Teoria Lexical

Teoria Lexical

(Parte 1 de 10)

Margarida

Basílio

Doutora em Lingüística pela Universidade do Texas

Professora da

Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

e da Universidade Federal do Rio de Janeiro

TEORIA

LEXICAL

Direção

Benjamin Abdala Júnior

Samira Youssef Campedelli

Preparação de texto

Renato Nicolai

Arte

Coordenação e

projeto gráfico (miolo)

António do Amaral Rocha

Arte-final

René Etiene Ardanuy

Elaine Regina de Oliveira

Capa

Ary Normanha

António U. Domiencio

ISBN 85 08 015178

1987

Todos os direitos reservados

Editora Atica S.A. — Rua Barão de Iguape, 110

Tel.: (PABX) 278-9322 — Caixa Postal 8656

End. Telegráfico "Bomlivro" — São Paulo

Sumário

1. Por que formação de palavras?_____________________________________5

O mistério das combinações, 6; Mudança de classe, 7;

Acréscimo semântico, 8; Aquisição do léxico, 9;

2. A palavra e sua estrutura_________________________________________11

O conceito de palavra, 11; Estrutura da palavra, 12;

Elementos constitutivos, 13; Estruturação, 13.

3. Abordagem gramatical, abordagem estrutural e abordagem gerativa ______ 15

As gramáticas normativas, 15; O aspecto diacrônico, 16;

Abordagem estruturalista, 17; Abordagem gerativa, 18.

4. O desafio primário do léxico: formas regulares e formas estratificadas_____ 20

Estrutura morfológica e evolução semântica, 20; Extensões de sentido, 21; Função denominadora, 23; Definição do problema, 23; O círculo vicioso, 24; O impossível acontece, 25.

5. Processos gerais de formação_____________________________________26

Diferença de função, 27; Derivação, 28; Composição, 29; Função de denominação, 31; Combinações constantes, 33; Composição de bases presas, 34.

6. Outros processos de formação____________________________________36

Derivação regressiva, 36; Derivação regressiva e abreviação, 37; Derivações regressivas deverbais, 38; A questão morfológica, 39; A questão semântica, 40;

Proposta de análise, 41; Derivação parassintética, 43;

Definição operacional, 44; Outras possibilidades, 45;

Derivações parassintéticas em -ado, 46; O fator semântico, 47

7. Formação de palavras e classes de palavras _________________________48

Classes de palavras, 49; Os três critérios, 49; O critério semântico, 50; O critério morfológico, 52; O critério sintático, 52; A conjunção dos critérios, 54; Um pouco de formalização, 55; Um exemplo concreto, 57

8. Derivação imprópria_____________________________________________60

Casos de conversão, 60; Adjetivo e substantivo, 61;

Verbo e substantivo, 63; Advérbio e adjetivo, 63

9. Função sintética, função semântica e função discursiva________________ 65

Colocação do problema, 65; Os dois blocos fundamentais, 66; Casos de função semântica, 67; Função semântica e mudança de classe, .69; Verbos a partir de adjetivos, 69; Função do processo, 70; Nomes de agente, 71; Mudança de classe com função sintática, 72; Função sintática da nominalização, 73; Funções discursivas, 73; Função de atitude subjetiva, 74; Função textual, 75; Função da estrutura do texto, 76; Processo de função mista, 78; Nominalização, 79; Nomes de agente, 79;

Considerações finais, 80

10. Formação de palavras na língua escrita e na língua falada_____________81

Língua escrita e língua falada, 81; Diferença em geral, 82; Diferenças lexicais, 83; Processos de formação, 83; O fator emocional, 83; Expressão morfológica do fator emocional, 84; Grau, 85; Noções vizinhas, 85; Pejoratividade, 86; Pejoratividade na nominalização, 86; Adjetivos pejorativos, 87; Prefixos pejorativos, 88; Marcas de intensidade, 88; Neutralidade da língua escrita, 89

11. Vocabulário crítico____________________________________________ 90

12. Bibliografia comentada_________________________________________ 92

1

Por que formação

de palavras?

As palavras são elementos de que dispomos permanentemente para formar enunciados.

Quase sempre fazemos uso automático das palavras, sem parar muito para pensar nelas. E não nos damos conta de que muitas vezes estas unidades com que formamos enunciados não estavam disponíveis para uso e foram formadas por nós mesmos, exatamente na hora em que a necessidade apareceu.

Do mesmo modo, quando estamos lendo um artigo no jornal, um livro, etc., em geral não percebemos que algumas palavras do texto não faziam parte do nosso vocabulário anteriormente à leitura.

Por exemplo, pensem nos advérbios formados pela adição do sufixo -mente a um adjetivo. Se encontrarmos em algum texto, digamos, a palavra sinuosamente, é provável que a interpretaremos sem a mínima dificuldade. No entanto, para muitos a palavra poderia estar sendo adquirida no momento e através do próprio ato de leitura.

No exemplo acima, temos uma palavra que outra pessoa usou. Mas, da mesma maneira que autores de artigos e livros, nós também (p. 6) formamos palavras novas frequentemente no uso diário da língua, seja construindo termos como verbalidade ou agilização, característica do discurso formal, seja usando formas só permitidas em situações coloquiais, tais como deduragem, caretice e muitas outras, entre as quais se incluem dezenas de diminutivos e aumentativos..

O processo que entra em funcionamento é bastante simples e claro, pelo menos nos exemplos apontados. No primeiro caso, o sufixo -mente é adicionado à forma feminina do adjetivo sinuoso para formar um advérbio. No segundo, temos o acréscimo do sufixo -idade ao adjetivo verbal para, a formação de um substantivo abstrato; no terceiro, acrescentamos -ção ao verbo agilizar com o objetivo de torná-lo um substantivo.

Nos exemplos da língua coloquial, o mecanismo é igualmente simples, consistindo no acréscimo de sufixos a formas coloquiais ou vulgares da língua falada.

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