centro-oeste da Ásia foi o local de origem das plantas de ameixeira que desenvolveram-se nas primeiras variedades cultivadas, principalmente, porque ainda hoje, existem abundância de ameixeiras e seus moradores nativos comercializam ameixas secas, as quais são muito apreciadas.

Muitos botânicos indicam ser a ameixeira o núcleo central de divergência do gênero Prunus, que por sucessivas variações originou as diferentes frutas da família das Rosáceas.

Duas espécies principais abrangem a maiorias das cultivares atualmente existentes. Uma dessas é denominada Prunus doméstica (L.) e a outra é Prunus salicina Lindl.

Vários botânicos acreditam que Prunus doméstica L., vulgarmente conhecida como ameixeira européia, teve origem em uma região compreendida entre o sul do Cáucaso e o norte da Pérsia. Por ser cultivada há mais de 2.0 anos, é difícil determinar o local exato onde originou-se esta espécie. São árvores de forma piramidal que podem atingir até 12 metros de altura. Apresentam raízes compridas e pouco profundas. O tronco pode apresentar até 40 cm de diâmetro. Apresenta uma ou duas flores em cada gema, com pedicelo de 1 cm de comprimento, pétalas brancas ou branco-esverdeadas, ovaladas. As frutas têm forma, tamanho, cor e sabor variáveis segundo a variedade e a película é coberta por pruina azulada.

Acredita-se que a espécie Prunus salicina Lindl seja originária da China, embora conhecida como ameixeira japonesa. São árvores que podem atingir de 6 a 10 metros de altura, com troncos medianamente grossos. Os ramos são abertos e compridos. Apresenta três ou mais gemas pequenas por nó. Os brotos são glabros. As folhas têm de 6 a 15 cm de comprimento, com forma oblongo-ovalada ou oblongo-elíptica, glabras. O pecíolo pode ter de 1 a 2 cm de comprimento. Apresentam, normalmente, três flores por gema, podendo chegar a 4 ou 5. As pétalas são brancas, ovaladas e os estames em número de aproximadamente 25. Produzem frutas de diversos tamanhos e formas, com película fina, adstringente e com pouca pruina, apresentando várias colorações entre amarelo e vermelho, mas nunca azulada. A polpa é firme, de cor amarela, vermelha ou roxa, fibrosa, doce e aromática.

A ameixeira é uma das plantas frutíferas que mais se difundiu pelo mundo, sendo cultivada em várias condições climáticas devido às varias espécies existentes e ao resultado de hibridações ocorridas ao longo do desenvolvimento da cultura. Pode-se dizer que a ameixeira espalha-se por todo o Hemisfério Norte, com exceção de zonas onde o elevado calor dos trópicos ou extremo frio da zona polar são obstáculos ao seu desenvolvimento.

Condições Edafoclimáticas

O sucesso na exploração de um pomar de ameixeira depende muito de sua localização. A escolha de local impróprio é um erro sério, que, geralmente, não pode ser corrigido sem grandes perdas. A instalação requer um cuidadoso exame da infra-estrutura existente e das condições ambientais. Entre as condições ambientais, o clima e o solo são fatores determinantes.

Condições de Clima

A ameixa geralmente atinge melhor qualidade em áreas onde as temperaturas, no verão (principalmente próximo à safra), são relativamente altas durante o dia e amenas no período noturno. Secas prolongadas durante o plantio e antes da colheita trazem considerável prejuízo à cultura. Ventos fortes também são, prejudiciais pois causam danos mecânicos, dilacerando as folhas e contribuindo para a propagação de doenças, principalmente bacterianas. Recomenda-se a utilização de quebra-ventos, instalando-os perpendicularmente, às direções de maior predominância dos ventos. Deve-se deixar uma distância das primeiras plantas, para evitar sombreamento, quando o mesmo for instalado na posição Norte.

O frio é classificado como o parâmetro de maior importância, tanto para eliminar a dormência, como após a floração. Quando as necessidades de frio não são satisfeitas, ocorre florescimento e brotação desuniformes e insuficientes, conduzindo a planta a um fenômeno conhecido por "erratismo". A quantidade de frio é muito variável entre as cultivares, havendo as que necessitam em torno de 200 horas, enquanto outras precisam até 1500 ou mais horas de frio hibernal. De modo geral, as cultivares de ameixeira do tipo européia (Prunus domestica) necessitam mais frio hibernal do que as cultivares japonesas (Prunus salicina). Para as condições do Sul do Brasil, o tratamento recomendado para compensar a falta parcial de frio hibernal consiste no uso de cianamida hidrogenada (0,25 ou 0,50 %), óleo mineral a 1,0 % (saturação >90 %) utilizando, como veículo, água limpa, até formar volume total de 100 litros.

Dos fenômenos climáticos que causam danos à produção merecem destaque as geadas, os ventos fortes e as secas. O controle das geadas consiste em reduzir a concentração do frio na área a ser protegida, existindo vários métodos que vêm sendo empregados como, nebulização, aquecimento, ventilação e irrigação das plantas por aspersão.

