O Concito do Lixo e sua coleta

O Concito do Lixo e sua coleta

(Parte 4 de 6)

Hoje já sabemos que, se os países em desenvolvimento passarem a consumir matérias-primas no mesmo ritmo dos países desenvolvidos, poderemos chegar, em um curto espaço de tempo, a um esgotamento dos recursos naturais e a níveis altíssimos de contaminação e geração de resíduos. A situação tem sido amplamente debatida nos fóruns internacionais, nos quais especialistas de todo o mundo apontam uma saída: para que os países pobres do mundo possam aumentar seu consumo de maneira sustentável, o consumo dos países desenvolvidos precisará diminuir. O desafio, de qualquer maneira, impõe-se a todos: consumir de forma sustentável implica poupar os recursos naturais, conter o desperdício, diminuir a geração, reutilizar e reciclar a maior quantidade possível de resíduos. Só assim conseguiremos prolongar o tempo de vida dos recursos naturais do planeta.

Apesar da pobreza em que vive grande parte da população, o lixo brasileiro é um retrato do desperdício. No país, perde-se em média 15% da safra de grãos. Na construção civil, as perdas de materiais chegam a 3% e, nas feiras e supermercados, cerca de 30% do estoque de alimentos vai para o lixo.

Os países desenvolvidos, com somente 20% da população mundial, consomem: •85% do alumínio e químicos sintéticos

•80% do papel, do ferro e do aço

•80% da energia comercial

•75% da madeira

•65% da carne, dos pesticidas e do cimento

•40% da água doce

Fonte: Informe sobre o Desenvolvimento Humano, Nações Unidas, 1998

Questão de sobrevivência

Segundo uma pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), cerca de 43 mil crianças e adolescentes trabalham no lixo no Brasil. São filhos de famílias muito pobres que ganham a vida como catadores de materiais recicláveis. Em alguns lixões, mais de 30% das crianças, em idade escolar, nunca foram à escola. Mesmo aquelas que são matriculadas abandonam os estudos para ajudar os seus pais na catação diária de lixo. É um trabalho desumano e ilegal, que expõe a saúde dessas crianças a todos os tipos de risco. No Programa Lixo & Cidadania, criado em 1998 por iniciativa do Unicef, os catadores são reconhecidos como verdadeiros agentes ambientais. Eles são responsáveis por 90% de todo o material que as indústrias de reciclagem operam no Brasil. Permitem, por exemplo, que o País esteja no primeiro lugar do ranking mundial de reciclagem de latas de alumínio.

Quando organizados em associações e cooperativas, os catadores trabalham em condições mais dignas, produzem mais e melhor. Assim, podem ter uma renda maior, o que lhes permite manter suas crianças na escola e longe do trabalho infantil.

Fontes de informação

Para manter-se informado sobre os resíduos sólidos e a limpeza urbana no Brasil, os interessados poderão acessar na internet uma rede de organismos governamentais e não governamentais que atuam nessa área e geram informações. Consulte os sites abaixo de acordo com o assunto de seu interesse. w.abes-dn.org.br – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária. Informações sobre gestão integrada de resíduos. w.ablp.org.br – Associação Brasileira de Limpeza Pública (ABLP). Informações sobre empresas municipais e profissionais de limpeza pública. w.assemae.org.br – Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento. Informações sobre saneamento nos municípios. w.cecae.usp.br/recicla – Programa USP Recicla. Informações sobre minimização de resíduos etc.. w.cempre.org.br – Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre). Informações sobre reciclagem, empresas recicladoras e coleta seletiva de lixo. w.funasa.gov.br – Fundação Nacional de Saúde. Linhas de financiamento para limpeza urbana. w.ibam.org.br – Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam). Promove cursos de capacitação presenciais e à distância sobre limpeza urbana. w.lixo.com – Informações sobre catadores e sobre lixo. w.missaocrianca.org.br – Para obtenção de bolsa escola para crianças que antes trabalhavam nos lixões. w.mma.gov.br – Ministério do Meio Ambiente. Editais para projetos de limpeza urbana e informações sobre recursos repassados pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente – FNMA. w.recicloteca.org.br – Informações sobre resíduos sólidos, reciclagem etc.. w.unicef.org.br/brazil/lixoecidadania – Programa Nacional Lixo e Cidadania.

Para informações sobre reciclagem de plástico, papel, vidro ou metal, podem ser consultados os seguintes sites: w.abepet.com.br – Associação Brasileira de Embalagens de Pet (Abepet). w.abiquim.org.br – Associação Brasileira de Materiais Plásticos (Plastivida). w.abiplast.org.br – Associação Brasileira da Indústria de Plástico. w.abividro.org.br – Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro. w.bracelpa.com.br – Associação Brasileira de Celulose e Papel. w.latasa.com.br – Latas de Alumínio S.A. (Latasa). Sugere-se que os profissionais se inscrevam no Comitê de Resíduos Sólidos da Abes, no Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre) e solicitem à sua prefeitura que associe o município à Assemae e ao Programa Nacional Lixo e Cidadania (veja sites acima).