O efeito de ventos é indireto: induz o fechamento dos estômatos, reduzindo a atividade fotossintética e o crescimento, além de poder causar estresse hídrico pelo aumento da demanda evaporativa. Em caso de ocorrência de estresse hídrico, pode ocorrer redução na produção. Além disso,causa prejuízo na produção do ano seguinte, influindo na diferenciação floral. A ameixeira necessita de cerca de 600 m de água para completar o ciclo.

Condições de Solo

Em relação ao solo, a ameixeira desenvolve-se bem nos profundos, permeáveis e bem drenados. As raízes precisam de boa aeração para realizarem, adequadamente, as atividades metabólicas. Por essa razão, boa drenagem é um dos principais aspectos a ser considerado ao escolher-se a área para instalação do pomar. Solos que possibilitam o crescimento das raízes até um metro de profundidade, proporcionam a formação de árvores maiores, mais produtivas e de maior longevidade. O pH favorável situa-se ao redor de 6,0. Entretanto, a ameixeira também cresce em solos com variações nesses parâmetros de profundidade e acidez, dentro de faixa limite dos valores ótimos referidos.

É importante selecionar um local com elevação e bem exposto ao sol. Áreas onduladas ou encostas com declive não muito acentuado são as mais convenientes. As margens dos arroios e rios, o fundo dos vales e áreas baixas, por estarem sujeitos a geadas, são desaconselháveis. É necessário que o ar frio seja drenado para áreas localizadas em níveis mais baixos. As últimas fileiras de árvores não devem ser plantadas a menos de 20 metros de desnível da base da elevação. Uma diferença de nível de 50 a 100 metros pode significar uma variação de 2° a 6°C.

Adubagem e Calagem

No Brasil, a ameixeira é plantada desde o sul de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, ocupando uma grande diversidade de solos, os quais apresentam variações quanto à textura, profundidade, fertilidade e acidez. Em comum, têm uma elevada acidez, elevados teores de elementos tóxicos, principalmente alumínio e manganês e baixa fertilidade natural. Por isso, a calagem e a adubação são práticas indispensáveis que, em conjunto com outras possibilita altas produtividades.

Quando as informações sobre a necessidade e quantidade de fertilizantes e de corretivos não estão à disposição dos produtores, cria-se um clima de insegurança, passando estas práticas a serem efetuadas mais por especulação e por interesses comerciais do que por embasamento técnico.

Convém lembrar que o melhor método de diagnose e de recomendação de adubação e de corretivos é aquele que prevê o uso desses insumos somente quando existe uma expectativa de resposta econômica.

Amostragem do Solo

A coleta de amostras representativas é fundamental para a correta avaliação das necessidades de corretivo da acidez do solo e de fertilizantes. Para a sua obtenção, é necessária a coleta de várias subamostras, em diversos pontos de uma mesma área.

O primeiro passo para realiar a amostragem do solo consiste em dividir a área em porções aparentemente homogêneas, considerando-se o tipo, a topografia, a textura, a cor, o grau de erosão, a profundidade, a cobertura vegetal, a drenagem, entre outros aspectos. No entanto, se uma área for homogênea quanto a todos os fatores acima citados, existindo, no entanto, uma porção já adubada ou que já tenha recebido calcário, esta deverá ser amostrada em separado. A área abrangida por cada amostra é função da homogeneidade do solo. Normalmente, o número de subamostras é de 10 a 15.

Na tomada de amostra pelo sistema de amostragem composta, cada área deve ser percorrida, em ziguezague, coletando-se, ao acaso, as subamostras, que após são reunidas. Após homogeneizada, retira-se cerca de 500g de solo para ser enviada ao laboratório. Os procedimentos de amostragem do solo são os recomendados pela Comissão de Fertilidade do Solo RS/SC.

As amostras de solo podem ser coletadas em qualquer época do ano. No entanto, para que o produtor disponha dos resultados de análise e de recomendação de adubação e de calcário em tempo hábil, a coleta deverá ser realizada, no mínimo, quatro meses antes do plantio das mudas, ou antes do início do período de dormência, quando se tratar de nova calagem em pomares já instalados.

Em pomares instalados, deve-se amostrar a camada arável do solo, ou seja, de 17 a 20 cm de profundidade, já que nesta porção de solo é que se concentram a maioria das raízes absorventes da ameixeira. Entretanto, para pomares a serem implantados, as amostras devem ser tomadas em duas profundidades, isto é, de 0 a 20 cm e separadamente de 20 a 40 cm de profundidade.

Recomendação de Calagem

Para a ameixeira, assim como para a maioria das culturas, a calagem visa elevar o pH em água para 6,0, o que neutraliza ou reduz os efeitos danosos do alumínio e/ou do manganês e proporciona melhores condições de absorção de alguns nutrientes essenciais, como o fósforo, por exemplo.

Na implantação do pomar, o produtor tem a melhor oportunidade, se não a única, de melhorar as características químicas do solo mediante uma boa incorporação de corretivos de acidez e de fertilizantes, em face da distribuição do sistema radicular e das características de perenidade das plantas. Medidas corretivas em pomares plantados são difíceis por serem onerosas e de efeitos muito lentos, quando possíveis.

A aplicação do calcário na cova não é recomendável, pela pequena fração de solo que é beneficiada.

A quantidade de corretivo a aplicar é estimada por meio da análise de solo. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, utiliza-se o método SMP, para estimar a necessidade de calcário para elevar o pH em água do solo até 6,0.

A elevação do pH do solo ao valor desejado depende, entre outros fatores, da quantidade de corretivo aplicada, da sua mistura com o solo, do seu teor de umidade, do tempo de contato do corretivo com o solo e da granulometria do mesmo.

O efeito da calagem na correção da acidez atinge o ponto máximo, em geral, em três a doze meses após a aplicação do calcário. Após quatro a seis anos, o pH começa a diminuir. Assim, novas aplicações de calcário devem ser feitas após esse período, mediante nova análise. Se a amostragem do solo for realizada após um a dois anos da aplicação do calcário, a recomendação de nova calagem, pelo método SMP, pode não ser válida com base nessa amostra, pelo fato de que a fração mais grosseira do corretivo pode estar ainda reagindo com o solo. No caso de ser aplicada, inicialmente, somente uma fração da dose recomendada, deve-se ter o cuidado para que a soma das doses parciais não ultrapasse a recomendação inicial, no período de quatro a seis anos.

Vários materiais podem ser usados como corretivos da acidez dos solos. No entanto, o mais comum é o uso da rocha calcária moída, conhecido como calcário agrícola.

Tendo em vista a grande variação na qualidade dos corretivos da acidez dos solos existentes no mercado, na sua escolha deve-se considerar tanto o seu PRNT (Poder Relativo de Neutralização Total), como o seu frete até a propriedade. Assim, ao se adquirir um calcário deve-se considerar o custo do produto por unidade de PRNT, posto na propriedade. O poder relativo de neutralização total (PRNT) é uma medida da qualidade dos corretivos, o qual é avaliado pelo valor de neutralização e pelo tamanho das partículas. Assim, quanto maior o PRNT, melhor a qualidade do calcário e, conseqüentemente, mais rápida é a sua reação no solo. Como as recomendações de calagem são baseadas em PRNT 100%, a dose a ser aplicada deve ser corrigida com base no PRNT do material disponível, do seguinte modo:

Quantidade a ser aplicada (t ha-1) = recom. de calcário (t ha-1) x 100/PRNT do calcário

Com referência à qualidade dos corretivos, além do PRNT, deve-se, também, considerar o teor de magnésio do material, já que os solos onde a ameixeira é cultivada no Brasil são normalmente pobres nesse nutriente. Por isso, deve-se dar preferência aos materiais que contenham magnésio, como é o caso dos calcários dolomíticos. De acordo com a legislação brasileira, os calcários que contenham até 5% de MgO são denominados calcíticos; os que apresentam entre 5 a 12% são denominados de magnesianos; e, quando o teor de óxido de magnésio for superior a 12%, são chamados de dolomíticos.

Além do calcário agrícola, outros produtos podem ser utilizados como corretivos da acidez dos solos, como: cal virgem, cal apagada, calcário calcinado, conchas marinhas moídas, cinzas etc..

Para que se obtenham os efeitos esperados, o calcário deve ser aplicado, no mínimo três meses antes do plantio das mudas. Quando se tratar de nova calagem em pomares já instalados, esta deverá ser feita no meio do outono.

Quando for feita a correção da acidez de toda a área, o calcário deve ser distribuído uniformemente, dando-se preferência aos implementos que aplicam o produto próximo à superfície do solo. Deve ser evitada a aplicação de corretivos, principalmente aqueles com PRNT elevado, em dias com vento.

Quando a recomendação for superior a 5 t ha-1 deve-se aplicar a metade da dose, a seguir lavrar, aplicar o restante, lavrar e gradear. Para quantidades inferiores a esta dose, uma boa incorporação tem sido obtida com uma gradagem seguida de aração e outra gradagem. Para ambas as situações acima expostas se conseguirá uma incorporação homogênea do calcário na profundidade desejada.

Recomendações de Adubação Fosfatada e Potássica de Pré-Plantio

Antes da instalação do pomar de ameixeira, a análise de solo é o único método de diagnose para se estimar as necessidades de fósforo (P) e de potássio (K). As quantidades exigidas de P e K são determinadas na mesma amostra de solo usada para se estimar a necessidade de corretivos da acidez e constam na Tabela 1. Em pomares com menos de cinco metros de distância entre as linhas de plantio, os adubos devem ser espalhados em toda a superfície. No entanto, onde essa distância for superior a cinco metros e não houver interesse em se estabelecer cultura intercalar, a adubação poderá ser executada somente numa faixa de três metros de largura ao longo da linha de plantio.

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