O que você pode fazer

Todos nós podemos contribuir para minimizar os problemas causados pelo lixo com pequenas ações no dia-a-dia. Veja algumas dicas: •pensar se realmente precisa de determinados produtos;

•comprar somente o necessário para o consumo, evitando o desperdício;

•planejar a compra de alimentos para não haver desperdício, dimensionando a compra de produtos perecíveis com as reais necessidades da família e com as possibilidades de uso; •comprar produtos duráveis e resistentes, evitando comprar produtos descartáveis;

•reduzir a quantidade de pacotes e embalagens (evitar comprar frutas, verduras e legumes embalados; dar preferência para produtos vendidos a granel - você pode levar de casa a embalagem para esses produtos; escolher produtos com menor número de embalagens; comprar produtos concentrados que possam ser diluídos antes do uso; comprar produtos em embalagens econômicas que possuem menos embalagem por unidade de produto; comprar produtos que tenham refil; levar sacolas ou carrinho de feira para carregar as compras, em substituição às sacolas oferecidas nas lojas e supermercados; colocar o máximo de produtos numa mesma sacola, evitando o uso de duas sacolas sobrepostas; evitar a compra de sacos de lixo, utilizando as sacolas plásticas que embalam as compras); •comprar produtos cujas embalagens são reutilizáveis e/ou recicláveis;

•comprar produtos reciclados e/ou que a embalagem seja feita de um material reciclado;

•escolher produtos de empresas certificadas (ISO 9000 e 14000), que desenvolvem programas socioambientais e/ou que sejam responsáveis pelos produtos pós-consumo; •evitar a compra de produtos que possuem elementos tóxicos ou perigosos;

•consertar produtos em vez de descartá-los e substituí-los por novos;

•doar produtos que possam servir a outras pessoas;

•reutilizar materiais e embalagens;

•separar os materiais recicláveis e encaminhá-los para artesãos, catadores, entidades ou empresas que reutilizarão ou reciclarão os materiais; •fazer sua própria compostagem, quando for possível;

•organizar-se em seu trabalho/escola/bairro/comunidade/igreja e iniciar um projeto piloto de separação de materiais recicláveis; •organizar-se junto a outros consumidores para exigir produtos sem embalagens desnecessárias, como também vasilhames reutilizáveis ou recicláveis; •evitar gastos de papel e outros materiais desnecessários ao embrulhar presentes;

•evitar a queima de qualquer tipo de lixo; se não houver coleta no seu bairro, enterre o lixo em vez de queimá-lo; •evitar a compra de cadernos e papéis que usam cloro no processo de branqueamento;

•não descartar remédios no lixo; o mesmo vale para material usado em injeções e curativos feitos em casa. Procure com o seu farmacêutico ou nos postos de saúde uma alternativa de descarte mais adequada; •ler os rótulos dos produtos para conhecer as suas recomendações ou informações ambientais;

•deixar a bateria usada do seu carro no local onde adquiriu a nova e certificando-se que existe um sistema de retorno ao fabricante; •deixar os pneus velhos nas oficinas de troca, pois elas são responsáveis pelo destino final adequado;

•colecionar dicas ambientais sobre consumo sustentável e compartilhá-las com seus amigos.

Lixo Atividades

1. Introdução ao tema

Uma boa maneira de introduzir o tema é fazer o aluno perceber o que há no lixo. Este exercício pode parecer algo desagradável, mas é importante que os alunos vejam com seus próprios olhos como uma parte significativa do lixo pode ser reciclada. Reúna os alunos em torno de uma mesa grande ou no pátio, onde será feita a análise do lixo. Para isso, os alunos vão precisar de alguns materiais: •Vários sacos de lixo doméstico de uma família com crianças;

•Proteção para as mãos e para as roupas e máscara;

• Balança;

•Sacos plásticos (podem ser sacos usados do supermercado);

•Papel de jornal ou um plástico grande.

Cubra a mesa ou o chão com o plástico grande ou folhas de jornal e despeje o conteúdo dos sacos de lixo.

Não recomendamos a abertura dos sacos com lixo de banheiro; se os alunos e professores quiserem quantificar essa fração do lixo doméstico, recomendamos que o saco fechado seja pesado, tomando as devidas precauções para que ele não se rompa, por questões de higiene. Separe os diferentes materiais e pergunte aos alunos quantas frações de lixo podem encontrar. Separando os resíduos domiciliares na fonte, se usam geralmente as seguintes frações: papéis, plásticos, metais, vidros, resíduos tóxicos, resíduos orgânicos, madeira, resíduos recicláveis ou misturados (ver quadro abaixo). Depois de separadas, reúna cada fração num saco plástico e pese-a. Os alunos podem anotar cada fração e seu peso num papel grande colado na parede. Terminada esta parte da atividade, comece uma discussão com os alunos baseando-se nas seguintes perguntas: •Qual é o peso total do lixo coletado?

•Qual é a fração maior? Que percentual representa?

•O que poderia ser feito com o material orgânico em vez de jogá-lo fora?

•O que poderia ser feito com os papéis, os plásticos, os vidros e os metais?

•Quantos quilos de lixo gera uma família por mês e por ano? •Que problemas geram os lixões?

•Como a quantidade de lixo poderia ser reduzida?

•O que poderia ser consertado, em vez de jogado fora?

•Que coisas podem ser reutilizadas?

Objetivos

Dar subsídios para que os alunos compreendam: •que o lixo gerado em nossos lares pode ser reduzido;

•que o lixo contém elementos reutilizáveis ou recicláveis; •que o manejo inadequado dos resíduos tóxicos representa um perigo para a saúde humana e para o meio ambiente; •a relação entre o manejo do lixo, a saúde pública e a qualidade de vida; •que os lixões contaminam solos, águas e ar;

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